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6. BULGULAR

6.4. Değişkenlerin Demografik Bilgilere Göre Farklılıkları

6.4.4. Mesleki Hizmet Süresi Açısından Değişkenler Ve Alt Boyutları

O autor Cláudio Martins questiona quando o editor aprova o texto de um autor e este normalmente costuma “pedir um lápis”, expressão que significa solicitar um esboço a lápis das ilustrações, como um croqui. Esse autor discorda um pouco dessa exigência, afirmando que sua resistência não é um posicionamento individual, mas geral entre os ilustradores. Pondera que, assim como é solicitado esse “lápis” do ilustrador, também o ilustrador poderia ter a permissão de pedir para o escritor mandar um “lápis”, para melhorar ou adequar algo em seu texto, já que outro vai ilustrar. Afirma que, em determinadas situações, isso fica difícil, exemplificando sobre o uso de uma mancha de

tinta ou uso de uma colagem. Questiona, mostrando uma página de um livro: Como vou fazer um “lápis” disso aqui?

[...] discordo porque um lápis disso aqui, por exemplo, que é uma sombra, uma mancha, isso vai me dar um grande trabalho pra fazer e não vai dar informação nenhuma, porque a cor é uma informação fundamental, a textura é uma informação fundamental, a aquarela é uma informação fundamental. Vou te dar um exemplo em cima desse livro aqui, você tem “lápis”, tem? Isso aqui é um projeto gráfico de um jornal, que eu me baseei no jornal da tarde, de São Paulo, um jornal maravilhoso [...], mas como é que eu vou fazer “lápis” disso, isto é uma foto ... e aqui tem uma série de coisas, tem um ponto cinza grafite, onde tem umas bolas pretas, etc. Como é que eu vou fazer um “lápis” disso, e aí eu pergunto: será que o autor que tem alguma informação da forma visual do desenho vai entender isso? Não, vai entender nunca, então não existe, eu não faço, faço a ilustração, faço assim um terço delas, mando pra editora, e corro o risco, se tiver algum problema que não der certo, eu refaço, prefiro correr o risco, de refazer, do que fazer “lápis”. (O autor se refere à uma página

do livro de sua autoria Loucos, Malucos, Pirados, Birutas!) . [Trecho de entrevista em 15-05-2013]

Figura 133 - Ilustrações de Loucos, Malucos, Pirados, Birutas (2010).

Por outro lado, esse autor também possui experiências bem-sucedidas com alguns escritores. É o caso das ilustrações que faz para a coleção “Casa Amarela”, de Lívia Sypriano. O autor comenta que essa coleção, para a qual foi contratado como ilustrador desde o primeiro volume, teve seu início há alguns anos, com dez volumes em preto e branco, em função do custo de impressão ser mais barato à época. Essa coleção foi relançada em 2011, agora em cores e com mais de treze livros. Cláudio Martins ilustra todos os títulos da coleção, que diz ter “um senhor texto”, elogiando a autora. O autor

informa que a maioria dos personagens são gatos, porém, personificados: tem o vovô e a vovó, o netinho, o mordomo e a Liloca Gatoca, que é uma arrumadeira e cozinheira. A maioria deles tem presença constante nas histórias dos livros. Desde a primeira edição, isso demanda um trabalho minucioso de manter as características próprias de cada um, já que sempre se apresentam em diversas situações, em ângulos que mudam a cada página, e ainda em tamanho reduzido, o que exige mais na representação das expressões fisionômicas, etc. Ele explica que, como ilustrador,

[...] precisa de muita vontade pra fazer o rosto de um deles, às vezes. Esse é um tipo de livro que dá um trabalho maior, mas vale a pena porque você mantém essa turma toda viva, [...] e os meninos adoram isso e vão ler, e cada livro que sai é uma temática diferente, uma aventura. [Trecho de

entrevista em 15-05-2013]

A seguir, são apresentadas ilustrações de Cláudio Martins em um dos livros dessa coleção. Como ele afirmou, na representação dos personagens, é necessário manter as características básicas, porque eles vão continuar participando de outras histórias, em outros eventos, dispostos em diversos ângulos e posições na composição da página do livro. O fato de Cláudio Martins ser o único ilustrador de todos os livros de uma coleção lhe dá um status de autoria, por ser uma proposta contínua, junta à escritora, conferindo à caracterização dos personagens uma coerência na sua identidade visual. O que se observa, tanto na construção dos personagens como na configuração do projeto gráfico-editorial.

Figura 134 - Livro da coleção “Casa Amarela” Tomás, um leva e traz ( 2011), de Lilian Sypriano, ilustrações Cláudio Martins

Dessa forma, contrapondo esse tipo de experiência com outras mais pontuais, o autor pondera sobre eventuais pedidos de escritores sobre um esboço das ilustrações. Solicitação com a qual não concorda e se recusa a atender, justificando que isso não fornece informações concretas sobre a proposta de ilustração, além de dar muito trabalho. Segundo ele, o ilustrador também poderia pedir alguma alteração no texto do escritor, para atingir um produto de qualidade, que é o livro, atuando numa parceria mais efetiva junto ao projeto editorial.

Marilda Castanha admite que, apesar de não ser regra, considera ser talvez mais fácil ilustrar para outro autor, “pelo menos aparentemente”, e justifica essa atividade pelo tipo de envolvimento de outra natureza: “porque eu não estou criando duas coisas ao mesmo tempo, eu só estou criando uma imagem, o texto já está pronto”. Apesar disso, pondera que também é relativa a facilidade desse processo, porque já recebeu textos desafiadores, os quais demandaram um investimento maior na elaboração das ilustrações. Segundo a autora, “tem autores e tem editores; tem autores e autores; e tem editores e editores”. Cita o exemplo da produção de um livro para a qual foi convidada a ilustrar e que tinha a temática da morte, mas quando foi ler a história, percebeu que no fundo ele estava “falando é da vida, é lindo o texto, todo mundo está enganando a morte, pra viver mais um pouquinho”. Ela conta que fez a arte, mas o autor não concordou com sua interpretação visual da morte, porque sua concepção de morte seria aquela que assusta, mesmo porque as crianças gostam disso, gostam de sentir medo. Ele criticou sua ilustração, dizendo que sua morte estava muito “boazinha”. Esse é um bom exemplo de impasse de entendimento entre o ilustrador e autor, quando se refere ao que se pretende em termos de ilustração a partir da interpretação que se faz do texto verbal. Nesse caso, a ilustradora Marilda Castanha não abriu mão de sua concepção de ilustração para este livro, tentando justificar com base no próprio texto:

Olha, quê que é isso, a morte andando na roda da vida. Eu falei: _ Mas ela está andando com um velhinho, e a roda da vida está lá cheia de flores, cheia de peixes, é a vida, enfim, ele não tinha entendido o layout, aí foi muito chato, porque eu escrevi para a editora e disse que seria melhor ele (o autor) procurar um outro ilustrador, porque eu vou fazer assim.[...] Se não confia, então ele está com a ilustradora errada. [Trecho de entrevista em 09-06-2013]