I. BÖLÜM
2.11. Yapılandırmacı (Constructivist) Yaklaşımda Tarihsel Doküman Kullanmanın
Controlando e regulando as populações de hospedeiros, mantendo-as num equilíbrio dinâmico e natural, o surgimento de uma doença numa dada população é uma consequência auto-limitante da quebra desse equilibro dinâmico. Tais quebras ocorrem quando as populações de hospedeiros, do vetor ou do agente patogênico aumentam, ultrapassando seus limites naturais, causando um aumento na taxa de infecção ou re-infecção, devido ao aumento da probabilidade de exposição à doença. Uma grande população pode explorar excessivamente, os recursos alimentares da região e causar uma falha, podendo disparar uma manifestação epidêmica da doença. Fato que várias espécies de morcegos vivem em colônias de centenas, milhares ou, em alguns casos, de milhões de indivíduos, sem serem destruídos por doenças infecciosas, é uma prova do equilibro existente entre os hospedeiros e sua comunidade microbiana (Miranda, 1996; Bredt, 1996).
Existem muitos defeitos na vigilância. O controle e prevenção da doença possuem recursos financeiros inadequados e uma falta de interesse político. Contudo é possível fazer alterações práticas na forma de como as campanhas anti-rábicas são conduzidas, que provavelmente serão benéficas, sem o aumento dos custos globais (Cliquet e Picard-Meyer, 2004). Na região sudeste do Brasil, durante 2005 teve 449 casos de raiva bovina e 115 em morcegos. Minas Gerais é um dos três estados com mais casos de raiva bovina e eqüina. A distribuição dos casos de raiva animal no Brasil apresenta uma distribuição diferente, sendo que cada estado deve
programar uma vigilância de acordo com a sua situação (Mendes, 2006).
Após 6 casos de morte em humanos sob suspeita de exposição a mordedura de morcego hematófago, em área rural no Estado do Maranhão, concluí que os fatores de risco à exposição a morcego-vampiro é a falta de vacinação perante a mordedura, que muitas vezes é comum entre a população, o acesso limitado dos serviços de saúde e inadequado uso de vacina pelos profissionais de saúde (Knegt et al, 2006).
Pires (1965) cita que as medidas que se resumem à vacinação do gado e combate ao morcego não serão suficientes no combate à doença, tendo sido observado focos em quase todos os Estados e território no Brasil, com grandes prejuízos (Pires, 1965).
No final da década de 90, a secretaria estadual de Agricultura (EDA – Escritório Regional de Defesa Agropecuária) identificou uma epizootia de raiva em animais pecuários nas regiões limítrofes com Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde em 1998 haviam sido diagnosticados os primeiros casos em herbívoros na região. No intervalo de tempo avaliado, a secretaria municipal de Saúde (SMS), pelo CCZ de Campinas, identificou casos de raiva em quirópteros e outras espécies animais, em áreas urbanas e rurais. Visando a proteção e prevenção da raiva humana, verificou-se a necessidade de realizar um trabalho conjunto entre as diferentes instituições estaduais e municipais envolvidas nas ações de controle da doença (Nasser, 2003).
Numa aldeia na Amazônia, entre 2004 e 2005, era comum o ataque de morcegos- vampiros, provavelmente relacionado com o aumento da criação de gado pelos nativos, que viviam em estrito convívio com os seus animais. Quando o gado foi retirado da aldeia, os nativos se tornaram a principal fonte de alimento dos morcegos-vampiros (Uieda, 2006).
Província de Buenos Aires, em 2004, foi diagnosticado por imunofluorescência direta e inoculação em ratos raiva em um gato que apresentava sinais de raiva furiosa, tendo atacado 3 pessoas num estabelecimento rural. O vírus foi tipificado com anticorpos monoclonais e correspondia ao sorotipo 1, variante antigênica 4 do vírus rábico, comum nos morcegos insetívoros. O território da província está livre de raiva canina desde 1984. Este caso, segundo o autor, confirma uma relação entre o ciclo aéreo e terrestre da raiva na região. Sendo o primeiro caso do vírus num gato, na região. Na região existem muitos morcegos do tipo insetívoro que habitam quer em zonas rurais, quer em zonas urbanas, constituindo um risco a considerar, por isso considera ser importante estudar a dinâmica populacional dos quirópteros (Amasino, 2003).
