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SERMAYELİ DÖRT BÜYÜK BANKA ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA

A. Olay günlerinin belirlenmesi,

3.3. Türkiye İş Bankası A.Ş

Ninguém nasce feito, ninguém nasce marcado para ser isso ou aquilo. Pelo contrário, nos tornamos isso ou aquilo. Somos programados, mas, para aprender. A nossa inteligência se inventa e se promove no exercício social de nosso corpo consciente. Se constrói. Não é um dado que, em nós, seja um a priori da nossa história individual e social. (FREIRE, 2001)

No contexto desta dissertação, os estudos biográficos estão articulados com os estudos sobre trajetórias de escolarização, especialmente, de jovens pertencentes a famílias de baixa renda e oriundos de escolas públicas que conseguiram desenvolver percursos escolares lineares e prolongados.42

Segundo Montagner (2007) a partir da década de 70, no âmbito das Ciências Sociais, tem crescido o interesse dos pesquisadores por teorias e metodologias ligadas às subjetividades individuais, ao mundo real e concreto das relações humanas, sobretudo aquelas expressas em materiais biográficos.

Esse fenômeno é resultado do processo de modernização em que a sociedade está imersa, revolucionando as qualidades objetivas do espaço e do tempo e consequentemente afetando as relações sociais.

A nova lógica social, tende a concorrer para a fragmentação da subjetividade e o esvaziamento das utopias, fragilizando as relações construídas no espaço coletivo, as experiências cotidianas, o conhecimento da tradição social, a sabedoria popular que antes eram transmitidas por meio das “grandes narrativas”. “Se não há narrativas comuns, clara está a impossibilidade da existência de uma visão do mundo comum” Benjamim (1986, apud MONTAGNER, 2007, p.245).

42 Piotto (2008) considera “trajetórias escolares prolongadas” como sendo a permanência do estudante no

Nesse sentido, vem à tona a contribuição dos métodos de análise das narrativas biográficas atuando como elemento enriquecedor do conhecimento sobre as sociedades, na medida em que explora a experiência pessoal dos sujeitos e sua interpretação do mundo em que vivem, dando uma visão mais apurada dos processos históricos e das realidades sociais.

Dentre as linhas de pesquisa que exploram as subjetividades individuais dos sujeitos destacamos a abordagem teórico-metodológica de Daniel Bertaux que defende o uso dos materiais biográficos, denominado de “relatos de vida”.

Los términos investigación biográfica y relatos de vida (life story) son utilizados generalmente para referirse a una conferencia (told) individual, escrita o hablada, de la historia de la propia vida. En este proceso, se van delineando algunos enfoques diferenciados de forma más clara: historia oral (oral history), relatos orales (oral story), historias de vida y biografias (DINIZ, 2009, p.185)

O uso de biografias como método de investigação retornou com força no final da década de 1970, na França, a partir do relatório de pesquisa de Daniel Bertaux. Este estudo foi, posteriormente, publicado no artigo intitulado “L´approche biographique: sa validité méthodologique, ses potentialités” (BERTAUX, 1980). Seu trabalho, ganhou reconhecimento internacional e muitos adeptos. Mas, também sofreu uma série de críticas43 e dentre elas

destaca-se a crítica de Bourdieu ao chamar o método de “ilusão biográfica”, denunciando desde o início que “a história de vida é uma dessas noções de senso comum que entraram de contrabando no universo científico, primeiro na etnologia, e após, na Sociologia” Bourdieu (1986, p.69 apud MONTAGNER, 2007, p.251).

Nossa pretensão, aqui, não é aprofundar essa discussão mas abordar a questão-chave dos estudos que empregam histórias de vida e suas conexões estabelecidas entre uma trajetória individual de escolarização e o meio social em que ela se desenvolve.

A priori, buscamos uma definição para o termo trajetória considerando a necessidade de uma compreensão teórica do termo já que ele é utilizado em diferentes áreas do conhecimento (geometria, meteorologia, astronomia etc) e também no senso comum, geralmente relacionado como sinônimo de caminho, percurso, trajeto ou via.

Diniz (2009), na sua tese doutoral, faz questão de esclarecer conceitualmente os termos transição, itinerário e trajetória como forma de evitar confusões terminológicas. E portanto, defini o termo trajetória como sinônimo de itinerário, na perspectiva biográfica, de

43 Para uma maior compreensão do debate teórico em torno da adequação dos estudos biográficos no âmbito da

caráter individual e único, por considerar que essa ideia se opõe a concepção de trajetória meramente como um conjunto de posições ocupadas e se aproxima da compreensão de trajetória como processo social.

