F. Performans Denetiminin Unsurları
1. Verimlilik
Os alunos que participaram desta pesquisa são todos estudantes de cursos de PLAc do CZ e do CENEX. Dos 20 alunos participantes, 16 são haitianos, e os outros quatro, sírios. Como já discutimos anteriormente (subseção 3.2.1), o CZ se tornou uma referência para imigrantes do Haiti na região metropolitana de Belo Horizonte, por isso é comum constatar que a maioria dos imigrantes que frequentam as aulas de português no seu âmbito são dessa nacionalidade.
Foi interessante verificar nos registros de pesquisa que a experiência de aprendizagem do idioma pelos estudantes não se relaciona diretamente ao seu período de permanência no país, pelo contrário. A maioria dos estudantes tem uma permanência relativamente grande no país, ao passo que a maioria frequenta as aulas de português há pouco tempo, entre 1 e 3 meses. Para visualizar melhor esses dados, observemos os gráficos e suas interpretações abaixo.
GRÁFICO 4 – Tempo de permanência no Brasil pelos estudantes participantes
Fonte: registros trabalhados pela autora
Primeiramente, no que diz respeito ao tempo de permanência no país (GRÁFICO 4, acima), 45% dos participantes estão no Brasil entre 1 e 2 anos, seguidos de 25% que chegaram entre 1 e 3 meses, enquanto a permanência dos demais varia entre 6 meses e 1 ano (20%), entre 3 e 6 meses (5%) e outros (5%). Percebe-se, então, que a grande maioria dos participantes (45%) da pesquisa estão no Brasil há, pelo menos, um ano. Em segundo lugar, com relação ao tempo que o aprendiz está estudando o português (GRÁFICO 5), a maioria dos participantes (35%) afirmou estudar português
formalmente por um tempo compreendido entre 1 e 3 meses, seguidos de um grupo que tem acompanhado aulas entre 3 e 6 meses (20%) e outro cuja aprendizagem da língua é bastante recente: há menos de um mês (15%) (GRÁFICO 5).
GRÁFICO 5 – Tempo matriculado no curso de PLAc pelos estudantes participantes
Fonte: dados trabalhados pela autora
Quando comparamos os registros entre tempo de permanência no país e tempo em que estudam português (GRÁFICO 6), percebemos que, ao contrário do que podemos imaginar, quanto maior o tempo de estadia no Brasil, menor o tempo em que estudam português formalmente (em cursos de PLAc, como o do CZ e do CENEX). Em primeiro lugar, entendemos que esse fenômeno pode estar ligado ao nível de evasão dos estudantes em cursos de PLAc110. Uma interpretação possível a partir desses registros seria que os imigrantes procuram pelas aulas de português tão logo chegam ao país, depois, à medida que vão assumindo outros compromissos – ou por diversos outros fatores que precisam ser melhor investigados –, começam a abandonar os cursos de PLAc.
Em segundo lugar, e indo de encontro à primeira interpretação, poderíamos entender que os estudantes só procuram cursos formais de português quando já estão há mais tempo no Brasil, porque, talvez, acabam sentindo necessidade de aprender o idioma. Isso porque grande parte dos estudantes participantes da pesquisa afirmaram estar no Brasil há bastante tempo (1 a 2 anos), mas estudam português há pouco tempo (1 a 3 meses), conforme ilustrado pelo Gráfico 6, abaixo.
GRÁFICO 6 – Tempo de permanência no Brasil e tempo no curso de PLAc (estudantes)
Fonte: registros trabalhados pela autora
Nesse sentido, faz-se importante ressaltar que, pelo fato de terem demonstrado interesse nas aulas e por terem colaborado com esta pesquisa, esses imigrantes participantes demonstram interesse pela língua portuguesa, mas não podemos generalizar que esse interesse seja de todo imigrante deslocado forçado, haja vista a quantidade deles que não estão matriculados nos cursos. Em relato informal, o coordenador geral do CZ, Pascal Peuzé, chegou a comentar que um imigrante lhe disse, certa vez, que não considerava a aprendizagem da língua portuguesa como algo importante, tendo em vista que o tipo de trabalho que ele realizaria no país não exigia uma alta proficiência no idioma. Segundo o relato, o imigrante disse algo como “Aprender português para quê? Para ser peão – palavra informal para se referir ao trabalhador, geralmente, braçal, a exemplo daqueles que laboram no ramo da construção civil ou de carregamentos em geral –, eu não preciso de português”. Acreditamos que esta questão – do interesse pela aprendizagem da língua portuguesa111 e a relação com o tempo de estadia no país – deve ser melhor investigada em trabalhos futuros na área.