É importante uma permanente e estrita vigilância epidemiológica da raiva animal, estabelecer estratégias para a melhoria da qualidade dos dados, estimular a pesquisa científica e realizar plano de ação interinstitucional para a colaboração na ação de vigilância e controle da doença, deve ser estimulado como rotina (Mendes, 2006; Montebello, 2006).
Erradicar a doença parece difícil, visto que tem múltiplos reservatórios, especialmente em quirópteros. Considerando que no ponto de vista ecológico, erradicar a doença na vida selvagem, pode ser errado (Rotivel e Goudal, 2006).
Para a melhor proteção das zonas isentas de raiva, devem-se estabelecer cinturas imunes (zonas de compensação), onde se procede regularmente campanhas de vacinação regular dos herbívoros contra a raiva, mantendo um número reduzido de morcegos-hematôfagos por colônia através do combate direto nos abrigos; captura de espera nos currais; aplicação de pasta vampiricida nas mordeduras nos animais de pecuária; capacitação do pessoal técnico e recolha de amostras em condições apropriadas, com pessoal capacitado e instalações laboratoriais apropriadas (Baer, 1991; Comite de expertos de la OMS sobre
Rabia, 1992; Almeida, 2000; Miranda, 2000; Instituto Mineiro de Agropecuária, 2005; Oliveira, 2006).
Para chegar atingir inicialmente um controle e depois uma posterior erradicação, é necessário o esforço conjunto e a integração de grupos de trabalho desde entidades oficiais a privados, onde é imprescindível e decisão política e apoio econômico das autoridades políticas responsáveis (Miranda, 2003).
Reichman e Cordeiro (2006) consideram ser fundamental as autoridades públicas (executivo, judicial e legislativo) desenvolverem um comum entendimento acerca de zoonoses de forma a promover a saúde publica e preservar o ambiente natural.
Os programas de raiva estão implementados na maioria dos Centros de Controle de Zoonoses, contudo é necessário implementar algumas atividades como vacinação de rotina, a captura e controle de morcegos, programas de educação de saúde e tomar precauções com a fauna selvagem (Araújo, 2002; Souza, 2006; Vianna, 2006).
Testes sorológicos especialmente com Mabs (monoclonal antibodies) devem ser encorajados e expandidos. Mabs têm uma resolução superior, permitindo a identificação das espécies afetadas por diferentes variantes na mesma área (World Health Organization, 1994).
A vacinação29 dos animais geralmente é realizada pré-exposição. Esta medida protetora ajuda a interromper a transmissão do ciclo da fauna selvagem e interromper o ciclo entre animais domésticos e selvagens para além de prevenir a doença no homem. (Oliveira, 2000). A vacinação no caso de cães, gatos e macacos, deve atingir os 80% dos animais domésticos e silvestres em cativeiro ou semi-cativeiro a fim de induzir uma imunidade de massa e devido á
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A detecção por neutralização especifica de anticorpos séricos, é uma evidência da resposta imune do animal vacinado.
renovação desta população, deve ser anual a fim de manter o nível de imunidade (Luarca, 1979; Pacheco, 2005).
Em áreas epidêmicas, a imunidade populacional deve ser preservada, usando vacinas com maiores índices de aprovação. A vacinação deve ser obrigatória 6 em 6 meses com vacina inativada devendo os primovacinados ser revacinados no intervalo de 30 dias, com vacina inativada. Os animais recém nascidos deverão receber a primeira dose de vacina no 3º mês e a revacinação no 4º mês (Comite de Expertos de la OMS sobre Rabia, 1992; Kotait, 1998). As vacinas atuais são seguras e potentes, estando cada vez mais disponíveis, sendo que a única limitação são as sedes de distribuição de vacina, conhecimento clínico e a educação (Rotivel e Goudal, 2006). Deve haver vacinação dos animais pecuários, no fim da época seca ou no início da época úmida, porque neste período aumenta a demanda de alimento do vampiro (Turner, 1975).
Almeida (2000) observa que o retorno de grandes epidemias de raiva em bovinos nos principais Estados do Sul, Sudeste e Centro-oeste coloca em discussão da necessidade urgente de repensar quais a ações mais eficazes que o poder público deverá adotar no Brasil. Considera que o controle das populações de morcegos hematófagos revelou ser eficaz em todas as regiões onde foi conduzido, contemplando os aspectos biológicos, sociais, culturais e econômicos responsáveis pela sua incidência e endemismo.
Na Europa o envenenamento e a caça não reduziram a raiva silvestre, mas desde que se começou a usar vacina oral em iscas, o número de casos de raiva regrediu significativamente (Cliquet e Picard-Meyer; 2004).