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6. BULGULAR

6.4. Değişkenlerin Demografik Bilgilere Göre Farklılıkları

6.4.3. Yaş Aralığı Açısından Değişkenler Ve Alt Elemanları

Para discorrer sobre processo criativo e sensibilidade artística, faz-se necessário tecer algumas considerações sobre o entendimento de alguns conceitos, como criação, criatividade, percepção e sensibilidade. Como se trata da criação de um livro literário infantil ilustrado, ele não pode deixar de ser considerado um objeto artístico, que tem o propósito de apreciação, interpretação e fruição como qualquer produção artística.

Para dialogar com os autores entrevistados sobre questões dessa natureza, adotamos, além da bibliografia que trata da qualidade artística dessas obras, as contribuições da pesquisadora Cecília Almeida Salles (2004), em Gesto Inacabado: processo de criação artística, e também da artista Fayga Ostrower, mais especificamente nas publicações Criatividade e

Processos de Criação (1987), Acasos e criação artística (1990) e Universos da Arte (1991), autora

esta que faz uma distinção importante entre criatividade e criação, que, segundo ela, não se constituem em uma mesma coisa, apesar de estarem integradas (1990, p. 218-219), porque,

embora interligadas, implicam estados mentais diferentes. Também pressupõem questões diferentes. A criatividade está no potencial de cada um - a criação já é escolha de cada um. A distinção fundamental a ser feita aqui é entre o caráter geral da criatividade e o caráter específico dos atos de criação. A criatividade poderia ser caracterizada como um potencial de sensibilidade [...] e que permite vivenciarmos nosso ser e agirmos criativamente. [...] A especificidade da ação criativa origina-se nos diversos materiais com que se lida; as “matérias” podendo ser de natureza física ou psíquica: ferro, vidro, cores, sons, gestos ou também idéias ou relações humanas. Estas matérias vão ser transformadas pela ação do homem. Daí, os processos de criação constituírem essencialmente processos

de transformação.[...] Assim, toda forma artística será forma gerada num

processo de transformação.

Tal diferenciação, importante para compreender quando se utiliza o termo processo criativo, remete-nos a reflexões sobre como escritores ilustradores processam as suas vertentes criativas, já que trabalham com as matérias palavras e imagens, e as transformam numa narrativa poética e visual.

Outros termos associados ao processo criativo são sensibilidade e percepção, também imbricadas na condição de criar. Ostrower (1987, p. 12) define sensibilidade como “uma porta de entrada das sensações”. Representa uma abertura constante ao mundo e nos liga, de modo imediato, ao que acontece em torno de nós, sendo que, em grande medida, esse é um processo vinculado ao inconsciente, como sensações internas. A parte que chega de forma organizada ao nosso consciente é a nossa percepção, a qual “abrange o ser intelectual, pois a percepção é a elaboração mental das sensações.” A percepção, por sua vez,

envolve um tipo de conhecer, que é um apreender o mundo externo junto com o mundo interno, e ainda envolve, concomitantemente, um interpretar aquilo que está sendo apreendido. Tudo se passa ao mesmo tempo. Assim, no que se percebe, se interpreta; no que se apreende, se compreende. Essa compreensão não precisa necessariamente correr de modo intelectual, mas deixa sempre um lastro dentro de nossa experiência. (id.,1987, p.57)

Nesse percurso, é importante ressaltar as associações, que, também segundo essa autora, são as combinações mentais que integram idéias e sentimentos em nossa mente. Essas

associações, sem dúvida, encaixam-se na condição de criação de algo poético e imaginativo, como o livro literário, já que “as associações nos levam para o mundo da fantasia. [...] Geram nosso mundo de imaginação. Geram um mundo experimental, de um pensar e agir em hipóteses. [...].” (id., p. 20), sendo aquilo amplia a condição imaginativa é justamente a capacidade humana de associar e manejar coisas, e até algum episódio, a nível mental.

Essas etapas são próprias de qualquer processo criativo, o qual inclui, primeiramente, as associações mentais, de acordo com as percepções contidas em nosso ser sensível. Nessa fase se instala uma determinada questão, na qual são levantadas hipóteses, a fim de vislumbrar possibilidades de atuação para efetivação de uma obra artística, no caso. Isso pode se estender por períodos variados, pois requer uma pesquisa mental por vezes exaustiva.

