• Sonuç bulunamadı

B. BERTRAND ARTHUR WILLIAM RUSSELL(1872-1970)

2. Betimleme Kuramı

Conforme a passagem da boletim informativo da International Harvester Company Managerial de 1955 (apud BURROWS e SHLOMOWITZ, 1992), a colheita de cana-de- açúcar é uma das tarefas mais difíceis que qualquer máquina já foi incumbida de fazer. Trata- se de uma planta tropical, nutrida por chuvas, solo rico, sol, cujo crescimento, produtividade

e prática de plantio variam de acordo com cada país e região que é cultivada. Estas características mostram a dificuldade de aperfeiçoar uma única máquina adaptável aos mais diversos países em que a cana-de-açúcar existe em grandes quantidades.

A busca por uma máquina capaz de colher cana-de-açúcar teve início em diferentes lugares: Hawai, Cuba, Sul dos Estados Unidos (Florida e Louisiana), Austrália. Embora essa busca tenha se iniciado em diferentes períodos em cada um dos lugares, todos tinham como motivação a elevada escassez de mão-de-obra e os altos custos do corte manual.

Os registros da primeira cortadora já patenteada datam de 1854 no Hawai. Ela era tracionada por um par de mulas e além de cortar a cana, removia folhas e palhas dos colmos com uma escova de arame (FURLANI NETO, 1984 apud CARVALHO FILHO, 2000).

Entretanto, o país que liderou o projeto e fabricação de máquinas destinadas à colheita de cana-de-açúcar foi a Austrália. A obra de Kerr e Blyth (1993) mostra que os sofisticados sistemas de colheita de cana existentes atualmente são o resultado de um processo de mais de 100 anos de improvisação e adaptação.

Os primeiros projetos no país datam de 1890 e foi só quando a indústria sofreu uma paralisia virtual pela falta de cortadores manuais durante a Segunda Guerra Mundial, que o progresso real em direção à mecanização foi feito (KERR e BLYTH, 1993).

Conforme o trecho extraído de Kerr e Blyth (1993):

“Imagine cortar cana hoje com cinzéis pneumáticos automáticos, tesouras gigantes operadas com a mão ou o equivalente a uma serra elétrica rotativa. Ridículo! Porém, essas eram algumas das esquisitices mecânicas geradas pela busca de um século por uma colhedora de cana universal. A menção de tais “auxílios de produção” improváveis nos faz rir agora, mas na época eram conceitos a serem levados a sério”. (p.11).

Um resumo da evolução do projeto de máquinas na Austrália com base na obra dos autores mencionados é apresentado no apêndice A. Como pode ser observado neste apêndice e ressaltado pelos autores Kerr e Blyth, as ideias para o corte de cana com máquinas variavam do básico (uma tora pesada puxada por cavalos e equipada com uma lâmina) até de alta tecnologia (aerodeslizador, plástico e raios laser). Várias ideias foram bem sucedidas, algumas outras não, mas os produtores sempre estiveram à frente da inovação desde o começo.

Houve um esforço combinado de incontáveis pessoas dedicadas à tarefa de criar uma máquina confiável, prática e adequada para as necessidades complexas da indústria de cana da Austrália. E por que foi tão difícil inventar uma máquina para colher cana com sucesso? A resposta de Stan Toft, apresentada no livro de Kerr e Blyth, parece elucidar essa questão:

“(...) Toft concluiu que a principal razão pela qual nenhuma colhedora universal tinha sido inventada era que as condições diferiam tão grandemente de país para país, de área para área, de fazenda para fazenda. Uma máquina universal teria que lidar com diferentes terrenos, condições de solo, práticas de cultivo, variedades de cana, crescimento da cultura (ereta ou deitada), rendimento (variando de 18 a 100 toneladas por acre) e ser custo-competitiva com o corte manual. Como nenhuma máquina tinha chance de atender as necessidades de todos os produtores, o incentivo para investimento em pesquisa foi diminuído consideravelmente”. (p.54).

A colheita de cana na Austrália estava completamente mecanizada em 1979, embora 10 anos antes quase 85% da cultura já fosse cortada por máquinas (KERR e BLYTH, 1993).

No Brasil, o início do processo de mecanização da colheita de cana-de-açúcar costuma ser localizado em 1973 no Estado de São Paulo, quando a Santal lançou em escala comercial a colhedora chopper Santal 115, adaptada do modelo australiano (RIPOLI; VILLANOVA, 1992; MORENO, 2010).

Entretanto, as primeiras experiências em campo no país ocorreram na década de 50, com a importação de máquinas do tipo cortadoras wholestalk dos Estados Unidos (VEIGA FILHO, 1998). Segundo o autor, a usina Monte Alegre, em Piracicaba/SP importou uma máquina cortadora de Louisiana. Esta máquina era montada sobre um trator de 36 HP e possuía um motor auxiliar de 20 HP para auxiliar na propulsão do equipamento. Foram feitos testes com diferentes variedades de cana de modo a avaliar quais eram os melhores para o corte mecânico e foram encontrados problemas, por deixar tocos principalmente nas canas de primeiro corte e também pela dificuldade de executar o trabalho em terrenos acidentados. Essas dificuldades técnicas não sobrepujaram as vantagens do corte manual, até porque na época, a usina em questão não tinha o carregamento mecanizado.

Conforme Veiga Filho (1998), a segunda experiência ocorreu mais ou menos no mesmo período pela Société de Sucreries Bresiliennes, também de Piracicaba, que importou uma máquina dos Estados Unidos. Devido às dificuldades encontradas na prática, a empresa construiu a primeira máquina no Brasil, montada sobre um chassis de caminhão e utilizando

um motor nacional Mercedes-Benz de 105 HP. Essa máquina foi inovadora ao apresentar: sistema de levantamento de cana por tubos de aço e correias (localizado na frente da máquina de forma inclinada) e no sistema de armazenamento da cana cortada (composto por um receptáculo) que em seguida, era transportada por um mecanismo elevador até o caminhão ao lado da máquina. Contudo, as deficiências técnicas (tanto pelo desperdício de cana que não era cortada pela máquina como por quebras frequentes) também se sobressaltaram em relação ao corte manual.

As tentativas de mecanização foram então retomadas no país em 1961 quando a Santal desenvolveu a sua primeira colhedora a partir do modelo Thompson, importado dos Estados Unidos. Os custos de colheita com a máquina eram muito altos e outro modelo de cana inteira foi projetado pela empresa na década de 60, porém também tinha um empecilho: só colhia cana em pé e queimada, não trabalhava com chuvas e muito menos com ventos (MORENO, 2010).

Assim, na década de 70, representantes da Santal foram para a Austrália conhecer o modelo chopper que cortava, picava e carregava a cana, trazendo a encomenda de 10 máquinas. A Santal realizou as adaptações e elaborou em 1973 a Santal 115, com mais 200 de unidades vendidas (MORENO, 2010).

Desde então, a Santal continuou desenvolvendo várias máquinas no país, apesar da John Deere (a atual Cameco) e da CASE-CNH (a atual Austoft) serem as principais líderes no mercado brasileiro de colhedoras de cana.

Benzer Belgeler