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XVII. YÜZYILDA HOLLANDA SANAT ORTAMI

O tema seguinte, designado por “Perceção sobre a comunicação no cuidar”, encontra-se associado a um dos objetivos definidos para o presente estudo, pois com a sua realização pretendia-se igualmente “compreender a perceção dos profissionais face à importância da

comunicação na interdisciplinaridade no cuidar”. Neste sentido, foram identificadas quatro

categorias relativas ao referido tema: “Papel atribuído à comunicação na prestação de cuidados”; “Importância atribuída à comunicação no desenvolvimento da interdisciplinaridade”; “Vantagens das reuniões multidisciplinares”; e “Desvantagens das reuniões multidisciplinares”.

No que concerne à primeira categoria (Anexo 49), foram identificadas nove subcategorias correspondentes, designadamente: “Papel fundamental”; “Informação clínica”; “Relação terapêutica”; “Transmissão de segurança, confiança e motivação”; “Conhecer necessidades e adequar plano de cuidados”; “Comunicação interdisciplinar influencia prestação de cuidados”; “Melhores intervenções”; “Pedido de intervenção”; e “Comunicação não-verbal”. A grande maioria dos profissionais entrevistados considera que a comunicação assume um papel de extrema importância na prestação de cuidados, não só nas interações com os utentes

mas entre toda a equipa profissional, opinião que vai ao encontro do que defende Ramos (2012:1), a qual realça a comunicação nas intervenções em saúde “numa perspetiva sistémica, interativa e multi/interdisciplinar”, como vimos anteriormente.

Quatro dos entrevistados especificam que a comunicação com os utentes é essencial no sentido de lhes serem transmitidas as informações relativas ao seu estado de saúde e de lhes serem prestadas algumas indicações favoráveis à sua recuperação, para que possam colaborar nesse processo.

Por sua vez, sete profissionais afirmam que a comunicação é relevante no estabelecimento de relação com os utentes, de maneira que, caso o utente não queira ou não tenha capacidade para comunicar, será mais difícil criar uma relação terapêutica empática. Destes profissionais, um considera ainda que a comunicação permite igualmente estabelecer relações com os cuidadores e integra-los, como aos utentes, em todo o processo de reabilitação, enquanto outro menciona que, independentemente da incapacidade ou estado de inconsciência dos utentes, é importante que se continue a comunicar verbalmente com os mesmos.

No que diz respeito à “Transmissão de segurança, confiança e motivação”, importa referir que um terço dos profissionais defende que uma comunicação eficaz com os utentes, lhes poderá transmitir bem-estar, sentimentos de segurança e confiança, o que poderá propiciar o aumento da sua motivação e, consequentemente, da sua colaboração na própria recuperação.

Através da análise da literatura verificamos que alguns autores partilham estas ideias, sendo exemplos Lamela & Bastos (2012) e Ramos (2012), os quais creem que quando a comunicação é eficaz e os utentes vão sendo informados acerca da sua situação, mais fácil e positivamente aderem à terapêutica, maior será a sua satisfação pessoal relativamente aos cuidados prestados, e melhor será a sua reabilitação (e as respostas às suas necessidades) e a sua integração em todo o processo. Por seu turno, também Ferreira (2015), Rego (1999) e Robbins (1998/1999) revelam que a comunicação é um elemento fundamental no desenvolvimento do ser humano, nas suas relações uns com os outros, sendo que Santos et al. (2010) referem que a relação entre os profissionais de saúde e os utentes depende, particularmente, da forma como comunicam. E, Ramos (2012) destaca a influência que a comunicação produz na promoção do sentimento de segurança por parte dos utentes e noutros aspetos a nível psicológico, e ainda ao nível da organização e funcionamento dos serviços de saúde.

