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2. ÖNERİLEN SİSTEMİN TEMEL KAVRAMLARI

2.2. WSN’lerde Heterojenlik

O consenso constitucional tem conteúdo registrado na Constituição, instrumentalizado pela democracia. 52

Carlos Santiago Nino contrapõe o argumento de que as constituições democráticas são a expressão da vontade do povo com fundamento de que:

La mayoria de las constituciones históricas vigentes em los diferentes países no han sido sancionadas por um procedimento democrático genuíno. Consideremos lãs constituiciones de Estados Unidos y Argentina. Solo uma fracción de la población, em su mayoría hombres blancos y ricos, participaron em el proceso constitucional. Em esos casos donde la constituciondo sancionada democráticamente, como em Espanha, su vigencia se vê afectada há s debido AL hecho de que la constituición no puede expressar em forma permanente um consenso acerca de como el pueblo resolveria los conflictos sociales actuales.

De fato, a representatividade da Constituição é determinante para sua legitimidade, ainda mais quando a Constituição contém a razão pública. Considerando ser o regime democrático o meio mais hábil para instrumentalizar a representatividade é indispensável o aprimoramento constante do grau de efetividade da implantação da democracia, como forma de assegurar a legitimidade constitucional, tanto na fase constituinte como quando das Emendas Constitucionais que se sucederem.

Rawls não almeja a unanimidade em torno do acordo que elege a concepção de justiça ou sequer dos elementos constitucionais essências. Ele lança mão da regra da maioria, com o escopo de chegar a um acordo representativo, sempre considerando o pluralismo, como elemento indissociável da modernidade. Também não nutre esperanças de obter representação de todos, todavia, conta com aquelas doutrinas abrangentes razoáveis, que concebam o debate público e respeitem o regime representativo.

Esta espécie de consenso é menos abrangente e antecede o consenso sobreposto. Esse consenso constitucional fundamenta-se nas razões públicas, nas diretrizes de indagação, conjugadas com as normas de verificação de evidências, que juntas lastreiam a argumentação pública que deve ser acessível ao povo e, por

NINO, Carlos Santiago. La constitución de la democracia deliberativa. Série CLA.DE.MA. Filosofia Del Derecho. Barcelona: Gedisa Editorial, 1997, p. 271.

ele tida como razoavelmente confiável, por ser condizente com o senso comum de justiça compartilhado pela maioria. Ele serve como mote incentivador das virtudes cooperativas dos cidadãos, tais com a razoabilidade, o senso de justiça, o espírito conciliador e a disposição para concessões mútuas, tão caras ao convívio harmônico na sociedade pluralista.

O consenso constitucional caracteriza-se pela concepção de justiça consignada na Carta Magna. Considera-se que nesta oportunidade o teor acordado seja respeitado pelas doutrinas abrangentes razoáveis que ao respeitarem a concepção de justiça estarão a observar a respectiva carta constitucional que garante a liberdade de consciência, de religião ou credo, viabilizando a tolerância e o convívio harmônico entre diversas de convicções religiosas ou seculares, desde que razoáveis.

Trata-se de um passo antecedente e pressuposto ao consenso sobreposto que é mais profundo, porque opera com metas de dimensões mais audaciosas, uma vez que pretende que a concepção de justiça seja assimilada e respaldada pelas doutrinas abrangentes. Portanto, o consenso sobreposto objetiva a convergência das doutrinas abrangentes, em torno da concepção política e moral de justiça.

O presente tema é pertinente a razão pública que está contida no consenso constitucional, haja vista que a constituição consigna os elementos constitucionais essenciais. Desta forma, os cidadãos se reconhecerão no teor do acordo constitucional consignado o que viabiliza o estabelecimento de uma vinculação forte entre o cidadão, a razão pública, a concepção de justiça e o texto constitucional que fomenta a compreensão da autoimposição das obrigações sociais pelos indivíduos obrigados. Tal situação caracteriza-se como o autorreconhecimento do povo como, efetiva fonte originária e legitimadora da Constituição.

O acordo político e a correlata carta constitucional versam sobre os tópicos mais relevantes a sociedade, a saber: a estrutura administrativa governamental, a competência e prerrogativa dos poderes, o processo político-eleitoral, a regra da maioria, as garantias do Estado democrático de direito e as liberdades e direitos fundamentais do homem. 53Tratam-se de matérias cruciais ao convívio harmônico na sociedade e por isso estão contidas na Constituição que expressa a razão pública, consolida os fundamentos políticos públicos adotados promovendo a cooperação

53 RAWLS, John. Justiça como equidade: uma reformulação. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p.

harmônica.

Rawls se ocupa da questão democrática e não descuida das hipóteses de distorção da proporcionalidade de representação, quando há distribuição díspare do peso de cada voto. Entre os expedientes que podem gerar estas distorções, ele se preocupa com o emprego do método de alteração de fronteiras internas, o qual pode ser utilizado com a finalidade de conferir diversidade de peso de cada voto, acarretando distribuição iníqua da representação das unidades internas (Distritos ou Estados-membros) da Nação.54 Tal questão é importante para a legitimidade do pacto constitucional que versará sobre a razão pública, em especial no que tange ao princípio da liberdade.

