BÖLÜM 3: VERĠLERĠN TOPLANMASI VE ANALĠZĠ
3.1. Anket Sonuçlarının Değerlendirilmesi
Um dos aspectos considerados de fundamental importância para que a biblioteca escolar exerça suas funções formativas, em uma sociedade marcada pela tecnologia, o acesso rápido às informações e por mudanças de paradigmas, é a constituição de um acervo adequado, de qualidade, que venha ao encontro das atuais demandas sociais.
De acordo com o Manifesto Unesco/Ifla para a Biblioteca Escolar de 199913, a biblioteca escolar constitui-se em parte integrante do processo educativo ao oferecer serviços essenciais com vistas ao desenvolvimento da aprendizagem e do universo cultural de cada educando, que passa, necessariamente, pelo cumprimento de certos objetivos considerados fundamentais, entre eles, “facilitar el acceso a los recursos y posibilidades locales, regionales, nacionales y mundiales para que los alumnos tengan contacto con ideas, experiencias y opiniones varias”. Nesse sentido, de acordo com Macedo (2005, p.315), “materiais os mais diversos possíveis devem compor o acervo da biblioteca, se o desejo é chegar a formação da mente da criança e do jovem, para tornar-se um escolar pró-ativo e um cidadão do futuro”. (grifo nosso)
Baseada nessa premissa, Macedo (2005, p.317) discrimina as fontes de informação necessárias à composição do acervo da biblioteca escolar:
1. Obras de referência: fontes de informação direta (dicionários, enciclopédias, revisões, guias e outros) e indireta, para consultas em caráter referencial (bibliografias, catálogos, resumos...);
2. Coleção geral: livros de vários assuntos, manuais, textos metodológicos, e didáticos, obras literárias, monografias, organizadas por assunto, entre outros;
3. Publicações de caráter periódico (anais de congressos, revistas, boletins...); 4. Obras especiais; livros raros e folhetos;
13
O Manifesto foi preparado pela IFLA (INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARIY ASSOCIATION AND INSTITUITIONS) e
aprovado pela UNESCO em sua Conferência Geral de novembro de 1999. Disponível em:
5. Multimeios: discos e fitas, filmes e vídeos, CD-ROM e disquetes, slides, linguafones, mapas, multimídia, objetos e outros materias de áreas específicas.
Contudo, mais do que possuir um acervo diversificado, faz-se necessário, na concepção de Obata (1999, p.97-98), que o acervo da biblioteca escolar trave um diálogo com a diversidade cultural, com as múltiplas linguagens e a multiplicidade de usos por ele propiciado. Observemos sua descrição de uma biblioteca escolar interativa que trabalha nesta perspectiva:
O Sítio do pica-pau amarelo proporciona um diálogo intertextual com os livros das décadas de 50 e 90, com a versão multimídia em CD-ROM, com o documentário sobre Monteiro Lobato em vídeo, com um número especial de revista Veja São Paulo e com o CD do Gilberto Gil com música da trilha sonora do seriado. Essas obras convivem com os heróis gauleses de história em quadrinhos francesa Asterix. (p.98)
A biblioteca, nesse sentido, constitui-se em um espaço de livre expressão, local dinâmico que, ao articular diferentes linguagens, da música, das artes em geral, do cinema, da televisão, transforma-se no universo real vivenciado pelas crianças e jovens em seu dia-a-dia, propiciando a eles a oportunidade de reconhecer a si mesmos e a seus parceiros.
Ciente das condições necessárias para a formação de um acervo de qualidade, desde o primeiro dia em que tive a oportunidade de observar a biblioteca da escola “Mário Lago”, busquei traçar um perfil das fontes de informação daquele local. Objetivava não somente conhecer a composição do acervo, mas principalmente perceber se essas fontes permitiam à professora Fernanda o desenvolvimento de atividades diferenciadas, mais lúdicas, interativas, que viessem ao encontro das expectativas do Programa HORA DA LEITURA.
De acordo com o livro de tombos da biblioteca, o acervo de livros da escola “Mário Lago” era composto de mais de 12.000, que foram, na sua grande maioria, distribuídos pela SEE –SP, em função de inúmeros programas dos governos federal e estadual, a saber: PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD), PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO PARA O ENSINO MÉDIO (PNLEM), PROGRAMA DE MELHORIA E EXPANSÃO DO ENSINO MÉDIO (PROMED) e o PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA NA ESCOLA (PNBE). Havia um pequeno número de livros didáticos de 5ª a 8ª séries, que foi doado pelos alunos, dicionários e algumas
enciclopédias. Periodicamente, a escola também recebia caixas com livros que eram destinados ao trabalho de estímulo à leitura, devido, principalmente, aos programas TECENDO LEITURAS e HORA DA LEITURA. Segundo levantamento, a escola jamais adquiriu livros com recursos próprios ou da ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES (APM).
Dessa forma, a biblioteca da escola estava assim constituída: obras de referência com informação indireta (dicionários e algumas enciclopédias); uma coleção geral composta de livros de vários assuntos e de obras literárias, em grande quantidade; as únicas publicações de caráter periódico que existiam eram algumas revistas semanais antigas e gibis; não havia obras especiais. Quanto aos multimeios, não existia nenhum material disponível (é importante dizer que a escola possuía vídeos e alguns DVDs para uso exclusivo dos professores, que ficavam guardados em uma outra sala), fato preocupante se considerarmos que com a diversificação dos materiais de comunicação, devido ao avanço tecnológico, pois a biblioteca escolar precisa ter à sua disposição, além dos livros, outros “recursos informacionais”, que representem a variedade e riqueza das informações que são produzidas socialmente (ABREU, 2005, p.30).
