4. YÜK SEVKIYATÇILIĞI
4.4. Yük Sevkıyatçılığı ve Taşıma Organizasyonu
Conforme visto, pode-se reafirmar que os modelos de gestão adotados pelas organizações são estabelecidos conforme uma dada realidade histórica, política, social, econômica e ambiental. Nesta perspectiva, busca-se situar a origem histórica do modelo de gestão empreendedor que, para Silva (2002), ocorre no período de transição entre a Segunda Onda, também chamada de Era da Revolução Industrial, e a Terceira Onda, ou Era da Informação5. Essa transição veio
14 As denominações Segunda Onda e Terceira Onda são referentes ao conceito de Ondas do Futuro, proposto por
acompanhada de mudanças de valores que, por sua vez, acarretaram significativos impactos nos campos econômico, político, social, cultural, organizacional, e etc., que se encontram destacados nas análises das megatendências dos anos 80 e do século XXI6.
No mesmo enfoque, Pereira (1995) pontua que a revolução da informação pôde ser dividida em duas eras empresariais: a era da qualidade, na década de 1970 e a era da competitividade, na década de 1980. Estas, por sua vez, caracterizaram-se por possuirem, numa escala cronológica, três modelos de gestão:
• O modelo da administração japonesa, que atingiu seu apogeu na década de 1970 e possibilitou àquele país se recuperar dos estragos sofridos durante a II Guerra Mundial. O modelo baseava-se no princípio da melhoria da qualidade, de Edwards Deming — no qual a inspeção da qualidade “abrange todo o processo de produção, desde os insumos até o consumidor, bem como a revisão do projeto do produto/serviço para o futuro” (PEREIRA, J., 1995, p. 78).
• O modelo de gestão da administração participativa, conforme visto anteriormente, tem como base o princípio da participação, que amplia a noção de gerência para a noção de gestão, na medida em que técnicos da organização passam a interagir em todo o processo produtivo da organização: do planejamento à avaliação dos resultados. Segundo Lima (2002), esse modelo teve início nos anos 80.
• O modelo de gestão empreendedora, por ser um dos objetos de estudo desta pesquisa, será, a seguir, explorado quanto ao conceito e às principais características do empreendedorismo sócio-ambiental.
15 Sobre as megatendências, ver NAISBITT, John e ABURDENE, Patrícia. Megatrends 2000 – Dez novas
A escala cronológica apresentada por Pereira (1995) não “congela” a realidade e não implica que a prática dos modelos de gestão nas organizações aconteceu em prazos determinados e que não foram concorrentes entre si. Esta apresentação representa uma realidade dinâmica e multifacetária.
Antes de iniciar o estudo do empreendedorismo sócio-ambiental propriamente dito, cabe revisar a produção intelectual referente ao seu contexto mais amplo. Pode-se começar considerando que pesquisadores e intelectuais tendem a perceber e definir o termo empreendedor usando premissas de suas próprias disciplinas; assim, economistas associam o empreendedor com inovação, enquanto os comportamentalistas concentram-se em seus aspectos criativos e intuitivos.
Pesquisadores como o canadense Louis Jacques Filion, da Escola de Altos Estudos Comerciais – HEC de Montreal, concordam em dizer que a origem deste conceito remonta ao século XVIII, início da Revolução Industrial no Reino Unido, nas obras de Cantillon (1755), que foi um banqueiro da época, mas que hoje poderia ser considerado um investidor de risco.
Filion (1999, p. 2) assim interpreta o conceito de empreendedor adotado por Cantillon em 1755: “Para ele, o empreendedor era aquele que comprava matéria prima por um preço certo para revendê-la a um preço incerto. Ele entendia, no fundo, que se o empreendedor lucrava além do esperado, isto ocorria porque ele havia inovado: fizera algo de novo e de diferente.”
O economista, industrial e professor do Collège de France, Jean-Baptiste Say adotou, em 1803, o termo entrepreneur ou empreendedor para designar, segundo Osborne e Gaebler (1994, p. XVI), “aquele que movimenta os recursos econômicos de um setor de menor produtividade para outro de maior produtividade e melhor rendimento”.
Drucker (1996) retrata de forma bastante precisa o conceito de empreendedor elaborado por Say, ao atribuir-lhe o papel de transferir recursos econômicos de um setor de produtividade mais elevado e de maior rendimento, possibilitando, desse modo, uma maior eficiência e eficácia à economia.
