BÖLÜM 2: MÜZĠK EĞĠTĠMCĠLERĠNĠN KULLANABĠLECEĞĠ ARAÇ-
2.1. Araç-Gereçler
2.1.3. Müzik Eğitiminde Kullanılan Araç-Gereçler
Com relação aos recursos humanos, a biblioteca apresentava como responsáveis duas professoras licenciadas em Geografia e readaptadas, Mara e Taís, confirmando um quadro bastante conhecido pelos pesquisadores em nosso país: a ausência de profissionais habilitados para exercer atividades nas bibliotecas escolares brasileiras (SEMEGHINI-SIQUEIRA, 2003; SILVA, 1993). Uma das docentes trabalhava neste local há mais de dez anos e, em conversa informal, contou-nos como foi escolhida para trabalhar na biblioteca:
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Sua afirmação causou-me espanto. Primeiramente, pela forma taxativa e óbvia com que falou de seu ingresso naquele local. O trabalho na secretaria implicava leitura, mas, em seu ponto de vista, ao responsável pela biblioteca bastava gostar de cuidar e zelar pelos livros. Afinal para quê o responsável por um espaço de leitura precisa gostar de ler? Não seria suficiente cuidar bem dos livros, mantê-los limpos e organizados? Não havia a percepção da real finalidade da biblioteca, de que não basta colocar a criança e o jovem em contato com os livros para formar uma disposição leitora, mas de que é preciso transformar a biblioteca em um local dinâmico que articule diferentes formas de sensibilizar o aluno para o ato de ler, o que pressupõe a figura de mediadores-leitores.
Ciente de que essas profissionais não eram bibliotecárias, mas simplesmente exerciam o papel de responsáveis, em função de políticas públicas que neglicenciam as reais necessidades da escola no século da informação e do conhecimento, considero pertinente, contudo, recorrer às palavras de Silva (1993, p.94), ao discutir o perfil necessário àquele profissional que trabalha na biblioteca:
A exigência de conhecimento dos livros sob sua responsabilidade, conforme propõe Rubens Borba de Moraes, assinala que o bibliotecário precisa ser, ele mesmo, um bom leitor. Não se trata evidentemente, da memorização dos títulos contidos no catálogo, pois isso um catálogo bem organizado ou um computador pode armazenar e servir aos leitores, mais rápida e eficientemente. Ser um conhecedor da leitura significa possuir um repertório amplo de leituras, que sirva para orientar intelectualmente os usuários e para dimensionar a qualidade do acervo.
Ancoro-me também nas palavras de Carvalho (2005, p.23) para reiterar a importância da prática leitora no cotidiano daqueles que educam crianças e jovens para o exercício da leitura:
O bibliotecário e o professor mediadores da leitura devem ser, eles próprios, leitores críticos e capazes de distinguir, no momento da seleção e da indicação de livros, a boa literatura infantil e juvenil daquela “encomendada”, com aparência moderna, engajada, mas totalmente circunstancial, cuja fórmula simplificada, abusivamente repetida, desprepara o leitor em formação para a aceitação de outros textos, mais complexos no futuro.
Nota-se que tanto Silva (1993) como Carvalho (2005) identificam o ser leitor como um pré-requisito necessário ao profissional encarregado da biblioteca, pois essa condição irá
auxiliá-lo na mediação da leitura, orientando os usuários sobre o quê e o como ler de acordo com suas expectativas e demandas, e na formação de um acervo de qualidade, que atenda às necessidades formativas dos meninos e meninas que recorrem a esse espaço de cultura.
Apesar de possuírem concepções restritas sobre os reais objetivos do local no qual trabalhavam, observei com o tempo que havia interesse pessoal e um comprometimento profissional com a atividade que exerciam; faltava-lhes, contudo, uma formação adequada que lhes permitisse uma atuação mais segura e eficaz no exercício de suas funções. A
preocupação maior era com o armazenamento e a catalogação dos livros e não com os usuários. Muitas vezes procuraram ajuda na Diretoria de Ensino para aprender como utilizar
diferentes programas de computador para melhor ordenar os livros.
Obata (1999, p.92), ao discutir os paradigmas da conservação e da difusão da informação e da cultura que têm orientado as concepções de biblioteca ao longo dos tempos, assegura que com o desenvolvimento tecnológico e as intensas transformações sociais ocorridas nos últimos anos, em especial, com a ascensão da burguesia, que passou a requisitar profissionais capacitados, que saibam ler e escrever de forma competente, a biblioteca adquire um novo status. Hoje, o paradigma da conservação só tem sentido em função do preservar para que os usuários utilizem. Sob essa perspectiva, “o bibliotecário não pode mais ser aquele erudito guardião das bibliotecas medievais; deve colocar o conhecimento à disposição do leitor de forma eficaz e no menor tempo possível”. Dessa forma, o conceito de biblioteca escolar interativa, de acordo com a autora, torna-se imprescindível nos dias atuais, visto que “deve ser inscrita enquanto um serviço de informação que busca estabelecer relações de interação entre o sujeito e a informação e a cultura”(p.96).