Neste âmbito, nove profissionais mencionam que a comunicação lhes permite “Conhecer necessidades e adequar plano de cuidados”, uma vez que consideram que ao dialogar com os utentes ou até mesmo com as famílias/cuidadores, é possível conhecer melhor o utente, identificar a suas necessidades globais, e, posteriormente, elaborar um plano de intervenção adequado ou agir em conformidade com o que o utente/cuidador lhes transmite num momento preciso. Porém, é de salientar que um destes entrevistados refere que, por vezes, a comunicação não-verbal também é importante nestes procedimentos, pois “há muita gente que não consegue falar e a observar é que agente consegue ver se a pessoa está a sentir mal, tem dor ou está bem ou não está…” (p. F), enquanto outro afirma que a incapacidade do utente em comunicar pode comprometer estes aspetos, uma vez que “o utente ao não comunicar, não consegue (…) verbalizar nada que possa não estar ao encontro com aquilo que ele quer.” (p.E).

Assim, esta perceção converge com o que defendem Santos et al. (2010) sobre a influência da comunicação na identificação das necessidades dos utentes e na prestação direta de cuidados; e Ferreira (2015) acerca da elaboração de um plano de cuidados, enquanto elemento importante no cuidar, o qual surge através da comunicação entre os vários intervenientes, com o objetivo de definir ações para responder às necessidades identificadas, requerendo reflexão e discussão sobre as mesmas.

A subcategoria “Comunicação interdisciplinar influencia prestação de cuidados”, foi definida pelo facto de dois entrevistados terem referido que a comunicação entre os elementos de diferentes áreas disciplinares que constituem a equipa de saúde vai influenciar a comunicação com os utentes e a forma de lhes prestar cuidados. Ou seja, caso a comunicação seja eficaz no seio da equipa, isso refletir-se-á positivamente no cuidar dos utentes.

Neste contexto, três profissionais creem também que a comunicação entre todos os envolvidos no processo terapêutico é, efetivamente, um dos meios para obter resultados mais positivos, “Melhores intervenções”.

De igual modo, como verificamos no enquadramento teórico, Santos et al. (2010) consideram que uma relação comunicacional positiva e eficaz no seio da equipa e com os utentes contribuirá para a melhoria das intervenções em saúde, para otimizar os resultados.

Concluindo, um entrevistado adianta que somente comunicando com os restantes colegas de equipa é possível solicitar apoio e intervenção por parte de outras áreas, no sentido de resolver os problemas do utente, enquanto quatro profissionais admitem que a “Comunicação não-

verbal”, por vezes, assume maior relevância do que a verbal, pois existem situações que observadas revelam mais informação do que sendo verbalizadas. Nesta linha, um destes entrevistados afirma ainda que quando o utente é incapaz de se expressar verbalmente, é muito relevante que se encontrem estratégias de maneira a que “consiga comunicar de alguma forma que lhe seja possível (…) Gestual ou escrita… Ou por tabelas de comunicação” (p. H). Analisando os dados do quadro 32 (Anexo 50), é possível aferir que à categoria “Importância atribuída à comunicação no desenvolvimento da interdisciplinaridade”, também correspondem nove subcategorias.

De acordo com quatro profissionais, a comunicação entre os membros da equipa é um componente fundamental para o desenvolvimento da interdisciplinaridade, considerando três dos entrevistados que o facto de comunicarem entre si possibilita que alcancem o consenso necessário sobre determinadas questões.

Na verdade, estes dois aspetos coincidem com as conclusões de Santos et al. (2010: 53), como apreendemos na revisão da literatura, nomeadamente no que concerne ao facto de os autores afirmarem que a integração entre os profissionais de saúde se encontra intimamente relacionada com a comunicação que estabelecem entre si, e que a comunicação interdisciplinar é uma das características que contribui para que uma equipa seja eficaz e obtenha elevada qualidade, revelando-se essencial que através da comunicação entre os profissionais seja possível alcançar “um mesmo modelo mental” partilhado por todos. E, como referem Curral & Chambel (2001), esta visão comum e a permuta de ideias e informações conduzem ao consenso necessário para a tomada de decisões.

Por outro lado, quatro elementos da amostra estudada referiram que a comunicação entre os profissionais permite compreenderem as funções uns dos outros e, consequentemente, promoverem a continuidade de cuidados, pois se todos conhecerem as papéis de cada um, não existirá sobreposição e/ou contradição entre as intervenções das diversas áreas disciplinares. Quanto à subcategoria “Partilha de informação”, a mesma foi identificada através da opinião de um terço da amostra, que considera que a comunicação no seio da equipa se torna relevante, essencialmente, pela partilha de informações sobre os utentes, uma vez que cada profissional de cada área de intervenção deverá prestar o seu parecer relativamente à evolução do utente ou a situações que sucedem com o mesmo no seu contexto de trabalho, de maneira a que possa existir a integração de intervenções cogitada na prática interdisciplinar.

