A responsabilização no campo da função pública admite a idéia de sanção relacionada a dois pólos opostos: a punição e a recompensa. Na prática, a sanção prevê somente a punição. A recompensa não está prevista nas normas.
Os entrevistados deixam claro em seus depoimentos que a recompensa está associada à progressão na carreira, à ascensão funcional no campo. E que essa ascensão depende, invariavelmente, de uma indicação para um cargo comissionado.
A recompensa não se estabelece unicamente pelo mérito, pelo desempenho de acordo ou acima das expectativas condizentes com a função. Nem mesmo o elogio está previsto na legislação. Tampouco a sua aplicação assegura algum tipo de benefício objetivo ao servidor.
O reconhecimento pelo trabalho se dá pelo ganho de prestígio, pelo fortalecimento das relações sociais e políticas, que indicam o posicionamento do servidor como agente no campo da função pública.
A gente costuma dizer que a recompensa do bom servidor, da boa atuação no serviço público é justamente a questão moral, mas prêmio, estímulo, nós, infelizmente, não temos. E1
Porque, enfim, o meu trabalho aqui sempre foi reconhecido. Tem muita gente que não aparece, talvez porque, não sei, se é sorte também... (indecisa) Eu acho que é um pouco de sorte, de a pessoa se mostrar mais, entendeu? Não ser tanto fechado. Porque, às vezes, ah! Aquela... Ah! Não vou indicar ela porque ela é muito fechada. Por exemplo, num cargo, porque normalmente é ascensão no serviço público, né. E3
No máximo, elogio por deliberação do chefe. Porque o chefe resolveu elogiar. Foi feita aqui, até algumas vezes, na CGU. Não conta nada, conta só prestígio. E3
Eu até tenho a oportunidade do elogio, mas é uma coisa, assim, vou te dizer que na administração eu só vi três elogios. Dois eu dei para um servidor, quando a gente estava fazendo uma atividade fora da sua... (repensa e diz). Dei não. Eu sugeri, porque até hoje não saiu. Então, assim não... E4
Eu, por exemplo. Uma premiação? Não sei. É aquela coisa que eu disse... Para quem responsabiliza? Não sei... Tem, assim, a satisfação de ver a coisa funcionar, de ver seu trabalho dando fruto, render. Se você diz sobre o servidor que denuncia... É,isso, não tem. E5
Isso é freqüente, o elogio é freqüente. Eu faço questão de elogiar e eu faço por escrito. Quando eu tenho que elogiar, eu mando um e-mail para o cara e para chefe dele. Eu tenho esse hábito. Meu chefe também tem. De vez em quando ele elogia a equipe. Se ele elogia alguém da equipe ele manda pra mim, aí eu vou e transmito. E11
Nada. Não fala nada. A coisa mais rara do mundo nesses quatorze anos que eu estive sentado aqui... Treze anos, para quatorze. A coisa mais rara do mundo é um dirigente de qualquer órgão aqui da estrutura pedir um registro de um elogio de um servidor. Quando ele pede, a gente faz um... Eu faço um ato, uma portaria... Nosso Secretário assina, eu boto no boletim, levo para pasta dele e morreu. Nada, a única coisa que vai constar, se ele for embora, se ele falecer ou quando ele aposentar... Na certidão dele vai constar que ele foi elogiado em tal data pela portaria numero tal, mais nada. Entendeu? É muito injusto. Na Punição, ela é mais severa... Ela só é severa. Porque a própria lei diz: Se você conhece... Que, mesmo estando prescrita a aplicação da pena, você tem que fazer o registro. Você não aplica a pena, aí você registra qual seria aplicada. De acordo com o cara o que estava prescrito. E12
Se acerta, a administração fala: - Não fez mais do que a sua obrigação! Antigamente, até era comum você ter elogios na ficha funcional, pelo menos isso, para ficar registrado. Atualmente, nem isso se faz. Uma outra questão, nas categorias não há promoção por merecimento, nem ascensão a cargo por merecimento. Os cargos comissionados são indicados a interesse do administrador. Não que seja o melhor servidor do setor, que ele foi elogiado. Então, ele não tem vantagem nenhuma. E, detalhe, e se esse servidor que foi elogiado durante dez anos, ele comete uma irregularidade grave que é enquadrada em algum tipo de demissão, esses dez anos de elogio não servem para nada para abrandar a demissão, porque ela é obrigatória. E11
5.1.1.10. OS RESPONSÁVEIS
Os depoimentos evidenciaram que a idéia acerca do que caracteriza o servidor responsável está relacionada a duas vertentes: ao cumprimento dos deveres para com o trabalho e, paralelamente, a assunção dos valores e princípios da administração pública, ao comprometimento com a coisa pública.
