SOSYAL MEDYANIN TÜKETİCİ SATIN ALMA DAVRANIŞLARI ÜZERİNDEKİ ETKİSİ
2. SOSYAL MEDYA KAVRAMI VE TANIMI
3.2. Tüketici Davranışları
A escolaridade pode tornar-se, em alguns casos, uma obsessão familiar, e podemos estar diante de um hiperinvestimento escolar ou pedagógico: fazer mais que os outros para estarem seguros do “sucesso” escolar dos filhos, reduzidos ao estatuto de alunos. (LAHIRE, 1997, p.29)
Lahire é enfático ao se contrapor a ideia de que o sucesso escolar nos meios populares dependeria de um superinvestimento escolar por parte dos pais. A “superescolarização” – entendida como a presença constante da família na escola, complementação de atividades extras classe, monitoramento extremo das atividades escolares, cobrança acentuada de bom desempenho escolar etc – é uma forma por meio da qual o sucesso escolar pode ser alcançado, mas não é a única possível. Algumas famílias conseguem obter bons resultados na escolarização dos filhos lidando de forma menos rigorosas com as estratégias de investimento pedagógico.
Na investigação das configurações familiares, o autor constatou que, para algumas famílias, o “sucesso” escolar dos filhos torna-se um “sacrifício parental” (pais que renunciam a sua vida pela educação dos filhos) e essa atitude ultrapassa a questão do investimento pedagógico, o que gerando consequências na organização da ordem moral e na situação econômica da família. De um modo geral, os efeitos do investimento pedagógico sobre “a escolaridade da criança podem variar segundo as formas para incitar a criança a ter “sucesso”, segundo a capacidade familiar de ajudar a criança a realizar os objetivos que lhe são fixados”. (LAHIRE, 1997, p 29).
Um outro aspecto que Lahire faz questão de esclarecer diz respeito ao mito produzido pelos professores sobre a “omissão parental”, ao afirmarem que os pais não se preocupam com a vida escolar dos filhos, baseando-se apenas na avaliação do desempenho e do comportamento dos alunos.
Nesse sentido, o autor afirma categoricamente que se trata de uma profunda injustiça interpretativa acusar os pais de “omissão” ou “negligencia” do processo escolar. A pesquisa demonstrou que os pais além de reconhecerem a importância da escola também almejam que a escolarização dos filhos favoreça uma melhor mobilidade social. O autor também ressalta a figura da mãe como sendo o principal responsável pelo acompanhamento da vida escolar dos filhos, seja na realização das tarefas, na vigilância dos hábitos de estudo, no controle das amizades, no gerenciamento das notas e do comportamento etc.
Quase todos (pais) os que investigamos, qualquer que seja a situação escolar da criança, têm o sentimento de que a escola é algo importante e manifestam a esperança de ver os filhos “sair-se” melhor do que eles. [...] É claro que existem casos em que as rupturas são tão numerosas, e as condições de vida familiar e econômica ..., tão difíceis que, ou o tempo é que os pais podem dedicar aos filhos é absolutamente limitado, ou suas disposições sociais e as condições familiares estão a mil léguas das condições necessárias para ajudar as crianças a “ter êxito” na escola (LAHIRE, 1997, p.334 e 335).
Ainda sobre a relação família-escola Lahire mais uma vez questiona a postura da escola que em nome da luta contra o “fracasso” escolar exerce uma nova imposição de situações sociais e simbólicas, por meio de normas e comportamento direcionados, não mais as crianças, mas as famílias dos meios populares. E com isso, desperdiça-se a oportunidade de criar vínculos mais efetivos tanto na relação professores-pais, como na relação pais- desempenho escolar, aspectos tão importante no processo de escolarização das crianças.
Portanto, ao propor a análise de casos particulares de “sucesso” escolar, Lahire se debruça sobre o estudo das configurações familiares, a partir da análise de diferentes dimensões da vida familiar, as quais não devem ser tomadas como fatores isolados, mas numa relação de interdependência, sem desconsiderar nem sobrepor nenhuma dessas dimensões. Por exemplo, numa configuração familiar a presença de uma cultura escrita ou do capital cultural, em geral, não garantiria o sucesso escolar. Por outro lado, a ausência desses elementos poderia ser compensada, em alguma medida, pela existência de uma forte ordem moral. “Para compreender isso de modo mais claro, precisamos, tanto aqui como em inúmeros casos análogos, considerar as particularidades dos processos: olhar mais de perto o que está acontecendo” (LAHIRE, 1997, p.11).
