• Sonuç bulunamadı

3. ÖNERİLEN IoT/CPS WSN SAĞLAYICI MİMARİ MODELİ

3.1 WSN Sağlayıcı Servisleri

3.1.2. Fırat Sanal WSN Çerçevesi

3.1.2.2. FVWSN Sağlayıcı Taraf Yapısı ve Fonksiyonları

O tema desta pesquisa é memória, família e cidade, assuntos que estão sendo discutidos por diversas áreas do conhecimento, como Arquitetura, Sociologia, Antropologia, Urbanismo, Geografia e História. No campo da historiografia os temas família, cidade, memória receberam destaque a partir das primeiras décadas do século XX, com a Escola dos Annales, embora já na segunda metade do XIX estudiosos como Johan Bachofen e Friedrich Engels tenham publicado, respectivamente: “O Direito Materno” (1877), “Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” (1884). O objetivo desses autores, que escreveram em um período marcadamente racionalista, positivista e crítico às ideologias religiosas, era apresentar de forma literária os modelos de família anteriores ao vigente em sua época: patriarcal, burguês e cristão, dominado pela figura do pater famílias. Essa família tinha a propriedade como um de seus pilares e objetivava demonstrar seu caráter de construção histórica, portanto, passível de ser superado. A produção historiográfica realizada pela Escola dos Annales, desenvolvida em outro contexto e motivada por outros fatores, dentre eles a necessidade de combater uma história essencialmente política e diplomática, que tinha como sujeitos apenas reis, presidentes e generais, passou a ampliar o leque de objetos e temas que poderiam ser trabalhados pela historiografia. Foi neste contexto que a família, a memória, as lutas sociais e o espaço entraram em cena como desafios cognitivos ao historiador.

No Brasil, a abordagem teórica recente do tema “família” (dos anos 1980 para cá), tem se conduzido para pelo menos três direções: a) uma que privilegia análises quantitativas de seu desenvolvimento; b) uma que a partir de narrativas de família analisa os impasses relacionados à imigração29 e os desafios culturais impostos pela vida na nova sociedade; c) e uma que destaca o papel da mulher na família e no povoamento, com ênfase nas discussões de gênero e poder.30 Não poderia deixar de destacar o trabalho de mestrado de Suzana Lopes Salgado Ribeiro: “Processos de mudança no MST: história de uma família cooperada”, que abriu o caminho para que reflexões semelhantes fossem elaboradas no âmbito da história oral e dos demais Movimentos Sociais; e a obra “Família, Mulher, Sexualidade e Igreja no Brasil”, organizada por Maria Luiza Marcílio31. Essa obra relaciona à família a Igreja e a sexualidade, analisando o papel normatizador e controlador do casamento e das instituições, como a família e a Igreja.

29 Destacam-se os trabalhos de Samira Adel Osman: CAMINHOS DA IMIGRAÇÃO ÁRABE EM SÃO PAULO –

HISTÓRIA ORAL DE VIDA FAMILIAR, e o de Sônia Novinsky: AS MOEDAS ERRANTES – NARRATIVAS DE UM CLÃ GERMANO JUDAICO CENENÁRIO.

30 Família, Mulheres e Povoamento (EDUSC, 2003), e As Mulheres, o Poder e a Família (Marco Zero, 1989), são

paradigmáticos nesse sentido.

O tema “cidade” e a produção de seus espaços em tempo de globalização foi assunto discutido na obra de Milton Santos, que além de nos mostrar as metamorfoses do espaço que habitamos, questiona as estruturas de poder que estão em jogo em sua produção e instiga-nos a lutar por uma outra globalização32. A cidade de São Paulo e sua região metropolitana, especificamente no que diz respeito à questão habitacional, foi estudada pela geógrafa e urbanista Céline Sachs33 e no que diz respeito ao crime e à segregação espacial, o livro de Teresa Caldeira34 é um dos cânones no assunto.

Violência e segregação espacial, assim como a existência de milhares de famílias sem- teto constitui a “outra face” do processo de crescimento econômico do Brasil. A maneira como esse processo foi conduzido, concentrando a renda nas mãos de uma parcela pequena da população e afastando sua maior parte da definição e administração das políticas referentes ao urbano, desencadeou um processo que ecoa na discussão em torno da reforma urbana e envolve “segmentos sociais antagônicos, portadores de compreensão e discursos diferentes sobre a cidade”35. Com o objetivo de estabelecer diretrizes federais para a política urbana o Congresso Nacional aprovou em 2001 o Estatuto da Cidade36, que além de regulamentar os artigos 182 e 183 da Carta Magna dispõe instrumentos jurídicos de controle da especulação imobiliária e de atenuação das demandas sociais até agora não satisfeitas.