O servidor responsável, na percepção dos entrevistados, se distingue por estabelecer uma clara separação entre o público e o privado e, o público e o particular. Paralelamente, possui uma noção precisa do que representa servir à coisa pública e, acima de tudo, atua segundo os interesses da sociedade, priorizando a cidadania.
Eu considero, basicamente, o seguinte: aquele que cumpre com as tarefas que lhe são inerentes, dentro de um grau satisfatório... Parece simples à gente falar assim, mas não é tão fácil... É, basicamente, aquele servidor que resolve, que pega as suas funções e dá conta delas E1
Fundamental é ele ter noção exata do que é público e ter a noção exata do que é a coisa pública, e o que a coisa pública requer das condutas que ele tem que ter como gestor. Os atos que ele tem que praticar... E2
Eu acho que fortalecendo esse lado da ética, demonstrando para os servidores isso tudo eu acho que ajudaria de alguma forma, eu acho que ajudaria dando uma noção, eu acho que isso é cidadania, entendeu? Isso faz parte da cidadania. Quando a pessoa entra no serviço público, você dar essa noção precisa do que é a administração pública, do que é a coisa pública, do que a coletividade espera dele, da atuação dele... E2
É uma pessoa que não tem interesse, né. O interesse dela é particular, se dar bem, tirar o máximo possível do serviço público. Eu acho que é isso. Às vezes não é nem dinheiro e só... É poder, é tráfico de influência, essas coisas, então. E3
Olha, eu acho que o servidor exemplar é ser disciplinado não é nada mais do que a sua obrigação do servidor. Não é: - não tenho nenhuma penalidade! Não é um mérito, é o que deve acontecer. E4
Então, um cara que, assim, eu acredito que ele não tenha como ser responsabilizado por nada, ainda que ele incorra em alguma falta, todo mundo incorre não tem jeito, mas ele vai estar sempre com a cabeça dele. Fiz uma coisa errada, mas quando eu pratiquei alguma coisa errada eu estava com propósito de atender algum interesse público. E5
Eu acho que o servidor, para precisar ser responsabilizado, aí fazer o papel de responsável, que não precisa ser responsabilizado, eu acho que ele deveria ter o serviço público como uma vocação. E vejo muito, às vezes, isso eu acho que em muitos locais, servidores que ainda vêem o exercício público como vocação. Eu acho que ele precisaria ter uma remuneração digna. Acredito que no Serviço Público Federal, em alguns aspectos, isso é bem suprido. E6
Eu acho que a principal característica do servidor responsável é o zelo com a coisa pública. É a principal característica. É ele saber e ter a consciência de que ele está numa instituição que tem como principal cliente, destinatário, a sociedade. E8
Na verdade mesmo, sua consciência daquilo que você está fazendo reflete na sociedade. Se ele não tiver consciência do seu papel para a sociedade... Ele, se ele pensar só nele mesmo, se ele for uma pessoa egocêntrica, olhar para ele mesmo, ele não trabalha. E11
5.1.1.11. OS PRIVILEGIADOS
Os depoimentos indicam que há categorias privilegiadas no sistema de responsabilização. Muitos dos entrevistados se mostraram reticentes em apontar grupos ou categorias que prevalecem no campo da função pública, no que se refere especificamente à responsabilização. Outros, embora admitam a existência desses grupos preferiram não mencioná-los.
Os ocupantes de cargos comissionados são um grupo particularmente identificado como protegido, por conta das indicações políticas e da atuação extemporânea na administração pública. Para uma parcela significativa dos entrevistados, os ocupantes de cargos comissionados dificilmente são responsabilizados por qualquer transgressão. Há um evidente descontentamento com as indicações políticas e uma percepção de que, em larga medida, os problemas de responsabilização estão afeitos aos comissionados sem vínculo
com a administração. Uma questão a princípio discutível, já que existe uma legislação que limita a ocupação de cargos comissionados sem vínculo a 25% do número de cargos existentes.
