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importante para que se possam compreender as atuais demandas políticas e acadêmicas da profissão.

Foi somente nos anos da década de 1950, que a profissão de secretário surgiu no cenário das organizações brasileiras e acompanhava exatamente o desenvolvimento gerencial de cada época. Nessa década, o secretário era visto, simplesmente, como um servente. Suas atribuições eram limitadas a datilografia, arquivo, taquigrafia e atendimento telefônico. Foi nessa época que apareceram algumas denominações para a profissão, como ‘anjo da guarda’, ‘braço direito’ e ‘salvadora da pátria’.

Uma das fundadoras do movimento secretarial no Brasil foi Leida Maria Mordenti Borba de Moraes, formada em secretariado pelo London Institute, que muito lutou pelo reconhecimento e valorização da profissão, a exemplo de outras profissões no Brasil, além da necessidade da proteção legal para definição de salários, cargos, horário de trabalho, plano de carreira e outras questões que não tinham amparo legal em nenhuma organização sindical do país (EXCELÊNCIA, 2003).

Na década de 1960, mais precisamente em 16 de dezembro de 1965, foi fundado, no Rio de Janeiro o ‘Clube da Secretária’, para suprir a necessidade da troca de informações entre os profissionais da área, pois até então, não havia nenhum meio de aprimorar o trabalho frente às exigências por parte das empresas. A partir de então, foram criadas as Associações de Secretárias, pelo país. Nesse período, a profissão ganhou mais uma denominação, ‘cartão de visita’, e tornou-se símbolo de status da empresa. Todo executivo possuía um secretário particular, porém, suas funções ainda eram muito restritas.

Nos anos de 1970, a mobilização se fortaleceu com a elaboração de um Código de Ética para as Secretárias e a congregação tornou-se nacional, com a presença de associações por todo o Brasil, liderada pela Associação Brasileira das Entidades de Secretárias (ABES), fundada em 1974, na Bahia. Nessa década, foi instituído o Dia Nacional da Secretária (30 de setembro), através da Lei n.º 1.421, de 26 de outubro de 1977, representando mais um reconhecimento para a área. Passou-se, então, a conviver com a presença dos profissionais de secretariado, que passaram a ter mais consciência do seu papel, levando a profissão a ganhar uma maior significação para as empresas. Foi também nessa época que a profissão adquiriu alguns mitos como: não ter horário definido de trabalho e a não geração de resultados para as organizações.

Os anos da década de 1980 tornaram-se um marco histórico para a profissão, pois nessa época, foram efetivadas muitas conquistas: 1985 - regulamentação da profissão através da Lei n.° 7.377, de 30 de setembro de 1985; 1987 - enquadramento sindical como ‘Categoria

Diferenciada’, o que possibilitou a criação dos Sindicatos Estaduais (os primeiros foram criados nos Estados do RS, SC, SP e MT); 1988 – fundação da Federação Nacional das Secretárias e Secretários 3 (FENASSEC), em Curitiba/PR; 1989 – reformulação do Código de Ética. No Ceará, o Sindicato das Secretárias foi fundado também em 1988 (SILVA, 2003).

Durante essa década, a profissão passou por transformações bastante significativas. Surgiram novos modelos de gerências e, consequentemente, novos comportamentos dos profissionais de secretariado.

A partir da década de 1990, o movimento secretarial brasileiro projetou-se internacionalmente com a realização de dois Simpósios Internacionais em Manaus/AM, em 1993 e 1995, tendo a participação de vários países para a discussão de propostas de intercâmbio cultural. O modelo de organização da Federação Nacional das Secretárias e Secretários (FENASSEC) também foi apresentado a vários países que buscavam melhorias profissionais.

Segundo Bretas (2004, p. 13), a Fenassec esteve presente nas Convenções internacionais nos Estados Unidos (EUA): Conferências Internacionais na União Europeia, Reuniões de Cúpula na África do Sul, na Nova Zelândia, Congressos no Mercosul e Simpósios Internacionais no Brasil. Entidades de outros países também participaram de eventos no Brasil, além da Fenassec ter recebido visitas internacionais dos EUA, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, África do Sul, Angola, Chipre, Japão, Espanha, Portugal, Inglaterra, Alemanha e Canadá.

