• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 2: MÜZĠK EĞĠTĠMCĠLERĠNĠN KULLANABĠLECEĞĠ ARAÇ-

2.1. Araç-Gereçler

2.1.1. Yansıtıcı Cihazlar

Visando conhecer um pouco mais os alunos da Profª Fernanda, tracei o perfil sócio- econômico e de leitura desses estudantes. Para isso, foram utilizados dois tipos de instrumentos: examinamos um questionário que foi aplicado aos alunos da 5ª C pela escola, a fim de levantar o perfil sócio-econômico dos discentes da EE “Mário Lago”, e entrevistas informais. É importante frisar que as hipóteses e os comentários aqui levantados são de caráter exploratório. Assim, não temos a pretensão de realizar uma análise exaustiva dos dados levantados, mas somente dar a conhecer um pouco do universo cultural e social dos alunos que eram objeto das práticas discentes que nos propusemos a pesquisar.

A 5ª C era composta de 35 alunos freqüentes, na sua maioria meninas (60%). Analisando a amostra por faixa etária (Figura 22), é possível notar que existe um número expressivo de crianças com 11 anos (72%), enquanto 13% está com 12 anos, 10% entre 13 e 10 anos e somente 1 aluno com 15 anos. Assim, de uma maneira geral, esta classe representa uma típica sala de 5ª série, com a maioria dos alunos dentro de uma faixa etária esperada para este nível de escolaridade. 0 5 10 15 20 25 30 11 anos 12 anos 13 anos 10 anos 15 anos

Figura 22 – Faixa Etária dos alunos da 5ª série C

Quanto ao perfil sócio-econômico, levantamos os seguintes resultados: a maioria dos alunos (cerca de 60%) reside próximo à escola em casa própria e os pais possuem empregos formais (metalúrgico, funcionário público, militar, encadernador, gerente de loja, inspetor de obras, eletricista, cozinheiro, pedreiro, churrasqueiro, auxiliar de finanças, padeiro, segurança, carreteiro, ferramenteiro, atendente de lanchonete). Há alguns alunos cujos pais exercem essas

mesmas profissões e outras, porém de maneira informal (pedreiro, eletricista, doméstica). Já no que se refere ao grau de instrução dos pais, os dados apontaram que cerca de 60% destas pessoas concluíram o Fundamental I, 34% o Fundamental II, e 6% o ensino superior. Dos 35 alunos somente o aluno de 15 anos declarou que trabalhava fora entregando panfletos.

Visando levantar o perfil de leitura dos alunos da 5ª série C entrevistamos aluno por aluno no decorrer das aulas. A cada dia entrevistávamos alguns alunos e solicitávamos que respondessem a três questões: se gostavam de ler; quais os últimos livros que haviam lido; e, se os livros lidos haviam sido comprados ou emprestados da biblioteca e/ou de colegas. Tínhamos como objetivo principal perceber se, nas práticas de leitura efetivadas em sala de aula, a professora considerava ou não as expectativas e os interesses de leitura dos alunos (esse aspecto é melhor discutido no Capítulo 5). Como resultado coletamos as seguintes informações. No que se refere à primeira questão, – se gostavam ou não de ler - , três alunos foram taxativos em suas respostas afirmando que não gostavam de ler, particularmente o aluno de 15 anos, quatro mostraram-se indecisos e utilizaram a expressão e, a grande maioria afirmou que gostava de ler. Em relação à segunda pergunta, - quais os últimos livros que haviam lido - , as respostas foram surpreendentes, não somente pela quantidade como pela qualidade, conforme podemos observar por meio da Figura 23. É importante destacar que nenhum aluno mencionou os nomes dos autores. Para fins de categorização, foram por nós pesquisados e citados. Há algumas obras, contudo, cujos autores não foram identificados.

A essa segunda questão – quais os livros que haviam lido -, somente 25 alunos responderam, o restante afirmou não lembrar o nome da obra ou simplesmente não ter lido. Dos l7 livros citados, 4 foram lidos por uma mesma aluna (os livros de Verne, Rowlings, Ed Baker e Hechelmann & Ende).