É importante perceber que, tanto em Cantillon como em Say, o empreendedor era considerado como alguém que aproveitava a oportunidade de inovar nos negócios na perspectiva de obter lucros, porém, assumindo os riscos inerentes ao processo.
Entretanto, foi o economista austríaco Joseph Schumpeter, autor do conceito de “destruição criativa”, empresário empreendedor, quem realmente lançou o campo do empreendedorismo associado à inovação:
A essência do empreendedorismo está na percepção e aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios... sempre tem a ver com criar uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados de seu emprego tradicional e sujeitos a novas combinações. (SCHUMPETER, 1928).
Schumpeter também associa o empreendedor ao desenvolvimento econômico, pois cabe ao empresário empreendedor ser o agente ativo no processo de “destruição criativa” que provoca o desequilíbrio dinâmico, em vez do equilíbrio e da otimização almejados pela economia clássica. A “destruição criativa” para Schumpeter é a marca de uma economia dinâmica e sadia.
Assim, romper com o status quo do mercado e promover a dinâmica da economia, define o comportamento do empreendedor:
O empreendedor vê a mudança como norma e como sendo sadia. Geralmente, ele não provoca a mudança por si mesmo. Mas, e isto define o empreendedor e o empreendimento, o empreendedor sempre está
buscando a mudança, reage a ela, e a explora como sendo uma oportunidade (DRUCKER, 1986)
A economia impôs barreiras ao estudo do empreendedorismo na medida em que o limitava apenas como um conceito quantificável e mensurável. Esta restrição acabou direcionando o universo do empreendedorismo para os intelectuais e pensadores de outras áreas da ciência, como: psicologia, sociologia, psicanálise, dentre outras. Este grupo de pesquisadores, para quem o empreendedorismo era um conceito intangível e não mensurável, foi denominado de comportamentalistas; por buscar um conhecimento mais aprofundado acerca do comportamento do empreendedor.
Para Filion (1999, p.6) um dos primeiros pensadores a mostrar interesse no estudo do comportamento do empreendedor foi Max Weber (1930):
Ele identificou o sistema de valores como um elemento fundamental para a explicação do comportamento empreendedor. Ele via os empreendedores como inovadores, pessoas independentes cujo papel de liderança nos negócios inferia uma fonte de autoridade formal.
Porém, sob o ponto de vista comportamental, quem melhor define a atitude do empreendedor é McClelland (1961), para quem tais pessoas estão estimuladas a trabalhar duramente para atingir um objetivo pessoal e seu comportamento se manifesta através de três níveis de motivação:
1) Necessidade de realização: é a necessidade do sucesso competitivo, medido em relação a um padrão pessoal de excelência. Cada pessoa tem seu critério próprio de sucesso — motivo financeiro, realização profissional, reconhecimento, entre outros;
2) Necessidade de afiliação: é a busca de relacionamentos afetivos com outras pessoas;
3) Necessidade de poder: visando controlar ou influenciar outras pessoas.
Ainda sob este enfoque, Fernando Dolabela, professor, autor de livros sobre o tema, e referência nacional sobre o assunto, assim observa o comportamento do empreendedor:
O empreendedor é alguém capaz de desenvolver uma visão, mas não só. Deve saber persuadir terceiros, sócios, colaboradores, investidores e convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no futuro. Além de energia e perseverança, uma grande dose de paixão é necessária para construir algo a partir do nada e continuar em frente, apesar de obstáculos, armadilhas e da solidão (DOLABELA, 2003, p. 44).
Além dos economistas e dos comportamentalistas, pesquisadores de outras áreas, motivados pela ascensão do tema — Filion (1999) afirma que só no Canadá, anualmente, são editadas sobre o tema mais de mil publicações, são realizadas mais de 50 conferências e são editados mais de 25 revistas especializadas —, colocaram em questão a relevância de se conceituar o empreendedorismo pela ótica do “quem é o empreendedor?”. Esses pesquisadores propuseram que o marco central da pesquisa fosse alterado para “o que faz o empreendedor?”.
Filion (1997) observa que ao longo dos anos 90 várias pesquisas foram desenvolvidas sobre empreendedorismo por diferentes pesquisadores. Nestas, foram identificadas 25 temas como sendo mais comumente associados ao empreendedorismo, dentre os quais se destacam: parceria estratégica; redes; mulheres, grupos minoritários, grupos étnicos e empreendedorismo; educação empreendedora; empreendedorismo e sociedade.