Ainda nessa década, a Lei de Regulamentação foi reformulada para acompanhar as mudanças na profissão, através da Lei nº 9.161, de 1996. Em 1997, foi iniciado o processo de criação dos Conselhos Nacional e Regionais de Secretariado, após uma grande mobilização envolvendo os sindicatos de todo o país que, através de reivindicações às bancadas da Câmara e do Senado conseguiram a aprovação do Projeto de Lei, mas que recebeu o veto do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. O assunto foi retomado no ano de 2004, com o encaminhamento ao Ministério do Trabalho de documento solicitando a criação dos Conselhos, acompanhado de novas gestões junto aos Parlamentares. Também em 1997, foi criado o Dia Internacional do Profissional de Secretariado, durante o 3º. Summit Internacional de Secretárias, realizado na África do Sul, quando 15 países presentes decidiram reconhecer a

3 Em 31 de agosto de 1988 em Curitiba/PR foi fundada a Federação Nacional das Secretárias e Secretários (FENASSEC), durante o 6º Congresso Nacional de Secretariado (CONSEC), com o objetivo de difundir informações e unir a classe secretarial em todo país. Funciona como um elo que permite a troca de experiências, sendo a principal entidade da área que atua em situações profissionais, políticas, sociais e educacionais. Atualmente, é composta de 23 sindicatos em todo Brasil.

contribuição do trabalho dessa categoria. Esse dia é comemorado, todos os anos, na quarta- feira da última semana do mês de abril.

Nos anos 2000, continuaram os trabalhos pela criação do Conselho Profissional de Secretariado, com várias ações realizadas junto ao Ministério do Trabalho, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Casa Civil e diversos sindicatos estaduais durante os últimos anos.

Em 2005, foi aprovada pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação do MEC, através da Resolução nº. 3, de 23 de junho de 2005, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Secretariado Executivo, o que permitiu aos cursos universitários uma maior unicidade nos projetos pedagógicos.

O ano de 2009 representou um marco para a profissão, sendo um momento de grandes reflexões quanto à formação nessa área, quando foi realizada uma consulta pública pela Secretaria da Educação Superior (SESU) do Ministério da Educação (MEC), na qual foram propostas novas nomenclaturas para diversos cursos de graduação nas áreas de humanidades, artes e comunicação e ciências exatas e da terra, devido, segundo o MEC, à existência de várias denominações similares, para diferentes cursos de graduação. Especificamente, para o Curso de Secretariado Executivo, a SESU propôs, àquela época, a convergência das nomenclaturas de Secretariado para Administração, causando uma repercussão negativa e uma grande mobilização por parte de alunos, professores e coordenadores de cursos de vários Estados brasileiros, pela manutenção da nomenclatura de Curso de Secretariado Executivo.

A confirmação da continuidade do Curso de Bacharel em Secretariado Executivo se deu através da atuação da FENASSEC, juntamente com a Academia e a própria sociedade, a partir da apresentação de contra-argumentos à SESU, baseados em práticas e legislações, além de inúmeras manifestações da área secretarial.

Todo esse processo histórico vem gerando uma demanda, na área de secretariado, vivenciada, na atualidade, em busca de fundamentação científica, com o objetivo de consolidar e aperfeiçoar a profissão. A importância do conhecimento tecnicocientífico e da formação acadêmica específica são aspectos fundamentais que representam a busca pela excelência profissional e pelo reconhecimento dos Secretários Executivos no mercado de trabalho.

Iniciaram-se, então, várias discussões sobre a necessidade de se ter um espaço acadêmico com o objetivo de promover discussões e pesquisas em Secretariado Executivo em todo país. A ideia de se criar uma Sociedade Científica em Secretariado Executivo, que

lutasse para que o Secretariado fosse reconhecido como área de conhecimento científico, surgiu durante a realização do I Encontro Nacional Acadêmico de Secretariado Executivo (I ENASEC) na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em novembro de 2010, na cidade de Toledo-PR.