Ainda assim, um dos profissionais menciona que a comunicação contribui para o “Estabelecimento de relações”, necessário ao efetivo trabalho em equipa interdisciplinar, enquanto outro relata que a comunicação entre todos os seus membros lhes possibilita avaliar o seu desempenho coletivo, como equipa.

Santos et al. (2010) também mencionam que as relações entre os profissionais dependem da forma como comunicam entre si, de maneira que quanto melhor for a relação comunicacional, melhor será a relação profissional entre eles. Nesta corrente de pensamento, Ramos (2012) acrescenta que a eficiência da organização e gestão dos cuidados e sistemas de saúde depende, igualmente, da relação comunicacional entre os profissionais.

De outro modo, dois dos entrevistados creem que a comunicação é importante para o desenvolvimento da interdisciplinaridade, na medida em que permite a “Partilha de ideias” entre os profissionais, sendo que um elemento considera que a comunicação neste sentido, para intercâmbio de opiniões, poderá ajudar a “Evitar conflitos” no seio da equipa.

Assim, aferimos alguma convergência entre as subcategorias “Partilha de informação” (acima descrita) e “Partilha de ideias” e as teses de Atkinson & Murray (1985/1989) e de Curral & Chambel (2001), uma vez que, de certo modo, também estes autores destacam a importância do intercâmbio de opiniões e informações entre os profissionais, do contributo das várias disciplinas, no sentido de chegarem ao consenso esperado e às decisões necessárias.

Relativamente aos conflitos, Cunha et al. (2013) ao invés de destacarem a relevância da comunicação no sentido de evitar a ocorrência de conflitos, sublinham a necessidade de os profissionais possuírem competências comunicacionais e para intervirem em equipa, de maneira a conseguirem resolver os conflitos mais eficazmente.

Finalizando, três profissionais relatam ainda que a comunicação favorável entre os membros da equipa contribui para que a sua intervenção seja mais benéfica. Neste contexto, é de salientar que, embora não fosse pertinente constar no quadro de análise da categoria agora abordada (Anexo 50), dois profissionais consideram que também a existência de meios propícios para a existência de uma comunicação eficaz, nomeadamente a proximidade física, facilita a prática interdisciplinar (exemplos: “E nós estamos tão perto, no mesmo edifício, podemos falar uns com os outros, temos telefone… Mesmo que não seja em reunião, falamos a toda a hora, à hora de almoço vamos conversar um bocadinho… Isso é a coisa mais fácil que existe” (p. C); “Mas nós comunicamos muito porque estamos aqui todos, também é mais

fácil (…) Estamos sempre a comunicar, estamos sempre presentes, estamos sempre juntos e vamos sempre discutindo casos.” (p. F)).

Assim, as respostas que justificam a identificação desta última subcategoria vão ao encontro do que foi anteriormente descrito sobre a literatura, particularmente no que diz respeito a Curral & Chambel (2001) e Lamela & Bastos (2012), autores que defendem que a comunicação no seio da equipa é um fator de extrema relevância no processo de alcance dos seus objetivos, e a Santos et al. (2010), os quais referem que, de facto, um melhor desempenho individual e coletivo depende das capacidades dos profissionais em comunicar uns com os outros e dos meios de comunicação existentes no seu contexto de intervenção. No que concerne às “Vantagens das reuniões multidisciplinares” (Anexo 51), é possível aferir que foram identificadas diversas subcategorias, designadamente: “Resolução de conflitos”; “Melhora a comunicação intergrupal”; “Partilha de informações”; “Partilha de opiniões e ideias”; “Conhecer o utente noutros contextos”; “Feedback a todos os profissionais da equipa”; “Elaboração e reavaliação de PII”; “Coesão grupal”; “Encontro pessoal”; “Periodicidade”; “Avaliação das intervenções”; e “Aprendizagem mútua”.

