BÖLÜM 2: EUROVİSİON ŞARKI YARIŞMASI
2.5. Eurovision Şarkı Yarışmasıyla Ünlü Olmuş Sanatçılar
Em relação aos Estados Unidos, desde 1776 até 1783 houve uma união ou federação de Estados na qual os Estados possuíam elementos próprios de soberania. Em 1783 a União se converteu em Estado federal e a partir de então começaram a surgir múltiplas dificuldades.
Formada por 50 Estados e 1 Distrito Federal e 19.492 municípios203, a federação
estadunidense surgiu por agregação, a partir da união germinal das 13 colônias. A constituição de 1783 não definiu com clareza a quem pertencia a capacidade de celebrar tratados, o que foi interpretado por parte da literatura estadunidense como favorável aos Estados federados.
A Suprema Corte decidiu, em 1869, depois da secessão de vários Estados do Sul e da guerra civil que a União Americana era indestrutível, o que se projetou em uma interpretação constitucional restritiva, de que somente a federação poderia celebrar tratados. Não obstante, os Estados federados seguiram celebrando acordos de natureza distinta dos tratados internacionais e, hoje, predomina uma interpretação constitucional favorável à celebração de acordos diferente dos tratados, estes sendo de exclusiva competência da União.
Significa que os entes federativos estadunidenses tem apenas a capacidade de contrair acordos internacionais em geral, nomeadamente ius contrahendi.
203
Disponível em: http://www.census.gov/govs/go/municipal_township_govs.html . Acesso em: 15/10/2013.
95 A partir da década de 1970 os entes federativos estadunidenses começaram a perseguir interesses locais no campo internacional, estabelecendo mais recursos humanos e físicos voltados aos assuntos internacionais, sobretudo comerciais204.
Ainda que a Constituição seja vaga relativamente à competência internacional dos Estados, isso não impediu que eles tivessem aberto 183 escritórios de representação no exterior, sendo que 13 Estados têm escritório em São Paulo,205 e assinado
milhares de acordos com países terceiros sem que a União veja nessa conduta uma violação de soberania.206
O caso dos Estados Unidos da América suscita situações de extrema relevância na esfera jurídica internacional. O país já foi objeto de várias demandas internacionais, e algumas delas serão oportunamente estudadas nesta tese, a respeito de ilícitos internacionais cometidos por seus Estados federados.
Ocorre que os Estados federados dos Estados Unidos são considerados
independentes para seus temas de competência interna, mas, quando ferem dispositivos de tratados internacionais, não são considerados capazes para cumprir com responsabilidades internacionais. Isso gera um problema interno de difícil solução.
Portanto, apesar de considerarem seus Estados federados independentes e apresentarem competências exclusivas, os entes federativos estadunidenses, por terem apenas a capacidade de contrair acordos internacionais em geral, ou o ius contrahendi, e por não participarem do processo decisório de elaboração da política externa, podem ser considerados sujeitos parciais de Direito Internacional.
204
Para um estudo mais aprofundado vide: Rodrigues, op.cit., 2004 (a), p. 64-66; Ironildes Bueno da Silva, “Paradiplomacia Contemporânea: Trajetórias e Tendências da Atuação Internacional dos Governos Estaduais do Brasil e EUA”. Universidade de Brasília: Tese de Doutorado em Relações Internacionais, 2010.
205 São eles: New York, Wisconsin, Maryland, Ohio, Virginia, Florida, Georgia, Massachusetts, Nevada, North Carolina, Pennsylvania, Philadelphia, Texas (Porto de Houston).
206John Kincaid, “The International Competence of US States and their Local Governments”, in: Paradiplomacy in Action: The Foreign Relations of Subnational Governments, Francisco Aldecoa e Michael Keating (eds.). London e Portland: Frank Cass, 1999, p. 111 e 129.
96
1.2.4.b.v. México
Assim como o Brasil, o México é uma federação tripartite, contém 31 Estados, um Distrito Federal e 2.438 municípios207. O federalismo já se encontrava presente na
Constituição de 1824, mas seu marco contemporâneo se inscreve na Constituição de 1917. O processo de descentralização se aprofundou com a reforma constitucional de 1999 que alçou os municípios à condição de entes federados208.
Deve-se salientar que o artigo 117 da constituição proíbe expressamente que os Estados
celebrem tratados com outros Estados ou potências estrangeiras e contraiam empréstimos no estrangeiro, mantendo um centralismo sobre as Relações Internacionais.
Apesar de o artigo 89 da constituição tratar da competência exclusiva do Presidente da República, há uma Lei de Celebração de Tratados de 1992 que determina que as entidades e organismos descentralizados de qualquer nível de governo devem
informar a Secretaria de Relações Exteriores sobre os acordos interinstitucionais que celebrem com governos estrangeiros ou com organizações internacionais, com a finalidade de que a Secretaria verifique a necessidade de autorizá-lo209. Sob este escopo os entes subnacionais
mexicanos celebram acordos internacionais.
Por possuírem apenas a capacidade de contrair acordos internacionais em geral, ou o ius contrahendi, os entes federativos mexicanos podem ser considerados como
sujeitos parciais de Direito Internacional.