Esse ato faz parte de qualquer processo criativo, significando que uma autonomia ou liberdade artística requer escolhas e, para definir qual caminho seguir, outras possibilidades de escolhas deixarão de acontecer, incluindo aí limitações externas e internas. Na visão de Diderot (apud SALLES, 2001:p. 64),

o autor precisa escolher entre vários temas, e está livre para fazê-lo, mas precisa sacrificar a liberdade; a liberdade constitui-se tanto das escolhas que se deixa de fazer ou que não se pode fazer, quanto das escolhas que efetivamente acontecem.

Num próximo passo, tem-se a ideia decisiva, que pode ser um insight, um lampejo, que torna possível a concretização formal da obra, como uma visão intuitiva, ou seja, de certo modo pressentida, segundo Ostrower. Após essa etapa se manifesta a concretização efetiva do trabalho artístico, do fazer artístico, propriamente dito, que se constitui num processo laboral. A autora confirma a importância desse processo porque “nem na arte existiria criatividade se não pudéssemos encarar o fazer artístico como trabalho, como um fazer intencional produtivo e necessário que amplia em nós a capacidade de viver.” (id,.1987. p. 31).

Também SALLES (2004) admite que esse insight pode ser arrebatador e configura um caminho do caos para a ordem, com a concretização da obra artística. É um processo dinâmico de recursividade, que faz recorrer a diversas camadas de investigações pessoais, numa proposição de produção artística. Essa autora pondera sobre a provisoriedade típica desse momento, quando são necessários ajustes, adaptações e revisão constantes do proposto por parte do artista:

Ao emoldurar o transitório, o olhar tem de se adaptar às formas provisórias, aos enfrentamentos de erros, às correções e aos ajustes. De uma maneira bem geral, poder-se-ia dizer que o movimento criativo é a convivência de mundos possíveis. O artista vai levantando hipóteses e testando-as permanentemente. Como consequência, há, em muitos momentos, diferentes possibilidades de obra habitando o mesmo teto. Convive-se com possíveis obras: criações em permanente processo. As considerações de uma estética presa à noção de perfeição e acabamento enfrentam um “texto” em permanente revisão. É a estética da continuidade, que vem dialogar com a estética do objeto estático, guardada pela obra de arte. (idem, 2004, p. 26)

Ressalta-se, também, que o momento de imprevisibilidade quanto à finalização de um trabalho artístico, que se torna quase impreciso, porque, inevitavelmente, até se concretizar, sofre inúmeras mudanças. A obra geralmente é “resultado de um longo percurso de dúvidas, ajustes, certezas, acertos e aproximações” (id., 2004,p. 25), no qual há contínua metamorfose. A título de exemplo, a autora Marilda Castanha admite que, no caso do livro, “o mais difícil é saber quando termina, porque você sempre está mexendo nele...”.

Na pergunta aos entrevistados sobre como se processa a criação de um livro literário infantil, e quais requisitos são necessários para realizar esse trabalho, foram obtidas informações importantes e diversas, e em alguns casos, suas considerações tangenciaram em alguns pontos, já que todos os autores foram primeiramente artistas, antes de se tornarem ilustradores.

O autor Cláudio Martins relata que, em seu processo de criação, a narrativa vem depois da cena, da ideia, originada, às vezes, de um rabisco:

Nunca tive uma história que tivesse assim... eu tenho um início que eu acho interessantíssimo, aquela coisa brilhante, só que eu mesmo, daí a pouco, estou jogando fora isso ou esta ideia. Às vezes tenho o início, que é legal, dá pra fazer, mas aí não sei o meio e não sei o fim, e fico muito feliz quando eu tenho um fim, que aí o fim é uma surpresa, uma coisa engraçada, é um negócio de humor, por exemplo, e aí eu posso montar o resto da história; fica mais simples. A parte pior é quando eu só tenho o meio, porque penso como é que eu vou iniciar e como é que eu vou finalizar um livro. Às vezes ele começa quando eu estou rabiscando ali e sai a cara de um menino, de um bicho, de árvore ou qualquer coisa, que eu acho interessante. Penso, poxa, isso dá um livro. Nesse caso, se for um inicio tudo bem, se for um fim melhor, se for o meio, é meio ruim, então eu tenho que ver como é que eu monto isso, que tipo de tempo que eu vou ter pra isso: sequencial, de ritmo, de tempo, etc. [Trecho de

entrevista em 15-05-2013]