A concretização da ideia, portanto, só aconteceu um ano depois, durante o II Encontro Nacional Acadêmico de Secretariado Executivo (II ENASEC), na Universidade de Passo Fundo/RS, quando foi fundada a Sociedade Brasileira de Secretariado (SBSEC), no dia 21 de outubro de 2011 (NASCIMENTO, 2011).

A SBSEC é uma associação de pesquisadores em Secretariado, cujo objetivo é “promover o desenvolvimento do ensino de pós-graduação e da pesquisa em Secretariado, procurando contribuir para sua consolidação e aperfeiçoamento, bem como estimulando experiências novas na área” (Artigo 3º. do Estatuto da SBSEC). Além disso, visa à integração do ensino da pós-graduação com a graduação, difundindo a produção científica da área e promovendo o intercâmbio e a cooperação entre professores e pesquisadores em Secretariado.

Também é objetivo da SBSEC o reconhecimento do Secretariado como uma área do conhecimento pelos órgãos de fomento de pesquisa científica, incluindo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de proporcionar condições para que sejam criados cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) na área.

Dessa forma, não se trata de uma entidade de classe de profissionais graduados, nem de estudantes, mas de uma entidade de pesquisadores titulados ou em formação. Seus fins são, portanto, puramente acadêmicos. Isso não impede, por sua vez, que dialogue com órgãos de classe e outras entidades ligadas ao Secretariado, desde que essa integração vise ao desenvolvimento científico da área.

Ressalta-se que, a situação da pesquisa em Secretariado Executivo no Brasil ainda é bastante embrionária e conta, apenas, com quatro (4) profissionais da área, que possuem titulação de pesquisador, ou seja, que são doutores. Essa falta de doutores na área também tem impossibilitado a criação de programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) na área secretarial, uma vez que somente doutores podem ser professores de mestrado e doutorado acadêmicos. Esse fato leva os professores da área a buscarem formação em outras áreas do conhecimento, nem sempre lhes sendo permitido direcionar suas pesquisas para a área de Secretariado.

Nascimento (2011) cita como necessidades essenciais para o reconhecimento do secretariado como área do conhecimento as seguintes ações, dentre outras:

• criar cursos de mestrado e doutorado;

• criar novos periódicos científicos;

• melhorar a qualidade dos periódicos já existentes;

• promover a integração de pesquisadores de todo o Brasil;

• realizar investigações científicas de forte impacto social e com alta qualidade;

• promover eventos acadêmicos.

Com o intuito de fomentar o debate sobre a importância da área de conhecimento em secretariado, foi lançado no ano de 2009, o livro “Epistemologia e Teoria do Conhecimento em Secretariado Executivo: a fundação das Ciências da Assessoria”, de autoria do Secretário Executivo Raimundo Nonato Júnior, resultante de uma pesquisa de mestrado na área de educação da UFC. Tal pesquisa aborda a confluência de três eixos que transversalizam o debate proposto pelo mesmo, ou seja: Epistemologia do Secretariado (obstáculos e demandas epistemológicas), Ciências da Assessoria e Teoria Geral do Secretariado.

Recentemente, no âmbito da UFC, duas importantes pesquisas foram realizadas na área de Secretariado Executivo, sendo uma em nível de mestardo, que faz uma análise sobre a atuação desse profissional (FERREIRA, 2010), e outra em nível de doutorado, que realiza uma investigação sobre a sua formação na na instituição (BRANDÃO, 2010).

Assim, ao longo de sua história no Brasil, a profissão de secretariado tem enfrentado muitos desafios, mas também está caracterizada por muitas conquistas. Todas essas situações promoveram grandes mudanças no perfil desse profissional, que vem se adaptando às novas exigências do mercado de trabalho. Alguns desses fatores que levaram a esta mudança serão expostas a seguir.

3.3 Principais fatores que contribuíram para a transformação do perfil do profissional

Benzer Belgeler