Nota-se, a partir dessa observação, que o empreendedorismo rompe de vez com as fronteiras da economia, ampliando seu leque de relações, que passa, então, a incluir educação,
sociologia, antropologia, informática, etc. É de se notar, também, que nas pesquisas catalogadas por Filion (1997) nenhuma referência foi feita à relação entre empreendedorismo, o homem e o meio ambiente.
A mesma escassez foi sentida durante a pesquisa bibliográfica executada para o desenvolvimento desta dissertação, que tem como objetos de estudo o empreendedorismo e a gestão ambiental. Apenas algumas poucas referências bibliográficas, que serão posteriormente comentadas, foram identificadas nesta área.
Apesar disso, sabe-se que, conforme discutido no capítulo 1, nas últimas décadas houve crescimento do número de organizações sem fins lucrativos que incorporaram o modelo de gestão empreendedor associado às causas sociais e ambientais. Assim, constata-se que a relação entre empreendedorismo e gestão ambiental nas organizações sem fins lucrativos já vem sendo desenvolvida na prática por seus representantes.
Este fato marca o início de um novo conceito para o empreendedorismo, o denominado empreendedorismo social, precursor de um conceito mais amplo e que melhor caracteriza a relação entre empreendedorismo e gestão ambiental: o empreendedorismo sócio-ambiental.
Antes de iniciar a exposição dos atuais conceitos de empreendedorismo social, serão expostas as diferenças entre empreendedores sociais e empreendedores de negócios. O ponto de partida para a exposição das diferenças será, contrariamente, uma semelhança: ambos associam a inovação e a criação ao senso de oportunidades, ou seja, ambos criam e inovam quando sentem uma oportunidade para tal. Neste caso, a diferença reside no tipo de criação que daí surge.
A criação central do empreendedor de negócios esta voltada para produtos ou serviços que geram riquezas, que terão o seu valor determinado pelas regras e pelo ritmo do mercado. No empreendedor de negócios, a criação central está direcionada para a sua missão, que pode ser, por exemplo, diminuir os índices de analfabetismo numa dada região, ou, reinserir na sociedade
grupos específicos de excluídos, ou, num contexto mais amplo, promover a geração de renda em uma dada comunidade, associação, grupo, etc. São inúmeras as possíveis missões que um empreendedor social pode vir a assumir num país carente como o Brasil.
Conseqüentemente, a missão social do empreendedor social também produz bens e serviços — só que não mais com o foco no mercado. O empreendedor social produz bens e serviços para a comunidade, e seu foco está direcionado para a busca de soluções para problemas sociais.
A criação central do empreendedor social, ou seja, idéias, conceitos e metodologia, não são de apropriação individual e de registro de propriedade material e intelectual, a exemplo dos registros de patentes e marcas, feitos pelos empreendedores de negócio. Ao contrário, suas idéias são de caráter coletivo, devem ser multiplicadas e aplicadas em outras situações, caso seja comprovada a eficiência na resolução dos problemas.
O empreendedor de negócios superdimensiona a economia; assim, suas ações são desenvolvidas para obter o máximo de lucro possível, o que, conseqüentemente, servirá de indicador do seu desempenho: quanto maior o lucro, melhor o desempenho do empreendedor. Outro indicador de desempenho nesse caso é o grau de satisfação das necessidades dos clientes e a medida de crescimento dos negócios. Aqui, o escopo de atuação do empreendedor de negócios é o mercado atual e potencial.
O empreendedor social concentra seus esforços na dimensão social, colocando a economia em segundo plano. O seu indicador de desempenho é o impacto social desencadeado a partir de suas ações e o seu escopo de atuação é a comunidade ou as comunidades afetadas pelos problemas. O quadro abaixo sintetiza o exposto:
EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS
EMPREENDEDORISMO SOCIAL
1- é individual;
2- produz bens e serviços; 3- tem foco no mercado;
4- sua medida de desempenho é o lucro; 5- visa satisfazer necessidades dos clientes e
ampliar as potencialidades do negócio.
1- é coletivo;
2- produz bens e serviços para a comunidade; 3- tem o foco na busca de soluções para os
problemas sociais;
4- sua medida de desempenho é o impacto social;
5- visa resgatar pessoas da situação de risco social e promovê-las.