Outro ponto observado pelos entrevistados é a existência de privilégios para algumas carreiras específicas, como a de Procuradores Federais e Advogados da União, cujos processos disciplinares somente podem ser instaurados pelos seus próprios pares.
Outro grupo de privilegiados com relação à responsabilização diz respeito às autoridades que compõem o alto escalão do Poder Executivo, como os Ministros de Estado, Presidentes de Autarquias e Fundações, considerados agentes políticos, não servidores.
As pessoas que são indicadas, não são servidores de carreira, e são indicações políticas, essas costumam dar certo trabalho para a gente. Por duas razões: uma menor, porque eles não têm muito conhecimento da máquina pública, não são servidores de carreira. Então, não conhecem a máquina pública, não sabem como funcionam as coisas. Outra porque eles foram indicações políticas. Já, naturalmente, vêm vinculados a determinado grupo, isso leva eles a buscar favorecer esse grupo. E1
O que eu vejo, não necessariamente responsabilizado... Mas, assim, tem alguns grupos, como os Procuradores e Advogados da União... Eles só podem ter os processos administrativos disciplinares, só podem ser instaurados pelos pares deles. Então, só um Advogado Geral da União pode instaurar a PAD contra a categoria é um Advogado Geral da União. Isto é um tipo de privilégio que os Procuradores e Advogados Federais têm. E2
Para você ter uma idéia, eu acho que já existe um parecer normativo no sentido de que o Ministro de Estado é agente político. E agente, não é servidor. E não sendo servidor, ele não é alcançável por processo administrativo disciplinar. O máximo que a gente consegue mandar apurar e determinar é Secretário Executivo, que é o segundo escalão dos ministérios. E2
Talvez aquelas pessoas que tenham feito a coisa bem feita (risada)... Não consegue pegar. Você sabe que tem problema, mas você não tem prova. Para pegar aquela pessoa, as provas, sei lá, ficam... Sei lá (meio na dúvida para responder)... É engraçado até dizer isso, mas são pessoas que fazem tudo bem feito (gagueja novamente). E3
Então, quer dizer, são os advogados, os engenheiros são os médicos, porque, hoje, categoria de fiscalização, por exemplo, você pode ser qualquer bacharel ou algumas delas. Então, seria mais por cargo do que por uma figura. Os advogados têm aquele problema... Muitas vezes, a fraude dele, é sempre mais refinada. Porque é assim: A lei, ela sempre tem buracos. E aí, sempre tem interpretações. E4
Você tem certeza que você quer sugerir... Abrir processo? De quem eu estou falando? Eu já ouvi aqui exatamente assim: - Você está sendo muito romântica. Não é assim! Olha só, não vai dar em nada. Você vai até fazer isso mas não vai para frente, o pessoal não vai acatar porque são autoridades... E5
É autoridade top de linha, essa não é punida de jeito nenhum. ( risos) E5
Eu acho que é uma carência grande em relação a Diretores, porque os diretores, normalmente, não são aqueles empregados concursados lá das empresas... E, há um debate muito grande, muito forte de qual seria a responsabilização desses diretores, se eles têm contratos, se eles teriam vínculos trabalhistas ou não, e se eles poderiam ou não até prescindir de possuir vínculos trabalhistas... Então, aqui eu acho que a lacuna é maior. E6 Não. Com certeza não. A responsabilização, toda vez que você fala, tem que ser responsabilização... Já só liga à responsabilidade administrativa, esquece que você tem as outras duas, e também, é o seguinte: a responsabilização na administração vale até o momento que não atinge determinadas pessoas ou determinados servidores ou determinadas categorias de servidores. E11
E, em outro fato da minha própria categoria, é o seguinte: os Procuradores só podem ser processados pela Procuradoria Geral Federal. Isso gera, também, um descompasso. Por quê? Tem um processo de licitação, você tem um gestor no Ministério dos Transportes, ele cometeu alguma irregularidade em parceria com um Procurador, e o Procurador tem foro privilegiado. Ele só pode ser processado pelos seus próprios pares. Enquanto esse gestor pode ser processado tanto lá, quanto por aqui pela CGU. Porque a CGU, não abarca a Procuradoria Geral da União. Então, essa questão é complicada e, a tendência das categorias, quanto mais fortes forem, é criar esse foro privilegiado. E11
5.1.1.12. OS RESPONSABILIZADOS
Os entrevistados identificaram em seus depoimentos grupos e indivíduos que no contexto atual da responsabilização são mais responsabilizados. Isto é, aqueles que aparentemente recebem maior número de punições.
