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G. Belediyelerde Performans Denetiminin Mevzuat

I. MALİ DENETİM

Finalmente, encerraremos a exposição dos participantes com minha apresentação pessoal, como professora pesquisadora. Minha trajetória nos caminhos do PLA se iniciaram em 2009 quando, ainda no meu período de graduação em Letras na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), fui convidada a ministrar aulas para alunos intercambistas que haviam chegado à instituição naquele ano, para passar dois semestres em cursos de graduação. À época, eu já era professora de língua inglesa como língua adicional, tendo atuado nessa área no curso de extensão do Departamento de Letras, Artes e Cultura (DELAC) da referida universidade e em um curso livre da cidade. Aquela foi, entretanto, minha primeira experiência ensinando português, mais especificamente, como língua adicional.

112 Apesar de termos deixado um espaço em aberto, no questionário, mais especificamente na questão

referente às línguas que falavam, para que os participantes incluíssem outros idiomas que eventualmente fossem falados em seus países, eles incluíram apenas esses. O português, que originalmente não estava dentre as opções de múltipla escolha para essa pergunta (cf. pergunta n. 4, questionário dos alunos, apêndice A), foi apontado por alguns alunos, que o alocaram na categoria “outros”.

Por ser uma instituição relativamente nova, essa universidade, onde iniciei minha prática em PLA, não recebia muitos estudantes estrangeiros e, como consequência, não tinha uma tradição de ensino de PLA. No âmbito da Assessoria Internacional da instituição, pude participar daquela que era a primeira iniciativa de PLA da UFSJ, cujo caráter foi, de certa forma, emergencial e até mesmo experimental. Emergencial no sentido de que estruturamos o curso depois da chegada dos alunos intercambistas e precisávamos atender a demanda. Experimental na medida em que testamos abordagens, analisamos e produzimos materiais didáticos que atenderiam às necessidades daqueles alunos. Essa experiência virou tema de uma iniciação científica113 e acabou transformando toda a minha trajetória acadêmica, que outrora era voltada para o ensino de inglês.

Também tive oportunidade de atuar como monitora de cursos de PLA no período que estive realizando um intercâmbio acadêmico em uma universidade no exterior por um semestre em 2011. Na ocasião do meu retorno à UFSJ, a análise crítica dos materiais didáticos de PLA aos quais tínhamos acesso levou-me à condução de uma segunda iniciação científica114 sobre o tema. Durante muito tempo, fui a única aluna- docente que atuava em PLA na UFSJ, e essa área continua em expansão na referida universidade nos dias atuais – e, novamente faço parte desse processo, atuando como professora voluntária e colaboradora em um programa de PLA oferecido na referida instituição, voltado para estudantes estadunidenses115.

Essa exposição sobre minha trajetória em PLA é somente para ilustrar como ela me levou a optar pelo mestrado em PLA no âmbito da Linguística Aplicada, consequentemente, para apontar como esse caminho me conduziu ao ensino e pesquisa de português para imigrantes deslocados forçados no Brasil. Em 2015 foi a primeira vez que me deparei com a questão do ensino de PLAc, por meio de uma disciplina do

113 Pesquisa realizada no âmbito do Programa Institucional de Iniciação Científica da UFSJ, intitulada

“Discurso e prática na formação docente: reconstruindo concepções sobre ensinar uma língua”, realizada sob orientação da Profa. Dra. Ana Larissa Adorno Marciotto Oliveira (DELAC/UFSJ).

114 Pesquisa realizada no âmbito do Programa Institucional de Iniciação Científica da UFSJ, intitulada “A

representação das Identidades Sociais dos brasileiros em livros de português para estrangeiros”, orientada pela Profa. Dra. Liliane Assis Sade Resende (DELAC/UFSJ).

