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BÖLÜM 1: KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

1.6. Araştırma Metodolojisi

A Bélgica foi um Estado centralizado até 1970; entre 1970 e 2001, ocorreram 5 reformas políticas importantes pelas quais o país passou a ser um Estado federal. Atualmente a Bélgica é um Estado federal com 6 entidades subnacionais diferentes. O artigo 167 da Constituição belga confere às regiões e às comunidades o direito de

celebrar tratados internacionais, ou ius ad tractatum ou treaty making power, os quais devem ser aprovados por seus respectivos conselhos.

Artigo 167.

§1º. O Rei gerencia as relações internacionais, sem prejuízo da

capacidade de as comunidades e as regiões se comprometerem em

190Para um estudo mais aprofundado ver: Gilberto Marcos Antonio Rodrigues, “Política externa federativa: análise de ações internacionais de Estados e municípios brasileiros”. Tese de doutorado. São Paulo: PUC, 2004, p. 76-77.

86 cooperação internacional, incluindo a assinatura de tratados para aquelas matérias dentro de suas responsabilidades como estabelecido pela Constituição ou em virtude dela. O Rei comanda as forças armadas e determina a guerra com o cessar de hostilidades. Ele notifica às Câmaras assim que os interesses do Estado e a segurança permitirem a ele as mensagens que considerar apropriadas. Transferências territoriais, intercâmbios e adições devem ocorrer somente em virtude de lei.

§2º. O Rei celebra tratados com exceção daqueles descritos no §3º. Tais tratados somente têm efeito após aprovação das Câmaras. §3º. As Comunidades e os Governos Regionais descritos no Artigo 121

concluem, em assuntos de sua competência, tratados sobre temas incidentes no âmbito da responsabilidade de seus Conselhos. Estes tratados serão efetivos apenas após sua aprovação pelo Conselho.

§4º. Uma lei adotada por maioria de votos, conforme descrito pelo Artigo 4º, último parágrafo, especifica os termos para a conclusão de tratados descrita no §3º, e daqueles tratados que não digam respeito exclusivamente às questões de competência das regiões e das comunidades ou em virtude desta Constituição.

§5º. O Rei pode denunciar tratados concluídos antes de 1993 que se

refiram aos assuntos do §3º de comum acordo com as comunidades e os governos regionais. Uma lei adotada por maioria de votos, como descrita no Artigo 4º definirá o procedimento no caso de um eventual desacordo entre as comunidades e os governos regionais.

Segundo esta estrutura, o Rei da Bélgica não pode assinar, ratificar ou denunciar tratados que versem sobre as competências exclusivas das comunidades e regiões, bem como não pode denunciar tratados celebrados anteriormente à revisão constitucional sem que esteja de comum acordo com seus entes subnacionais.

Há uma clara uma divisão de competências em matéria de tratados. A maior contribuição que o Estado belga traz à matéria é a questão concernente às

competências exclusivas. Trata-se de um aspecto específico da federação belga, que não conta com um sistema de competências compartilhadas ou concorrentes. Uma vez que se descentraliza uma competência específica para as regiões ou comunidades, passa a ser de competência exclusiva e única da região ou da comunidade em questão. O Estado conserva atualmente competências em matéria de justiça e assuntos de interior, assuntos exteriores, assuntos financeiros e econômicos, transporte, telecomunicações e energia, emprego, política social,

87 saúde, direito do trabalho, pensões, previdência social e proteção dos consumidores e meio ambiente191.

Como competências exclusivas dos entes subnacionais belgas, pode-se sinalar: competitividade (quando concerne a indústria ou a pesquisa); educação, juventude, cultura e esporte.

As competências exclusivas supõem um nível muito elevado de simetria de poderes entre os entes subnacionais e entre o Estado belga e seus entes subnacionais. Esta

simetria, somada às competências exclusivas das regiões e comunidades, constitui a pedra angular do atual sistema belga192.

Trata-se de uma condição específica para que os entes subnacionais realmente possam representar plenamente seus Estados federados.

Isso porque a simetria também consiste no fato de não existir uma relação hierárquica entre os representantes do governo federal e os representantes dos governos subnacionais. Portanto, os entes subnacionais belgas participam do processo

decisório de construção da política externa belga.