Esse autor reforça que os artistas plásticos citados por ele, por serem suas referências, foram abrindo caminhos para ir fazendo “coisas”, daí a centralidade da imagem e da matéria. Nesse percurso, procura fazer da “maneira mais maluca e divertida possível e colocando sempre coisas lá no fundo, no fundo do fundo, porque o livro tem que parar nas mãos da criança, ler com dez minutos e acabou não dá.” [Trecho da entrevista em 15- 05-2013]

Ele informa que consegue ser mais versátil quando o texto é dele, porque tem total liberdade para pensar na paginação e poder alterar texto ou imagem para se adequar à quantidade de páginas do livro, que geralmente devem ser múltiplos de oito:

[...] quando o texto é meu, eu escrevo sem compromisso nenhum, depois eu vou verificando tudo que eu preciso colocar na página pra ir mantendo o ritmo, pra não atropelar, pra eu então chegar a trinta e duas páginas, que é o ideal. Se por acaso tiver trinta e três, trinta e quatro, não tem problema, é só juntar algumas coisas, se ficar com vinte e oito, também eu me ajeito, fazendo nova distribuição dos conteúdos nas páginas. [Trecho de entrevista em 15-05-

2013]

Esse trecho da entrevista demonstra o domínio de até mesmo da programação gráfica, que inclui a possibilidade de reduzir ou estender - ilustrações e textos - ao padrão de páginas do livro.

A pesquisadora, na entrevista com esse autor, fez uma observação sobre a técnica utilizada por ele, que revela uma suavidade mostrada na pintura em aquarela e no lápis de cor, que são técnicas e materiais artísticos básicos. Cláudio Martins consegue com esses materiais uma vivacidade da cor, mas de forma bem sutil, com delicadeza, o que se nota nos detalhes e contornos das figuras. Sobre isso, ele afirma:

Os recursos do photoshop são os mesmos, está todo mundo usando as mesmas coisas, aqui não tem nenhum, não existe nenhum desenhista do mundo que seja capaz de fazer, nem eu poderia tentar, não tem jeito e pronto, acabou, é único. [Trecho de entrevista em 15-05-2013]

Importante ressaltar que esse autor também é bastante versátil no que diz respeito à técnica, projeto gráfico e diagramação, não se limitando ao lápis de cor ou aquarela. No livro Não pegue este livro! Fuja! Corra! (2003), por exemplo, esse artista inova sobremaneira a representação visual, mesclando várias técnicas, com montagens e colagens de obras de arte com seus desenhos, e algum texto em balões, numa mistura de linguagens e, nesse caso, com recursos típicos dos quadrinhos. O autor diz um pouco da proposta desse livro, que inclui terror e bom humor, já começando pela capa:

Este livro com este título: Não pegue esse livro! Fuja! Corra!, já é um motivo para a criança ir lá e pegar esse livro. É uma brincadeira de uma menina no museu, ela adormece lá e sonha com todas essas coisas que ela viu, e que muitas vezes são coisas escabrosas, como as obras do artista Jerônimo Bosch, por exemplo. Eu deformei um pouco, joguei outros artistas, deixei um pouco um clima de horror. Então eu fiz essa tarde de horror. Para não bagunçar muito, eu resolvi mencionar no final do livro cada obra de arte utilizada nas ilustrações do livro, que é para a criança saber, pra ela ter uma noção das obras de arte, e principalmente procurar...essa menina está onde? È também para o livro ficar na mão da criança, é um detalhe misturado com outro, tem também as garatujas que eu fiz pra aprontar a conclusão, e ainda um rapaz escreveu uma coisa muito bem humorada sobre cada um deles, então eu vejo que tem um conteúdo informativo que eu achei interessante. [Trecho de

Figura 126 - Capa e páginas de Não pegue este livro! Fuja! Corra (2003).

