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6. BÜYÜK VERİ İŞLEYEBİLEN FVWSN TEMELLİ ATBS SİSTEM MİMARİSİ

6.1. OpenStack İşletim Sistemi

Sem entrar no mérito dos significados ocultos, das intenções psicológicas, o conjunto das narrativas falam da vida. Da vida em Porto Velho, uma cidade no interior da Amazônia, da vida em São Paulo, em Itapecerica da Serra. Da vida no nordeste, no norte, no sudeste:

[...] fui para o Piauí, e foi muito legal. Lá eu ficava matando pomba, rolinha, preá, era da hora! Tenho vontade de voltar para lá, hora que minha mãe decidir ir, vou atrás! (Cássio)

Rondônia é um Estado muito rico em produção. Tem agricultura, tem pecuária, tem garimpos, e mesmo assim tudo aqui é bagunçado porque os políticos são ruins e os cidadãos também não se importam muito, não cobram. (Caio)

55 HALBWACHS, Maurice. A MEMÓRIA COLETIVA. São Paulo: Ed. Vértice, 1990.

Aqui57 também tem bastante opção, mas o tempo é mais curto. Você tem que correr, resolver

um assunto de trabalho aqui, outro ali, acaba perdendo o dia. Meu dia aqui é só para resolver assunto de trabalho e mais nada, mas quando estou viajando gosto de ir a muitos lugares desbravar, revirar a cidade de cabeça para baixo. (Filipe)

Falam da vida do trabalhador, do desempregado, dos pais, dos filhos, da vida da maior parte dos brasileiros. São histórias de gente comum, que ama, briga, trabalha, pega ônibus, cria filhos, cozinha, luta para ter uma casa:

Quero ter minha própria casa para não ter que ficar de um lado para o outro. Por mais queseja sua mãe, sua avó, você não é mais criança, já sabe o que quer para sua vida e não se sente à vontade em estar dependendo das pessoas [...] (Carolina).

O que estamos atrás é de uma moradia, não é de luxo, de mansão, de apartamento chique. Queremos simplesmente um lugar para viver. É necessário, todo ser humano precisa de uma moradia. (Maria da Paixão).

Fui participar da ocupação Chico Mendes pela necessidade de ter uma casa. Sou casado, minha esposa e eu vamos ter um filho. A gente se casou e ainda não tem onde morar, pagamos aluguel e é difícil, é apertado. Hoje em dia é muito difícil conseguir uma casa. (Caio).

O tempo que passamos no Valo Velho foi muito difícil, muitas vezes não tínhamos nem comida. A gente não tinha nada, nada, nada! Somente nossas roupas, então saíamos fazer o “corre”, procurávamos pessoas para nos apoiar [...]Chegávamos já eram duas, duas e pouco da manhã, com um monte de bolsa, um monte de coisas. Íamos a pé de lá do Capão Redondo até o Valo Velho porque não tínhamos dinheiro para a condução. Foi uma época muito difícil e a Lady dizia: “Ai Laura, a gente tem que ganhar essa casa porque já não agüento mais andar!” (Laura).

Nossa casa vai ser uma vitória linda, um troféu como nunca ninguém jamais teve, e não vai ser um troféu para ficar guardado, vai ser um troféu para ser utilizado pelos nossos filhos, netos, bisnetos. [...] Quando tiver um filho ele vai ter que lutar também, vai saber a história do lugar onde vive, como consegui a casa dele. (Bárbara).

Essas histórias falam da vida vivida, da luta diária, dos problemas da cidade, e falam também da vida sonhada, das utopias, da complexidade dos desejos, vontades, intenções:

Desde pequena tenho vontade de ter mais tempo para poder estudar, porque gosto muito de estudar e queria me formar professora. Meu sonho é aprender a tocar violão. [...]Então meu sonho é aprender a tocar guitarra e voltar para lá58. (Luana).

Minha intenção maior é essa: conseguir um terreno, construir uma casa para poder constituir minha família. (Junior).

[...] quero que minhas netas sejam como eu: trabalhadeiras, lutadoras, de uma moda sem prejudicar ninguém, honestas, decentes, pobres, mas dignas, porque acho que o mais importante é você ter dignidade. (Maria da Paixão).

Quero acreditar que todo mundo é capaz de cada vez mais querer ardentemente mudar o mundo, e que todo mundo é capaz cada vez mais de construir a própria vida neste sentido. Não é abrir mão da vida ou de certo tipo de vida, é querer ter um outro. (Ana Terra).

