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Wittgenstein’ın Gözüyle Felsefe’de Olan ve Olması Gereken

C. LUDWIG JOSEF JOHAN WITTGENSTEIN( 1889-1951)

3. Wittgenstein’ın Gözüyle Felsefe’de Olan ve Olması Gereken

Neste capítulo são considerados os fundamentos da ergonomia da atividade e na sequência, a questão da transferência de tecnologia e a chamada antropotecnologia. Tais conceitos embasam os itens seguintes: a abordagem tradicional de ergonomia e projeto, amplamente empregos nos estudos com máquinas agrícolas e o paradigma escolhido para abordar as questões de pesquisa do presente estudo. Por fim, são apresentadas as conclusões acerca das questões desenvolvidas neste capítulo.

3.1. A ergonomia da atividade

A ergonomia tem por objeto o trabalho e sua transformação (GUÉRIN et al., 2001). Derivada do grego ergon (trabalho) e nomos (regras) para designar a ciência do trabalho, a ergonomia é uma disciplina orientada para o sistema, que hoje se aplica a todos os aspectos da atividade humana (FALZON, 2007).

A definição de ergonomia, adotada em 2000 pela International Ergonomics

Association (IEA) reflete seu corpo de saberes como (IEA, 2000):

“A ergonomia (ou Human Factors) é a disciplina científica que visa a compreensão fundamental das interações entre os seres humanos e os outros componentes de um sistema, e a profissão que aplica princípios teóricos, dados e métodos com o objetivo de otimizar o bem-estar das pessoas e o desempenho global dos sistemas”.

Desta definição, destacam-se duas intenções fundamentais da ergonomia já destacadas por Abrahão e Pinho (1999): a produção de conhecimento científico (sobre o trabalho, condições de sua realização, a relação do homem com o trabalho) e a racionalização da ação (ou seja, formulação de recomendações e princípios capazes de orientar a ação de transformação do trabalho).

Historicamente, duas abordagens ou quadros teóricos gerais compõem o cenário da ergonomia. Segundo Montmollin (1995), o primeiro corresponde à chamada ergonomia clássica (Human Factors), do contexto americano e britânico, centrada no componente

humano dos sistemas Homem-Máquina. O segundo, enraizado nos países francófonos, corresponde à ergonomia da atividade, com enfoque na atividade humana contextualizada.

A ergonomia dos fatores humanos apresenta características das ciências aplicadas (ABRAHÃO e PINHO, 1999). Para Montmollin (1995), os componentes humanos dos sistemas não são os homens, mas algumas das funções dos homens, que são isoladas por um processo analítico que permite respeitar as duas maiores exigências de todo o procedimento científico: a generalização e a medida quantitativa.

Assim, segundo o mesmo autor, o trabalhador é descrito nas suas relações com o ambiente de trabalho “segundo as funções elementares que partilha com a grande família humana à qual pertence” (p. 104). A ergonomia dos fatores humanos não tem necessidade de uma análise do trabalho, que é substituída pela construção de uma lista de exigências da tarefa, geralmente estabelecida por perguntas baseadas nos dados sobre as características humanas que entram em ação nas tarefas consideradas (MONTMOLLIN, 1995). Portanto, observa-se que esta vertente apresenta uma visão tecnicista do elemento humano no trabalho.

A ergonomia da atividade, por sua vez, não considera as funções de modo isolado (MONTMOLLIN, 1995), mas sim os comportamentos (gestos, olhar, palavras) e os raciocínios tal como se apresentam nas situações reais de trabalho, atuais ou a serem concebidas. Trata-se, portanto, de atender a situação na sua globalidade e abordar o homem de forma holística, pensando em suas dimensões fisiológicas, cognitivas e sociais.

Entretanto, como aponta Montmollin (1995), uma orientação nesses moldes da ergonomia permite chegar a resultados de uma grande riqueza e de uma grande pertinência para a ação, mas por vezes, com um fraco poder de generalização. Assim, o autor coloca que as duas abordagens podem ser consideradas como complementares.

Isto é corroborado por Lima (2000), em sua afirmação de que não se tratam de duas abordagens diferentes na ergonomia, mas de abordagens mais ou menos superficiais, mais ou menos parciais e que, em algum momento, devem ser aglutinadas em um todo mais global e coerente. Dessa forma, pode-se dizer que a ergonomia dos fatores humanos permite estabelecer normas e conceber dispositivos adaptados às “características e limites” do homem, e a ergonomia da atividade considera e insere estes conhecimentos nos contextos específicos.

Para estudar a relação do sujeito com o ambiente de trabalho, a ergonomia da atividade possui como abordagem metodológica a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) (WISNER, 1994).

A característica essencial da AET é de ser um método destinado a examinar a complexidade do trabalho sem colocar em prova um modelo escolhido a priori (WISNER, 2004). Isso significa que ao contrário dos modelos tradicionais de caráter experimental em que as hipóteses são previamente elaboradas (top-down), a AET é uma abordagem ascendente (bottom-up), com uma flexibilidade procedimental que permite que as hipóteses sejam construídas ao longo do processo.

O entendimento aprofundado da situação de trabalho alcançado através da ergonomia da atividade está ligado aos seus três fundamentos principais que estão inter-relacionados e podem ser sumarizados de acordo com Tersac e Maggi (2004) como: a diferença entre tarefa e atividade; a variabilidade dos contextos e dos indivíduos; e a atividade de regulação (representação e competência).

