1.4. TÜRKİYE’DE UYGULANAN EMEKLİLİK SİSTEMLERİ
1.4.1. SGK Sistemi
1.4.1.2. Yaşlılık Aylığının Hesaplanması
É importante rel etir sobre esse tom profético, visionário, quase escatológico, das previsões nietzschianas sobre o futuro do ocidente. A fórmula Incipit Tragoedia, principalmente após a pu- blicação de A gaia ciência aparece, frequentemente, como o “pro- grama” da i losoi a nietzschianaέ ώá uma clara alusão ao porvir, à esperança, a uma época vindoura de plenitude e restauração das forças trágicas. Notadamente nas suas últimas obras, Nietzsche prevê, com entusiasmo, com um tom exaltado e enfático, a imi- nente instauração de uma “nova era trágica”, do “grande meioά άdia”, do “porvir dionisíaco da música”, do “próximo regresso do futuro helênico” etcέ13 O prognóstico nietzschiano sobre o devir da cultura ocidental não se situaria em um patamar semelhante ao do platonismo e do cristianismo, em que o futuro aparece como árbitro e redentor da atualidade? Amanhã estaremos salvos, ama- nhã a nova era trágica vai se impor necessariamente.
Numa primeira abordagem, é possível assinalar que, apa- rentemente, haveria uma espécie de contradição interna na pos- tura nietzschiana. Ele, mesmo criticando milênios de crença em ídolos e utopias, permaneceria no mesmo patamar que os i lóά sofos que postulam a esperança, isto é, ele seria semelhante a Platão. Nietzsche postularia um novo sentido na época da “morte de Deus” e da ausência de sentidoέ Esse sentido consistiria na restauração da tragédia e na consolidação de uma grande política. Formalmente, em princípio, as suas propostas não se diferencia- riam daquelas que visavam “melhorar” o ser humanoέ Platão posά tulava um homem moral e “purii cado”, o cristianismo idealizava um homem piedoso e ascético, Nietzsche, por sua vez, imaginaria o advento de um homem trágico.
Parece que todas essas posturas se equivalem no intuito de transformar a humanidade atual em prol do homem vindouro, que arribaria em um futuro mais perfeito. Então, cabe indagar: em que aspecto Nietzsche se diferencia da tradição escatológica e teleológica? Não seria vítima daquilo mesmo que critica? Não se- ria, ele mesmo, um i lósofo da esperança, prometendo o homem e a cidade trágica vindouros? Não se tornaria a outra cara do pro-
jeto metafísico e político postulado por Platãoς Eni m, a cidade imanente e trágica, postulada por Nietzsche, não seria uma outra versão da República platônica?
Inicialmente, o tom e a modalidade do discurso nietzs- chiano, com a promessa da retomada da tragédia nos confundem. Parece, sim, que Nietzsche estaria ainda preso nas malhas teó- ricas da tradição teleológica e escatológica ocidental. Tratar-se- -ia justamente de um outro idealista: o último idealista, o profeta da era trágica. Mas, se voltarmos a analisar a “História de um erro”, em Crepúsculo dos ídolos, e “Por que sou uma fatalidade” em Ecce homo é possível começar perceber a diferença, a singu- laridade do pensamento nietzschiano sobre o devir da cultura oci- dentalέ Em “ώistória de um erro”, o esvaziamento da crença esά catológica levará, conforme a previsão nietzschiana, à retomada do espírito trágico. Incipit Zaratustra ou Incipit Tragoedia torna- -se um destino, não um programa ideal. Assim, conforme a ótica nietzschiana, o retorno do trágico não poderia ser interpretado como uma proposta ou uma previsão quimérica; ao contrário, trata-se de algo fatal, inexorável.
A metafísica se afasta da natureza, em prol de instaurar um ideal, assim como valores ideais que tiveram vigência du- rante mais de dois milênios. Agora, após a morte de Deus, a na- tureza do homem deverá ser retomada. É importante sublinhar que este dever ser não é moral, não se trata de um modelo a ser seguido. Dever ser, neste caso, apenas traduz a constatação de que o homem, após séculos de afastamento de si mesmo, voltará a ai rmar a sua própria naturezaέ Em Ecce homo, em “Por que sou uma fatalidade”, essa ideia, essa previsão é aprofundadaέ Ao esgotar-se o erro metafísico, o homem necessariamente deverá voltar a desenvolver e a retomar as suas tendências iniciais. Nes- se sentido, Nietzsche pode considerar-se a si mesmo um “alegre mensageiro” (ele brinca aqui com a imagem bíblica atribuída ao anunciado Messias)έ A sua capacidade “profética” consiste – mais do que a previsão de um amanhã ideal – na aguda percepção do percurso da história ocidentalέ Desse modo, o i lósofo alemão antevê que à transvaloração socrático-platônica se seguirá uma
transvaloração trágica. O homem e a sociedade não encontrarão um porvir trágico num programa ideal de vida, num paradigma a ser consolidado, num telos a ser atingido. Segundo a sua ótica, não há um modelo que conduza o futuro.
