B- Kişisel haklar doğuran idari işlemlerin geri alınamaması
III- Yargısal Araçlar
3- Yürütmenin Durdurulması Kararları
seguintes. Uma reforma nos seus estatutos, em 1959, fechou a entidade para novos associados, permitindo somente a entrada de “novos aderen- tes” (não sócios). A entrada de novos sócios significava a divisão do bolo de arrecadação, o que não necessariamente era verdade para os editores, que, trazendo sócios com contratos de edição consigo, aumentavam suas pró- prias fatias. Assim, historicamente, foi desejada pelos editores e vista com cautela pelos autores. A reforma também fortalecia o Conselho Deliberati- vo sobre a Diretoria, e criava a categoria de Conselheiros Vitalícios (todos os sócios que já houvesse ocupado cargos de direção até aquele momento). Assim, criava uma estabilidade em relação aos antigos membros, e dificul- tava a participação dos novos.
Na mesma toada, uma das primeiras ações do novo Conselho foi a cria- ção de um novo plano de distribuição para o primeiro quinquênio da dé- cada de 1960, com os pontos prêmios, atribuídos na proporção de um para cada voto econômico que detinham os sócios – e cada voto econômico era dado na proporção da participação no patrimônio social. Observe-se que os membros da Diretoria e do Conselho Deliberativo eram os líderes em cotas na Sbacem, sempre com 10 ou mais cotas no patrimônio social (com a exceção de um caso, Geraldo Medeiros, com 8,5 cotas, que participou de uma vice-secretaria do Conselho Deliberativo, extinta em 1960). A título de exemplo, grandes sucessos mais novos não acompanhavam sua participa- ção: naquela época, Tom Jobim detinha 9,5 cotas do patrimônio social, Billy Blanco, 7,5 e Vinícius de Moraes, 4 cotas (MORELLI: 2000, p. 53).
1.1.4. Disputas por espaço e a fundação de uma conflitualidade: a UBC e a Sbacem
A coexistência das duas primeiras associações de autores de música não foi pacífica. Em 1949, no primeiro boletim da Sbacem, o seu Secretário de Diretoria Nestor de Holanda caracterizava a UBC como “quadrilha orga- nizada de saqueadores de direito autoral”, que estaria deixando de pagar milhões a editores para favorecimento próprio (MORELLI: 2000, p. 79); os discursos do presidente Benedito Lacerda e de Mário Rossi, que substituiria
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Nestor de Holanda em 1950, eram também flagrantemente hostis à UBC e seu presidente Oswaldo Santiago. Jornalista, Nestor de Holanda publicava matérias em tom de denúncia contra Oswaldo, e atacava-o por alegada- mente se ter tornado milionário à custa dos autores, já que sua última com- posição era de 1942, mas em 1946 ainda era um dos maiores arrecadadores (HOLANDA: 1969, p. 85).
Os ataques mútuos entre Sbacem e UBC diferiam em tom: enquanto, nas críticas da Sbacem, sobressaíam atitudes morais pessoais, a UBC ado- tava um discurso de classe, político, sempre evidenciando as problemáticas relações entre autor e editor; já em relação aos antigos dirigentes da Sbat, Oswaldo Santiago também adotava o discurso de denúncia de desonestida- de e autoritarismo (como indicamos, na Sbat, somente os autores teatrais, e não os musicais, tinham direito a voto):
A referência ao autoritarismo pessoal de certos dirigentes, assim como a referência à desonestidade pessoal de ou- tros, constituía uma tradição no campo autoral pioneiro, servindo, tanto uma quanto outra, para explicar de modo acrítico as sucessivas dissidências ocorridas: em razão de os sistemas de distribuição de poder no interior das en- tidades serem tão concentradores quanto os sistemas de distribuição de dinheiro, ambas as referências tinham as mesmas raízes institucionais, mas o fato de as novas en- tidades reproduzirem também sistemas semelhantes de distribuição do poder fazia com que prevalecessem tam- bém nesse caso as acusações de arbitrariedade pessoal sobre a crítica institucional (MORELLI: 2000, p. 85).
