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SERMAYELİ DÖRT BÜYÜK BANKA ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA

A. Olay günlerinin belirlenmesi,

3.5. Yapı ve Kredi Bankası A.Ş

No discurso dos jovens de meios populares não há menção ao fato de aprender, de crescer intelectualmente. A maioria deles não vê a escola como aquisição de conteúdos de saberes, mas como uma “obrigação social” que se reflete na forma do diploma e do emprego. O estudo é importante no sentido de obter o diploma para ter um trabalho e assim, conquistar seus objetivos: ter autonomia, construir uma família e vencer na vida.

Nesse sentido, Charlot identifica que não existe, salvo as exceções, uma “cultura anti-escolar”, mas a relação do aluno com a instituição escolar não inclui o saber como questão central no processo de mediação entre o presente e o futuro. O importante para estes jovens é frequentar a escolar e, mais tarde, conseguir um bom emprego, sem que se estabeleça uma relação forte consistente entre escola e saber, saber e trabalho:

A escola faz sentido para o futuro mas não no quotidiano [...]. O que falta à instituição escolar é um presente. Em princípio, o presente da instituição é o saber que ela transmite e o desejo por esse saber por parte dos alunos. Mas de facto, para um grande maioria dos alunos este saber não tem importância, excepto de um ponto de vista institucional – de forma que a escola só é apreendida na sua lógica institucional, lógica de rituais e das obrigações que é preciso suportar se se quer aceder à salvação que a instituição promete (o trabalho, o futuro, a vida). (CHARLOT, 2009, p.80)

Apesar da escola ser vista como a chave para conseguir um futuro melhor e de ser bem aceita enquanto lugar de saber, os jovens entendem que o que ela ensina está distante do que é importante para eles (conhecer a vida e aprender a se relacionar com os outros).

Assim, o estudo no ensino secundário apresenta-se de forma vaga e mecânica na medida em que aquilo que lhes é ensinado não faz sentido para eles no momento atual, em termos de conhecimento, mas somente em um futuro distante quando relacionam a obtenção do diploma com a conquista de uma profissão.

Dessa forma a escola representa uma mediação entre o presente e o futuro que se deseja construir, ou seja, um emprego (se possível “bom”) e uma vida normal (se possível “bela”), logo, o importante é não chumbar (reprovar), continuar, ir o mais longe possível e obter o diploma com boas notas (p.78). Isto implica dizer que, para passar de ano basta adquirir um saber mínimo, o requerido pela instituição avaliadora.

Nesse caso, a mobilização dos estudantes nas atividades de aprendizagem é considerada como algo frágil ou mínima, pois eles valorizam pouco o saber ou mesmo a atividade profissional nos seus conteúdos específicos. Daí o desafio atual da escola, segundo Charlot (2009), consiste em recuperar o sentido do aprender e o desejo em estudar. A atividade escolar precisa se apresentar de forma significativa, prazerosa, para merecer o esforço intelectual dos alunos em apropriar-se dos diversos tipos de saberes produzidos pela humanidade.

Em pesquisas de campo, Charlot e sua equipe identificaram que esse "direcionar-se para o saber" pressupõe um movimento de mobilização e não simplesmente de motivação. O conceito de mobilização aponta, por sua vez, para os conceitos de móbil e de recursos. Entende-se por móbil a razão para agir, a entrada em atividade, o desejo que o resultado da atividade pode produzir (portanto, deve ser distinguido da meta, que está vinculado a resultados esperados). Recursos seriam, então, os trunfos, as forças de diferentes ordens, de que se dispõe e que são atualizados, acionados.

A mobilização implica mobilizar-se (“de dentro”), enquanto que a motivação enfatiza o fato de que se é motivado por alguém ou por algo (“de fora”). É verdade que, no fim da análise, esses conceitos convergem: poder-se-ia dizer que eu me mobilizo para alcançar um objetivo que me motiva e que sou motivado por algo que pode mobilizar-me. Mas o termo mobilização tem a vantagem de insistir sobre a dinâmica do movimento. [...] Mobilizar é pôr recursos em movimento. Mobilizar-se é reunir suas forças, para fazer uso de si próprio como recurso (CHARLOT, 2000, p.55).

Portanto, no que diz respeito à relação dos sujeitos (crianças e jovens) com o processo de escolarização três dispositivos precisam ser analisados de forma simultânea: mobilização, atividade e sentido54.

Para haver atividade (“trabalho” e “práticas”) a criança deve mobilizar-se; para que se mobilize, a situação deve apresentar um significado para ela (“desejo de”) (CHARLOT, 2000, p.54).

Embasado em suas investigações, Charlot (2009, pp.178 a 181) afirma que a mobilização escolar articula vários processos, no entanto, os três processos a seguir são apresentados como sendo uma configuração “ideal-típica” e por isso é raro encontrar todos os elementos num só aluno:

a) o sentimento de êxito, materializado através de boas notas e de boas avaliações. Para os alunos que vivenciaram histórias de fracasso escolar isso representa uma “revalorização radical da imagem de si” implicando, diretamente, a relação consigo próprio e com os outros.

b) a lógica da prática, do trabalho (estudo/ esforço): o aluno tem consciência que o seu êxito está ligado a uma mudança dos conteúdos, dos métodos de ensino e até de hábitos de estudo.

c) a relação com os professores contribui para alimentar esta dinâmica positiva de mobilização, principalmente, quando demonstram interesse pela aprendizagem dos alunos.

Essa figura de mobilização “ideal-típica” é considerada como um instrumento conceitual para analisar histórias e situações singulares, mas um caso singular nunca é a aplicação pura de um modelo. Até porque, nos casos singulares dos jovens pesquisados “a dinâmica da mobilização é realizada de forma desigual, incompleta e contraditória e por vezes nem funciona” (CHARLOT, 2009, 181).

54 Mobilização, atividade e sentido, emergem como noções centrais da relação com o saber e a problemática da mobilização na escola é trabalhada na perspectiva de distintas formas de relação com o saber e aprender (VIANA, 2003).