Como se pode perceber, a composição do acervo era, majoritariamente, de materiais que haviam sido adquiridos por meio de um processo centralizado, o que não excluía um processo de seleção local que viesse a atender uma demanda específica. Todavia, a falta de articulação dos educadores e das responsáveis pelo local em prol de objetivos educacionais, a ausência de discussões e pesquisas sobre o público-alvo (interesses, necessidades, características) e sobre a possibilidade de atualização dos materiais mantinham a biblioteca em estado de letargia, dependente, quase exclusivamente, da SEE-SP para a seleção, aquisição e formação de seu acervo. Não existia na escola uma política estabelecida de desenvolvimento e aprimoramento do acervo. Tal situação era normal e bem aceita por todos, não havia um questionamento quanto a isso. Primeiramente porque, na avaliação geral da escola, conforme fui percebendo nas falas dos educadores, da vice-diretora e dos funcionários, a biblioteca era excelente e atendia às reais necessidades de leitura dos educandos, que se restringiam a pesquisas, leituras de obras literárias recomendadas pelos professores (na maioria das vezes os clássicos da literatura e/ou obras que atendiam às demandas dos vestibulares) e leituras de lazer (quase sempre obras literárias). Segundo, porque os problemas econômicos que poderiam advir de novas aquisições eram indiscutíveis.
& $ ' (2 3 4
' * 2 / &
# () 4
Um importante ponto a ressaltar é que tal situação evidencia a estreita relação entre livro e escola sempre sob a mediação do Estado. Contudo, há que se considerar que, segundo Abreu (2005, p.30):
[...]a biblioteca não é um conjunto de materiais reunidos aleatoriamente e sem nenhum propósito. Para constituir um recurso didático eficiente, o acervo da biblioteca tem que ser formado e desenvolvido com critério, levando-se em conta o projeto pedagógico da escola e o contexto em que esta se insere. (grifo nosso)
Nesse sentido, o acervo de uma biblioteca escolar necessita estar em consonância com as finalidades da escola, com o seu horizonte de expectativas sobre que aluno pretende formar, de que forma e em que contexto. Assim, é imprescindível que conheça as especificidades e aspirações do público que a ela recorre e as demandas sociais vigentes, com vistas a atender às reais necessidades de formação dos alunos e demais membros da comunidade na qual ela está inserida.
Contudo, é importante que se diga que, apesar dos problemas pontuados, referentes à distribuição centralizada de livros, Martucci (apud MACEDO, 2005, p.220) considera que a distribuição de livros efetuada pelo governo, por meio dos vários programas acima discriminados, indica que esta é “uma iniciativa pública que deve ser conhecida pelos profissionais e estudantes da área” da biblioteconomia, devido “a magnitude dos números, em termos de investimento, de número de volumes e títulos, de estudantes, professores e escolas beneficiadas e, especialmente, da eqüidade de distribuição para todas as escolas do país”. Além disso, a autora aponta que já existe uma pesquisa dando conta do impacto positivo que as obras distribuídas causaram em treze escolas paulistas.
5.1.3.1 Condições de acesso ao acervo
O acervo da biblioteca era fechado aos alunos. Somente as duas funcionárias da biblioteca e os professores possuíam livre acesso aos livros. Os alunos, por sua vez, de posse do nome da obra e do autor, dirigiam-se ao balcão de atendimento, onde uma das responsáveis
localizava o material solicitado. O prazo de devolução das obras emprestadas era de quinze dias, que podia ser renovado, desde que não houvesse solicitação por outro usuário.
Percebi que essa falta de acessibilidade aos livros provocava o afastamento de alguns jovens da biblioteca e impossibilitava a conquista de outros leitores e isso por uma série de motivos. Às vezes, por falta de referências exatas sobre o autor e/ou a obra que gostariam de ler, ficavam impedidos de folhear outros livros e, quem sabe, de ser conquistados por eles, não usufruindo o direito de ter contato com outras obras e de exercitar critérios de escolha. Em outras ocasiões, manifestavam o desejo de ler, mas imediatamente pareciam desanimados frente ao caminho que precisavam percorrer: “e 5 ( 4
6 1 "
) (comentário que ouvi de um aluno da 5ª série C
durante uma aula de leitura na biblioteca).
Não havia uma inscrição dos alunos na biblioteca. Há dois anos os alunos apresentavam uma carteirinha para empréstimo, mas como a maioria não tinha, abriram mão da carteirinha e utilizavam como forma de controle um caderno de empréstimos, onde anotavam o nome do aluno, a série, telefone e a data de empréstimo e devolução. Como os alunos tinham quinze dias para ler o livro, caso não o devolvessem no prazo ou renovassem o empréstimo, uma das responsáveis pelo local ia às salas de aula solicitar a devolução do livro. Tive a oportunidade de acompanhar a cobrança realizada nas salas. Os alunos simplesmente pediam desculpas e alegavam que trariam no dia seguinte. Jamais notei nenhuma forma de constrangimento. Os poucos usuários pareciam cientes de sua obrigação.