Rita Morelli conta também que, embora as acusações de desonestidade tenham sido perenes no sistema de gestão coletiva brasileiro – e, de fato, em 2014 elas estão presentes – as acusações de arbitrariedade desapareceriam por algumas décadas, retornando quando das discussões para formação Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA) e do ECAD, no início da dé- cada de 1970:
Ora, isso que pode ser nomeado como uma tradição de maledicência encontra inúmeros adeptos até os dias de
ECAD, DIREITO AUTORAL E MÚSICA NO BRASIL
hoje: parece hábito dos dirigentes autorais musicais bra- sileiros de todos os tempos atirarem-se mutuamente a pecha de desonestos, da mesma forma como parece pra- xe que os compositores em geral a atirem contra todos eles, e isso certamente explica a imagem negativa que o campo autoral tem no Brasil (MORELLI: 2000, p. 80).
A sensação de insegurança que esteve e está posta em relação à gestão coletiva tem também uma de suas causas ligada à própria natureza incor- pórea da música e à impossibilidade de dar-se conta de todas as execuções públicas; o interessante, também apontado por Morelli, é que a generali- zação da acusação de desonestidade salva também a todos, “demandando antes uma análise de natureza sociopsicológica que uma investigação poli- cial” (MORELLI: 2000, p. 80).
A Sbacem e a UBC eram competidoras tanto pela adesão de autores e repertórios, quanto pelo pagamento por parte dos grandes usuários, e pelo apoio que esperavam de autoridades judiciais e policiais. Foram muitos os processos judiciais, desde 1949, envolvendo as duas organizações – como, por exemplo, uma denúncia criminal de compositores da Sbacem contra Oswaldo Santiago e Alberto Ribeiro da UBC, seguida de um processo por calúnia e difamação de Oswaldo Santiago contra David Nasser da Sbacem – processo este que correu de forma agressiva. Nestor de Holanda narra, em
Memórias do Café Nice, que Nasser teria saído vitorioso (HOLANDA: 1969, p. 92), mas até nesse relato o conflito sobressai: Vanisa Santiago conta, a partir das memórias deixadas pelo pai, que ele teria sido condenado, mas o crime teria prescrito. O mesmo grupo de compositores da Sbacem, eliminados do quadro social da UBC, mas que continuavam a constar de suas listas de arre- cadação (a eliminação era compreendida como punição, mas não autoriza- ção para a formação de nova entidade) moveram também uma ação pela dis- solução desta última, buscando sua cota no patrimônio social. Um boletim da Sbacem de 1954 (Boletim n. 18) comemorava o reconhecimento da função dos editores, sub-rogados nos direitos dos autores, quando foi decidido que aqueles compositores que ainda constavam das listas da UBC tinham mes- mo de ser eliminados, quando os editores estavam em outra entidade.
Sbacem e UBC disputavam também a filiação à Cisac (Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores), situação em que tinha vantagem a UBC – e que a Sbacem reputava como decorrente de de-
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sonestidade de seus rivais, UBC e Sbat; à Sbacem, restava firmar contratos unilaterais com entidades estrangeiras.
Diante dos usuários e do Estado, entretanto, Sbat, UBC e Sbacem apre- sentavam-se como entidades representantes de interesses comuns: assim, em um mesmo boletim da Sbacem de 1950 (n. 9), um informe ataca a UBC, e outro conta como as três entidades haviam entregado conjuntamente um memorial às fábricas de discos, reivindicando mudanças na retribuição au- toral. Já naquele momento, aventava-se no Estado a possibilidade de cria- ção de um instituto público que centralizasse as entidades; defendendo-se da ideia, no mesmo boletim, a Sbacem chamava os dirigentes das três enti- dades de “enorme família”.
A partir de 1950, e marcadamente com a substituição da editoria do informativo de Nestor de Holanda por Mário Rossi, a Sbacem assumiria paulatinamente uma postura de trégua, inclusive passando a admitir no- vos sócios advindos da UBC (somente em determinadas circunstâncias), de forma a evitar dissensões. No mercado produtor e consumidor de música, cada qual também já estava estabelecendo um espaço específico (MOREL- LI: 2000, p. 95). Na ocasião da saída dos editores da Sbacem, ela e a UBC apresentaram, sem sucesso, solicitação conjunta ao governo pela proibição da criação de novas associações para arrecadar direitos autorais musicais, além daquelas duas que já existiam. Era circunstancial: anos depois, em 1961, quando o presidente Jânio Quadros apelava pela unificação das asso- ciações, agora as três (UBC, Sbacem e Sadembra), mais a Sbat, unir-se-iam, dessa vez contra a nova entidade que surgia no cenário, a Sicam.