Na percepção dos entrevistados, há uma distinção clara quanto à formação entre os servidores responsabilizados. As categorias compostas por servidores cuja formação requerida seja o nível superior completo, e que exercem as funções com maior poder de decisão são as responsabilizadas pelas transgressões mais graves. Enquanto os servidores de nível médio, que ocupam as funções mais distantes do nível decisório, são responsabilizados por transgressões medianas.
Algumas categorias são mais responsabilizadas por conta do tipo de atividade que desempenham. Nas atividades em que a fraude é uma ameaça constante, é mais comum a presença de transgressões e, conseqüentemente, maior o número de agentes responsabilizados.
Alguns setores também integram esse grupo de mais responsabilizados. Os exemplos mais mencionados são os da pasta da Previdência e a Policia Rodoviária Federal.
Uma constatação que chama atenção é o fato dos servidores que atuam como controladores atuarem sob uma pressão constante quanto à possibilidade de cometerem um deslize, uma falta. A ameaça de uma denúncia é um componente sempre presente no cotidiano dos controladores.
É uma espécie de uma cultura que algumas pessoas têm. É mais fácil você ver, assim, nas categorias de nível superior, como: auditores, procuradores, advogados... É mais fácil você encontrar transgressões mais graves porque são pessoas que estão mais perto do campo decisório. E1
O servidor de nível médio, como nem sempre ele tem acesso a esse campo decisório, as infrações dele, normalmente, se situam nessa faixa mais mediana. São proporcionais, quando você chega ao cargo de gestão das áreas fins aí você vai
encontrar situações mais complicadas, aí se revela a segunda faceta do caráter daquele sujeito, diante da possibilidade ele transgride aí se revela essa outra situação. A ocasião faz o ladrão. E1
Tem um setor que é problemático, mas é pela quantidade de servidores é o setor previdenciário. É um servidor altamente conhecedor da legislação. Então, é um servidor que num processo ele é uma promessa de haver um embate complicado a cerca de leis... Então, você precisa de alguém, também, que seja profundo conhecedor para poder apurar e investigar esse servidor. E1
CPL, Fiscalização, essas áreas são áreas problemáticas. Como eu te falei, são áreas que a gente denomina de risco porque a gente tem que estar sempre promovendo melhoria nos controles... E2
Então, quem está na ponta comete menores fraudes, às vezes, dolosamente; às vezes, culposamente. Quem está em cargos de direção superior - DAS, Cargos em Comissão, quando cometem, cometem fraudes mais graves. Eu não diria que eles cometem mais, mas eles cometem fraudes em que há repercussão. É uma repercussão... mas eu diria, quando comete a fraude tem uma legitimidade maior. E4
Essa parte de correição e, principalmente, Roberto, pelo fato de ser CGU, de garantir isso, a gente tem que ter um cuidado imenso. Porque nós somos muito mais visados e, porque tem gente querendo nos pegar. Tipo assim, a CGU, estão nos colocando como órgão de excelência, mas para eles... Podem imaginar isso, assim: a partir do momento que eles também estão querendo nos apurar, porque não apurá-los também? Claro, a Controladoria está sujeita a apurações. Por isso, o nosso cuidado tem que ser mais redobrado. Por quê? Para não dar margem para poder fragilizar o órgão... E7
Acredito que principalmente a mobilidade no serviço público quanto aos cargos comissionados. Então, qual seria o interesse direto, mas eu acho que uma pessoa não pode se perpetuar num cargo porque a tendência é se acomodar. Mesmo que seja um excelente gestor, ele está fazendo, tem uma hora que as idéias acabam e as inovações acabam, e a motivação da equipe acaba, porque já está acostumado. Então, eu acho que essa mobilidade nos cargos... Acho que seria importante. Não sei se quatro anos, três anos, e acaba com uma
objeção, acaba motivando aquele pessoal que chegou. É inspiração, e para que novos projetos sejam feitos o que acaba gerando essa questão. E11
5.1.1.13. OS CONTROLADORES
Os controladores compõem uma categoria singular no campo da função pública. A maioria possui formação em Direito e assume uma posição extremamente legalista quanto à responsabilização, com raras exceções.