115 Trata-se do Programa “Portuguese Flagship Program” (PFP), que funciona no âmbito do programa

nacional “The Language Flagship”, financiado pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América. O programa de Português, o PFP, é organizado pela Universidade da Geórgia (UGA), em parceria com a UFSJ, e coordenado pelos professores Prof. Dr. Robert Moser, na UGA, e Profa. Dra Liliane Assis Sade Resende, na UFSJ. Mais informações sobre o programa estão disponíveis em: <http://www.portflagship.org/>. Acesso em: 13 nov. 2016.

mestrado116 na qual pude conhecer um pouco do tema e iniciar o contato com o CZ, o que, mais tarde, me levou a atuar como professora da área, a partir de julho de 2015.

Tendo atuado, até então, com a avaliação em PLA e com o ensino do idioma para outros imigrantes que não deslocados forçados ou de crise (AYDOS, 2010; CLOCHARD, 2007), não conhecia nada sobre o PLAc. Pela falta de conhecimento sobre e experiência na área, ao longo do primeiro semestre de atuação docente no CZ, realizei, conjuntamente com outros professores voluntários, um curso preparatório, que visava trocar experiências docentes e discutir questões específicas do PLAc117, e

procurei conhecer um pouco mais da área, tornando-a tema da minha pesquisa de mestrado. Alinhando-nos com Rojo (2006), acreditamos que o saber construído pela Linguística Aplicada deve tratar de “problemas com relevância social suficiente para exigirem respostas teóricas que tragam ganhos a práticas sociais e a seus participantes, no sentido de uma melhor qualidade de vida, num sentido ecológico” (ROJO, 2006, p. 258). Nem todos os professores que atuam na área de PLAc, principalmente por serem majoritariamente voluntários, têm a oportunidade de realizar cursos de especialização – até porque a oferta desses cursos ainda é rara – ou de desenvolver uma pesquisa mais profunda sobre o tema e, consequentemente, compartilham das mesmas dúvidas e inquietações que eu tinha – algumas que ainda mantenho – quando iniciei a experiência docente na área. É principalmente por isso que espero, com esta pesquisa, contribuir para a prática docente em PLAc, oferecendo um pouco do que aprendi para que sirva como subsídios para o planejamento de cursos de PLAc.

Durante a condução dessa pesquisa, além de ministrar aulas de PLAc para imigrantes em nível inicial de aprendizagem do idioma, pude participar da equipe que promoveu a reestruturação do curso de PLAc do CZ (GONTIJO et. al., 2016). Essa reestruturação levou em conta diversos aspectos e desafios da realidade do CZ, discutidas mais amplamente em Souza (2016, no prelo).

Atualmente continuo atuando como professora voluntária no CZ e questionando, todos os dias, o que é o fazer do ensino de PLAc, qual é o seu papel e o que significa ser uma professora dessa área. Acreditamos, assim como Bizon (2013),

116 Refiro-me à disciplina “Seminário de Tópico Variável em Linguística Aplicada - Português Língua

Adicional: debates contemporâneos”, ministrada pelo Prof. Dr. Leandro Rodrigues Alves Diniz, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da UFMG, no 1º semestre de 2015.

117 Curso Intensivo de Capacitação “Ensino de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Refugiados e

Imigrantes”, coordenado por Rafaela Pascoal Coelho (CEFET), Júnia M. Cruz (CEFET) e Lucas Hill (CZ), e ministrado pela profa. Rafaela Pascoal Coelho, no período de setembro a dezembro de 2015 (CENTRO ZANMI, 2015b).

“na formação de um cidadão crítico e autor de seus discursos na língua adicional, e não apenas de um conhecedor dos aspectos linguísticos estruturais dessa língua” (ibidem, p.142). É nessa perspectiva que, entendendo “língua e construções culturais como processos sociais e discursivos indissociáveis, nunca totalizados e implicados em relações de poder, portanto, em relações político-ideológicas” (BIZON, 2013, p. 141), propomos essa pesquisa, que pretende servir de subsídio também para uma prática empoderadora (MAHER, 2007) e, sobretudo, questionadora em PLAc.