• Sonuç bulunamadı

3.1. SELMANLI KAZASI KÖYLERİ

3.1.28. Sekili Köyü

O Tratado de Lisboa, assinado em dezembro de 2007, apresenta a característica de ser similar ao Tratado que estabelece uma Constituição para a UE, pois foi elaborado com base neste (CUNHA, 2008). Este novo Tratado não foi bem recebido por todos, levando mesmo a que os seus críticos defendam que “não aumenta a transferência e a simplificação, nem aproxima a União Europeia dos cidadãos. É extenso” e “complexo, tornando-se ainda menos acessível à generalidade das pessoas do que os Tratados ainda vigentes e a própria Constituição Europeia, que se guindava a fonte única do direito primário da União” (CUNHA, 2008, p. 54).

No entanto, e pesar das críticas feitas a este Tratado por alguns autores, uma das características ímpares que possui é ser um projeto democrático voltado para os cidadãos (ESTEVES; PIZARRO, 2008). Outra mais valia que garantiu foi a capacidade de a Europa produzir resultados, isto porque a substituição das decisões, no Conselho, de unanimidade para maioria qualificada possibilitou dar continuidade aos projetos políticos europeus, o que até então era quase sempre impossível (ESTEVES; PIZARRO, 2008).

O Tratado de Lisboa, apesar de poder ser tomado como uma adaptação do Tratado que estabelece uma Constituição para a União Europeia, distancia-se deste na medida em que “o pendor supranacional da integração europeia foi abandonado” (MIRANDA; et al., 2010, p. 756).

Com o surgimento deste novo Tratado, dá-se o desaparecimento da estrutura dos três pilares de Maastricht - o pilar comunitário, o da política externa e o da justiça – o que fez com que deixasse de existir distinção na forma como algumas matérias europeias eram tratadas (ESTEVES; PIZARRO, 2008). Com a extinção dos três pilares, passou a existir “uma maior coerência nas instituições e ações da União. Antes, era como se a Europa pretendesse

36

constituir-se em orquestra, mas sem os ritmos consequentes” (ESTEVES; PIZARRO, 2008, p. 14).

No que diz respeito à integração de nacionais de países terceiros, este Tratado atribuiu à UE novas aptidões, desenvolvendo “uma política comum em matéria de asilo, de protecção subsidiária e de protecção temporária, destinada a conceder um estatuto adequado a qualquer nacional de um país terceiro que necessite de protecção internacional e a garantir a observância do princípio da não repulsão” (JORNAL OFICIAL DA UNIÃO EUROPEIA, 2007, p. 306/60).

Uma das novas disposições que o Tratado de Lisboa introduziu foi que caso seja necessário a UE tomar decisões relativamente a passaportes, bilhetes de identidade, títulos de residência ou qualquer outro documento equiparado, sem que estejam previstas nos tratados o Conselho, após consulta do Parlamento Europeu, pode elaborar um processo legislativo especial (JORNAL OFICIAL DA UNIÃO EUROPEIA, 2007).

Com o Tratado de Lisboa, ficou consumada a adesão da UE à Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem (JORNAL OFICIAL DA UNIÃO EUROPEIA, 2007). Esta adesão permitiu melhorar o acesso à justiça por parte de todos os cidadãos da União.

Com a não consumação do Tratado que Estabelecia uma Constituição para a UE, este novo documento, aprovado por todos os Estados-Membros, apresentou-se como a alternativa mais eficaz para dar resposta quer aos novos paradigmas europeus, quer aos novos desafios mundiais.

Através da análise efetuada aos Tratados que marcaram a história da UE, é possível concluir que as alterações legislativas que se verificaram ao longo dos anos, devido à criação, abolição ou retificação de leis e medidas, se devem não só à evolução da sociedade europeia, como do resto da sociedade mundial. “O que era considerado como sendo socialmente aceitável no início do século XX não é aceitável no início do século XXI. A forma como as alterações acontecem e como são incorporadas ou refletidas na mudança institucional, tanto a nível nacional como internacional, são a essência da teoria construtivista” (DOUGHERTY; PFALTZGRAFF JR., 2001, p. 167).

Apesar de a UE ser um projeto político ainda recente, o mesmo apresenta já alguns marcos importantes para a sua história, nomeadamente no que se

37

refere à evolução da legislação europeia relacionada com a migração. Através da análise dos documentos que têm acompanhado as alterações legislativas da União, foi possível observar as mudanças verificadas ao longo dos últimos tempos. De seguida, apresentar-se-á um resumo muito sucinto com as principais alterações verificadas em cada Tratado.

O Tratado da UE possui a característica ímpar de ter sido responsável pela transição de uma Comunidade para uma União e pela introdução dos três pilares europeus. É também de realçar que, através deste documento, ficou estabelecido que a maioria das questões migratórias seria resolvida segundo a Convenção Europeia de Salvaguarda dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais e segundo a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados.

O Tratado de Amesterdão ficou marcado pelo consenso alcançado relativamente à introdução da moeda única. No que respeita às questões migratórias, passou a contemplar, no primeiro pilar da UE, assuntos relacionados com a migração de cidadãos e estabeleceu um prazo de cinco anos a partir da entrada em vigor do mesmo para a criação de medidas relacionadas com a livre circulação de pessoas na União.

O Tratado de Nice apresenta como uma das principais reformas o processo decisório da UE, passando as políticas de asilo, imigração e coesão a ser decididas por maioria qualificada.

Apesar de nunca ter entrado em vigor, o Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa foi um marco importante para a história da UE, na medida em que muitos dos objetivos e legislações presentes neste documento transitaram para o Tratado de Lisboa. Neste último, foram eliminados os três pilares da União, observou-se o desenvolvimento de uma política comum em matéria de asilo e a adesão da UE à Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem.

Após uma breve síntese sobre a evolução dos Tratados que marcaram a história da UE, deve-se também dar especial atenção à forma como se processou a evolução dos mesmos. Se, por um lado, parece lógico que algumas mudanças tenham ocorrido em tão pouco tempo e de forma tão fugaz, pelo outro, torna-se difícil compreender como outras medidas ou demoraram a ser implementadas ou não acabaram mesmo por ser consumadas. Para Adler, “existe uma relação dinâmica entre forças estruturais e históricas que explicam

38

a natureza da mudança”, porque, “em qualquer momento da história, os Estados e todos os atores que os compõem são afetados pela sua própria interpretação do mundo que são o resultado de conceitos sociais construtivos” (DOUGHERTY & PFALTZGRAFF, 2011, p. 167). Deste modo, fica mais claro compreender o rumo que certas políticas tomaram ao longo do tempo.

A legislação Europeia desenvolvida pelos Estados-Membros ao longo da história da formação da UE teve, nos últimos dois anos, um grande teste à sua capacidade de atuar perante os fenómenos migratórios em larga escala. Nos últimos Tratados consumados e apesar de a Europa ainda não enfrentar fenómenos de migração em larga escala, verificou-se um esforço, por parte da UE, no sentido de conjugar as leis migratórias com as realidades mundiais. No entanto, os progressos efetuados nos últimos anos não foram suficientes, pois, hoje, a UE enfrenta uma grave crise migratória, precisando de encontrar rapidamente medidas que preencham as lacunas deixadas nos Tratados existentes. Face a este cenário, no próximo capítulo será analisada de que forma a União está a ser afetada por esta vaga migratória e quais as medidas adicionais de que se tem dotado para tentar solucionar o problema.

39