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Yapı sektöründe Teknoloji ve Yenilik

A investigação que esta pesquisa se propôs a fazer exigiu uma forma criteriosa de coleta de dados. Trabalhamos, basicamente, com dois instrumentos, a saber: o registro por meio do áudio e do vídeo.

Os encontros de trabalho com o Grupo APRECIEI foram todos gravados em áudio e transcritos. Esse material serviu-nos de apoio para a análise do que aconteceu nas atividades com as crianças. Desse material foram extraídos comentários dos professores quanto à formulação das atividades, quanto ao clima emocional que intermedeia a ação, e quanto à condução dos trabalhos, que se constituiu rico apoio para a compreensão do que se passava no momento da prática. O vídeo foi o principal recurso utilizado na pesquisa. Sua característica chave, a possibilidade de se ver e rever os dados da maneira como foram colhidos, proporciona uma visão do fenômeno que só se revela quando o material é visto várias vezes (CARVALHO, 1996). A complexidade do que ocorre no momento em que o observador está coletando o dado é outro argumento que milita a favor do uso do vídeo, que captura o evento de maneira muito mais precisa que outras formas de notação.

A par da vantagem, existem também constrangimentos no uso do vídeo que foram percebidos no momento da pesquisa. Quem opera a câmera, por exemplo, faz o recorte e decide o que pode ser visto no evento. O uso de mais de uma câmera pode minimizar esta limitação. Outra dificuldade, a inibição do grupo que está sendo filmado e sua interferência no evento, pode ser diminuída à medida que o grupo vai se familiarizando com este tipo de instrumento. Com o passar do tempo a câmera pode não produzir um efeito tão grande (JORDAN; HENDERSON,1995)

A manipulação desse recurso como instrumento de pesquisa requer habilidades que nem se constróem da noite para o dia, nem tampouco com leitura de manuais. A vivência e a reflexão ajudam-nos a construir um conhecimento que é fundamental no momento em que nos aventuramos a ir a campo com uma câmera nas mãos. Eu já havia utilizado a gravação em vídeo como recurso para o aprimoramento em serviço dos professores da Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte, local onde trabalhei durante quase dez anos antes do meu ingresso na Universidade Federal de Minas Gerais. Naquela época, costumávamos filmar

algumas atividades em sala de aula para depois utilizar esses registros nas reuniões de professores. A reflexão sobre a prática pedagógica se enriquecia quando trabalhávamos episódios reais. Nesse caso, o foco do trabalho centrava-se na observação da condução da atividade, o que nos auxiliava na construção de melhores estratégias de ensino.

Mais adiante, já como professora da UFMG, realizei uma pesquisa, em conjunto com a Profa. Maria de Fátima Cardoso Gomes (GOULART e GOMES, 2002), sobre a apropriação dos conceitos de “mundo” e “universo” das crianças de seis anos dessa mesma escola. O vídeo foi o recurso utilizado para a coleta dos dados. Com a mudança de foco do professor para o aluno, pude aprimorar as formas de captura das imagens, focalizando, ora todo o grupo, ora pequenos grupos, duplas e ainda o trabalho de uma só criança.

Mesmo com essa experiência prévia, passamos por dificuldades na coleta dos dados para esta pesquisa. Os recursos de que dispúnhamos eram limitados. Havia apenas uma câmera cedida pelo programa de pós-graduação, o que, muitas vezes, dificultou a coleta. Outras vezes, trabalhamos utilizando duas câmeras, uma delas emprestada pela escola onde realizávamos as filmagens. A insuficiência do material, aliada à nossa pouca experiência no uso do instrumento causou embaraços que foram contornados posteriormente. À medida que víamos e transcrevíamos os vídeos fomos refletindo sobre o melhor posicionamento das câmeras, o que se ganha e se perde com uma câmera aberta ou com o uso do zoom, sobre a necessidade de se ter uma câmera fixa e outra móvel, principalmente quando se trata de um ambiente tão fluido como é o que se configura junto a crianças tão pequenas. Porém, devido à experiência já acumulada com as crianças dessa faixa etária, em momento algum tivemos a ilusão de que essa seria uma tarefa fácil. A intensa mobilidade das crianças e a fluidez das atividades exigem um trabalho mais meticuloso na coleta dos dados. Se, em uma turma de ensino médio e mesmo fundamental, temos uma configuração espacial mais estável (alunos sentados individualmente ou em grupos, professor em um espaço mais ou menos delineado – à frente do grupo ou andando pelos grupos) na educação infantil essa configuração não se apresenta. Em várias sessões, as crianças tinham livre movimentação para explorar os materiais, para trocar com os colegas e para experimentar outras possibilidades de uso dos recursos, como por exemplo, ir até a torneira que ficava em um pátio contíguo para encher balões com água.

Nas atividades com crianças pequenas, assistimos a uma verdadeira dança de interações, tanto no sentido metafórico – o estabelecimento de múltiplas relações com os objetos, com as crianças e adultos – quanto no sentido literal – movimentação livre dos corpos que se manifesta em várias ações como transitar pela sala ou pátio, pular, dançar, deitar no chão, etc. Esse bailado possui algumas características que, por um lado, dificultam e por outro facilitam a tomada de dados. Os adultos presentes no ambiente onde a atividade está sendo desenvolvida – professoras, pesquisadora, auxiliar de pesquisa – funcionam como pólos agregadores. Quando as crianças iniciavam a investigação de um objeto, por exemplo, podíamos observar um movimento de atração e dispersão, ou seja, as crianças se dispersavam para realizar individualmente a exploração ou em pequenos grupos, mas logo se viam atraídas novamente para um dos adultos que servia como pólo agregador. Elas os procuravam ora para mostrar o que haviam descoberto, ora para pedir ajuda ou mesmo para observar o que a professora estava fazendo. Apesar de estarmos com a câmera nas mãos, também exercemos o papel de pólo agregador. As crianças não se intimidavam com a câmera e se dirigiam naturalmente a mim ou à assistente de pesquisa, ora nos mostrando o que haviam conseguido fazer, ora pedindo ajuda. A dubiedade da tarefa (ser fácil e difícil, ao mesmo tempo) ocorre porque, de um lado, as crianças pequenas são muito receptivas às novidades, reduzindo assim o impacto provocado por este instrumento e, por outro, essa natural dispersão do ambiente, muitas vezes nos deixa perdidos, com uma câmera na mão, sem protagonista algum a ser capturado.

As fotos da FIGURA 2, retratam esse movimento de atração e dispersão observado especialmente nas atividades das turmas de quatro anos.

a. b.

c. d.

FIGURA 2 – MOVIMENTO DE ATRAÇÃO E DISPERSÃO DO GRUPO: (a-b) As crianças realizam explorações individualmente ou em grupo. (c) As crianças mostram saquinhos cheios de água para a pesquisadora. (d) e para a professora

Essas características das atividades com crianças pequenas - amplitude espacial, fluidez no desenrolar das atividades e intensa movimentação corporal – problematizaram a coleta de dados, exigindo, do pesquisador, maior destreza no uso do instrumento.

Além das gravações em áudio das reuniões do Grupo APRECIEI e das gravações em vídeo das atividades realizadas com as crianças, também colecionamos desenhos e escritas produzidos pelas diversas turmas. Como ocorre usualmente nas pesquisas, coletamos um vasto material que, com certeza, subsidiará outras investigações além dessa que nos propusemos fazer neste momento.