Mas também falam da morte, da que é natural, encerramento do ciclo da vida, e da “morte matada”, ou melhor, da “vida matável”, da “vida nua”, desprovida de direitos, tal qual problematizou Agambem59. Como exemplos do primeiro caso, temos trechos das entrevistas de Marcelo e Paixão, e como exemplo do segundo, um excerto da narrativa da Carla:

Minha mãe tinha um problema de saúde. Ela foi criada no sítio e a família dela diz que esse problema foi ocasionado por causa de verme de carne de porco que ela comeu e foi para a cabeça. Outros dizem que era um câncer. Não sei, só sei que ela tinha muita dor de cabeça, chegava a desmaiar. Fez tratamento, meu pai a levou para São Paulo para fazer exame, ela tentou de tudo: fez até uma operação espiritual, no Estado de Goiás. Em 1989 faleceu, vítima desse problema. (Marcelo).

É uma pena que perdi a minha mãe, vai fazer três anos. Mas é essa a vida, isso faz parte. Há três anos foi ela, depois vai ser outro, daqui a 10, 15 anos não sei, vai ser eu, vai ser nós, mas uma coisa eu digo: quando eu faltar nessa terra quero que meus filhos, meus netos e até a minha quarta geração... Não quero que falem: “minha avó, minha mãe, foi uma pessoa inútil”. (Maria da Paixão).

O Estado trazia as pessoas como trazia animais, sem a menor condição de vida. [...] Percebo que as pessoas que vieram na época da Segunda Guerra, vieram praticamente como escravas, porque morreram sem direito a nada, sem direito a sequer um funeral digno. Morte injusta diante de todo o esforço que fizeram. Os mortos eram enrolados em lençóis e enterrados na beira das estradas ou na margem dos rios. A gente cresceu vendo isso. (Carla).

58 Para o Piauí.

Traçam a cartografia de suas trajetórias: de onde vieram, para onde gostariam de ir e onde gostariam de permanecer:

Morei em Martinópolis, Piraposinho e Araçatuba, isso no Estado de São Paulo e aí me desloquei junto com minha família, com pai e mãe, para Cuiabá, no Mato Grosso. [...] Depois de 12 anos vivendo em Cuiabá, fomos para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ficamos 14 anos morando em Campo Grande. Por último, viemos para o Estado de Rondônia. [...] De todos os lugares por onde passei, onde morei, o que mais me marcou foi Campo Grande. (Marcelo) Não posso dizer que gosto daqui, primeiro porque cheguei faz pouco tempo, segundo porque aqui a vida é muito difícil e tem todos os problemas que você pode imaginar. Ontem mesmo a Laura falou: “Vamos para o Piauí?”, e eu disse: “bora! Se eu começar a trabalhar vou juntar dinheiro e vamos para lá”. (Cássio).

Sou índia, nunca saí daqui, só conheço Porto Velho e alguns de seus distritos, então não tenho uma cidade preferida. Ao contrário de meus irmãos, nunca viajei, não conheço nenhuma metrópole. Sou a índia da Amazônia. (Carolina)

Nasci aqui em Porto Velho em 19 de Outubro de 1985, vivi um tempo aqui, um tempo no Ceará, onde meu pai nasceu e um tempo em Ariquemes, acho que uns três, quatro anos. Para o Ceará a gente ia constantemente porque meu pai tinha uma fazenda lá. Ele vivia viajando e às vezes levava a gente, depois trazia de volta. (Junior).

Estamos até hoje aqui, já faz 14 anos e pretendemos continuar, para fazer nossa história nesse lugar. (Marcelo, falando sobre Porto Velho).

As narrativas expressam uma cartografia subjetiva, mapas da memória dos colaboradores, tonalizados na dimensão do vivido, mas se o leitor sentir necessidade de uma visualização “mais material” dos espaços abrangidos pelas experiências de vida das famílias entrevistadas, poderá consultar o material cartográfico apresentado nos anexos, bem como informações sobre as fotografias.

O que essas narrativas trazem de coletivo, o que se repete, são as lembranças da infância, dos pais, a escola, as mudanças na alimentação, o desejo de ter casa e a cidade, seja aquela onde se vive, apresentada em seus aspectos problemáticos ou com ênfase a seus lugares agradáveis, seja a cidade em que se viveu. Desses elementos que marcam coletivamente as narrativas extraí o tema deste estudo. Mas antes de passarmos a uma reflexão mais aprofundada sobre eles, gostaria de assinalar alguns dos elementos da memória coletiva, expressos nos textos das famílias colaboradoras.