A primeira subcategoria surge com base nas afirmações de três profissionais, os quais consideram que as reuniões multidisciplinares são importantes para resolver determinados problemas/conflitos que possam surgir entre os profissionais, incluindo os que não participam nas reuniões.

Neste contexto, Santos et al. (2010) referem que estas reuniões podem constituir-se, sim, num momento privilegiado no qual os profissionais definem estratégias de forma a ultrapassarem algumas situações negativas.

Por sua vez, a subcategoria “Melhora a comunicação intergrupal” foi identificada mediante a resposta positiva, por parte de todos os elementos da amostra, quando questionados se “(…) as reuniões multidisciplinares são uma mais-valia para melhorar a comunicação entre os membros da equipa? Porquê?”.

De facto, Rego (1999) partilha da mesma opinião, concluindo que as reuniões contribuem bastante para melhorar a comunicação entre os elementos da equipa, o que, de certo modo, é também referido por Ferreira (2015).

A grande maioria dos entrevistados relata ainda que uma das vantagens deste tipo de reunião está relacionada com o facto de este ser um momento no qual está presente um representante de cada área disciplinar, existindo assim, uma “Partilha de informações” acerca da evolução e

da situação atual dos utentes nos diferentes contextos de intervenção e das suas expetativas e dos seus cuidadores, enquanto dois profissionais acrescentam que este momento também propicia a “Partilha de opiniões e ideias”, o que lhes permite, posteriormente definir e integrar as suas intervenções, e ainda “Conhecer o utente noutros contextos”. Contudo, é de salientar a afirmação de um destes profissionais que afirma que, embora não estejam presentes nestas reuniões todos os profissionais que intervém com os utentes, sempre que se considere necessário para esclarecimento de alguma questão, durante este período, são contatados os restantes profissionais, sendo que outra vantagem identificada por três profissionais está associada ao “Feedback a todos os profissionais da equipa”, nomeadamente àqueles que não estão presentes, para que as suas intervenções sejam também baseadas nas decisões da equipa multidisciplinar.

Neste sentido, importa referir que Alves (2008, cit. por Ferreira, 2015), Rego (1999), Santos

et al. (2010) e Spruyt (2011) também revelam que nestas reuniões são partilhadas e discutidas

opiniões e informações acerca dos utentes ou de outras questões pertinentes.

Quanto à “Elaboração e reavaliação de PII”, nove profissionais consideram que as reuniões multidisciplinares são importantes, essencialmente, porque é nesta ocasião que são elaborados e reavaliados alguns PII e que são planeadas as altas, sendo este o principal motivo da sua realização. Esta perceção é partilhada por Spruyt (2011) que também refere que nestas reuniões se procede à deliberação e à documentação dos objetivos a alcançar em cada intervenção.

Por outro lado, dois dos entrevistados creem que a realização destas reuniões contribui para a coesão da equipa, sendo de referir que quatro consideram vantajoso o facto de este ser um momento de “Encontro pessoal” entre os profissionais.

Associadas à “Coesão grupal”, como aferirmos anteriormente, encontram-se perspetivas de alguns autores, pois também Santos et al. (2010) e Rego (1999) referem que as reuniões de equipa promovem o espírito de grupo, e a colaboração e o estabelecimento de relações entre os seus membros, respetivamente; e Neves (2012) afirma que a comunicação frequente e profícua contribui para a coesão das equipas em saúde, sendo que, segundo Ferreira (2015), esta comunicação pode ocorrer no momento das reuniões multidisciplinares.

Relativamente ao “Encontro pessoal”, também Alves (2008, cit. por Ferreira, 2015), mediante o seu estudo sobre equipas multiprofissionais, concluiu que as reuniões multidisciplinares são

um momento comum importante, pois estão presentes profissionais das diferentes áreas de intervenção.

De outro modo, um dos elementos estudados realça a “Periodicidade” das reuniões, atribuindo importância à sua realização frequente, e outros cinco sublinham que uma das vantagens tem a ver a avaliação de desempenho que pode ocorrer nestes momentos, nos quais os profissionais revêm e avaliam as suas intervenções individuais e grupais, no sentido de as melhorar e “proporcionar o melhor ao utente.” (p. L).