Todo mundo é advogado. Tem um pessoal que é concursado, né? Mas são advogados. Todos, na área disciplina, todos, assim, que eu vi, né? (risos) Que eu vi são todos, há um caso que eu lembrei, de uma situação... Tem um aqui, no caso do Ministério da Agricultura... , mas no Ministério da Agricultura, lá dentro tem uma pessoa, que é corregedor lá, um ex-corregedor que, por sinal, era muito bom, conhecia muito. Você fala com o cara, assim, de igual pra igual. O cara era bom entendia... Ele é economista, não é advogado, porque o que acontece com esse tipo de situação, porque pra fazer correição de processo disciplinar a administração pega servidor, você sabe... Então, tem lá o cara já fez Agropecuária, Auditor da receita, Auxiliar Administrativo, não sei mais o quê... Qualquer um, potencialmente, pode ser chamado pra fazer o papel disciplinar. E5
A CGU, ela, na verdade, quando foi criada, e o Sistema de Correição foi criado... Eles não retiraram dos órgãos a competência de apuração. O início, digamos assim, a instalação e a condução do processo foi feito em cada órgão. A CGU, ela faz, digamos assim, um caráter suplementar, ou de supervisão, em que ela fica avaliando e acompanhando um desses procedimentos por amostragem e corrigindo esses erros. Nós aqui, na CGU, só instauramos o processo em casos, assim, excepcionais. Seja porque não tem condições no órgão de ser feito, a autoridade envolvida recomenda que seja feita aqui... E6
Então, com o decreto, o que aconteceu? A CGU, como órgão central, tem aqui, os corregedores setoriais, e os nossos representantes, lá nos Ministérios. Um Corregedor Setorial aqui para cada Ministério. Eles, embora fisicamente estejam na casa, mas eles, também, têm uma sala, um acesso lá... Absolutamente, o trânsito... Porque os Ministérios sabem disso. Por pouco o decreto, não é de favor... Eles estão vinculados a isso. Esses corregedores setoriais são vinculados, subordinadamente e hierarquicamente, à CGU.
Portanto, isto mostra autonomia em relação ao que for. Também, por um lado tenho que dizer que cria certa antipatia. E7
É muito mais com um temor reverencial do que saber o seu papel social. Na verdade, tem muito mais medo do que pode ocorrer na CGU do que realmente quanto ao saber da importância da CGU. E11
Eu até tendo primeiramente conversar, mostrar qual o papel, dar sugestões de melhoria, exatamente para ficar só nesse lado íntimo da dor. E você sabe, tem até alguns funcionários aqui que acham que a CGU não pode se misturar. Não pode conversar com a pessoa se você está investigando, está auditando. Você tem que ficar meio que inatingível. Acho que esse não é o papel. Mesmo o processo disciplinar, quando eu faço, eu tenho costume de falar. Ele é um colega nosso até que se prove ao contrário, é um colega. Então, trato bem se tiver que tratar. Nunca trato como um condenado. E11
5.1.1.14. O CAMPO
O campo da função pública abrange todos os órgãos do Poder Executivo Federal e congrega diversas categorias funcionais com características distintas.
Na percepção dos entrevistados, há, aparentemente, uma prevalência de questões relativas à responsabilização nas Regiões Sudeste, Norte e Nordeste, aparentemente por conta dos valores culturais prevalentes nessas regiões.
A gente está tendo muito problema no Norte e Nordeste. Mas, nós temos ainda muitos problemas no Sudeste por causa... Não vou especificar o órgão... Mas, o Brasil, de uma forma geral... No Sul, tenho verificado pouca coisa, mas ainda no Sudeste, Norte e Nordeste bastante... Rio de Janeiro tem um problema seriíssimo, a gente resolve os problemas, aparecem outros em seguida para praticar os mesmos problemas, parece o tráfico que quando você tira o traficante já tem dez na fila para entrar. E2
Olha, eu vou te dizer que tem muito problema em fiscalização. Muito. Qualquer órgão que