2.2.9. Diyaliz Döneminde Diyet Tedavis
2.2.9.1. Prediyaliz Döneminde Diyet Tedavisi İlkeler
3.6.1. A CONSTRUÇÃO DO MODELO TEÓRICO
A primeira fase do estudo teve como propósito a construção do modelo. Isto é, a conformação de uma teoria da prática. Esse estágio da pesquisa seguiu, em linhas gerais, o protocolo de investigação estruturalista, e se iniciou a partir da construção do modelo das relações objetivas que estruturam a práticas e as representações das práticas.
Na concepção estruturalista, o termo modelo indica o resultado obtido a partir da especificação dos elementos e as relações de uma estrutura. Deve ser entendido como um sistema que articula conceitos e que é compartilhado pelos padrões lógicos comuns à espécie humana, que se distingue por elaborar modelos mentais do que as estruturas poderiam ser para chegar a compreendê-las (THIRY-CHERQUES, 2005).
De modo análogo, a estrutura, definida por um conjunto de relações, deve ser vista como um modelo hipotético que possibilita o entendimento do que observamos na realidade. Pode ser descrita pelo simples imaginar de uma rede de relações lógicas entre elementos, ou pelo exame preliminar de relações empíricas. A estrutura dá significado aos elementos, isto é, a estrutura é um modelo descritivo de um conjunto de elementos concebido a partir de suas relações fundamentais.
Por sua vez, um elemento pode ser definido como qualquer unidade de um conjunto relacional. O que dá significado ao modelo é a forma como cada elemento é escolhido entre uma série de possibilidades. Os seus atributos são identificados por contraste com os elementos que poderiam substituí-lo na estrutura.
O que fundamenta a construção do modelo é o conjunto definido como o corpus de elementos, que compreende: objetos, crenças, formas de conduta, colhidos em textos diferentes e logicamente estruturados. A construção do modelo é uma projeção, uma antevisão de como o corpus de elementos se relaciona (THIRY-CHERQUES, 2006b). Estruturei essa fase da pesquisa em quatro grandes passos:
Defini, provisoriamente, o campo objeto de estudo.
Identifiquei os atores a serem incluídos no estudo: os indivíduos, os grupos e as
instituições;
Defini o corpus de elementos, identificando quais os objetos a serem analisados e
relacionados;
A tentativa de construção deste modelo ideal foi fundamental para as fases subseqüentes da investigação. O objetivo deste esforço inicial foi o de tornar a pesquisa objetiva. Seguindo a lógica do método, observei os objetos em estudo como se fossem coisas. Como, por exemplo, objetos, condutas, crenças tidas como naturais e das quais devemos nos livrar. O modelo trata de mostrar o campo investigado sobre outra ótica, de revelar o incomum, aquilo que não enxergamos como usual, como sendo a normalidade (THIRY-CHERQUES, 2005).
3.6.2. A INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
A segunda fase da pesquisa visou à promoção de ajustes à grade provisória de referências sobre o campo e o seu habitus. Concluída a fase inicial de construção do modelo, se fez necessário observar a realidade. Foi nisto, essencialmente, que consistiu a fase de investigação empírica. A busca de regularidades dadas pelos esquemas geradores de classificações e de práticas classificáveis (BOURDIEU; 1999; 09) foi o cerne dessa fase da investigação. O que pretendi observar, em última análise, foram as práticas e as estratégias dos agentes do campo na responsabilização.
Essa segunda fase da pesquisa também pode ser sintetizada em quatro passos:
Identifiquei regularidades que possibilitaram a determinação do habitus; Promovi a análise do campo investigado;
Identifiquei as estratégias específicas do campo; Correlacionei o corpus com a prática.
No primeiro passo da observação, o que procurei foram regularidades, de preferência estatísticas, sobre a operação do habitus dada pelos os esquemas geradores de classificações e de práticas classificáveis (BOURDIEU, 1989, 09). A premissa foi a de que a construção das preferências individuais daqueles que atuam na função pública é fruto de uma síntese da sua história pessoal e de disposições. Isto é, a composição em que os
elementos são postos que incluem as vivências incorporadas. As disposições econômicas, culturais, sociais, simbólicas exigidas pelo exercício profissional nada têm de naturais ou de universais: são os produtos de uma história coletivos, que deve ser reproduzida nas histórias individuais (BOURDIEU, 1999, 04).