A retomada do trágico, então, não é um projeto excên-
trico – guiado por um polo externo, por um centro luminoso e
prometido, como o Sol platônico –, trata-se apenas de deixar-ser, de acolher e aceitar as próprias tendências do homem que foram distorcidas durante milênios. O que Nietzsche anuncia é uma fatalidade, um destino. Desta feita, no plano da humanidade, da história do Ocidente como um todo, também se consumaria o que Píndaro postulava como realização possível de cada individuali- dadeμ “Chega a ser o que tu és”έ
Em outras palavras, o homem não deve ser melhorado, corrigido, apenas deve encontrar-se com aquilo que lhe é próprio. E o Ocidente percorreu um caminho de excentricidade – sempre sonhou com um centro que estava “fora”, longe da terra –, de utopia e quimera. Conforme essa perspectiva, haverá um momen- to em que a sociedade, como um todo, retornará à sua condição trágica, aceitando a vida tal qual ela é. A recuperação da con- dição trágica, após a exaustão do platonismo e do cristianismo, não consistirá em um futuro maravilhoso, extraordinário. Embora Nietzsche fale com entusiasmo da nova era trágica, e do auge da “grande política”, nada haverá de perfeito, ideal ou isento de erά ros. O porvir trágico imporá, justamente, o convívio e a aceitação de uma época sem ilusões, sem fantasias, sem uma impossível e utópica redenção. Por isso, o homem da nova era trágica não en- contrará para além das coisas a plenitude, a superação total de sua insatisfação em um mundo que parece carecer de sentido. Pelo contrário, esse homem não redimirá os entes tampouco se redi-
mirá nos entes, pois eles não conduzem a parte alguma, não há
nada para além do agora, para além daqui mesmo. Se não é pos- sível ultrapassar os entes ou transcende-los, é possível habitá-los
e assumi-los, além de qualquer espera. Aqui e agora, a celebração
do existente, sem nos iludirmos com um utópico amanhã, sem escutarmos o milenar canto das sereias, consiste no cuidado da
vida tal qual ela é. Eis uma nova transvaloração. A habitação do instante, preterida milenarmente, torna-se a nova tarefa. Tarefa artística e poiética. Não há, na visão nietzschiana, escatologia nem salvação. A natureza redescoberta não é uma natureza su- blimada ou idealizada. A autêntica transcendência é celebrar as
coisas na sua aparição. Sabendo que as coisas não levam a parte alguma, experimentaremos o páthos trágico de estarmos, aqui e agora, no lugar em que devemos estar. Nesse mesmo momento,
neste mesmo lugar a vida acontece sem nenhuma i nalidade ou promessa para depois. Esta é a dinâmica do jogo, da criação artís- tica. Como a criança do Zaratustra, o ai rmador trágico brinca no mundo, sem pretender uma i nalidade que viria depoisν sem um objetivo vindouro, ele apenas celebra, joga no instante.14
Samuel Beckett cunhou uma sintética e irônica expres- são, mesmo sem um objetivo escolar ou acadêmico, mas artís- tico, que desnudou a pretensão utópica longamente acalentada pela metafísica ocidental. Essa perspectiva metafísica sempre i cou expectante, aguardando o amanhãν conforme essa concepά ção, algo amanhã viria a salvar-nos, a nos redimir da nossa i niά tude, do fato de estarmos no tempo, de vivermos na efemerida- de do instante. Conforme a frase da peça Esperando a Godot do dramaturgo irlandês: “Se amanhã Godot vier, então, estaremos salvosέ”15 Contudo, na contramão dessa fantasia utópica e qui- mérica, já não esperamos essa impossível salvação. A aceitação trágica do mundo consiste em transitar e celebrar os entes que não prometem, que não conduzem, que não salvam da morte nem da dor. A nova era trágica que Nietzsche anteviu, não redimirá, não aperfeiçoará o homem, não o elevará moralmente, não o tornará algo extraordinárioν apenas deixará al orar a sua natureza, esqueά cida pela embriaguez das utopias, das escatologias, das quimeras da metafísica e da religião tradicional.
8. Considerações i naisμ para além das utopias – a celebração