A participação nas eleições regulares e nos plebiscitos podem acarretar adequações no teor da carta magna para que seu texto melhor reflita o pensamento da maioria representativa da razão pública atual. A efetiva participação popular também viabiliza a transformação do acordo obtido quando da posição original nos limites da sua concretização para uma situação real, quando na convenção constituinte. Quanto melhor for replicada a posição original, ou seja, quanto mais os representantes, participantes da convenção constituinte estiverem descolados de seus interesses pessoais e comprometidos com a razão pública, maior será a força do Estado constitucional, porque, de modo fidedigno, o respectivo texto constitucional refletirá os anseios do povo e servirá para engajar os cidadãos, que prestarão respaldo as instituições e políticas públicas legitimando-as.

A noção de democracia constitucional empregada por Rawls parece adotar o modelo deliberativo porque capta as razões dos cidadãos e as transforma em razões públicas, nas boas razões a serem adotadas pelas instituições, como destaca Audard.55 Ela explica que as preferências, expressas no foro político público, sofrem transformações de natureza epistemológica por tornarem-se racionais, para viabilizar sua exposição lógica no debate político público. Ensinando aos cidadãos o reconhecimento das razões do outro e o respeito pela deliberação pública, mesmo que contrária as suas razões de cunho particular. Essa conformação com a decisão

54 BARROS Filho, Clovis de e Sérgio Praça. Rawls e o desenho constitucional brasileiro, Revista

Brasileira de Direito Constitucional – RBDC n. 09 – jan./jun. 2007, p. 221. Disponível em: http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-09/RBDC-09-221-Clovis_de_Barros_Filho_&_Sergio_Praca.pdf Acesso em 01.08.2014.

55 AUDARD, Catherine. Cidadania e democracia deliberativa. Coleção Filosofia n. 199. Porto

majoritária demonstra que os cidadãos travam uma aliança forte que pode superar seus interesses pessoais, uma vinculação que seria mais forte do que aquela peculiar ao modus vivendi.

Ela destaca que a deliberação pública propicia o desenvolvimento cultural transformador da sociedade e dos cidadãos, promovendo seu envolvimento com as questões públicas, como efeito colateral. Considera que a democracia deliberativa fomenta a educação do cidadão quando aceita o risco de rejeição das razões expostas e quando conhece as preferências dos demais e verifica que são defensáveis e merecedoras de respeito.

As preferências pessoais submetem-se às alterações decorrentes da sua exposição. O objeto exposto se mostra diverso, daquilo que se propõe a expor e apresenta-se diferente das preferências internas, não obstante o esforço do expositor em guardar a fidelidade. A preferência exposta chega alterada ao outro e é percebida por ele, diferentemente, daquilo que pretendia o expositor. E mais, quando assimilada tornar-se-á outra.

Neste cenário de comunicação a publicidade desempenha função divulgadora e transformadora das preferências expostas no debate público. E, ainda exerce função moral restritiva porque constrange a adoção e a exposição de motivos egoístas, tanto mais num debate onde os debatedores são pautados pela razão pública. Em outros termos, o cidadão, em regra, se sentiria constrangido caso deduzisse motivações meramente egoístas, fundamentadas nos ciúmes ou na inveja. Tanto mais em um debate público modelado pelo emprego da razão pública.

Audard versa sobre os ideais da democracia deliberativa, em especial, o ideal de fomentar a racionalidade dos motivos, voluntariamente reconhecidas pelos cidadãos como sendo boas razões, que tendem a gerar o fortalecimento das razões públicas e a promover as decisões políticas coerentes com as justificativas cidadãs. Entretanto, ressalva que as instituições promovem o procedimento de discussão pública; todavia, não são, por si só, a origem legitimadora da decisão. Não basta que a decisão seja institucional ou democrática para que seja legítima. É preciso mais.

Ela sustenta que o pensamento antecede sua exposição e o acordo.56 Assim, o pensamento antecede o pacto travado, mesmo na posição original, ou, nas palavras de Audard “A procura da justiça é, num sentido socrático, a procura das

56 AUDARD, Catherine. Cidadania e democracia deliberativa. Coleção Filosofia n. 199. Porto

condições que permitirão evitar a contradição de ultrapassar as divisões e ser um Eu, não unificado, mas responsável por si mesmo perante os outros. Posso agora retornar para a posição original e compreende-la com um exercício intrapessoal de justificação que é preliminar a decisão pública. É assim, de todo o modo, que compreendo como para Rawls “a constituição é um projeto para os cidadãos ”.57 Nestes termos ela atribui a legitimidade da decisão pública a sua origem cidadã e considera as razões públicas a fonte legitimadora da decisão pública.

Adotando tal posição é possível sustentar que a decisão pública legítima seria aquela que traduz as razões do cidadão. Em outras palavras, Audard considera legítima aquela decisão compatível com a moral individual do cidadão e com a razoabilidade cidadã e não, simplesmente, aquela decisão originária da maioria. E, neste pensar, ela reforça a relevância da análise de fundo da decisão; indo além da questão procedimental e adotando a moral do cidadão como parâmetro adequado para avaliar a legitimidade da decisão. Ao agregar tal critério à regra da maioria ela lhe associa valor. E diz, expressamente, que busca se resguardar da possível posição equivocada de tomar por legitimo o fruto do debate público, sem o exercício de juízo crítico. Por este meio Audard vai além da forma democrática para agregar o exame do conteúdo da decisão democrática, onde se assenta a razão pública.