As etapas relativas à determinação do habitus trataram de aspectos bastante significativos. A descrição dos princípios interiorizados pelo corpo (héxis); a análise dos esquemas lógicos (eidos) e a determinação dos esquemas práticos que regem a moral cotidiana (ethos). E ainda, a noção de illusio, a crença fundamental nos valores do campo que reveste aquilo que não se discute, que justifica o injustificável. A análise do habitus procurou responder sobre as estratégias, não conscientes, que se ajustam à situação vivida no campo em estudo. O segundo passo da investigação empírica tratou da análise do campo e dos seus efeitos, que tangenciam a análise do habitus e que dele não podem ser dissociados (THIRY- CHERQUES, 2006b). Na determinação do campo foi necessário apreender a ação dos indivíduos. O que busquei compreender aqui foi como diversos indivíduos classificam, estimam, percebem os elementos do corpus (BOLTANSKI, 2005, 160). As etapas podem ser assim descritas:
Identifiquei quais os capitais manifestos, sob suas diferentes espécies, e de que
consiste a sua composição.
Listei os capitais específicos que se mostraram operacionais para o campo. Como,
por exemplo, o caso específico da burocracia da administração pública, onde o conhecimento das normas e regulamentos tende a ser um capital relevante.
Observei que formas representam a dominação do campo e como esta se distribui.
Como, por exemplo, a recompensa ou a punição, que constituem situações desejadas ou repudiadas e que não se pautam nem se limitam à questão do poder.
Identifiquei qual a hierarquia dos capitais no campo. Posicionei os elementos na estrutura.
O terceiro passo, crucial para a pesquisa, esteve centrado na identificação das estratégias que permeiam o campo. O fundamental foi desvelar as estratégias de como os agentes orientam inconscientemente suas práticas segundo a sua percepção do provável. As práticas e as estratégias refletem a forma como os agentes investem e administram os capitais para se manterem e para ascenderem na estrutura do campo. Essa análise abrangeu muitos tipos de estratégias (reprodução, normatização, naturalização, etc.) que se utilizam de expedientes diversos, como: cooperação, competição, mimetismo, etc.
O passo seguinte consistiu em determinar quais as posições estabelecidas pelas pressões das estruturas do campo, do habitus aliado às pressões estratégicas, que se originam na distribuição dos capitais. Neste passo, as etapas foram (THIRY-CHERQUES, 2006b):
Entendi como o corpus se articula com as práticas, isto é, encontrei a lógica de
práticas que subjazem à lógica superficial do sistema.
Conciliei o entendimento obtido a partir do corpus (objetos, ritos, provérbios, ...)
com o detectado no empírico particular observado. As posições são tanto um reflexo do habitus como dos capitais e das estratégias dos agentes no campo.
Compreendi a opinião corrente, a doxa. Isto é, aquilo sobre o que os agentes do
campo têm certeza. O que, por exemplo, tem sido tido como truísmo sobre a responsabilização na administração pública brasileira.
Identifiquei qual a correlação entre os capitais que compõem a equação particular
do campo;
Identifiquei o princípio de diferenciação, isto é, como os pares julgam os agentes, o
que é tido como natural no que se refere à responsabilização;
Identifiquei quais as regras do jogo, isto é, como se determinam as posições e como
3.6.3. A INTERPRETAÇÃO
Na seqüência do processo investigativo, a terceira fase do método correspondeu a uma análise interpretativa. Em etapas superpostas de análise, interpretação e crítica, a idéia foi a de promover uma autocrítica que teve como propósito prevenir o pesquisador quanto às suas próprias crenças e suposições preconcebidas.
A análise crítica partiu da constatação de que os agentes de um campo específico classificam o mundo e a si mesmos de forma inteiramente diversa e, portanto, de que a objetivação depende do ponto de vista a partir do qual é enunciada (BOURDIEU, 1988). A análise crítica compreendeu basicamente dois movimentos (THIRY-CHERQUES, 2006b):
O primeiro tratou da crítica do próprio processo de investigação e buscou identificar
com o que é possível criticar na pesquisa;
O segundo se refere à crítica das informações e dos conteúdos sistematizados.
Na fase final do processo investigativo, procurei me expor a uma autocrítica pessoal. Uma tarefa árdua e de difícil consecução. A consciência de que a crítica epistemológica não se dá sem uma crítica do social, é que torna possível a depuração, processo no qual a crítica epistemológica é uma autocrítica, e que a crítica social, é também, uma autocrítica pessoal daquele que pesquisa (THIRY-CHERQUES, 2005). O que significa que a crítica epistemológica não pode se dar sem uma apreciação de reflexidade e, para ser efetiva, depende de uma crítica social (BOURDIEU, 1988, 07).