Concluímos que, na tese de Lahire (1997), a família e a escola constituem redes de interdependência estruturadas por formas de relações sociais específicas e heterogêneas. Desse modo, para que haja compreensão dos fatores que levam as crianças das classes populares a desenvolverem percursos de “sucesso” ou de “fracasso” escolar é preciso “reconstituir o tecido de imbricações sociais” (LAHIRE, 1997, p.18) que se estabelece entre a criança (sujeito singular) e os outros (família e escola). E, assim, avaliar em que medida essas relações sociais exercem maior ou menor influência nos resultados escolares.
4 AS TRAJETÓRIAS ESCOLARES DOS JOVENS DE ESCOLAS PÚBLICAS E O SUCESSO ESCOLAR NA UFPB
Este capítulo tem, por finalidade, analisar as estratégias que os jovens oriundos de escola pública, na faixa etária de 18 a 24 anos, desenvolvem para ingressar e permanecer no ensino superior logrando, ademais, uma distinção de reconhecimento educacional.
Na primeira parte deste capítulo, buscamos analisar o perfil do estudante universitário oriundo de escola pública, matriculado em diversos cursos de graduação no Campus I da UFPB e que vivenciavam uma distinção de sucesso escolar por atuar como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-PIBIC/CNPq.
Na segunda parte, trataremos das trajetórias singulares de sucesso escolar improvável de estudantes oriundos de escolas públicas e que frequentavam cursos de alto prestígio social (Medicina, Odontologia, Ciências da Computação, Direito, Engenharia Civil e Elétrica), no Campus I da UFPB. As trajetórias serão analisadas a partir das narrativas biográficas de seis estudantes universitários de origem popular, considerando o processo de escolarização que antecedeu à universidade (educação básica); a entrada e a permanência na vida universitária: dilemas estudantis, as estratégias de enfrentamento que conduzem ao sucesso escolar e as projeções futuras na concepção dos jovens oriundos da escola pública.
Um relato de vida no es um discurso cualquiera: es um discurso narrativo que trata de contar uma historia real y que, además, a diferencia de la autobiografia escrita, se improvisa em el marco de uma relación dialógica com um investigador, que de entrada, orienta la entrevista hacia la descripción de experiencias que le ayuden al estudio de su objeto. (BERTAUX, 2005, p.74)
No momento em que a universidade brasileira vivencia um processo de significativas mudanças, faz-se necessário acompanhar as populações jovens que nela ingressam, especialmente aqueles de origem popular, para compreender o que impacta suas vidas num período que envolve a transição para a vida adulta.
Nesse estudo, foi definido como objetivo principal conhecer e analisar as disposições que favorecem o “ingresso e a permanência de jovens oriundos de escolas públicas no ensino superior” e sua relação com o “sucesso escolar”, tomando como campo de estudo a Universidade Federal da Paraíba-UFPB.
A relevância de estudos com esse segmento estudantil no ensino superior justifica-se não só pela significativa inclusão quantitativa diagnosticada nos últimos anos, mas pela preocupação em avaliar as condições efetivas de integração e rendimento destes jovens na vida acadêmica.
A priori, este estudo buscou explorar os conceitos e teorias que discutem essas questões no patamar do ensino superior e em seguida, procurou-se dar voz aos estudantes, jovens oriundos de escolas públicas que frequentam cursos de alto prestígio social, por meio das narrativas biográficas de suas trajetórias de escolarização, da educação básica à universidade e por último, concentrou sua atenção na análise e interpretação dessas trajetórias.
Na medida em que nos detemos a interpretar trajetórias “singulares” de “sucesso escolar improvável” (LAHIRE, 1997) de estudantes das classes populares estamos adotando uma abordagem microssocial do fenômeno, com o intuito de contribuir para uma outra visão da temática que se diferencie da perspectiva institucional e/ou governamental. No entanto, isso não significa que nos desvinculamos dos contextos ampliados (nível macro) no qual o problema estudado se insere como um fenômeno complexo (COULON, 1995).