6. DENİZYOLU YÜK SEVKİYATÇILIĞINDA BİLGİ
6.3. Program Girdileri
O termo estigma possui várias associações e implicações na história e vem sendo estudado há vários anos. Registros da antiguidade mostram que o estigma na epilepsia não é uma questão recente. Os gregos criaram este termo para fazer referência a sinais corporais extraordinários e ruins. A presença do estigma era característica de uma pessoa marcada,
ritualmente poluída e que devia ser evitada. Já nos anos 2000 a.C., as pedras babilônicas possuíam descrições de algumas manifestações clínicas que hoje podem ser caracterizadas como crises epilépticas. Na opinião de Fernandes (2005b), o preconceito contra uma pessoa
com epilepsia é muitas vezes mais estressante e prejudicial do que a própria condição. Por não encontrar barreiras étnicas, sociais, etárias ou sexuais, a epilepsia é freqüentemente associada a dificuldades psicossociais. Segundo Fernandes (2005b) epilepsia tem sido considerada como condição estigmatizante por excelência. Heller (1992, p. 47) afirma que “preconceitos são juízos provisórios refutados pela ciência e por uma experiência cuidadosamente analisada, mas que se conservam inabalados contra todos os argumentos da razão.” Preconceitos, portanto, são produtos da vida e do pensamento cotidianos. Para a autora, os preconceitos têm a função de consolidar e manter a estabilidade e a coesão de integrações sociais, principalmente das classes sociais. Por isso, a maior parte dos preconceitos é produto das classes dominantes, pois é a elas que interessa manter a coesão de uma estrutura social.Até hoje, segundo Diiorio et al (2003), o termo estigma é usado para definir uma característica diferente do “normal” e é comumente associado a doenças e condições particulares. Goffman (1963) foi quem introduziu o conceito de estigma mais usado até hoje. Segundo ele, a pessoa estigmatizada é considerada como tendo uma característica diversa da aceita pela sociedade e é tratada de maneira diferente pela comunidade, que mostra conceitos errados e preconceituosos sobre o indivíduo. O termo significa situação individual na qual a pessoa é desqualificada por toda a sociedade. Para ele, o estigma é definido como referência a um atributo depreciativo, fraqueza ou desvantagem.
Aspectos sociais, culturais e históricos são de importância fundamental no surgimento e permanência de preconceitos. A epilepsia, mesmo cercada por tantos avanços no que se refere aos aspectos médicos, é ainda refém de preconceitos que de há muito vêm prejudicando a melhoria dos padrões de ajustamento da criança e do adulto em seu ambiente social.
É notável como os preconceitos em relação ao epiléptico foram delineados desde tempos remotos, como relatado anteriormente, não estando excluídos nos dias atuais. A falta de esclarecimento sobre a epilepsia é ainda hoje um dos fatores determinantes da permanência de preconceito na sociedade contemporânea, persistindo em determinadas regiões do mundo atitudes discriminatórias em relação ao epiléptico, tal qual no passado.
Associada a possessões divinas e demoníacas, a doenças contagiosas ou a loucura, a epilepsia, no decorrer da história, encontrou diferentes formas de definição, diagnóstico e tratamento. Assim como a loucura, a epilepsia foi estigmatizada, imprimindo marcas que
persistem até os dias de hoje, em vários lugares do mundo, como apontam Min (2002), Fernandes (2005a), Quaguiato (2006), entre outros pesquisadores.
Para se ter conhecimento do conceito de estigma são necessárias pesquisas que abordem problemas de saúde e variados temas de saúde, ambientes sociais e culturais. O estigma opera de diferentes maneiras dependendo da região e do ambiente cultural.
Weiss e Jayashree (2001) realizaram estudos em diferentes ambientes culturais com distintos problemas de saúde para assim compreender o que realmente vem a ser estigma. Os resultados mostraram a importância de reconhecer que nem todo estigma é igual e que existem características de estigmas pessoais e de grupos. Estigma é um processo social ou uma experiência social pessoal caracterizada pela rejeição, exclusão ou acusação, que tem como resultado um pré-julgamento social sobre uma pessoa ou grupo.
Goffman (1963, p.11) descreve um breve relato da origem histórica do conceito de estigma:
Os gregos, que tinham bastante conhecimento de recursos visuais, criaram o termo estigma para se referir a sinais corporais com os quais se procurava evidenciar algo de extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais, feitos com cortes ou fogo no corpo, indicavam que o portador era um escravo, um criminoso ou um traidor – uma pessoa marcada, ritualmente poluída e que deveria ser evitada; especialmente em lugares públicos. Mais tarde, na era cristã, dois níveis de metáfora foram acrescentados ao termo: o primeiro, referente a sinais corporais da graça divina que tomavam a forma de flores em erupção na pele; o segundo, uma alusão médica a essa alusão religiosa, referente a sinais corporais de distúrbios físicos.
Atualmente, o termo é amplamente usado de maneira um tanto semelhante ao sentido literal original, porém é mais aplicado à própria desgraça do que à sua evidência corporal.
Quaguiato (2006) e Min (2002) afirmam que a própria palavra epilepsia, cuja raiz grega significa estar subitamente tomado, possuído, carrega uma conotação negativa. Daí, associar epilepsia a um estigma – palavra que significa marca, sinal ou atributo que caracteriza, torna o sujeito diferente dos demais e o desclassifica - é uma decorrência natural.
Segundo Quaguiato (2006, p.02) “a maioria das pessoas é desinformada, tanto em relação à definição de epilepsia, às suas causas, tratamentos e procedimentos durante uma crise e isso perpetua o estigma na sociedade.”
Reno et al. (2007) realizaram uma pesquisa sobre as atitudes e estigma na epilepsia: em um estudo com jovens de ensino médio concluíram que a percepção do estigma é alta quando o grupo recebe educação inapropriada. Atitudes corretas são fundamentais. Comportamentos e atitudes inapropriadas na sociedade podem ser mais adversos do que as próprias crises. Causam um impacto negativo para a vida diária dos pacientes.
Outro aspecto apontado no estudo relatado foi o de que quando as orientações sobre epilepsia são transmitidas visualmente por meio de simulações causam um grande impacto. Podemos, assim, imaginar o efeito de uma crise epiléptica dentro de sala de aula.
Informações transmitidas visualmente e corretamente conduzem ao processo de memória, além de trazerem benefícios e qualidade de vida para as pessoas que têm epilepsia. Assim, o estigma é diminuído.
Diante do exposto, podemos concluir que práticas preconceituosas, estigmatizantes, existentes na sociedade, estão vinculadas ao aprendizado. Ressaltamos, então, o papel fundamental dos professores no processo ensino/aprendizagem. Idéias preconceituosas contaminadas por práticas excludentes levarão ao fracasso escolar. Concepções de desenvolvimento e aprendizagem vistas na perspectiva histórico-cultural, não deterministas, terão maiores chances de conduzir ao sucesso escolar.
CAPÍTULO II - DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA PERSPECTIVA