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4. YÜK SEVKIYATÇILIĞI

4.5. Yük Sevkıyatçılığı ve Lojistik Hizmet Yönetimi

Uma outra realidade contribui negativamente para o quadro descrito. Atualmente, o comércio ilegal de animais silvestres, de seus produtos e seus subprodutos, vem aumentando e desenvolvendo variadas técnicas de contrabando, já que, de um lado, o lucro obtido é imenso e, de outro, são brandas as punições previstas na lei.

Segundo dados da RENCTAS (2001), o primeiro dos três principais motivos que levam ao incremento da atividade é a associação entre o tráfico de drogas e o de animais silvestres. Ao relacionar as duas atividades, o traficante, de forma geral, assegura maior

ganho, porém com menor risco de ser apanhado, já que os investimentos destinados à fiscalização da atividade são mínimos, além de grande parte das polícias ainda não estar habilitada para atuar nesta área, sendo facilmente enganada por técnicas especiais de contrabando da vida silvestre. O traficante ainda utiliza estruturas como rotas, técnicas e pessoas já estabelecidas pelo tráfico de drogas, o que facilita o “escoamento da produção”.

[...] o tráfico de drogas está cada vez mais arriscado e difícil devido aos recursos empregados para combatê-lo. O tráfico de animais silvestres possui menos risco e quase igual lucro para o traficante, além de menor investimento em seu combate. Os traficantes de animais são freqüentemente conhecidos, pela polícia, por seu envolvimento nas atividades de armas, drogas, pedras preciosas e álcool (Le DUC,1996 apud RENCTAS, 2001, p. 16).

Ainda sobre esta relação, o Sr. Rômulo José Fernandes Barreto Mello, Diretor de Fauna do IBAMA, afirma em entrevista concedida para a realização deste trabalho:

[...] E essa questão do tráfico cresceu num nível tal que hoje se confundem. A polícia federal analisa que existe uma convergência entre o traficante de droga e o traficante de fauna, o traficante de material biológico de forma geral. Eles, os traficantes, usam os mesmos mecanismos, técnicas e rotas e, em alguns casos, já se identificaram os mesmos elos [...] isso é muito comum nos espécimes de grande valor, como as araras-azuis-de-lear [...].

O segundo motivo, de acordo com a RENCTAS (2001), refere-se ao tratamento legal dispensado aos infratores de crimes contra a fauna, que nas instâncias judiciais são beneficiados pelas deficiências da Lei e pela visão equivocada de alguns integrantes do corpo judiciário que julgam que crimes contra a fauna não são passíveis de ser vigorosamente punidos.

[...] uma parte das polícias, alfândegas e autoridades judiciais ainda freqüentemente consideram que o comércio ilegal de fauna silvestre não é crime sério. O recurso destinado para combater esse comércio é muito pequeno e, quando os violadores são pegos, não são punidos severamente (Le DUC, 1996 apud RENCTAS, 2001, p. 16).

Sobre a questão da não punição aos violadores, o Sr. Ricardo Bechara Elabras, Chefe do Núcleo de Repressão a Crimes Ambientais da Superintendência Regional do Rio de Janeiro do Departamento da Polícia Federal, expôs seus comentários na audiência pública realizada em Brasília pela CPITRAFI, em 26/11/2002, acerca dessa questão e da legislação que trata do assunto, a Lei nº 9.605 de 1998:

[...] o art. 29 da Lei de Crimes Ambientais (LCA), que traz um tipo penal múltiplo, não prevê tratamento diferenciado, com penas mais severas, para o tráfico interestadual ou internacional, razão pela qual grandes traficantes de animais, de forma inaceitável, têm hoje os benefícios aplicáveis às condutas consideradas de menor potencial ofensivo [...], o valor da fiança para a libertação dos infratores presos é muito baixo; e não há tipo penal específico para a biopirataria.

O terceiro e último motivo encontra-se associado ao incremento da atividade comercial internacional, que não foi acompanhado pelo melhor aparelhamento de órgãos afins como portos, aeroportos, alfândegas e receita federal, o que, por conseqüência, dificultou o trabalho de fiscalização e controle da atividade:

[...] nos últimos 50 anos, o comércio internacional (em que se inclui a fauna) cresceu 14 vezes. Esse crescimento acarretou aumento no volume de cargas nas alfândegas, o que implica em menos possibilidades de fiscalizar toda a mercadoria que é movimentada (ORTIZ-VON HALLE, 2001 apud RENCTAS 2001, p. 16).

