BÖLÜM 2: EUROVİSİON ŞARKI YARIŞMASI
2.2. Yarışma Kurallarına Genel Bakış (Zamanla Değişen Bazı Kurallar)
1.2.4.b.i. Espanha
O Reino da Espanha é um Estado unitário composto por 17 Comunidades Autônomas, segundo a constituição espanhola de 1978 que, em seu artigo 2º afirma
195 Para maior compreensão do caso austríaco vide Peter Bussjäger, “Homogeneïtat i diferencia: sobre la teoria de la distribució de competències entre Bund i Länder a Àustria”. Collecció Institut d‟Estudis Autonòmics. Barcelona: Generalitat de Catalunya, 2010.
90 que “se fundamenta na indissolúvel unidade da Nação espanhola, pátria comum e indivisível de todos os espanhóis, e reconhece e garante o direito de autonomia das
nacionalidades e regiões que a integram e a solidariedade entre todas elas”. O artigo 145
afirma expressamente que “em nenhum caso se admitirá a federação de Comunidades
Autônomas”.
Mas a Espanha pode ser considerada uma federação de fato. O Fórum de Federações a considera em sua listagem como uma das 25 federações do mundo196 justamente
por atuar como uma federação, por suas instituições se assemelharem às das federações e o país funcionar, efetivamente, como uma federação, com uma nítida repartição de poderes.
Para alguns autores, a Espanha é uma federação fictícia,197 devido à existência de
uma forte tendência do governo central à centralização do poder, tentando obstaculizar processos de independência, como se pode verificar no embate Madri- Catalunha. Por outro lado, é possível considerá-la como um país de um unitarismo fictício, levando-se em consideração a atuação autônoma das Comunidades em diversas matérias. A Espanha já foi uma república federal, em 1873.
Para a finalidade desta tese, o modelo espanhol, por conta da descentralização do poder concedido às Comunidades Autônomas, pode ser uma fonte de contribuição em matéria de competências exclusivas e da grande evolução das Comunidades em sua vontade de participar da elaboração do processo decisório de política externa espanhol.
Algumas Comunidades Autônomas destacam-se por sua afirmação histórica como nações individualizadas, com idioma, tradições e cultura muito próprias. O País Basco e a Catalunha constituem as duas Comunidades Autônomas mais conhecidas e atuantes no exterior.198
Com a celebração dos Tratados de Limites com a França, surgiu a possibilidade de que, graças à cooperação transfronteiriça, os povos dos Pirineus pudessem celebrar
196
Disponível em: http://www.forumfed.org/en/where/spain.php Acesso em: 25/10/2013. 197 Nesse sentido vide a obra de Vanessa Suelt Cock, “Federalismo en teoria y práctica: el caso español como proceso federal, estudio de la autonomía regional y local en los sistemas federales”. Curitiba: Juruá, 2010.
198
91 acordos externos em matéria de pastos ou outros assuntos de interesse. Posteriormente, na Constituição de 1931, foi estabelecido que o Estado espanhol se compunha por municípios agregados em províncias e por regiões que se constituíram em regime de autonomia, o que permitiu que estas elaborassem seu Estatuto de Autonomia.
Ainda a Constituição dispôs que correspondia ao Estado espanhol a competência
exclusiva (entre outras matérias) da representação diplomática e consular; a declaração de guerra e tratados de paz; a pesca marítima; o regime tarifário, o regime de extradição e o sistema monetário. As regiões autônomas podiam, não obstante, efetuar a execução material de tratados que dispunham sobre matéria de sua competência.199
Mas ainda que haja competências exclusivas, atualmente, do que se deduz da redação dos artigos 148 (competências das Comunidades) e 149 (competências exclusivas do Estado) da Constituição, aos entes subnacionais espanhóis somente são conferidas as capacidades de contrair acordos internacionais em geral, nomeadamente ius contrahendi. Não se observa a capacidade de contrair tratados internacionais devido à persistência de questões secessionistas.
