3.1. SELMANLI KAZASI KÖYLERİ
3.1.25. Yüzlerevcesi Köyü
A internacionalização dos problemas dotou a disciplina das RI de extrema importância para a perceção dos mesmos (MOREIRA, 1996). Deste modo, esta ciência revela-se fundamental para a compreensão da problemática do estudo da dissertação, a qual, será realizada através dos modelos teóricos presentes nesta área das ciências sociais. «´Um modelo teórico é uma construção do espírito que visa interpretar e clarificar uma parcela da realidade. Ele inventaria os factos conhecidos e aceites pela comunidade científica, mas também investiga outros novos que não puderam ser explicados pelas teorias anteriores e que poderão prever fenómenos ainda não observados`» (COSTA, 2012, p. 33). Assim sendo, no presente capítulo pretende-se explicitar a teoria das RI a implementar na abordagem da problemática da dissertação.
Finda a segunda Guerra Mundial e verificados os progressos tecnológicos na Europa durante a primeira metade do século XX, parecia surgir o sentimento de necessidade de cooperação internacional e, como consequência, o Estado seria incapaz de assegurar a paz e as necessidades dos cidadãos provocados pelos movimentos nacionalistas (COSTA, 2012). Desse modo, o funcionalismo permitiu a criação de organizações internacionais que adotavam medidas que iam ao encontro das necessidades dos Estados, fazendo desta teoria das RI a que mais se aproximava do projeto europeu pós-guerra (COSTA, 2012).
Com o evoluir não só da esfera política europeia, mas também social e cultural, os Estados passaram a dar exclusividade a questões securitárias e à resolução dos diferendos, reiterando a visão de anarquia internacional e de conflito como situação permanente (COSTA, 2012).
Após uma evolução histórica da Europa, tornava-se necessário identificar a teoria das RI que mais se identificava com a construção da UE. Um número considerável de indícios sugere que como processo de integração Europeia, o construtivismo cria um impacto transformativo através das suas perspetivas nos sistemas dos Estados Europeus, fazendo deste modo, com que de acordo com vários autores, seja a teoria mais acertada para o estudo da UE (CHRISTIANSEN; et al., 1999).
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O construtivismo nasce da premissa de que é uma teoria do sistema internacional que se volta para a construção social, que é determinada por preceitos comuns e não por força material e “toma em consideração aspetos diversos mas complementares que caraterizam as sociedades: as ideias, as instituições e os interesses, personificados pelos Estados.” (COSTA, 2012, p. 47). Estes princípios revelam-se de extrema importância para o estudo da Europa, pois esta foi erigida tendo em conta uma realidade social e não material (CHRISTIANSEN; et al., 1999, p. 530). Por outo lado, “o construtivismo, especialmente na modalidade desenvolvida por Alexander Wendt, consiste numa reelaboração das problemáticas estatocêntricas a partir da premissa culturalista de que o sistema internacional assenta numa estrutura de ideias e significados que os atores sociais atribuem a fenómenos materiais com a distribuição do poder” (MENDES; COUTINHO, 2014, p. 111).
O construtivismo junta-se a várias abordagens, ao invés de se limitar a uma só, encarando “o universo social como algo em construção” (MENDES; COUTINHO, 2014, p. 111). Esta teoria é aplicável a disciplinas que permitem ajudar a ultrapassar barreiras interdisciplinares recorrentes, sejam elas entre as RI e as políticas comparativas ou entre as RI e os estudos Europeus (CHRISTIANSEN; et al., 1999, p. 531)
Uma estrutura construtivista deve conter dois elementos fundamentais: os recursos e os meios pelos quais as pessoas comunicam umas com as outras (DOUGHERTY; PFALTZGRAFF JR., 2001). Os recursos referem-se à capacidade industrial, ao desenvolvimento tecnológico e às pessoas, juntamente com os fatores geográficos, climáticos e de recursos naturais (DOUGHERTY; PFALTZGRAFF JR., 2001). O segundo elemento debruça-se sobre a dimensão social das RI e demonstra a importância das normas, das regras e da linguagem utilizada (DUNNE; et al., 2010). Outro elemento, que por vezes, é adicionado aos dois já referidos é a presença de um agente que enfatiza os processos de interação, ou seja, toma-se em conta o panorama histórico, cultural e político na interação dos Estados com o mundo (DUNNE; et al., 2010).
Contribuem também para este conceito socialmente construtivo as relações dinâmicas entre forças históricas e estruturais que ajudam a explicar a natureza da mudança, ou seja, em qualquer momento da História, os Estados e os
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atores que os compõem são afetados pela sua própria interpretação do mundo (DOUGHERTY; PFALTZGRAFF JR., 2001).
Para Wendt, os atores, os interesses e as instituições resultam todos de um processo socialmente interativo (WEBER, 2010) porque o construtivismo sempre encarou o universo social como algo em formação (MENDES; COUTINHO, 2014). As instituições não devem ser percecionadas como algo pré concebido, mas sim como um processo formado pelas interações sociais entre os seus atores (WEBER, 2010). Estas interações, ao permitirem reduzir a incerteza entre os atores numa estrutura comunitária, aumentam a confiança e permitem que a «´a ação de um seja seguida de determinadas consequências e reação de outros`» (COSTA, 2012, p. 242).
Para os construtivistas, não basta só alcançar a aceitação do bom funcionamento cooperativo entre os Estados numa instituição internacional; é imprescindível que os intervenientes desempenhem o seu papel na instituição e que a distribuição das identidades e interesses dos Estados concorra para que a cooperação seja uma realidade (COSTA, 2012).
Uma das maiores contribuições da abordagem construtivista é a inclusão do impacto das normas e das ideias na construção de identidades e comportamentos (CHRISTIANSEN; et al., 1999). Enquanto alguns construtivistas mostraram o impacto das normas nacionais na política internacional, outros realçaram o impacto das normas internacionais, como as Europeias, na mudança das políticas domésticas (CHRISTIANSEN; et al., 1999). Estas políticas são de extrema importância, pois possuem variáveis essenciais, tais como as identidades, os discursos, as esferas públicas, as instituições e as normas que tendem a ser mais resistentes quando constituídas e institucionalizadas a um nível nacional (CHECKEL, 1998, p. 10).
Esta teoria assume um lugar de destaque no estudo dos processos políticos e sociais estabelecidos a longo prazo para a Europa, pois, levanta questões sobre ontologias sociais, conduzindo as pesquisas à origem e reconstrução das identidades, ao impacto das regras e normas, ao papel da linguagem e aos discursos políticos (CHRISTIANSEN; et al., 1999).
Assim sendo, o construtivismo, como teoria das RI que define o sistema internacional a partir dos seus significados, do nosso ponto de vista e dados os nossos objetivos, é o pressuposto que mais está relacionado com a perceção
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da UE. A Europa não deve ser vista à luz das teorias tradicionais em que se concebia o mundo como algo fixo e pré-determinado, mas sim segundo um prisma construtivista em que a União se modifica e molda ao longo dos tempos, adaptando-se às novas realidades e aos novos interesses, contribuindo, deste modo, para a construção social.