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2. ZAMAN SERİSİ ANALİZİ

2.3. Box-Jenkins Modelleri

2.3.1. Doğrusal durağan stokastik modeller

29 A palavra “assistir”, não quer dizer que as pessoas vão aos shows para somente ver a banda. “Assistir está

querendo dizer que o público, em geral, (por não saber dançar) assiste ao show e" balança “o corpo, mas não dança samba-rock. Isto não é uma regra, pois há sempre, pessoas que sabem dançar”.

Como já exposto anteriormente, danças como o samba, maxixe, tango, salsa e o samba-rock, dentre outras, surgiram a partir da convivência entre diferentes tipos de dança. Junta-se aí, sem hierarquia, a memória cultural repleta de sons, erotismos, risos, festas, crenças, brincadeiras que colaboraram para a sedimentação de tais dança em seus países. O corpo é o lugar onde todas esses objetos culturais aparecem como dança. Canclini (2003) apresenta a hibridação como um processo fundamental para emergência do novo. Isto vem de encontro ao fenômeno do samba-rock.

Como a hibridação funde estruturas ou práticas sociais discretas para gerar novas práticas?Às vezes, isso ocorre de modo não planejado ou é resultado imprevisto de processos migratórios, turísticos e de intercâmbio econômico ou comunicacional. Mas freqüentemente, a hibridação surge da criatividade individual e coletiva (Canclini, 2003: xxii).

Os passos que compõem cada tipo de dança são, eles mesmos, um registro da sua história, o que significa dizer que também pertencem a um fluxo de transformações. Não sendo, portanto, passos puros, é a história de seus processos de hibridação que aparece quando o corpo dança. Este tipo de relato que está no corpo que dança samba-rock.

O samba-rock é uma dança codificada, ou seja, composta de giros, enlaces e diferentes deslocamentos pelo espaço. O modo como ele é dançado atualmente difere, em alguns aspectos, do modo como era dançado no final dos anos sessenta, quando surgiu. Não há registros visuais sobre esse dado, mas, segundo Hits (2005), no baile, samba se dançava com a música do samba, e rock com a do rock. Havia, no início, esta distinção. Com o tempo, as fronteiras entre essas danças se tornaram mais permeáveis.

O giro do rock entrou no samba quando os dançarinos, ao invés de permanecerem agarrados durante a dança do samba, se afastaram, liberando

espaço entre eles, conectando-se somente pelas mãos. Essa postura deu ao corpo a possibilidade de girar31. Pode-se dizer que este tipo de giro, sendo uma unidade que compunha a dança rockabily, transferiu-se para o jeito de se dançar o samba.

O giro foi um meme, uma cópia que se replicou entre os dançarinos e ganhou estabilidade ao longo do tempo. Quando uma informação “adentra” no corpo, ela pode ou não se estabelecer com permanência e longevidade. Toda informação nova promove acordos com as informações que já eram estáveis antes de sua entrada. Um acordo bem sucedido pode ser chamado de híbrido. Portanto, o giro foi um meme poderoso, que contribuiu para o surgimento do samba-rock. Essa unidade32 migrou para o samba e lá se amalgamou e se transformou. O giro, ao longo do tempo, pela trocas e acordos que foi realizando se transformou também em rodopio33 (que acontece quando o corpo gira e ao mesmo tempo se desloca lateralmente).

Observando hoje um casal dançando samba-rock, nota-se um rico repertório de enlaces que se combinam com giros e rodopios, promovendo figuras que aparecem e desaparecem, construindo, com isso, entrelaçamentos maleáveis que iludem a percepção.

No samba-rock, através dos giros e rodopios e do enlace dos braços, o casal desenha inúmeras figuras. Os braços se cruzam e se torcem de diversas maneiras; nós são feitos e desfeitos com torções e enlaces que acontecem no tronco, no pescoço e no quadril. As articulações dos braços, ombros, mãos e

31 Que, neste caso, significou a possibilidade do corpo dar uma volta de 360º em seu eixo vertical. 31 Não no universo do samba-rock o termo “rodopio”, aqui ele é usado para diferenciar-se do giro.

