As pesquisas realizadas anteriores a esta tese, permitiram a conjectura sobre a existência de uma lacuna nos projetos que envolvem robôs no Brasil, quanto a aplicação da Ergonomia. Os indícios que permitem a assunção sobre a pouca ou
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Active Interfaces Using Mobile Robots: A Future Technology for Interactive Ergonomics.
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List of Selection Criteria and Specification of the Selected Industrial Robot.
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Critical Considerations for Human-Robot Interface Development.
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nenhuma aplicação da Ergonomia na instalação dos robôs, baseiam-se na ausência de documentos que orientem e especifiquem a melhor forma de inserção da célula robotizada. Os questionários realizados por este pesquisador evidenciaram, também, a dificuldade dos usuários quanto ao conhecimento das tecnologias que envolvem as células dos robôs. Duarte (2002) diz que:
Na verdade, nossos engenheiros, empenhados na gestão, têm tido poucas oportunidades de participar de atividades ligadas ao desenvolvimento de projetos tecnológicos, uma vez que se ocupam de pôr em funcionamento equipamentos e sistemas de produção comprados de países industrialmente desenvolvidos.
Essa percepção levantada por Duarte (2002) parece concordar com a visão diagnosticada por meio dos questionários, ao longo desta tese. Para reforçar a percepção de que existem dificuldades no aspecto de desenvolvimento de novos projetos tecnológicos e, principalmente, o distanciamento dos ergonomistas durante a fase de desenvolvimento do produto.
Duarte (2002) apresentou alguns dos problemas mais visíveis nos projetos das Indústrias de Processo Contínuo – IPC24:
• problemas de saúde e fadiga decorrentes da inadequação dos meios de trabalho à atividade;
• riscos de acidente relacionados a dificuldades de representação do estado real das instalações, sobretudo durante os períodos iniciais de operação;
• insuficiência de formação dos membros das equipes de operação;
• disfunção da partida das instalações e longo tempo até a estabilização do funcionamento do processo;
• impossibilidade de fazer com que a carga efetivamente processada se aproxime da capacidade nominal definida em projeto;
• dificuldades, por todos esses fatores, em assegurar a qualidade prevista. Analisando os tópicos descritos por Duarte (2002) percebemos que o conhecimento da tarefa prescrita e da tarefa real de um dado processo contínuo poderia, de antemão, colaborar para se evitar a maior parte dos problemas apresentados. Duarte (2002) diz que: “O conhecimento da realidade do trabalho vem
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Segundo Duarte (2002) o trabalho nas indústrias de processo contínuo se caracterizam pela operação predominantemente de dimensões coletivas e cognitivas.
se tornando uma dimensão estratégica para o êxito desses projetos, na medida em que possibilita antecipar problemas que o futuro corpo técnico de operação irá enfrentar”.
A Ergonomia poderá por meio de suas abordagens sistêmicas colaborar com uma visão clara sobre as tarefas requisitadas em cada momento da fase produtiva e não só isso, mas, solicitar ao setor de projetos que considere no desenvolvimento do projeto as informações sobre a organização do trabalho, as restrições impostas pelo sistema e as exigências que irão promover a diferença entre o prescrito e o real.
Daniellou (2002a) e Maline (1997) concluíram que: “[...] freqüentemente são subestimadas as necessidades reais do futuro corpo técnico de operação, impedindo que o trabalho se realize em condições de segurança e eficiência”.
Dois fatores colaboram para a existência de tais situações:
O primeiro é a complexidade decorrente de se levar em consideração o fator humano dentro de uma situação de projeto. O segundo reside no fato de que normalmente os projetistas supõem que sua representação do ambiente é idêntica à daqueles que vão operar o sistema de produção. A não- consideração da lógica de utilização reforça as dificuldades de adaptação e aumenta o risco de acidentes e de incidentes técnicos. (DUARTE, 2002, p.15).
A preocupação com os aspectos técnicos somente, ou em maior ordem de grandeza, deixa desprotegido o projeto como um todo. Essa prática, já comentada nesta tese, deixa claro que: enquanto o usuário com seu conhecimento, a partir das experiências acumuladas, não participar dos novos projetos, informando como deverão ser construídos e funcionarem os sistemas; enquanto testes de adequação e usabilidade não forem consideradas nos projetos das células robóticas, os riscos de acidentes e as dificuldades das células robotizadas alcançarem resultados desejados serão constantes.
Duarte (2002) indica ainda um predomínio de uma perspectiva teórica em relação ao trabalho apontado para a projeção de riscos em duas situações distintas como: o funcionamento estável e a caoticidade dos grandes acidentes, momento em que acontecem evacuações de um determinado ambiente industrial e até mesmo do entorno do complexo industrial. Contudo, a realidade demonstra que as situações encontradas comumente estão entre as duas situações extremas.
