3. YAPAY SİNİR AĞLARI
3.5. Yapay Sinir Ağlarının Tarihçesi
Tony Hits é um nome que a gente criou há seis anos atrás.Eu tinha que fazer um programa de rádio e tinha que ter um nome artístico. A idéia do programa era mostrar as músicas dos bailes, na qual a referência maior era o samba-rock. A gente fez o programa, que fez muito sucesso, durante três anos, na rádio imprensa. Depois disso, a gente criou uma equipe chamada de Clássicos da Nostalgia, já fazíamos as festas aqui no Grenn Express ás sextas feiras.
Minha história com o samba-rock começou em 1967, quando eu comprei o primeiro disco. Eu conheci essa cultura, esse estilo de dança, essas festas, quando eu era garoto. Me apaixonei pelas músicas, comprei o meu primeiro disco em 1967 (Hit Road Jack) e, a partir daí, eu comecei tocar estas músicas nos bailes. Essa história de samba-rock já existia antes de mim. Isso começou em 1957, no bairro da Barra Funda. Com bailes que eram feitos nos intervalos das grandes orquestras. Havia as orquestras tocando e nos intervalos, colocava-se o som mecânico. E uma das pessoas que começou com essa história foi o Sr. Oswaldo (primeiro DJ do Brasil), que está vivo até hoje para contar essa história.
Os primeiros bailes black foram criados para as pessoas de poder aquisitivo menor, pessoal que não tinha dinheiro para ir nos bailes orquestrados. Porque nos anos 50, os bailes que prevaleciam eram os bailes de orquestra. Eram bailes onde a pessoa precisava comprar um terno, precisava ter um sapato bom para ir. O povo de bairro não tinha condições financeiras para ir a essas festas. Então, foram criados esses bailes, com som mecânico (sem orquestra). Eram bailes baratos, feitos em casa, na garagem, nas Sociedades Amigos de Bairro, nos salões dos bairros, para dar condições
para que essas pessoas pudessem também participar de festas. Isso foi se alastrando por toda a grande São Paulo.
Na década de 70, quando eu comecei a fazer estas festas, em salão, já existiam vários pontos em São Paulo onde aconteciam estas festas. Só que estas festas eram muito restritas. Estas festas foram criadas pelo negro. É uma festa do gueto. Eles sempre se isolaram muito, com esta história das festas deles.Nestas festas, eles tinham os trajes deles, as formas deles dançarem. Outras culturas, outras pessoas não entendiam muito as festas deles. Então, ficou uma coisa muito fechada, durante muitos anos.
A partir dos anos setenta, isso se alastrou pela cidade de São Paulo. Mas tudo direcionado ao povo black. Direcionado às pessoas que realmente gostavam dessa cultura. Eu sempre fiz isso, sempre toquei esse estilo, embora tenham surgido modas novas, como o funk, o soul, o pop. Vieram um monte de modismos musicais, mas o samba-rock sempre resistiu a tudo isso.
Porque é um estilo de dança. Não é um estilo de música.
O samba-rock é um estilo de dança, porque se pode dançar com tom Jobim, Elza Soares, Jorge Bem, Glenn Miller,Ray Coniff, George Benson. Esses são exemplos da qualidade musical, que há nestas festas.
Tem gente que me pergunta: isso vai virar moda?
Pode virar moda, mas modinha, não.Porque a qualidade musical é muito grande. Então, as pessoas hoje que não conhecerem o samba-rock, que não souberem o que são estas festas, jamais conseguirão fazer igual.Não é que eu queira, que eu fique representando isso a vida inteira. Eu não quero.
Por isso, eu tenho indicado vários djs, bandas como: o Clube do Balanço, Farofino, Sambasonic. Que hoje, estão fazendo muito sucesso em São Paulo.
Eu tenho indicado para isso crescer.Ter uma forma de divulgação muito maior.
Como eu já disse nos anos 70 era muito mais restrito.A partir do final dos anos 90 e 95, mais ou menos, até os dias atuais, o samba-rock, foi divulgado para um outro tipo de público. Haja vista, você, (um universitário querendo conhecer esta história). Isso não existia, era uma festa muito restrita à periferia e ao povo negro. Hoje, não. Hoje as pessoas de faculdade, os intelectuais, o cara que tem grana, o empresário, enfim, todo mundo dançando samba-rock. Todo mundo indo para as escolas de dança, para aprender a dançar samba-rock.
Há cinco anos atrás, não se via uma escola com propaganda do tipo: aulas de samba-rock. Atualmente, todas as escolas de dança têm aulas de samba-rock.
Desenvolveram-se professores para samba-rock. Eu desenvolvi um projeto junto com o professor Moskito, há dois anos e meio atrás, que se chama: Projeto Dançar. Foi uma idéia de reunir professores, para mostrar a arte dessa dança para muita gente.Hoje, se encontram todos os tipos de pessoa, com níveis sociais diferentes, de cultura, de raça, que dançam samba- rock.
É uma história que se espalhou pelo mundo. Hoje existem vários pontos do mundo que tocam samba-rock.Tocam exatamente o que a gente e eu particularmente cultuei durante trinta e cinco anos da minha vida. Que foi o estilo samba-rock.
Eu toco para universitário, eu toco pro negro (que a gente chama de nego véio), que são pessoa que curtem há mais de trinta anos, eu toco pros garotos de dezesseis, dezessete anos. Todos eles têm a mesma sintonia, todos eles dançam e gostam do samba-rock.
É uma pena que o samba-rock não tenha sido mostrado em outras épocas. Talvez tenha sido por falta de oportunidade, também, em relação á mídia. A mídia tomou conhecimento, só há pouco tempo, um pouco mais que cinco anos.Os jornais e a televisão tomaram conhecimento do estilo, viram que era uma coisa boa e de qualidade. Nas festas, por exemplo, eu posso te garantir, não tem briga, não tem droga. Não rola droga, não rola briga. As pessoas não têm nem tempo para isso. É tão envolvente a forma de se dançar, a pessoa se envolve tanto com aquilo durante a noite inteira, que quando ele vê, o dia amanheceu.
Eu sempre digo para as pessoas: conheçam o samba-rock.