Nos últimos tempos a Espanha se destacou também pelo êxito no estabelecimento da Conferência para Assuntos Relacionados com a União Europeia (CARUE), ocorrida em 2004. Trata-se de um órgão de colaboração entre o Estado espanhol e as Comunidades Autônomas.
Esta Conferência adotou acordos para regulamentar a participação das Comunidades em quatro formações do Conselho da União Europeia e instâncias preparatórias, tais como: emprego e política social, saúde e consumidores; agricultura e pesca; meio ambiente; educação, juventude e cultura. Posteriormente a participação autonômica foi ampliada a esportes, incluídos na atual formação do Conselho de Educação, Cultura, Juventude e Esporte, e na formação do Conselho de Competitividade a respeito de assuntos relativos a jogos e consumo.
199
92 O sistema de consenso foi resultado de um longo processo no qual as Comunidades Autônomas vinham reclamando que a defesa de suas competências requeria uma maior participação nos assuntos europeus. Ainda que o atual sistema tenha a virtude de incorporar as Comunidades Autônomas no processo de elaboração de normas e das políticas da União Europeia, estas passaram por numerosos problemas200.
Conclui-se, portanto, que apesar de apresentar as características de competências exclusivas, além do devido encaminhamento para a participação no processo decisório de política externa, os entes subnacionais espanhóis não apresentam a capacidade de concluir tratados internacionais. Tal fato permite a possibilidade de considerá-los como sujeitos parciais do Direito Internacional.
1.2.4.b.ii. Rússia
Na Europa oriental, antes da formação da Ex-URSS, as antigas Repúblicas soviéticas desfrutaram de capacidade internacional plena, perdendo-a parcialmente em 1923 com a criação de um Ministério de Assuntos Exteriores. A Constituição da extinta URSS de 1936 estabeleceu, no entanto, que as Repúblicas federadas possuíam o direito de manter contatos diretos com terceiros Estados, incluindo-se a celebração de acordos internacionais.
Já a Constituição de 1977, mais expansionista e orientada a multiplicar sua participação em conferências e tratados internacionais, reconheceu a possibilidade de que as propostas sobre a conclusão de tratados internacionais pudessem ser apresentadas pelas entidades federadas201.
Trata-se do maior país federal do mundo, com um federalismo altamente centralizado e complexo pela diversidade dos tipos de unidades integrantes, 89
200 Para uma compreensão mais aprofundada ver: Susana Beltrán García, “Una salida para la representación de las comunidades autônomas en el Consejo de la UE”, in: Revista CIDOB d’afers
internacionals, nº 99. Barcelona, 2012, p.133-156; Mirna Nouvillas Rodrigo, “Las oficinas regionales
em Bruselas: ¿la clave para una participación efectiva en la UE?, in: Revista CIDOB d’afers
internacionals, nº 99. Barcelona, 2012, p.113-131. 201
93 unidades federativas sendo 21 Repúblicas (com maior nível de autonomia) 49 Oblasts (regiões), seis Krais (territórios), 10 Okrugs (distritos autônomos), um Oblast autônomo e duas cidades federais (Moscou e São Petersburgo). A Constituição Russa de 1993 define as relações internacionais como competência da
União, mas tem havido um aumento crescente das relações internacionais de governos subnacionais. 202
Portanto a Rússia goza apenas da capacidade de contrair acordos internacionais em geral ou ius contrahendi.
O federalismo na Rússia é um instrumento de separatismo da República da Chechênia, o que torna o tema da descentralização um tabu para o Estado.
Pode-se afirmar ainda que haja a possibilidade de uma parca participação dos entes federativos russos no processo decisório de elaboração da política externa e de sua capacidade para contrair acordos internacionais, a Rússia não permite a celebração de tratados internacionais e se afasta do tema da responsabilidade internacional aos seus entes subnacionais.
Assim, os entes federativos russos podem ser considerados sujeitos parciais de Direito
Internacional.