Sua formação como designer colaborou para conseguir efeitos interessantes em alguns de seus livros. Além disso, ele consegue colocar nos títulos trocadilhos e rimas que proporcionam um jogo, ou mesmo ludicidade, que convidam para serem desvendados. Ele mesmo afirma que “quando o livro é meu, eu fico preocupado com o título”. Uma de suas coleções de livros de imagem conta com os seguintes títulos: Omar e o Mar; O amor

cego do morcego; No fim do mundo muda o fim. O uso desses trocadilhos e rimas certamente

fazem uma chamada mais imediata ao leitor, podendo suscitar o desejo de leitura do exemplar. Também deixa clara sua preocupação com a capa de seus livros, em função de ser ela a “vitrine” que seduz o leitor:

Quando eu comecei a fazer capas de livros, eu logo fiquei preocupado de criar uma diferença entre um livro que eu tinha feito a capa e o dos outros, porque é uma vitrine. Então, pra começar a usar capas brancas, porque aquilo cria uma ilha e ela já se destaca um pouco das outras, então eu tinha essa preocupação de dar destaque, porque eu sabia que tinha que ganhar esse leitor era na vitrine. [Trecho de entrevista em 15-05-2013]

Nesse percurso, fica evidente o propósito desse autor de se embrenhar por um objeto de qualidade, reforçado por ele próprio nos aspectos verbais e visuais, explorando, também, a visualidade da letra e da palavra. Quando está atento que o livro deve parar nas mãos da criança, tenta conciliar em seu processo criativo algo que deve ser, em suas palavras, divertido e maluco, postura que se aproxima do universo infantil, mas mantendo a consciência da responsabilidade de produzir um “objeto de design”.

A autora Marilda Castanha caracteriza seu processo de criação como uma bagunça, uma mistura, algo que tem que se perder pra se achar, o que também a faz mudar de ideia quando achar conveniente, um pouco parecido com o processo de Cláudio Martins, como se pode perceber na seguinte fala dessa artista:

Sabe, eu tenho que me perder, porque o arrumadinho pra mim não dá, eu me perco, me envolvo, aí vou limpando, uma cor sobre a outra [...] porque eu vejo a bagunça como um acúmulo de experiências, ela é um acúmulo de camadas. Então tem hora que eu preciso disso, preciso de fazer três layouts, porque em cada dia eu vou ver uma outra coisa, até eu achar aquilo que eu quero mesmo, e a gente vê muita imagem, a gente vê muitos livros, eu pesquiso blog de ilustrador todos os dias, prá poder não perder... [Trecho de entrevista em

09-06-2013]

O processo de acumular informações visuais para, depois, limpar, literalmente, até chegar ao acabamento que se quer dar ao trabalho, constitui a criação dos livros por Marilda Castanha. Esse modo de construir o livro, a história, as ilustrações aproxima-se da caracterização da “função criativa própria das artes plásticas”, citada por Ostrower em

Criatividade e processos de criação ( 1987, p. 26):

Em cada função criativa sedimentam-se certas possibilidades; ao se discriminarem, concretizam-se. As possibilidades, virtualidades talvez, se tornam reais. Com isso excluem outras - muitas outras- que até então hipoteticamente, também existiam [...] é nesse sentido, mas só e unicamente, que, no formar, todo construir é um destruir. Tudo o que num dado momento se ordena, afasta por aquele momento o resto do acontecer. É um aspecto inevitável que acompanha o criar.

Marilda Castanha, embora revele a natureza artística da ilustração, ressalta a diferença entre essa prática e das artes plásticas (2012: p. 160):

A intenção é a narrativa. Na concepção de um trabalho de artes plásticas você não tem necessariamente que contar uma história, que discorrer sobre algo. Você pode apenas interferir plasticamente naquele espaço. Na ilustração eu busco fazer as duas coisas: interferir plasticamente no espaço. Há uma leitura na imagem, na ilustração, que permeia tudo, a técnica, o material, a composição, às vezes de forma intuitiva. Agora, eu ainda acho que as artes plásticas têm outra natureza. Então, não consigo me ver assim, só como artista plástica, me realizo sendo ilustradora. As

ilustração. Penso em artes plásticas, mas para ser editado, estar dentro de um objeto: o livro.