1.2.4.b.vi. Argentina
A federação argentina é formada por 22 províncias, 1 Distrito Federal, 1 território nacional e 5 regiões. Trata-se de um Estado com a forma federativa desde 1853- 1960.
207 Disponível em: http://www.municipios.com.mx/ . Acesso em: 15/07/2013. 208 Rodrigues, op.cit., 2004, p.69-71.
209
Para maior aprofundamento ver: Rodrigues, op.cit., 2004 (a), p.69-71; Paulino E. Arellanes Jimenez, “El Municipio Mexicano y las Relaciones Internacionales”, Puebla: BUAP, 2009; Rogelio Hernández Rodríguez, “El centro dividido: la nueva autonomía de los gobernadores”. México D.F.: El Colegio de México, Centro de Estudios Internacionales, 2008; Branco, op.cit., 2009, p. 82- 84; Barros, op.cit., 2009, p.114-116.
97 Em 1994, com a reforma constitucional, a constituição argentina passou a dispor expressamente sobre o poder de celebrar tratados das Províncias argentinas e da cidade de Buenos Aires. Na América Latina, foi a Argentina quem inaugurou a cláusula constitucional da diplomacia federativa.
Artigo 123.- Cada província dita sua própria constituição, de acordo com o disposto no Artigo 5º. assegurando a autonomia
municipal e regulamentando seu alcance e conteúdo na ordem institucional, política, administrativa, econômica e financeira.
Artigo 124.- As províncias poderão criar regiões para o desenvolvimento econômico e social e estabelecer órgãos próprios para o cumprimento de suas finalidades e poderão também celebrar
convênios internacionais que não sejam incompatíveis com a política externa da Nação, desde que não afetem as competências do Governo federal ou o crédito público da Nação; com conhecimento do Congresso Nacional. A cidade de Buenos Aires terá o regime em que se estabeleça este efeito.
Corresponde às províncias o domínio originário dos recursos naturais existentes em seu território.
Artigo 125.- As províncias podem celebrar tratados parciais para fins de
administração de justiça, de interesses econômicos e trabalhos de utilidade comum, com conhecimento do Congresso Federal; e promover sua indústria, a imigração, a construção de ferrovias e canais navegáveis, e a colonização de terras de propriedade provincial, a introdução e estabelecimento de novas indústrias, a importação de capitais estrangeiros e a exploração de seus rios, por leis protetoras para estas finalidades, e com seus recursos próprios.
As províncias e a cidade de Buenos Aires podem conservar organismos de seguridade social para os empregados públicos e os profissionais; e promover o progresso econômico, o desenvolvimento humano, a geração de emprego, a educação, a ciência, o conhecimento e a cultura.
Artigo 126.- As províncias não exercem o poder delegado para a Nação. Não podem celebrar tratados parciais de caráter político; nem
expedir leis sobre comércio, ou navegação interior ou exterior; nem estabelecer alfandegas provinciais; nem cunhar moeda; nem estabelecer bancos com faculdades de emitir dinheiro, sem autorização do Congresso Federal; nem ditar os Códigos Civil, Comercial, Penal e de Mineração, após o Congresso tê-los sancionado; nem ditar especialmente leis sobre cidadania e naturalização, falência, falsificação de moeda ou documentos do Estado; nem estabelecer direitos de tonelagem; nem armar navios de guerra ou levantar exércitos, salvo o caso de invasão exterior ou de um perigo tão iminente que não admita espera, informando o Governo federal; nem nomear ou receber agentes estrangeiros.
Artigo 127.- Nenhuma província pode declarar, nem fazer a guerra
contra outra província. Suas demandas devem ser levadas à Corte Suprema de Justiça e dirimidas por ela. Suas hostilidades de fato são atos de guerra civil, qualificados como sedição ou motim, que o governo federal deve sufocar e reprimir conforme a lei.
Artigo 128.- Os governadores das províncias são agentes naturais do
Governo federal para fazer cumprir a Constituição e as leis da Nação.
Artigo 129.- A cidade de Buenos Aires terá um regime de governo
autônomo, com competências próprias de legislação e jurisdição, e seu chefe de governo será eleito diretamente pelo povo da cidade. (grifou-se)
98 Com efeito, é reconhecido às províncias argentinas o treaty-making power, com alguns limites. De acordo com o art. 124 da Constituição, “as províncias podem criar regiões para o desenvolvimento econômico e social e estabelecer órgãos com faculdades para o cumprimento dos seus fins e poderão também celebrar convênios internacionais tanto quanto não sejam incompatíveis com a política exterior da nação (...)”.
A reforma constitucional promovida na Argentina no início da década de 1990 buscou atender aos anseios da corrente política que lutava pela implantação do “verdadeiro federalismo”, através de disposições que garantissem maior autonomia para as províncias em suas áreas de atuação.210
Nesse sentido o caso da Argentina se revela como o caso mais emblemático da América Latina para o desenvolvimento da paradiplomacia federativa. O reconhecimento constitucional da autonomia de seus entes federativos e a concessão da capacidade para celebrar tratados no âmbito de suas competências é um exemplo de regulamentação constitucional sobre a matéria. Daí poder-se considerar os entes federativos argentinos como sujeitos parciais de Direito Internacional.