Além desses motivos, acrescentamos mais outros dois que contribuem para o incremento dessa atividade ilícita realizada no território brasileiro. Os dados que embasaram a exposição foram extraídos do relatório da RENCTAS publicado em 2001, do relatório final da CPITRAFI, e corroborados pelas entrevistas realizadas:

• o alto valor dos espécimes, seus produtos e subprodutos alcançados no mercado consumidor nacional e internacional. Como exemplos, tem-se que apenas 1g do veneno da cobra jararaca (Bothrops jararaca), custa US$ 433,70; e 1g do veneno da cobra coral-verdadeira (Micrurus frontalis), US$ 31.300, ambos muito requeridos no mercado biomédico; besouros vivos, de espécies variadas, têm seu preço oscilando entre US$ 450 a US$ 8.000 a unidade; as aranhas, cotadas nos EUA e na Europa como animais de criação exóticos, alcançam, quando filhotes, o preço de US$ 100, ao passo que 1g do veneno da aranha-marrom (Loxosceles sp.) alcança a cifra de US$ 24.570. Sem dúvida, tal quadro representa um grande atrativo e estímulo para os traficantes nacionais e internacionais.

• o atual contexto sócio-econômico e cultural brasileiro: na questão sócio- econômica, além do alto valor das espécies, dos seus produtos e subprodutos, pode-se dizer que a situação de extrema pobreza de habitantes brasileiros de cidades do interior do país estimula a realização dessa atividade, na medida em que a captura de um animal serve para a alimentação ou para proporcionar renda extra para a família.

Nesse sentido, o Diretor de Fauna do IBAMA afirma em entrevista:

Quando você vê o conflito entre uma arara azul de R$ 3.000 e uma pessoa morrendo de fome, é uma situação muito difícil. Você fica se olhando, coloca-se no lugar da pessoa que está em um local de riqueza muito grande. Você vê os seus filhos passando fome, passando necessidade [...] a tendência da pessoa é infringir qualquer lei.

Nós mesmos, com toda a consciência ambiental que temos, se tivéssemos que optar entre a natureza, a natureza biológica, e a sua vida, você vai optar pela sua vida. Essa é uma relação difícil.

A RENCTAS (2001, p. 28) acrescenta:

[...] o tráfico de animais silvestres representa uma das principais fontes de renda da população de cidades como Milagres, no interior do estado da Bahia, onde os animais são vendidos nas ruas, feiras, pequenas lojas e na beira das estradas e enviados para outros estados.

Na mesma linha, o Sr. Frederico Mendes dos Reis Arruda, professor da Universidade do Amazonas, destacou:

[...] É muito difícil para um catraieiro desse, que tem problemas de sobrevivência imediatos, recusar o pagamento em dólar feito por um estrangeiro, que quer simplesmente dar um passeio, coletar todo o material que ele puder coletar e ir embora[...]. (CPITRAFI, 2003, p.13).

A questão cultural é ainda mais antiga que a econômica, já que a cultura brasileira sempre sofreu forte influência da cultura indígena, na qual índios e animais convivem no mesmo espaço físico. Os espécimes, seus produtos e subprodutos, como carne, pêlos, garras, dentes, penas, cascos, etc., servem como alimento, vestuário, ferramentas, adereços e remédios para toda a tribo:

A fauna silvestre sempre foi um importante elemento cultural das diversas tribos brasileiras. As mais variadas espécies eram utilizadas para alimentação [...] as aves eram essenciais para a ornamentação indígena. (CARVALHO, 1951; JÚNIOR, 1980; RAI, 1978 a, b; MACHADO, 1992a; SICK, 1997b apud RENCTAS 2001, p. 11).

As populações indígenas também incorporavam elementos faunísticos em seus mitos, lendas e supertições [...] (RENCTAS 2001, p. 11 apud Júnior, 1980; Andrade, 1993). Os índios também amansavam espécies

da fauna, sem nenhuma função útil, mas unicamente para diversão doméstica (CARVALHO, 1951; CASCUDO, 1973; SPIX; MARTIUS, 1981 apud RENCTAS 2001, p. 11).

Convém lembrar que a utilização da fauna silvestre pelos índios era realizada com critérios, sem ameaçar a sobrevivência das espécies. Porém, desde o contato com os europeus colonizadores, a exploração dos recursos naturais passou a ser realizada de forma depredadora.