Literatura estrangeira

- As vinte mil léguas submarinas, de Júlio

Verne

- Harry Potter e a câmara secreta, de JK Rowlings

- A princesa enfeitiçada, de Ed Baker - Os teatros de sombras da Ofélia, de Friedrich Hechelmann & Michael Ende - Os consumos de Back Boom

- Coisas que toda garota deve saber, de Samantha Rugen

- Ivo Hoster, o mensageiro da paz

- O pequeno príncipe, de Antoine de Saint- Exupèry

Literatura brasileira

- Faz de conto, de Marina Colassanti - Memórias da Emília, Monteiro Lobato - Com a Ponta dos Dedos e os Olhos do

Coração, de Leila Iannone e Alejandro

Lloret

Respostas genéricas

- Contos de Fadas

- Poemas (não foram citados autores ou obras)

- Histórias da Bíblia

Obras cujos autores não foram identificados

- A árvore de Bombons

- O urso do rabo curto - As trocas que o mundo faz - Mais que perfeito adolescente - A experiência do dia

- Drogas, pra quê?

Outros

- Revistas - Jornais

- Gibis (particularmente Mônica e Cebolinha de Maurício de Souza)

Figura 23 – Últimos livros lidos pelos alunos da 5ª série C

Podemos dizer, a partir dos dados levantados, que os alunos transitam livremente por diferentes gêneros e épocas. Lêem clássicos da literatura estrangeira (Verne, Saint-Exupèry) e brasileira (Lobato) e livros contemporâneos da literatura estrangeira (Rugen, JK Rowling) e brasileira (Colassanti, Iannone). Além desses, os alunos lêem obras de autores, brasileiros ou não, que de certa forma tratam de questões atuais (drogas, a paz, respeito às diferenças), que se referem a atitudes e comportamentos que a sociedade busca consolidar. Demonstram com isso uma certa preocupação com o que ocorre em seu entorno. Por um outro lado, mantêm-se assíduos à leitura de gibis. Todos os que responderam à questão afirmaram ler, com uma certa freqüência, histórias da Mônica e do Cebolinha. É interessante notar que mesmo os alunos que afirmaram não lembrar da obra ou simplesmente não ter lido (10 alunos), são leitores desse gênero, pois liam gibis em algumas aulas da HORA DA LEITURA em que eram deixados livres para escolher o que queriam ler. A nosso juízo, podem não ter citado os gibis, pois não

os consideram uma “obra de valor”, que mereça ser mencionada em uma entrevista feita na escola.

No que diz respeito à última questão, - se os livros haviam sido comprados ou

emprestados da biblioteca -, a maioria dos alunos (23) declarou que empresta os livros da

biblioteca e eventualmente dos colegas. Somente duas alunas, por sinal as que mais lêem, afirmaram que retiram livros da biblioteca, bem como compram e emprestam livros aos colegas (descobrimos, posteriormente, que esses livros eram comprados em sebos). Esse perfil confirma um dado já levantado no capítulo anterior, por meio das respostas dos professores da HORA DA LEITURA ao questionário aplicado, que dá conta de que a maioria das crianças não tem condições de comprar um único livro, ficando dependente tão somente da biblioteca pública e/ou escolar.

Um outro dado que merece destaque e que foi sendo percebido no decorrer das entrevistas é que nenhum dos livros lidos pelos alunos foi indicado, sugerido ou comentado durante as aulas ministradas na unidade escolar. Pelo contrário, os próprios alunos leitores, envolvidos, interessados em suas leituras compartilham com os colegas o seu entusiasmo, fomentando a curiosidade e criando neles o desejo de ler as mesmas obras com as quais tiveram contato. Assim, foram formando uma rede, um circuito de leituras. Esse fato é revelador, pois demonstra que o ler por ler, por prazer e entretenimento, é uma prática vivenciada pelos alunos fora do âmbito escolar, ou seja, não vinculada à realidade das crianças e jovens em seu cotidiano de sala de aula, na interação com seus professores. Nesse sentido, percebemos que coexistem os alunos que lêem na e para escola e os alunos que lêem na sociedade, para vida e na vida. Práticas exercidas pelo mesmo indivíduo, mas que não dialogam entre si. A escola, dessa forma, ao fomentar essa dicotomia, sugere uma visão restrita de leitura, por meio de práticas que podem, eventualmente, formar bons leitores para o contexto escolar, mas não para vida.

Benzer Belgeler