Assim, é de supremo valor compreender que o marco institucional belga se baseia na igualdade entre o Estado nacional e as entidades subnacionais. O princípio de igualdade dá lugar a um aspecto fundamental: o Estado deve acordar uma posição comum com os governos subnacionais, que será a que se defenderá na reunião do Conselho de Ministros da União Europeia. Esta posição comum não é resultado de um procedimento em duas fases. Evidentemente o número limitado de regiões ou comunidades facilita este aspecto. 193

A Bélgica, portanto, apresenta um modelo institucional de competências exclusivas que é um dos que mais se aproxima de um modelo no qual a responsabilidade

compartilhada entre o Estado belga e seus entes subnacionais poderia ser aplicada.

191 Alexander De Becker, “La representación de Bélgica en el Consejo de la UE y la participación directa de las regiones”, in: Revista CIDOB d’afers internacionals, nº 99. Barcelona, 2012, p.42; 44. 192 Becker, op.cit., 2012, p.50.

193

88 Devido à simetria e ao instituto da competência exclusiva, pode-se considerar que os entes subnacionais belgas sejam sujeitos que muito se aproximam da condição de

sujeitos completos de Direito Internacional, podendo, eventualmente, responder internacionalmente por seus atos.

1.2.4.a.iv. Áustria

A Áustria é uma federação composta por 9 Estados-membros e sua descentralização é considerada alta. Após a reforma constitucional de 2002 a possibilidade de atuação internacional dos Länder austríacos foi ampliada. Como regra, o governo federal detém a prerrogativa das relações exteriores, de acordo com o artigo 10 da Constituição Federal. Contudo, o dispositivo afirma que tal atribuição não “retira a competência dos Estados-membros”, conforme sua redação:

Artigo 10 – Legislação e Execução Federal

(1) A Federação tem o poder de legislar e executar as seguintes matérias: 2. Relações exteriores incluindo representação política e econômica com outros países em particular na conclusão de tratados internacionais, o que não retira a competência dos Estados-

membros, de acordo com o artigo 16, parágrafo 1º; demarcação de fronteiras, comércio de bens e animais com outros países; vistoria aduaneira.

Artigo 16 – Conclusão de tratados

(1) Em assuntos que sejam de sua esfera de competências, os Länder

podem concluir tratados com Estados, ou seus Estados constitutivos, que façam fronteira com a Áustria.

(2) O governador deve informar ao Governo Federal antes de iniciadas as negociações para tal tratado. O assentimento do Governo Federal deve ser obtido pelo governador antes da conclusão. A aprovação deve ser considerada como dada pelo Governo Federal se dentro de oito semanas a partir da data em que a solicitação de aprovação chegar à Chancelaria Federal o Governador não for avisado sobre a rejeição. A autorização para

iniciar as negociações e concluir o tratado é incumbida ao Presidente Federal depois da recomendação do Governo do Land e com a contra- assinatura do governador.

(3) Os tratados concluídos por um Land, de acordo com o parágrafo 1º acima devem ser denunciados por solicitação do Governo Federal. Se os Länder não cumprirem completamente com esta obrigação, a competência passa ao Governo Federal194.

194

89 Assim, aos Länder austríacos é permitido concluir tratados com Estados e com Estados que façam fronteira com a Áustria, caracterizando a autorização para acordos transfronteiriços, portanto possuem o ius ad tractatum ou treaty making power. Conforme a redação do referido artigo, o governo federal deve ser comunicado antes de iniciadas as negociações sobre o tratado e o governo federal terá um prazo de oito semanas para responder sobre a demanda ou simplesmente sua não resposta é considerada como um aceite à proposta de tratado.

Resta analisar a última parte do artigo, que estabelece as obrigações de cumprimento do tratado. Interessante observar que se o Länder não cumprir com as obrigações estabelecidas, a competência passa para o Governo Federal. Significa dizer que os Länder austríacos são exclusivamente responsáveis por suas obrigações na seara

internacional e o governo federal é o responsável subsidiário. Ao mesmo tempo, salienta-se que o governo federal poderá denunciar os tratados concluídos pelos Länder, o que confere uma autonomia limitada aos mesmos.

Nessa equação entre responsabilidade exclusiva e autonomia limitada há um espaço claro para se considerar o modelo no qual uma responsabilidade compartilhada

entre o Estado austríaco e seus entes subnacionais poderia ser aplicada.

Assim, pode-se considerar que os entes subnacionais austríacos também se

aproximem da condição de sujeitos completos de Direito Internacional, podendo responder internacionalmente por seus atos195.