Nesse sentido, um outro aspecto que me chamou atenção, com referência ao trabalho das responsáveis pela biblioteca, é que não notei, em nenhum momento, a preocupação com a dinamização da biblioteca, com a promoção de atividades que permitissem um maior envolvimento dos alunos com os livros e a leitura ou algum trabalho articulado com a professora Fernanda na elaboração das atividades de leitura. Pelo contrário, percebi que cada uma delas, professora Fernanda e as responsáveis pela biblioteca, exercia suas funções sem considerar em nenhum momento que poderiam trabalhar juntas para promover uma prática leitora mais efetiva entre os alunos. Em seus encontros na biblioteca, durante a HORA DA LEITURA, uma limitava-se a manter a ordem dos livros e, às vezes, dos alunos, e a outra
desenvolvia as atividades. Universos distintos, práticas distintas que não consideravam que ambas deveriam caminhar em direção ao mesmo objetivo. Essa falta de integração na elaboração de programas de leitura vivida por esses profissionais é, de acordo com Silva (1993, p.30), uma atitude que traz prejuízos aos leitores:
[...] integração de professores e bibliotecários na elaboração de programas de leitura (escolar e comunitária). Este caminho, embora muito proclamado por ambas as partes, é muito pouco levado à prática concreta. O que se constata, nessa área, é a briga de competências ou a transferência de responsabilidades, movida pela compartimentalização de tarefas e falta de diálogo, tendo os próprios leitores como prejudicados. Sem iniciativa, sem humildade, sem diálogo, os livros existentes continuarão empoeirados nas prateleiras das bibliotecas.
Não me parecia, todavia, que essa “compartimentalização de tarefas”, conforme retrata Silva (1993), fosse uma atitude que tivesse sido pensada, refletida para que assim ocorresse. Era simplesmente algo natural, corriqueiro. Cada uma estava exercendo sua obrigação, sem prejudicar a outra. Não as vi jamais aventando a hipótese de que pudessem trabalhar de maneira integrada.
Com referência à organização dos livros, havia o reconhecimento dos problemas que são causados pela falta de um profissional capacitado, conforme detectamos em muitas falas, principalmente da professora Taís, com a qual convivi mais de perto:
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Além de demonstrar desconhecer os diferentes gêneros textuais, Taís reconhece que a própria organização da biblioteca é uma barreira importante para o andamento do trabalho por ela realizado. Apesar disso, acredita que o espaço é bem freqüentado e apresenta com orgulho o livro de empréstimos, onde consta que, no mês de maio, houve cento e cinqüenta empréstimos. Dado relativo se considerarmos que existem mais de 2000 alunos na escola e que, portanto, menos de 10% dos alunos da escola fizeram empréstimos no mês de maio.
É importante, contudo, salientar que as responsáveis pela biblioteca buscavam manter uma certa ordem, mas que não se mostrava adequada para o público para o qual a biblioteca era destinada e sequer para o controle das obras que compunham aquele acervo. Os livros eram distribuídos nas estantes de acordo com as áreas do conhecimento e com a nacionalidade dos escritores. Assim, os livros ficavam expostos nas estantes onde se liam as seguintes inscrições: geografia, história, física, química, português, matemática, artes, literatura brasileira e literatura estrangeira. Fora isso, havia subdivisões na área da literatura: contos, poemas, romances e literatura infantil. Além disso, havia um espaço reservado para as enciclopédias e outro destinado aos livros que chegavam da Secretaria da Educação dirigidos exclusivamente aos professores. Tudo parecia em ordem, porém no dia-a-dia eram patentes as confusões e os problemas causados pela organização estabelecida. Notei, por exemplo, que havia muitos livros de literatura infanto-juvenil que estavam localizados nas diferentes áreas do conhecimento: obras de escritores literários que retratavam a história da escrita, da leitura, colocados na área de português; livros de literatura que usavam como pano de fundo a história da matemática, distribuídos na área da história e/ou da matemática. Não havia critérios, posto que não existiam profissionais que os difinissem e operacionalizassem. Havia, somente, professoras que cuidavam da biblioteca, desprovidas de conhecimentos específicos de biblioteconomia que lhes permitissem gerenciar aquele espaço. Desprovidas, até, de repertório de leitura..