São os problemas do cotidiano que desprezados tornam-se potenciais causadores de riscos físicos aos usuários e ao sistema. A aceitação contínua do ato inseguro, bem
como do uso de um equipamento pouco amigável ao usuário pode, pela práxis, tornarem-se o gatilho para situações críticas.
Geralmente, atos inseguros conduzem a riscos iminentes e equipamentos inadequados provocam, mais lentamente e por vezes mais rapidamente, a desconfiança e prejuízos dos operadores envolvidos na tarefa – falta de confiabilidade. Caso a falha ou prejuízo físico, imposto por um equipamento, através do uso, ou contínuo, ou imediato, seja percebido pelo contingente de trabalhadores de um determinado setor, poderá desencadear um efeito dominó de prejuízos econômico-financeiros e uma insegurança entre os operários. A perda da confiabilidade poderá determinar em vários casos o tom da crítica ao sistema de produção. Fatos ocorridos em outras situações da vida do operário, como uma lesão adquirida pela prática esportiva de fim de semana, poderá intencionalmente ser usada como desculpa pelo uso de um equipamento que apresenta riscos à saúde. Chega-se a uma situação em que a própria indústria não consegue identificar a origem da lesão sofrida pelo operário e se, realmente, foi provocada por um equipamento já reconhecido como inadequado ou se a lesão teve origem em outra situação fora do seu controle e responsabilidade. A perda da confiança mútua, alteração do clima social entre os operadores e seus superiores pode gerar prejuízos produtivos e a falta de harmonia entre as partes. Pode-se com isso aumentar as despesas com afastamentos médicos, perdas na produção, indignação entre as partes envolvidas, enfim, todo o sistema perde.
Durante entrevista, uma das empresas fornecedoras de robôs permitiu que visitássemos um teste25, momento em que se realizam os ajustes técnicos para a efetivação do sistema automático junto às linhas de produção de um cliente. O teste é realizado na própria empresa fornecedora de robôs. Montam-se todos os equipamentos necessários a uma simulação e são testadas as funções e disposições fornecidas pelo cliente. Segundo o entrevistado, “[...] quando vendemos um robô realizamos o teste exatamente como será instalado na planta do cliente, ou seja, fazemos todo o sistema rodar [...]”. Nesta pesquisa ficou claro que o teste funciona muito bem para se analisar
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Try-out – Teste dos equipamentos a serem implementados em uma indústria e realizados em ambiente simulado. Geralmente a operação toma por base a fase anterior (entrada) e posterior (saída) da linha que irá receber o novo equipamento, neste caso um robô.
e estabelecer as posições e seqüências lógicas do arranjo físico, contudo, caso a linha de produção da empresa compradora já possua características inadequadas de altura, largura e restrições arquitetônicas poderão influenciar negativamente no trabalho desenvolvido pelas empresas que realizam o teste.
Geralmente, as empresas que realizam e constroem os testes são terceirizadas das empresas fornecedoras. Ou seja, cabendo às empresas integradoras a construção, testes e estabelecimento de requisitos de segurança e instalação de todos os sistemas das células robotizadas nas empresas compradoras.
Mesmo tendo os cuidados necessários para se instalar uma nova célula robótica alguns percalços podem surgir. Por exemplo: projetos executivos fornecidos pelas empresas compradoras, contendo o arranjo físico da linha de produção, que irá receber o robô, podem apresentar defasagem e, ao ser encaminhado a fornecedora de robôs, não represente a realidade. Segundo o entrevistado da empresa fornecedora, acontecem situações em que uma coluna edificada não prevista na planta ‘aparece’ quando os procedimentos de instalação na linha de produção iniciam suas atividades no ambiente. Casos como esses provocam alterações significativas no arranjo físico e consequentemente podem levar a uma reconfiguração da célula robótica não tão adequada às questões ergonômicas e de segurança e o inevitável aumento dos custos de instalação juntamente com retardamento das operações de montagem e atraso no início das operações de produção.
Além das questões enfrentadas pelas empresas fornecedoras quanto à inadequação dos espaços físicos encontrados, podemos discutir a hipótese de que as empresas integradoras podem não construir os sistemas mecânicos de segurança, entre outros, considerando os aspectos ergonômicos. Lembrando que, muitas vezes, as condições de instalação devem acompanhar os alinhamentos já existentes nas linhas de produção dos clientes compradores de robôs. Estruturas físicas podem ser definidas sem uma análise da tarefa, dificultando, a posteriori, a manutenção e a própria obtenção dos resultados desejados pelo sistema.
Os problemas críticos de ausência do planejamento ergonômico poderão ser oriundos das próprias empresas compradoras, das empresas integradoras e das
empresas fornecedoras dos sistemas robóticos. Todas elas podem de certa forma contribuir com inadequações ao atendimento das relações homem-máquina.