Quadro nº 1 (MELO NETO; FRÓES, 2002, p.11)
J. Gregory Dees (2003), da Escola de Graduação em Administração da Universidade de Stanford, estabelece quatro características próprias ao empreendedor social na tentativa de delimitar uma conceituação específica e ao mesmo tempo evidenciar a sua diferenciação do empreendedor de negócios:
1) Adotar uma missão de gerar e manter valor social (não apenas privado);
2) Reconhecer e buscar implacavelmente novas oportunidades para servir a tal missão;
3) Engajar-se num processo de inovação, adaptação e aprendizado contínuo; 4) Agir arrojadamente sem se limitar pelos recursos disponíveis; e
5) Exibir um elevado senso de transparência para com seus parceiros, público e pelos resultados gerados.
Ainda no contexto da diferenciação entre os dois tipos de empreendedorismo e na tentativa de delimitar um conceito, Melo Neto e Fróes (2002) assim definem o empreendedor:
O empreendedor social é um tipo especial de líder — suas idéias e inovações não são incorporadas aos produtos e serviços a serem produzidos e prestados. Mas, sobretudo, são adicionadas à metodologia
utilizada na busca de soluções para os problemas sociais, objeto das ações de empreendedorismo (MELO NETO; FRÓES, 2002, p. 9).
A Ashoka, instituição criada em 1980, tem como objetivo selecionar empreendedores sociais e neles investir quando estão no início da sua trajetória profissional, momento em que dispõem apenas de uma idéia e um método eficiente para implementá-la, multiplicá-la e obter impacto social qualitativo e quantitativo. A Ashoka é uma das principais promotoras do empreendedorismo social e está voltada para fortalecer o setor social, o Terceiro Setor: é esta a maior missão da instituição no Brasil e no mundo.
Para a Ashoka (2000, p. 7), empreendedores sociais “são pessoas profundamente engajadas com uma idéia, que não podem descansar até que ela esteja implementada e seja expandida, e que constitua um novo modelo para a sociedade”. Para ser considerado por esta instituição, o empreendedor social deve atender a alguns critérios de avaliação pré- estabelecidos, tais como:
1) Idéia inovadora – ter visão inovadora na resolução de um problema social;
2) Criatividade – ser criativo tanto na visão como na definição de objetivos e na solução de problemas. Estar determinado a continuar trazendo contribuições criativas, além da idéia original;
3) Personalidade empreendedora– é impossível, para o empreendedor, descansar até que sua visão se torne um novo modelo para a sociedade;
4) Projeto com impacto social– a nova idéia, uma vez demonstrada, deve ser prática e útil o suficiente para que outras pessoas a adotem, multiplicando-a para outras regiões e países;
5) Fibra ética (personalidade confiável)– o empreendedor deve ser confiável.
Já a Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social é uma organização sem fins lucrativos estabelecida em Genebra, Suíça. Foi fundada em 1993 por Klaus e Hilde Schwab com o objetivo de “identificar, reconhecer e disseminar iniciativas empreendedoras sociais que efetivamente melhorem as condições de vida das pessoas e que tenham o potencial de serem adaptadas em outras situações” (SCHWAB, 2003, p. 2).
Para a Fundação Schwab, o conceito de empreendedor social, assim como o estabelecido por Neto e Fróes (2002), está estritamente relacionado ao de liderança. O empreendedor social seria o representante de um novo e atual tipo de líder:
Empreendedores sociais são líderes incomuns, do tipo que necessitamos urgentemente em nosso mundo cada vez mais complexo e interdependente. Eles conseguem fazer o extraordinário pelo bem público, geralmente através de sacrifícios pessoais (SCHWAB, 2003, p. 1).
A Fundação Schwab associa três características fundamentais ao perfil do empreendedor social, que são necessárias ao exercício da liderança em qualquer área: eles desfiam as circunstâncias como elas são; inspiram uma visão compartilhada de melhores possibilidades; e mobilizam meios para atingir as metas necessárias.
O empreendedor social, para assim ser reconhecido pela Fundação Schwab, ainda deve demonstrar que a sua idéia atende a determinados critérios, tais como:
1) Inovação – o empreendedor social deve estar gerando mudanças sociais pela transformação de práticas tradicionais;
3) Influência e Finalidade – a iniciativa deve ser passível de difusão além do seu contexto inicial e ser adaptável a outras situações;
4) Replicabilidade e Expansibilidade – aspectos da iniciativa que podem ser transferidos para outras regiões e serem escalonados;
5) Papel de Modelo – o empreendedor é um indivíduo que poder vir a servir de modelo para futuros empreendedores sociais e para o público em geral.