Essas dificuldades podiam ser notadas nas falas dos professores que tinham o acesso livre aos livros:
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Se a organização da biblioteca não facilitava a consulta, nem estimulava visitas reiteradas, também a visão reducionista que suas responsáveis tinham sobre o local no qual trabalhavam não propiciava uma mudança nas relações que educandos e professores travavam
com a biblioteca e, conseqüentemente, com a leitura e os livros. Para elas, a biblioteca era um local essencialmente de pesquisa para os professores e os alunos, ao qual, eventualmente, alguns desses poderiam se dirigir com outros objetivos. Os professores a utilizavam, na maioria das vezes, para consultas que os auxiliassem na elaboração de aulas, dificilmente para encontrar uma leitura de entretenimento, satisfazer uma curiosidade... Primeiro, porque a correria e o excesso de trabalho não lhes permitia; segundo, porque, a meu ver, consideravam a biblioteca como um local de trabalho, cuja função primeira é de suporte à prática pedagógica. Em função disto, acredito poder dizer que tanto as responsáveis pela biblioteca como os educadores, de uma maneira geral, concebiam-na como um apêndice da escola. Essa concepção parecia ser um impedimento para que Mara e Taís sequer cogitassem em implementar projetos ou outras ações que viessem a dinamizar o funcionamento da biblioteca e aumentar o número de usuários.
Uma das principais funções dos responsáveis por uma biblioteca escolar e pela escola como um todo é a de promover a imagem da biblioteca, para que tanto a comunidade escolar como a comunidade que vive em seu entorno percebam sua importância, qualidade e suas múltiplas utilidades. Com referência a isso, Martínez (2004, p.61-72) propõe uma série de ações, “campanhas de comunicação”, a saber: criar uma imagem e uma identidade visual próprias a fim de que passem a concebê-la como um setor eficiente de utilidade pública (marca e logotipos apropriados, divulgação por meio de cartazes, uniformes, informes...); conquistar os diversos públicos de seu interesse, fixando, ampliando e consolidando uma imagem apropriada dos serviços da escola e de seu trabalho em prol da cidadania; incentivar a participação de outros segmentos sociais (setor privado, associações, meios de comunicação...), aumentando assim o número de colaboradores; e, finalmente, o desenvolvimento de campanhas de leitura com vistas à valorização dos “conceitos de leitura- prazer, leitura-informação e leitura desenvolvimento” (p.67).
No que concerne às campanhas de leitura, Martínez (2004) assegura que a escola não pode estar alheia a nenhuma ação que busque a promoção da leitura, não importando quem sejam seus idealizadores. Para isso, precisa assumir uma posição clara com referência à leitura, manifestando-se publicamente a respeito disso e não supondo que “todos compreendem sua função de animadora e estimuladora da leitura” (p.67), e conscientizando- se, entre outras coisas, de que:
• O gosto pela leitura está relacionado ao prazer de descobrir; • Cada livro, página, frase ou palavra é uma chave para o conhecimento. Portanto estimular alguém a exercer o prazer de ler é estimulá-lo a se emocionar e a descobrir novas idéias.
• Ler acompanhado pode significar, para criança e para o adulto, a descoberta de novas formas de comunicação;
• A televisão e o rádio são magníficos aliados potenciais para estimular alguém a exercer o prazer de ler e de se informar. São instrumentos indispensáveis no planejamento de campanhas de leitura;
• A música, o teatro, os jogos, as narrações e os espetáculos apoiarão a criação de um ambiente favorável à leitura e deverão contar com a participação de diferentes membros da comunidade: pais de família, professores, idosos, crianças, trabalhadores de todas áreas. (p.68)
Considerando a função estimuladora e animadora da leitura como tarefa da biblioteca escolar, a autora vincula prazer e leitura como forma de se atingir esse objetivo. Em sua concepção, o incentivo à leitura passa necessariamente pelo exercício do prazer, pelo estímulo a novas descobertas e idéias, que pode ser produzido em função de atividades variadas, pelo uso de instrumentos diversos e pela satisfação do compartilhar que, conjuntamente, contribuem para a formação de um ambiente favorável à leitura, criando nos indivíduos uma afinidade com a leitura e suas práticas.
O contexto delineado permite vislumbrar que o ideal, em matéria de recursos humanos para a biblioteca escolar, é que haja um profissional devidamente qualificado da área da biblioteconomia para que esse espaço funcione a contento. Todavia, a situação do sistema educacional brasileiro aponta para uma situação inversa. Trabalhamos sempre com o condicional se. Se há uma biblioteca, pode não existir um responsável. Se há um responsável, é muito provável que seja um profissional readaptado e/ou comissionado, de quem não podemos exigir conhecimentos específicos, próprios de um profissional que freqüentou quatro anos de faculdade. É sem dúvida uma questão política, que só será resolvida com atitudes compromissadas por parte dos nossos governantes, e isto num esforço conjunto das instâncias municipais, estaduais e federal.