Como exemplo para essa discussão, tomemos o processo de criação de um livro de Marilda Castanha que deve ser publicado em breve, com o título Fases da Lua e outros segredos. Essa nova obra tem uma temática bem original. Sobre ele, ela conta que é um livro fruto de um acervo pessoal de diversos diálogos de seus filhos, registrado em um caderno. Quando seus filhos diziam algo que julgava interessante, ela logo anotava, ação que continua a realizar ainda. Esses registros verbais tornaram-se argumentos para um livro que, na época da entrevista (maio/2013), estava em fase de construção dos originais, alguns dos quais tive o privilégio de conhecer. Ela descreve esse processo e cita algumas falas (inusitadas, diga-se de passagem) ditas por seus filhos e fala da dificuldade de terminar um livro, já que geralmente uma obra sofre muitas mudanças no processo de criação:

No livro, o mais difícil é saber quando termina, porque você sempre está mexendo nele, estou fazendo um, posso te mostrar (mostrando alguns originais). Eu acho que não tem livro meu com tantos processos diferentes igual a esse, porque primeiro começou aqui, eu anotando coisas que as crianças falavam, sempre anotei. Já estou indo pro terceiro caderno com essas anotações... eu comecei a escrever e tem tanta coisa engraçada que eles falaram. Anoto dos meus filhos, e também de outras crianças. Um belo dia, eu vi que os diálogos davam pequenas historinhas, aí eu pensei escrever mesmo estas historinhas e fazer um livro. [Trecho de entrevista em 09-06-2013]

Marilda Castanha afirma que, quando começou a escrever, achou que deveria colocar alguma rima nos diálogos, para ter mesmo um quê de poema, como esse:

[...] quase na hora da sobremesa, a irmã depois de conferir a geladeira denuncia: − Mãe, sabia que ontem ele comeu todos os brigadeiros? A mãe aproximando do garoto fez a pergunta comum: − Filho, é verdade, não sobrou nenhum, e o menino com sinceridade, enquanto colocava vinagre na salada, confessou: −Se tiver, milagre. [Trecho de entrevista em 09-06-2013]

A autora diz ter acontecido isso mesmo: “eu peguei o milagre e fui fazendo rimas com vinagre, peguei o fez a pergunta comum pra rimar com não sobrou nenhum, e o tempo todo é isso. Desde 2008 que eu estou fazendo isso, de escrever o que dizem as crianças”. Ela considera isso tudo “um mundo de delícia, é poesia pura” e acredita que não podia desperdiçar esse rico material que estava ali, dentro de sua casa, ao alcance de sua mão. Quando um dia ela viu os seus filhos junto com um primo dando gargalhadas dos escritos nos cadernos, ela disse: “Epa, isso dá um livro... isso já é um livro!”. Daí, apresentou o projeto para uma editora e a autora está na fase de fazer os desenhos, junto com o projeto gráfico. Conta, ainda, que já fez e refez algumas coisas, inclusive três layouts para o livro, e que, no momento, está satisfeita com o que está produzindo...(mostra os layouts para a pesquisadora, de modo a evidenciar quanto trabalho dá todo este processo)

Perguntado para ela se deve fazer outro contato com a editora, quando se muda algo já aprovado, se deve apresentar a nova versão, ela responde que não, porque a editora lhe dá autonomia. Ela já havia dito na editora que era um primeiro projeto e iria melhorar, de acordo com o que achasse necessário, pois “as coisas vão mudando”. As seguir, alguns diálogos das crianças que a autora registrou em seu caderno e se tornaram o argumento básico para a constituição do seu livro:

“Seres aéreos”:

Mamãe afirmava que tudo que balança no ar voa, mas o menino fica pensativo e completa:

− Mas rabo de cachorro não balança no ar, mas não voa. [Trecho de

entrevista em 09-06-2013]

A autora conclui que tais eventos, que são fazem parte do cotidiano das crianças, sofrem a