A faixa etária dos participantes compreende de 19 a 47 anos, sendo a maioria adultos de 31 a 47 anos (55% dos casos), seguidos de jovens entre 19 e 29 anos (40%). A maior parte dos imigrantes são homens (65%). Esses registros vão ao encontro das estatísticas gerais sobre imigração no país – que serão discutidas no capítulo III desse trabalho – que apontam que, dentre solicitantes de refúgio e refugiados
111 Trataremos, um pouco, dessa questão na seção 4.2 do capítulo IV, quando abordaremos as
necessidades e motivações dos imigrantes deslocados forçados no seu processo de aprendizagem da língua portuguesa no Brasil.
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reconhecidos, a maioria é do sexo masculino (80,8% e 71, 8%, respectivamente), embora, na média nacional, a maioria seja mais jovem do que os participantes dessa pesquisa, compreendendo a idade de 18 a 29 anos (48,7% dos casos), seguida daqueles na faixa etária dos 30 aos 59 anos (47,1%), no caso dos solicitantes, e de 18 a 29 anos (42,6%) e de 30 a 59 anos (36, 2%) no caso dos refugiados reconhecidos (CONARE, 2016). Esses registros estão ilustrados nos Gráficos 7 (sexo) e 8 (idade) abaixo.
GRÁFICO 7 – Sexo dos participantes da pesquisa em comparação com os solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos no país
Fonte: registros trabalhados pela autora
GRÁFICO 8 – Idade dos participantes da pesquisa em comparação com os solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos no país
Fonte: registros trabalhados pela autora
Lembrando que os dados nacionais de solicitantes de refúgio incluem os haitianos, ao passo que os dados dos refugiados reconhecidos, em razão das limitações
da nossa legislação, não incluem os imigrantes de nacionalidade haitiana – conforme discutimos no capítulo II deste trabalho.
No que diz respeito ao nível de escolaridade dos participantes, grande parte dos imigrantes (45%) contam com algum tipo de formação acadêmica. Desse total, 40% cursaram cursos de graduação e 5% realizaram cursos técnicos. Além disso, 30% dos estudantes de PLAc têm ensino médio completo, 20% possui ensino médio incompleto e 10% completou apenas o ensino fundamental (GRÁFICO 9).
GRÁFICO 9 – Nível de escolaridade dos imigrantes participantes da pesquisa
Fonte: registros trabalhados pela autora
No que diz respeito ao tempo de obtenção do nível de escolaridade, 30% dos participantes assinalaram o período entre 3 e 7 anos, 20% de 8 a 14 anos e outros 20% apontaram ter completado a formação indicada entre 15 e 20 anos atrás. O restante está dividido em 10% cuja formação escolar foi alcançada há 2 anos ou menos, e os outros 10% há mais de 20 anos.
Diante desse panorama, é possível observar que os imigrantes deslocados forçados envolvidos nessa pesquisa são, em sua maioria, escolarizados. Esse fato pode justificar a alta incidência de participantes que apontaram, nos registros dessa pesquisa, estarem aprendendo português para que fosse possível dar continuidade aos seus estudos no país. Ademais, grande parte desses imigrantes apontaram ter conhecimento de mais de um idioma, além da sua primeira língua – em geral, o crioulo haitiano, para os nacionais do Haiti, e o árabe para os sírios.
GRÁFICO 10 – Tempo de obtenção do maior nível de escolaridade dos imigrantes participantes da pesquisa
Fonte: registros trabalhados pela autora
Essa constatação corrobora o que Amado (2013) já havia apontado sobre muitos refugiados serem bilíngues ou multilíngues – e consideramos, aqui, como uma característica de muitos deslocados forçados, no geral. Dentre os idiomas de conhecimento dos imigrantes participantes dessa pesquisa, foram apontados o francês, o inglês, o português e o espanhol112.