G. Belediyelerde Performans Denetiminin Mevzuat
6. Diğer
relação do professor com os alunos. 2) Os alunos costumam faltar
muito (às vezes até alternam entre si presenças e ausências!)
(Professor 19, grifos nossos).
Pelas passagens, observa-se que, entre os desafios apontados pelos professores, estão, além da heterogeneidade de proficiência dos alunos, problemas com a estrutura física onde se dão as aulas, falta de apoio institucional no sentido de uma orientação, baixa assiduidade dos alunos – no contexto do CZ, por exemplo, os alunos praticamente se “revezam” nas aulas, como apontado pelo professor 19 – e a pouca carga horária disponível para as aulas. Assim os professores sentem-se “presos” a uma realidade que não sabem contornar e fazem o seu melhor, o que acham mais adequado, para promover uma mínima progressão “coerente” com seus objetivos (e os da turma) em meio a esse turbilhão. Como efeito, muitos dos professores – inclusive alguns com os quais eu trabalhei e acompanhei de perto na observação participante – desenvolvem um sentimento de que seu trabalho não está sendo realizado efetivamente e, muitas vezes, sentem-se desvalorizados, principalmente aqueles cuja experiência na área é inicial:
A minha pouca experiência é certamente um desafio,
principalmente em relação às expectativas dos alunos e ao conteúdo -
questiono se é adequado, se estou no caminho certo. Outra questão é o fato de os alunos nem sempre irem às aulas e, quando vão, costumam se atrasar. Também há outras questões: os
professores são voluntários (o que acaba gerando volubilidade e também desvalorização do profissional); alguns professores têm experiência, outros não; o curso é bimestral e nem sempre dá pra
terminar o conteúdo. Não sei se a estrutura atual é a mais adequada (Professora 15, grifos nossos).
As dúvidas da professora 15 quanto a “estar no caminho certo” ou não e a impossibilidade que sente em medir isso, principalmente diante de uma turma em que as constantes faltas são um problema, acabam gerando um sentimento de angústia. Esse
sentimento pode ser abstraído da passagem, principalmente, pela presença de uma quantidade de questionamentos e de escusas sobre sua própria prática e o contexto de atuação: “minha pouca experiência”, “questiono se é adequado”, “desvalorização profissional”, “nem sempre dá para terminar o conteúdo”; que levam a uma hesitação quanto à toda a estrutura do curso em que atua: “não sei se a estrutura é adequada”.
No que diz respeito à carga horária, a opinião dos alunos é bastante interessante porque se posicionam, nesse ponto, enquanto grupo. A maioria deles desejaria ter mais aulas por semana, mas são impedidos por diversos motivos (sendo a carga horária de trabalho o principal deles), e acaba modalizando seu discurso para abarcar a situação dos demais colegas imigrantes. Quando perguntados se gostariam de ter mais horas/aula por semana – além das 3h por semana, aos sábados, que acompanham no CZ e no CENEX –, alguns alunos responderam:
sim, mas não seria fácil porque tem muitos estudantes que tem
somente um dia por semana para vir na aula (Aluno 1, grifos
nossos).
sim, seria importante, quanto mais aulas, mais você tem mais habilidade para falar essa língua, mas o curso tinha que ser
realizado em um horário que fosse bom para todos, por causa disso
uma hora é bom para mim (Aluno 2, grifos nossos).
sim, seria bom para mim, como tem muitos imigrantes que
trabalham, não tenho certeza que seria bom para eles (Aluna 6,
grifos nossos).
sim, mas eu trabalho de segunda a sexta feira só tenho dois dias disponíveis que será bom para todas as aulas. Acho que isso é a
mesma coisa para os outros imigrantes também (Aluno 9, grifos
nossos).
até quanto mais tempo seria sempre melhor para mim mas eu não sei
para os outros (Aluno 13, grifos nossos).
Eu gostaria de ter mais horas de português porém tem pessoa que
trabalha a semana inteira se for ter mais horas de aulas gostaria de ter no dia sábado ou domingo (Aluno 16, grifos nossos).
Pelas passagens, percebe-se uma preocupação dos alunos em abordar a questão do ponto de vista do grupo. Acreditamos que isso tenha ocorrido, em certa medida, porque fui eu quem aplicou os questionários. Talvez por me reconhecerem como integrante do quadro docente do curso em que assistiam aulas, os alunos tenham entendido essa pergunta como uma possível proposta de mudança então, por isso, eles
precisavam se certificar de chamar minha situação para além de suas respostas individuais, para a situação do grupo como um todo, levando em consideração que alguns deles dispõem, devido ao trabalho, de pouco tempo hábil para frequentar as aulas. De qualquer maneira, o sentimento de coletividade por parte desses estudantes foi algo que ressaltou nas suas respostas. Reiteramos que os cursos de PLAc do CZ (em Belo Horizonte, Contagem e Ribeirão das Neves) e do CENEX funcionam aos sábados, entre 14h e 17h, principalmente, para oferecer a oportunidade para os alunos trabalhadores (que trabalham, inclusive, no sábado pela manhã) de estudarem a língua portuguesa.
A questão da carga horária e da assiduidade dos alunos, e a consequente evasão, foi abordada por um dos coordenadores (Coordenador 5), para quem existem fatores internos e externos que podem impactar a assiduidade dos alunos, bem como sua evasão. Dentre os fatores internos, ele acredita que:
Existem vários fatores internos e externos que podem explicar a alta taxa de evasão apresentada pelo curso:
1) Organização Interna: Um dos maiores desafios do curso é tentar ser organizado e atraente o suficiente para que a evasão do curso seja a menor possível dentro dos limites que dependem de sua organização interna. Observa-se que ao entrar no curso, o público [...] tem "expectativas tradicionais" em relação ao curso encarando-o como uma escola nos moldes tradicionais. Temos um público exigente. A comunicação da coordenação com os alunos deve ser constante e eles devem ser sempre orientados a respeito das regras e funcionamento do curso, as datas de nivelamento, exames finais, início e termino de sessões, horários, dias em que não haverá aulas em função de recessos [...], etc. A sensação que tive enquanto coordenador é que se este
formato não é sustentado a tendência é a de que os alunos não levem a sério o trabalho proposto por sentirem que eles mesmos não são levados a sério. As regras do curso estão sendo formuladas e
em breve os alunos terão acesso a um "Guia do Aluno". Com este guia os alunos não poderão alegar que não tinham conhecimento do funcionamento do curso caso se sintam lesados pela falta de informações (o que ocorre vez por outra). Os alunos devem ter ciência do todo que compõem. Manter esta comunicação com um grande
número de alunos numa coordenação de uma pessoa só pode ser uma tarefa bem demandante, sobretudo quando as regras e mecanismos fixos do curso ainda não estão bem estabelecidas [...]
(Coordenador 5, grifos nossos).
Pelo discurso do coordenador 5 compreende-se que há várias inquietações quanto à estrutura interna do curso: para ele, o curso deve ser atraente para que os alunos não o abandonem, já que são “exigentes”. A atração principal do curso é, na
visão desse coordenador, se manter como um ambiente sério, que tem um coordenador presente, exames, regras e horários estabelecidos.
Quanto aos fatores externos, ainda na opinião do coordenador 5: