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3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.3. Verilerin Toplanması ve Değerlendirilmes

Como mencionei no capítulo referente ao método da pesquisa, o protocolo de investigação estruturalista foi o que configurou a base da etapa de teorização. Essa fase da pesquisa teve início a partir da construção de um modelo das relações objetivas que estruturam as práticas e as representações das práticas.

A metodologia de caráter estruturalista tem como princípio a concepção de um modelo teórico a partir do puro raciocínio lógico. Um modelo intuído com base na percepção do investigador sobre a realidade do campo investigado, uma antevisão do que se espera encontrar na fase subseqüente, quando se inicia a observação empírica no campo.

Orientado pelos preceitos do protocolo estruturalista, concebi um modelo da estrutura de responsabilização. Na configuração do modelo, procurei considerar o campo investigado sob uma ótica distinta daquela adquirida com base na experiência acumulada em torno do tema da administração pública, tanto na atuação como gestor e consultor, quanto como pesquisador e estudioso da área.

O modelo foi concebido como uma abstração. Um mediador que possibilita a redução do número de variáveis presentes na realidade observada. Idealizei o modelo tomando como base a suposição inicial da pesquisa, de que o sistema de responsabilização no campo da função pública tende a considerar a conduta dos agentes como transgressora, sempre que as ações se configurarem numa possibilidade de alteração do status quo, de transformação desse mesmo sistema.

No processo de idealização do modelo, considerei que a idéia de responsabilização, de imputar a alguém uma responsabilidade, está definida segundo um conceito de sanção ligado estritamente a uma noção de justiça distributiva, que transita entre dois conceitos opostos: o de punição e o de recompensa. Isto é, os homens maus devem ser punidos e os homens bons devem ser recompensados.

Três elementos apreendidos a partir do corpus de elementos, definido previamente, engendram a lógica do sistema: o interdito, o admitido e o prescrito. As relações que se estabelecem a partir desses elementos configuram a estrutura de responsabilização intuída. Utilizei os conceitos que configuraram os elementos dessa estrutura como base para a elaboração dos roteiros das entrevistas que realizei na segunda fase da pesquisa.

A Figura 1 mostra a representação da estrutura intuída que tomei como referência para o desenvolvimento da pesquisa.

Sistema de Denominações Interdito Admitido Prescrito Sistema de Ocorrências Punido Tolerado Aceito Justificado Obrigatório Normalização Racionalização Normatização E st ra gi as Recompensado Sistema de Denominações Interdito Admitido Prescrito Sistema de Ocorrências Punido Tolerado Aceito Justificado Obrigatório Normalização Racionalização Normatização E st ra gi as Recompensado

Figura 1: Modelo Idealizado

Apresento a seguir os conceitos que elegi como elementos centrais do modelo idealizado: O sistema de denominações:

O interdito trata do que é proibido, daquilo o que não é permitido realizar no campo investigado em termos de conduta.

O admitido está referido ao que se assume como aceitável em termos de conduta no campo da função pública, mesmo que se guarde alguma reserva. Está referido ao que é passível de consentimento em virtude da ausência de argumentos definitivos para a sua proibição. Diz respeito ao que é culturalmente aceito, tolerado ou justificado;

O prescrito diz respeito ao que está explicitamente ordenado. O que é mandatório, de acordo com as regras, normas e leis que regulam a conduta dos servidores públicos civis federais.

O punido se refere às ações de conduta objeto de sanção por infração de uma norma estabelecida;

O conceito de tolerado diz respeito ao que é tido como aceito, mas é, na verdade, apenas suportado. Não tem aceitação plena;

O conceito de aceito trata de tudo aquilo que está convencionado como razoável, que é digno de ser aceito;

O conceito de justificado designa aquilo que tem uma justificação, que é demonstrado por argumentos plausíveis. Uma alegação nem sempre fundamentada em argumentos lógicos. O obrigatório diz respeito às ações condicionadas pelo que é imposto por lei, por pressão moral ou convenção social;

O recompensado trata do que se obtém em retribuição a um determinado tipo de conduta, do que corresponde à recompensa pelo alcance de um comportamento além do prescrito nas normas.

Completam o modelo idealizado as estratégias listadas a seguir:

A normalização é a estratégia por meio da qual os indivíduos buscam transparecer que as ações no campo da responsabilização tendem à configuração de uma distribuição normal. Isto é, estão em conformidade com a distribuição mediana das ocorrências;

A racionalização trata da estratégia pela qual os indivíduos buscam apresentar uma explicação coerente ou moralmente aceitável para atos relativos à suas respectivas condutas com base em falsas razões;

A normatização é a estratégia que corresponde ao estabelecimento de normas, regras e preceitos. Padrões de comportamento que determinam o que é correto em termos de conduta. Os agentes do campo tendem a agir seguindo uma lógica de criação de novas normas e regras.

Na segunda fase da pesquisa, realizei a investigação empírica com base na análise das informações referentes ao corpus de elementos que defini. Mantive o propósito de centrar esforços na busca de subsídios que assegurassem uma interpretação plausível da estrutura subjacente.

Os resultados obtidos na pesquisa de campo e o modelo produzido a partir da análise dos dados são apresentados no próximo capítulo.

Benzer Belgeler