Por meio de apoio financeiro; prestação de serviços de assessoria; geração e disseminação de conhecimento e experiências na área, a Fundação Schwab e a Ashoka vêm contribuindo enormemente para a prática e o desenvolvimento da cultura do empreendedorismo social no Brasil.
Conforme dito anteriormente, o conceito de empreendedorismo social foi o precursor do termo empreendedorismo sócio-ambiental, que surgiu em um encontro internacional do Programa Meio Ambiente da Ashoka, realizado em Londres, em 2000, no qual os participantes classificaram os empreendedores sócio-ambientais em dois grupos:
1. o dos que abordam meio ambiente pelo ângulo da preservação e da educação ambiental (desenvolvendo, para tanto, o que chamamos aqui de tecnologia de cidadania);
2. o daqueles que pensam a questão ambiental em seu contexto de desenvolvimento econômico e se vêem mais como "estrategistas", aos quais cabe propor e comprovar alternativas que contemplem esses dois termos da equação proposta pela Conferência do Rio e pelo Fórum Global 1992 (BUSTAMANTE, 2001, p. 239).
Os empreendedores sócio-ambientais inseridos no primeiro grupo direcionam suas idéias para a ação ambiental, principalmente por meio da preservação e da educação ambiental. O segundo grupo, denominado estrategistas, caracteriza-se pela idéia do
desenvolvimento integrado ao meio ambiente e pelo fortalecimento comunitário: princípios que norteiam o conceito de desenvolvimento sustentável.
No Brasil, em 2001, a ASHOKA lançou a obra Empreendedores Sociais em Ação –
iniciativas inovadoras em tecnologias de cidadania e desenvolvimento integrado ao meio ambiente. Nesta, fica assinalada a necessidade de se pensar um tema central, abrangente o
suficiente para abordar todas as principais características dos diferentes relatos de caso encontrados.
Assim, a expressão empreendedorismo sócio-ambiental foi definida por Suzana Pádua, empreendedora social da Ashoka. A expressão, para Bustamante (2001, p. 241), “reúne o conceito defendido por Bill Drayton e a ação ambiental”.
Nota-se que o empreendedorismo sócio-ambiental ainda não possui um conceito próprio. Porém, nesta dissertação, entende-se que o empreendedorismo sócio-ambiental tem como objetivo desenvolver ações, via redes de parcerias7, visando tanto a minimização da exclusão social, como a minimização dos impactos ambientais negativos que afetam as populações e os ecossistemas, e que podem ser adaptadas a outras situações. Sua base está centrada nos princípios da democracia, participação, solidariedade e cidadania, na perspectiva da construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Ainda, o empreendedorismo sócio-ambiental assemelha-se ao empreendedorismo social e ao de negócios, na medida em que todos associam inovação e criação à percepção de uma oportunidade. Porém, o que os diferencia é o tipo de criação concebida e o seu escopo de atuação; o público, ou os alvos que serão atingidos por esta, e seus indicadores de desempenho.
A Ashoka, segundo Bustamante (2001, p. 242):
16 A expressão redes de parceira pode ser entendida como sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos
[...] acredita que, assim como o empreendedor de negócios cria novos produtos e novas maneiras de colocá-los no mercado, o empreendedor social é um indivíduo capaz de encontrar novos produtos sociais e promover a distribuição de seus benefícios ao maior número de pessoas no menor prazo possível. O empreendedor sócio-ambiental encontra soluções suficientemente abrangentes para envolver em sua proposta a consciência das questões ecológicas e a sua interseção com as questões sociais.
A afirmação de que o empreendedorismo social foi precursor do empreendedorismo sócio-ambiental deve ser matizada; na verdade, não se trata de um conjunto de partes dissociadas. Assim, não é metodologicamente correto usar de uma visão fragmentada.
Nesta pesquisa, existe uma clara associação entre os dois tipos, que pode ser assim referenciada: o empreendedorismo sócio-ambiental constitui-se em uma versão mais ampla do empreendedorismo social, já que, na perspectiva do seu foco de atuação — a promoção do desenvolvimento sustentável —, o homem é parte integrante de um sistema maior, o meio ambiente.
Após o exposto nos itens 2.1- Gestão Ambiental e 2.2- Empreendedorismo, uma última questão encontra-se em aberto: de que forma a gestão ambiental relaciona-se com o