Los conceptos de transiciones, trayectorias e itinerarios son centrales en los estudios sobre el curso de la vida. [...] El término itinerario aparece en los estudios de Casal del año 2000 (en Cardenal, 2006: 21). Este autor lo define como ‘los caminos recorridos a través de los dispositivos principales de inserción en la vida adulta: sistema educativo, mercado de trabajo y família’. En el mismo estudio, define trayectoria como ‘la dirección seguida hasta ahora en ese tránsito y la posible proyección (en el sentido de futuros sociales) de los tránsitos por realizar’. De ahí se podría inferir que el concepto de itinerario estaría más relacionado con las dimensiones formales o regladas, es decir, con las dimensiones institucionales que marcan el camino de llegada a algún lugar o a alguna condición, mientras que el de

trayectoria estaría más relacionado con la dimensión biográfica, en función

de de la dirección seguida y de la proyección hacia el futuro (p. 176, grifos nossos).

Bourdieu (1998) aponta que uma trajetória é a objetivação das relações entre os agentes e as forças presentes no campo. As trajetórias seriam o resultado construído de “um sistema dos traços pertinentes de uma biografia individual ou de um grupo de biografias”.

Assim, toda trajetória social deve ser compreendida como uma maneira singular de percorrer o espaço social, onde se exprimem as disposições do habitus e reconstitui a série das posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente ou por um mesmo grupo de agentes em espaços sucessivos” (BOURDIEU, 1996a apud MONTAGNER, 2007)

Em suma, explica Montagner (2007, p.257), perseguir uma trajetória significa acompanhar o desenrolar histórico de grupos sociais concretos em um espaço social definido por esses mesmos grupos em suas batalhas pela legitimidade no campo em que se inserem. Seguramente a “origem social é um holofote poderoso na elucidação dessas trajetórias”, pois o habitus primário, devido ao ambiente familiar, é uma primeira e profunda impressão social sobre o indivíduo, que sofrerá outras sedimentações ao longo da vida.

Quando se fala de trajetórias escolares Nogueira e Fortes (2004) afirmam que, trata-se, em primeiro lugar, de caracterizar a direção tomada, a distância percorrida e o tempo gasto por diferentes alunos para a realização de seus percursos escolares. Portanto, “a noção de trajetória escolar, diz respeito aos percursos diferenciados que os indivíduos ou grupos de indivíduos realizam no interior dos sistemas de ensino” (p. 59).

Segundo Nogueira e Fortes (2004), essas trajetórias podem ser caracterizadas como mais ou menos bem-sucedidas, seja em termos absolutos ou relativos. Em termos absoluto a escala de sucesso (maior ou menor) é definida em função do tempo percorrido e da natureza de prestígio dos ramos de ensino seguidos. “Nesses termos os casos de maior sucesso são definidos como aqueles em que os sujeitos alcançam os ramos superiores e mais prestigiados do sistema de ensino no menor prazo possível” (p. 60).

Em termos relativos, a avaliação do “sucesso nas trajetórias individuais leva em consideração o que seria estatisticamente provável para os sujeitos de determinada categoria social, ou seja, a posição do sujeito na estrutura social” (p.60). Os autores citam como exemplo de trajetória malsucedida o caso de um estudante que concluiu o curso superior numa área e numa faculdade pouco prestigiada quando sua família é detentora de alto capital econômico e cultural. Ao contrário, a trajetória desse mesmo estudante poderia ser considerada bem-sucedida se ele fosse filho de camponeses analfabetos.

Segundo as análises de Queiroz (1993, apud NOGUEIRA e FORTES, 2004), a noção de trajetória escolar foi sendo modificada no decorrer da história da Sociologia da Educação de acordo com a tendência das pesquisas realizadas em cada época. Na década de 1970 o objetivo das pesquisas era o de evidenciar a reprodução das desigualdades sociais pelo sistema de ensino no âmbito macrossociológico, através de correlações estatísticas entre origem social e trajetória escolar. A partir da década de 1980, esses estudos são substituídos por pesquisas microssociais voltadas para a compreensão de biografias escolares. “A questão passa a ser a de entender como, concretamente, os sujeitos lidam com as múltiplas influencias sociais e constroem trajetórias escolares diferenciadas” (NOGUEIRA e FORTES, 2004, p.62).