A despeito de todas as reivindicações da sociedade civil e de ações pontuais do Estado sobre problemas que no clímax de sua vitalidade assomam à nossa realidade e permanecem insanáveis, o que se destaca é um vazio institucional, tanto no que se refere aos poderes estatais quanto às instituições assistenciais, que tem pouca atuação junto a essas famílias, realizando, quando muito, apenas atividades assistencialistas que, embora sejam válida como ação paliativa, são incapazes de resolver a essência do problema. Yara Ataíde argumenta:

Há uma reconhecida falta de vontade política do Estado e dos grupos que estão no poder em investirem esforços e recursos na proteção das classes populares em situação de pobreza extrema e desemprego. Em contrapartida, são comuns os incentivos e o apoio a grandes produtores, banqueiros, empresários e empreiteiros que dominam a economia do país,

32 SANTOS, Milton. POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO: DO PENSAMENTO ÚNICO À CONSCIÊNCIA

UNIVERSAL. São Paulo: Ed. Record, 2000.

33

SACHS, Céline. SÃO PAULO: POLÍTICAS PÚBLICAS E HABITAÇÃO POPULAR. São Paulo: Ed. EDUSP, 1999.

34

CALDEIRA, Teresa. CIDADE DE MUROS: CRIME, SEGREGAÇÃO E CIDADANIA EM SÃO PAULO. SÃO PAULO: ED. 34/EDUSP, 2000.

35

SILVA, José Borzacchielo da. O ESTATUTO DA CIDADE E A REFORMA URBANA NO BRASIL. São Paulo: Ed. HUMANITAS (GEOUSP – ESPAÇO E TEMPO, vol. 10), 2000, p. 10.

juntamente com aqueles que detêm o poder de organizar lobbies e compor alianças com os grupos da cúpula política. 37

A maioria da população brasileira mora em cidades, particularmente nos grandes centros urbanos38e seus problemas e possíveis soluções mantêm-se paralelos aos do campo. Por isso não

surpreende que um Movimento Social do porte do MST reconheça a cidade como um espaço também de luta, perceba a legitimidade das reivindicações dos citadinos e a necessidade de ele próprio contribuir com seu aporte para a formação de Movimentos Sociais urbanos.

O tema da memória está presente tanto nas discussões dos historiadores: o que é memória e o que é história, e como a primeira pode ser fonte para a segunda, quanto na própria escrita da história. Falar do estudo da História implica também em dissertar sobre a origem da memória, do testemunho, da pergunta e da resposta, elementos constituintes da historiografia clássica, que foram amplamente utilizados pela historiografia medieval e tiveram, no século XVIII, uma interrupção devido o império do Racionalismo iluminista e posteriormente, do Positivismo. Este conferiu à História o status de ciência, sistematizou seus métodos e colocou em dúvida os relatos da memória, visto que esta é construção subjetiva, e portanto, foge aos domínios da racionalidade. No Brasil, a memória enquanto substrato para o estudo das cidades, de suas transformações e das características psicológicas dos grupos que as promoveram tem dois referencias teóricos que merecem destaque: Memória e Sociedade39, no campo da Psicologia Social, e O Imaginário da Cidade40, texto que se insere no quadro da Nova História Cultural, e a partir da literatura, entendida como forma de representação do passado, revela a construção de um imaginário da modernidade urbana, remetendo-nos a temporalidades distintas, que percorrem Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre, indo do final do século XVIII às duas primeiras décadas do XX.

É grande o número de pesquisadores empenhados no estudo das questões que preocupam esta pesquisa e existe vasta literatura sobre esses assuntos, mas na maioria das vezes foram tratados de forma separada: ou memória, ou família, ou cidade. Até o presente desconhecem-se pesquisas que tenham refletido sobre estes temas a partir destas “colônias”: famílias em busca de

37 ATAIDE, Yara Dulce Bandeira. CLAMOR DO PRESENTE. São Paulo: Ed. Loyola, 2002, p. 234.

38 De acordo com a contagem do IBGE de 2000 mais de 78% dos brasileiros moram em cidade. Ver site do instituto:

(URL http://www.ibge.gov.br/home/)

39 BOSI, Ecléa. O TEMPO VIVO DA MEMÓRIA: ENSAIOS DE PSICOLOGIA SOCIAL. São Paulo: Atelier

Editorial, 2003, 1994.

moradia que participam ou tem membros participando da ocupação João Cândido (SP) e da ocupação Chico Mendes (RO), com a perspectiva e metodologia aqui apresentadas.

O registro das experiências de vida dessas pessoas e a compreensão de suas atividades cotidianas, de suas formas de organização, lutas, percepções da cidade são elementos importantes para uma história contemporânea, crítica do social e preocupada com as “massas anônimas”. Uma história com estruturas em movimento, enfatizadora das condições de vida material, embora sem colocar o fator econômico como condicionante absoluto da totalidade social; uma história que se preocupa com a sociedade global e a reconstrução dos fatos em séries passíveis de compreensão e explicação41”. Orientada com esse compromisso com a história - que

é acima de tudo um compromisso com a sociedade - essa pesquisa foi feita, e é por ele que as entrevistas foram construídas e serão apresentadas de modo integral. A nosso ver, essa é marca mais significativa de nosso trabalho, pois permitirá aos leitores a reconstrução de importantes aspectos das trajetórias dessas famílias, de suas concepções e ideais de cidade, que poderão ser constatadas diretamente nesta fonte, sem outros intermediários.