No que diz respeito à “Periodicidade”, aferimos que Santos et al. (2010) partilham da mesma opinião que alguns dos entrevistados, considerando que este tipo de reunião deve ser realizado frequentemente, e face à “Avaliação das intervenções”, realçamos as deliberações de Alves (2008, cit. por Ferreira, 2015), Santos et al. (2010), Rego (1999) e Ferreira (2015), os quais consideram que nas reuniões são tomadas decisões e realizadas reflexões tanto a nível grupal como individual.

Finalizando, um profissional destaca ainda a “Aprendizagem mútua” que pode ocorrer nas reuniões multidisciplinares, pois os profissionais vão assimilando questões de outras áreas disciplinares e enriquecendo os seus conhecimentos, tal como defendem Rego (1999), Bernardo et al., (2010), e Alves (2008, cit. por Ferreira, 2015), afirmando que nestes momentos existe uma aprendizagem recíproca entre os profissionais, o que contribui para reconhecerem as funções uns dos outros e melhorarem as intervenções da equipa, respondendo de forma adequada às necessidades dos utentes.

Noutra perspetiva, abordaram-se igualmente as “Desvantagens das reuniões multidisciplinares” (Anexo 52), às quais correspondem cinco subcategorias designadas por: “Representante da área de enfermagem não presta cuidados”; “Perda ou distorção de informação”; “Falta de consenso”; “Tempo despendido”; e “Não tem desvantagem”.

Especificando, seis profissionais consideram um pouco desvantajoso o facto de a área de enfermagem ser representada nas reuniões por um profissional que não se encontra na prestação direta de cuidados, e que consequentemente, não conhece «tão bem» os utentes, apesar de lhe serem cedidas informações sobre os mesmos. Assim, um profissional sugere que estivessem presentes pelo menos um enfermeiro prestador de cuidados de cada piso de internamento. Contudo, é de salientar que embora partilhem dessa opinião, alguns destes profissionais reconhecem que a forma como os serviços estão organizados não permite aos cuidadores «diretos» estarem presentes nestes momentos.

Relativamente a esta subcategoria, salientamos a tese de Rego (1999) que defende que uma das desvantagens das reuniões poderá estar relacionada, exatamente, com o facto de participarem um número elevado de profissionais. Deste modo, seria importante, por exemplo, a elaboração, pela equipa, de um documento específico onde o representante de enfermagem resumisse tudo o que foi abordado sobre os utentes revistos nas reuniões e posteriormente o cedesse aos prestadores de cuidados diretos para que o analisassem nas passagens de turno.

Por seu turno, quatro entrevistados revelam que a presença de apenas um representante de cada área disciplinar pode ser limitador, na medida em que poderá ocorrer “Perda ou distorção de informação”, pois apesar de existir partilha de informações entre os presentes e os restantes profissionais que também intervém diretamente com os utentes, poderá existir alguma lacuna na comunicação posterior, depositada na reunião aos presentes e/ou transmitida da reunião aos ausentes.

Na verdade, Robbins (1998/1999) sublinha que, caso o processo comunicacional (abordado anteriormente com base em Curral & Chambel (2001)) na equipa sofra perturbações, a sua eficácia pode ser comprometida, assim como, segundo Santos et al., 2010, a qualidade da assistência prestada, podendo causar malefícios aos utentes, pelo que se deve tentar evitar a ocorrência de défices na comunicação.

Ainda assim, um elemento da amostra considera desvantajoso que nas reuniões nem sempre seja possível os profissionais alcançarem um acordo comum, enquanto outros cinco indicam que o “Tempo despendido” é uma desvantagem, pois ainda que admitam a importância das reuniões multidisciplinares no processo de recuperação dos utentes, alguns referem que o facto de um profissional estar ausente do serviço para tal, implica que alguns utentes não tenham intervenção nessa área e/ou que alguns profissionais fiquem sobrecarregados durante esse período.

Por fim, importa referir que três dos entrevistados não reconhecem nenhuma desvantagem na realização das reuniões multidisciplinares.