32 O rock desta época era composto, não somente de giro, mas também de salto e elevações de pernas, entre

outras coisas. O giro é uma unidade desta dança.

dedos se dobram e redobram como fios que tecem um bordado, chegando ao máximo grau de entrecruzamento, para, logo em seguida, se desfazerem com novos rodopios e desenlaces. Estes movimentos acontecem sem interrupção e compõem continuamente um mosaico de figuras móveis que se interpenetram umas nas outras. O tronco se torce à frente, atrás e ao lado, com curvas que dão aos braços maiores possibilidades de encaixe. Toda a condução dos passos se dá pelo leve contato entre as superfícies das mãos, que deslizam umas nas outras como eixos e dão às articulações dos braços e ombros graus de liberdade que favorecem seus enlaces e permitem os giros e rodopios do corpo.

As pernas do casal dançam de modo diferente. A mulher se desloca lateralmente, afastando e unindo as pernas, ou rodopiando seu corpo e marcando o compasso da música em quatro tempos. Com esta base rítmica, que não se altera do início ao final da música, ela se desloca à frente, atrás e ao redor do homem. Ele se desloca no sentido contrário ao movimento dela, transferindo e variando os apoios dos pés sem necessitar acompanhar a cadência do tempo musical da mesma forma que ela. Com movimentos à tempo e à contratempo, o homem se aproxima e se distancia, gira em seu eixo corporal, rodopia e se desloca ao redor dela.

O homem e a mulher são o Mestre Sala e a Porta Bandeira do samba- rock.

O samba-rock pode ser considerado uma fusão34 do samba com ritmos americanos, como o bebop, o jazz e o soul. A expressão samba-rock apareceu no final dos anos 60 para designar essa mistura do samba brasileiro com a harmonia americana do blues, o pai do rock. Em 1958, Jackson do Pandeiro, na sua canção chiclete

com banana usou o termo samba-rock. Na década de 70, existiam

34 Fusão é um conceito não adotado nesta pesquisa, visto que o mesmo não explica o fenômeno da

várias expressões para designar o ritmo: samba-jazz, sambalanço etc (Moskito, 2005: em anexo).

O samba-rock traz uma história que ainda não foi contada: a história dos dançarinos anônimos da cidade de São Paulo, que criaram uma nova dança ignorada pelos meios de comunicação (jornais, rádio, tevê e revistas) por quase quatro décadas.

Para compreender a dança como um relato de hibridações, será preciso considerar que as informações do ambiente se transformam em corpo e que esse corpo também atua no ambiente. Uma via de mão dupla. Ao se trabalhar com processos de transformação das informações pelo corpo e pelo ambiente, sempre simultaneamente e em mão dupla, é possível dar à dança de salão um modo de explicação que não separa o conceito de natureza do conceito de cultura. Torna-se possível apresentá-los formando uma parceria co– dependente. Esse é o princípio que norteia a presente dissertação.

O organismo e o ambiente não são realmente determinados de maneira separada. O ambiente não é uma estrutura imposta do exterior aos seres vivos, mas, de fato, uma criação co-evolutiva35

com eles. O ambiente não é um processo autônomo, mas uma reflexão da biologia das espécies. Assim como não há organismo sem ambiente, dificilmente há ambiente sem nenhum organismo. O ponto chave é que os seres vivos e seus ambientes se situam em relação, uns com os outros, através de suas especificações mútuas ou de uma relação de co-determinação. As regularidades ambientais são resultado de uma história conjunta, de uma harmonia que nasce desta história co-evolutiva. Assim o organismo é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da evolução (Greiner, 2005: 44).

2.4 Aula de Samba-Rock

35 Coevolução é um conceito que vem da Biologia. Segundo Dawkins (2000), a coevolução é um termo

normalmente usado para indicar uma evolução mútua em diferentes espécies. Um exemplo está entre as flores e os insetos que dentro do processo de polinização coevoluem. Ou também: a corrida de alta velocidade de um predador coevolui com acorrida de alta velocidade de sua presa.