Nesse sentido, surge na França importantes perspectivas teóricas que contribuem para o estudo de trajetórias escolares na educação contemporânea44, como as pesquisas de Jean

Paul Laurens (1992), Jean-Pierre Terrail (1990), Bernard Lahire (1997), Bernard Charlot (2000), entre outros. Essas pesquisas têm, como ponto em comum, a investigação de casos atípicos de trajetórias escolares, as quais contrariam as correlações estatísticas que vinculam o sucesso escolar a origem social, isto é, o sucesso improvável.

No Brasil, os estudos acerca de trajetórias escolares começaram a se expandir a partir da década de 90, mas ainda não são considerados suficientes. É o que demonstra Carrano

44 Nogueira e Fortes (2004) no artigo “A importância dos estudos sobre as trajetórias escolares na Sociologia da

Educação contemporânea” destacam duas perspectivas teóricas “a genealógica” de Laurens (1986 e 1987) e “a individuação” de Terrail (1990).

(2009, p.182 e 183) ao apresentar os dados de uma pesquisa que inventariou e analisou a produção discente sobre juventude na pós-graduação brasileira, no período de 1999 a 2006, nos Programas de Pós-Graduação nas áreas da Educação, Serviço Social e Ciências Sociais na USP.

O levantamento do estado da arte sobre o tema Jovens Universitários identificou 149 trabalhos, entre teses e dissertações, sendo que apenas 12 estavam relacionadas com a temática “Análise de trajetórias e longevidade escolar nos meios populares”, conforme demonstra a tabela abaixo:

Tabela 12 – Levantamento do estado da arte na pós-graduação brasileira, tema “Jovens Universitários”, no período de 1999-2006

SUBTEMAS ÁREAS E du ca çã o Ser viço So cial Ciências Sociais TOTAL So cio lo gia An tr op olo gia C iên cias Po líti ca s Acesso e condições de

permanência no ensino superior

20 5 2 0 0 27

Análise de trajetórias e longevidade escolar nos meios populares

8 0 4 0 0 12

Escolha, formação e inserção profissional 58 2 3 0 0 63 Opiniões, interesses e experiências de estudantes universitários 40 1 5 1 0 47 Total 125 8 14 1 0 149 Fonte: Carrano (2009, p.184).

Diante dos dados coletados Carrano (2009) afirma que, a análise de trajetórias e longevidade escolar nos meios populares se revela como uma área de interesse pouco explorada, mesmo diante de fatores já denominados como as “razões do improvável” sucesso escolar (LAHIRE, 1997) de jovens oriundos das classes empobrecidas.

Segundo Carrano (2009, p.193), os doze trabalhos procuraram compreender trajetórias escolares de universitários, principalmente de estudantes das classes populares. Somente um trabalho, a tese de Carvalho (2004), problematizou trajetórias escolares de estudantes de classes médias. Dentre os trabalhos de tese estão o de Carvalho (2004), Portes (2001) e Gomes (2008). E nas dissertações constam os trabalhos de Parente (2000), Medeiros (2005), Prates (2006), Santos (2002), Honorato (2005) e Portes (2000, 2001). Destacamos que as contribuições dos dois últimos trabalhos foram relevantes para nossa pesquisa.

Ao investigar a trajetória de nove estudantes negros, participantes do Movimento Pré- Vestibular para Negros e Carentes, no Rio de Janeiro, Honorato (2005) procura demonstrar que os percursos escolares desses jovens foram pouco determinados pelo investimento, pelas práticas e pelas estratégias de classificação social presentes em suas configurações familiares. A autora aponta que os filhos das classes populares não estariam integralmente dependentes das estratégias familiares de escolarização, mas que seriam mais suscetíveis à conjuntura política, às práticas democráticas da sociedade civil, às políticas públicas, aos blocos de status, aos movimentos sociais e ao desenvolvimento econômico para que cheguem ao ensino superior e tornem os diplomas adquiridos mais rentáveis.

O trabalho de Portes (2000 e 2001), seguindo a tradição dos estudos sobre “casos improváveis” de sucesso escolar, investigou na literatura antecedentes históricos da presença de alunos pobres no ensino superior e analisou as trajetórias e experiências universitárias de cinco estudantes que tiveram acesso às carreiras altamente seletivas da UFMG (Ciência da Computação, Engenharia Elétrica, Medicina, Fisioterapia, Comunicação Social e Direito).

Ao realizarmos o levantamento bibliográfico para organização dessa dissertação, identificamos outros trabalhos que também apresentavam relação com o nosso tema de estudo, tais como: Claudio Nogueira (2004), Setton (2005), Zago (2006), Piotto (2008) e Teixeira (2008), entre outros, os quais abordam a temática do sucesso escolar nos meios populares, tendo como objeto de investigação o acesso e permanência desses jovens no ensino superior.