1. ORTAÇAĞ’DAN MODERN DÖNEME AVRUPA’DA HARİTACILIĞIN
1.4. YÜZYILDA AVRUPA’DA HARİTACILIK
Segundo Bee (1984), o desenvolvimento moral é um tema que pode ser subdividido em três subtemas referentes a aspectos particulares do desenvolvimento da consciência. O primeiro é o comportamento moral e diz respeito ao direcionamento do próprio comportamento da criança a partir do acatamento de regras internalizadas. O segundo trata dos sentimentos morais, ou seja, da parte afetiva da moralidade, ou seja, dos sentimentos negativos envolvidos na transgressão e dela decorrentes, como a vergonha e a culpa, e também dos sentimentos positivos envolvidos em situações que estão de acordo com os padrões morais ou normativos vigentes, ou que os sobrepujam, como a satisfação, o auto-respeito e o orgulho. O último é o julgamento moral e envolve o elemento cognitivo do desenvolvimento da moralidade. Trata de aspectos como a capacidade de a criança determinar se alguma ação é certa ou errada, se alguém é culpado ou não. Nesse sentido, o julgamento, os sentimentos e os comportamentos morais estão intrinsecamente relacionados entre si.
Para Piaget (1932/1994), inicialmente, o pensamento moral efetivo (a “experiência moral”),que se constrói, pouco a pouco, na ação, em contato com os fatos, por ocasião dos choques e dos conflitos, e que conduz a julgamentos de valor é que permite ao indivíduo orientar-se em cada caso particular e avaliar os atos de outrem quando lhe interessam mais ou menos indiretamente.
Há, por outro lado, um pensamento moral teórico ou verbal, ligado ao precedente por todas as espécies de cadeias, mas afastando-se tanto quanto a reflexão pode se afastar da ação imediata. Esse pensamento aparece todas as vezes que a criança é conduzida a julgar os atos de outrem, que não lhe interessam diretamente, ou a enunciar princípios gerais, relacionados à sua própria conduta, independentemente da ação atual (PIAGET, 1932/1994).
Piaget foi um dos primeiros estudiosos do pensamento moral e, inicialmente, dedicou-se à análise do desenvolvimento das regras em jogos infantis, buscando compreender o comportamento das crianças diante de um sistema de regras. Posteriormente, dedicou-se à análise do julgamento moral, estudando os efeitos da coação adulta em problemas relativos às mentiras, a roubos e desajeitamentos praticados pelas crianças (LOOS et al., 1999). Nesse âmbito, Piaget relata que há dois estágios evolutivos no desenvolvimento do raciocínio moral da criança, que são a heteronomia e autonomia.
Piaget (1932/1994) realizou pesquisa com crianças a respeito das regras do jogo de Bolinhas de Gude. A partir dessa pesquisa, muito importante para a compreensão do juízo moral na criança, observou dois aspectos que fazem parte do encontro das crianças com as regras: a prática e a consciência das regras. A prática é a maneira como as crianças utilizam, na situação de jogo, as mesmas regras para si e para os outros. Nesta prática, há quatro estágios: 1) puramente motor e individual; 2) egocêntrico; 3) de cooperação; e 4) de codificação das regras.
Com relação à consciência das regras, pode-se dizer que é a compreensão que as crianças têm das regras, ou seja, o que elas são, para que servem, de onde vêm, quem as fez, se podem ser mudadas. Piaget observou três estágios referentes à consciência das regras: 1) puramente individual; 2) regras sagradas e intocáveis; impostas pelos adultos aos menores e imutáveis e 3) regras como uma livre decisão das próprias consciências, podem ser modificadas e adaptadas às tendências do grupo; é a construção progressiva e autônoma.
Quando as crianças imitam as regras, considerando sagradas e imutáveis, elas são heterônomas; já quando elas utilizam racionalmente estas regras, considerando o grupo, elas podem ser consideradas autônomas. É a partir do momento em que a regra da cooperação sucede à regra da coação que ela se torna uma lei moral efetiva (PIAGET, 1932/1994, p.64).
A sua segunda pesquisa foi feita no sentido de saber como as crianças encaravam as regras morais prescritas pelos adultos. Como resultado, ele obteve duas tendências no julgamento infantil: o julgamento por responsabilidade objetiva e aquele por responsabilidade subjetiva.
A responsabilidade objetiva, ocorre quando o resultado objetivo, material, é facilmente observado e, é considerado para avaliar a culpa de quem o cometeu. A responsabilidade subjetiva ocorre quando se leva em consideração a intenção do indivíduo que cometeu o ato. “Vê-se que as crianças julgam pela aparência: o erro que aparece mais é punido, e, portanto, mais errado, mais feio. Aquilo que não é percebido, não é punido, portanto não é errado” (MENIN, 1996, p. 49).
Segundo Piaget (1932/1994), a cooperação e a descentração são importantes, pois elas ajudam a diminuir o egocentrismo, considerando por decisão própria, o outro, o que ele chama de “moral do bem”. Portanto, nota-se a importância das relações sociais para a formação da moral, pois é nas relações com as outras pessoas, da criança com outra criança, da criança com o adulto, que as normas, os valores, as crenças se desenvolvem.
“Somente se constroem valores morais vivenciando-os. Se a moral é condição para a vida em sociedade, é preciso garantir que a sala de aula, que é uma mini- sociedade, também seja fonte de experiências morais” (TOGNETTA, 2003, p.72). Se a moral é construída a partir das interações e das experiências que os sujeitos vivenciam em situações em que se desenvolvem os julgamentos e a consciência das regras, é necessário propiciar à criança, a oportunidade de participar de um ambiente favorecedor dessas trocas e dar-lhe experiências necessárias para a construção de seus próprios valores morais (TOGNETTA, 2003).
Neste sentido, é importante compreendermos como essas situações e experiências estão acontecendo em instituições escolares inclusivas e, além disso, como o investimento afetivo que as crianças realizam nas trocas interpessoais podem ser traduzido na valorização de si próprio e das outras pessoas, tratando-se de
inclusão. Além disso, mesmo que não vivenciem o processo de inclusão em suas escolas, é importante conhecer o que as crianças e os adolescentes têm a dizer sobre isso, pois a diversidade não está só na escola, mas em todos os lugares. No próximo tópico, trataremos de como a inclusão foi construída ao longo da história.