O primeiro pressuposto é o reconhecimento da diferença existente entre aquilo que os sujeitos devem fazer daquilo que eles realmente fazem. Para a ergonomia, realizar um trabalho é bem mais do que seguir um conjunto de regras ou procedimentos operatórios, por mais precisa e detalhada que possa ser a descrição da tarefa (LIMA, 2000). Há sempre algo que não pode ser colocado em forma de regras claras, exigindo que o operador invente alguma coisa para conseguir realizar seu trabalho (ASSUNÇÃO e LIMA, 2003). Isto é o que se denomina em ergonomia de diferença entre tarefa e atividade.

Segundo Falzon (2007), a tarefa é o trabalho prescrito pela organização, ou seja, o que o operador deve fazer segundo um objetivo e sobre determinadas condições. A tarefa pode ser definida como:

(...) um conjunto de objetivos dados aos operadores, e a um conjunto de prescrições definidas externamente para atingir esses objetivos particulares. Conforme o caso, ela integra em maior ou menor grau a definição de modos operatórios, instruções e normas de segurança. Ela especifica as características do dispositivo técnico, do produto a transformar, ou do serviço a prestar, o conjunto dos elementos a levar em conta para atingir os objetivos fixados (GUÉRIN, 2001, p. 25).

Embora seja uma prescrição exterior ao operador, que determina e constrange a sua atividade, a definição da tarefa visa reduzir o trabalho improdutivo, otimizar ao máximo o trabalho produtivo além de ser um quadro indispensável para que o operador possa trabalhar, pois ao determinar a sua atividade, ela o autoriza (GUÉRIN et al., 2001).

Já a atividade é o trabalho real, o que o operador realmente faz para cumprir a tarefa. Segundo Falzon (2007), a atividade é finalizada pelo objetivo que o sujeito fixa para si a partir do objetivo da tarefa, e ela inclui não só a parte observável da atividade (o comportamento) como também a parte inobservável (aspectos intelectuais ou mentais).

Uma das questões que ajuda a explicar a diferença entre o trabalho prescrito e o trabalho real é que na atividade de trabalho sempre existem numerosas fontes de variabilidade que levam a distanciamentos em relação às situações previstas (DANIELLOU, 2002a). Assim, o segundo pressuposto importante para a ergonomia é o da variabilidade.

A variabilidade refere-se tanto ao processo produtivo e contextos quanto aos indivíduos. Com relação à variabilidade de contextos, Lima (2000, p. 10) exemplifica: “a matéria-prima não vem no tempo ou qualidade desejada; as ferramentas se desgastam, as máquinas se desregulam ou quebram; colegas faltam ou entram novatos na equipe; os modelos de produtos se modificam; etc.”. Além disso, há a variabilidade relacionada aos indivíduos, que pode ser intraindividual (fadiga, experiência, ritmos circadianos, etc.) e interindividual (idade, gênero, modos operatórios, história pessoal, etc.) (ABRAHÃO et al., 2009). Portanto, mesmo que todos os fatores relacionados com a produção fossem controlados, ainda sim haveria algo que sempre muda: o trabalhador.

Frente às variabilidades existentes na situação de trabalho, os operadores estão constantemente submetidos a um processo de regulação para que a produção atinja a qualidade e/ou quantidade necessárias. A atividade de regulação, terceiro pressuposto mencionado, é definida por Falzon (2007) como um mecanismo de controle que compreende a detecção de diferenças dos resultados em relação ao desejado, um diagnóstico e se necessário uma ação, um ajuste do processo, que é a regulação propriamente dita.

Para regular a atividade (figura 13), o operador desenvolve estratégias operatórias, que de acordo com Abrahão et al. (2009), envolvem mecanismos cognitivos e são formuladas a partir da interpretação das informações do ambiente e da utilização de conhecimentos, competências e experiências do operador para desenvolver um conjunto de ações que

alcancem o objetivo pretendido. Este conjunto de ações é chamado de modo operatório, resultado de um compromisso entre os objetivos exigidos, os meios de trabalho, os resultados produzidos e o estado interno do operador, como mostra a figura (GUÉRIN et al., 2001).

Figura 13. Relações existentes ao determinar a carga de trabalho (Fonte: GUÉRIN et al., 2001)

Assim, a atividade de regulação está relacionada e depende das representações e competências dos operadores.

Segundo Abrahão et al. (2005), as representações tem a característica de serem construídas a partir da ação para possibilitar a ação, ou seja, as representações são criadas pelo operador no decorrer da atividade (representações pela ação) para alcançar um objetivo expresso na forma de ação (representações para a ação). Estas últimas possibilitam as ações futuras e são (re) estruturadas e enriquecidas através do agir, abrigando cada vez mais a realidade e melhorando a adequação dos cursos da ação (WISNER, 2004). Assim, é em função das experiências dos sujeitos que as representações para a ação são constantemente alteradas e aprimoradas.

As competências são características individuais de nível intelectual e são responsáveis por operacionalizar os conhecimentos e habilidades do sujeito, traduzindo-se em comportamentos e atitudes (MELLOUKI e GAUTHIER, 2007; ABRAHÃO et al., 2009). Segundo Montmollin (1990, apud ABRAHÃO et al., 2005) o conceito de competências consiste na articulação de conhecimentos (declarativos e procedimentais), representações, tipos de raciocínios e estratégias cognitivas que o sujeito constrói e modifica no decorrer da

sua atividade. Elas caracterizam a maneira em que a atividade é realizada e fundamentam as representações e estratégias utilizadas pelos operadores para enfrentar as situações de trabalho (WEILL-FASSINA e PASTRÉ, 2007).

Benzer Belgeler