Em janeiro de 2009 foi promulgada a Lei n. 18.031, que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos (PERS). Mais abrangente que a Lei de Reciclagem, deve ser implantada em consonância com as Políticas Estaduais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Saneamento Básico, Saúde, Desenvolvimento Econômico e Urbano, além de promover a inclusão social. Aplica-se a todos os agentes públicos e privados que sejam direta ou indiretamente responsáveis pela geração e a pela gestão de resíduos sólidos.
Além das diretrizes e classificações dispostas nessa Lei, deverão ser também aplicados os dispositivos constantes nas normas homologadas pelos órgãos do SISNAMA, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), do Sistema Nacional de Metrologia e Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
A PERS é orientada pelos princípios da não geração, da prevenção da geração, da redução da geração, da reutilização e do reaproveitamento, da reciclagem, do tratamento, da destinação final ambientalmente adequada e da valorização dos resíduos sólidos.
Os objetivos gerais de tal política são: estimular a melhor gestão de resíduos sólidos no Estado; proteger e melhorar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde pública; sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância de sua participação na gestão dos resíduos sólidos; gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais; estimular soluções intermunicipais e regionais; e promover a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias e processos ambientalmente adequados para a gestão integrada dos resíduos sólidos.
Essa Política define como serviços públicos de caráter essencial, de responsabilidade e interesse do poder público municipal, a organização e o gerenciamento dos sistemas de segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos domiciliares. A coleta, o acondicionamento, o armazenamento, o transporte, o tratamento e a destinação final de resíduos sólidos
108 domiciliares devem ser executados em condições que garantam a proteção à saúde pública, a preservação ambiental e a segurança do trabalhador.
Na Seção III, do Capítulo III da lei, estão definidos os instrumentos a serem adotados para o melhor desenvolvimento da Política Pública de Resíduos Sólidos. A seguir estão listados os instrumentos que, em princípio, são aplicáveis à gestão dos RSU:
- os indicadores para o estabelecimento de padrões setoriais relativos à gestão dos resíduos sólidos;
- os Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, elaborados com base em padrões setoriais, com definição de metas e prazos;
- a cooperação técnica e financeira para viabilização dos objetivos da Política Estadual de Resíduos Sólidos;
- o sistema integrado de informações estatísticas de interesse para a gestão dos resíduos sólidos;
- a previsão orçamentária de recursos financeiros destinados às práticas de prevenção da poluição gerada pelos resíduos sólidos, bem como à recuperação de áreas contaminadas por esses resíduos;
- os incentivos fiscais, financeiros e creditícios destinados à adoção de medidas de não geração, redução da geração, reutilização, reaproveitamento, reciclagem, geração de energia, tratamento ou disposição final de resíduos sólidos;
- o controle e a fiscalização na gestão de RSU;
- os incentivos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias ligadas à gestão de resíduos sólidos;
- os programas de incentivo à comercialização e ao consumo de materiais recicláveis ou reciclados, voltados para os mercados locais;
- o planejamento regional integrado da gestão dos resíduos sólidos nas microrregiões definidas por lei estadual;
109 - as auditorias de projetos implantados no estado que recebam recursos públicos
estaduais ou federais ou financiamento de instituições financeiras.
O Decreto Estadual n. 45.181/09, instrumento que regulamenta parte dessa lei, estabeleceu que as ações de fomento deverão priorizar soluções que contemplem, dentre outras, a reciclagem, o aproveitamento energético, a compostagem e o aterramento, observada a legislação pertinente, em especial as normas do COPAM. Por outro lado, o fomento do mercado compreenderá ações vinculadas a programas e sistemas desenvolvidos pela FEAM por intermédio do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), em parceria com outros órgãos públicos e privados (MINAS GERAIS, 2009a).
A Lei da Política Estadual de Resíduos ratifica como serviços de responsabilidade do poder público municipal, a organização e o gerenciamento dos sistemas de segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos domiciliares e determina que esses serviços sejam executados em condições que garantam a proteção à saúde pública, a preservação ambiental e a segurança do trabalhador.
Os usuários dos sistemas de limpeza urbana também passaram a ser formalmente obrigados a selecionar os resíduos no local de origem e indicar formas de acondicionamento para coleta, preferencialmente, seletiva. Já as administrações públicas são orientadas a optar pela aquisição de produtos de reduzido impacto ambiental, que sejam recicláveis ou reciclados e não perigosos.
A Política também proibiu a destinação final dos resíduos sólidos in natura sobre o solo, sem tratamento prévio, em áreas urbanas e rurais; a queima a céu aberto ou em recipientes, instalações ou equipamentos não licenciados para essa finalidade, e o lançamento ou disposição em lagoa, curso d'água, área de várzea, cavidade subterrânea ou dolina, terreno baldio, poço, cacimba, rede de drenagem de águas pluviais, galeria de esgoto, duto condutor de eletricidade ou telefone, mesmo que abandonados, em área sujeita a inundação ou em área de proteção ambiental integral. As áreas de destinação final dos resíduos não podem ser utilizadas para alimentação animal, catação de qualquer natureza e fixação de habitações.
110 Também é exigida na lei a elaboração, no prazo máximo de cinco anos contados a partir da sua regulamentação, que se deu em setembro de 2009, de Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS), pelos municípios individualmente ou no âmbito dos consórcios intermunicipais.
Preconiza, também, a prática de ações preventivas e corretivas para as situações de manuseio incorreto ou acidentes; o estabelecimento de indicadores de desempenho operacional e ambiental, e de formas do respectivo controle; a prática de ações ou o acesso a instrumentos legais para promover a inserção de organizações produtivas de catadores de materiais recicláveis e de outros operadores de resíduos sólidos na coleta, no beneficiamento e na comercialização desses materiais.
À FEAM cabe estabelecer sistema que mantenha banco de dados atualizado com informações relativas aos resíduos sólidos gerados, em atendimento ao disposto no artigo 9º do Decreto 45.181/09 (MINAS GERAIS, 2009a).
O artigo 13º do referido Decreto garante um ganho direto aos municípios que gerenciarem seus resíduos sólidos urbanos em conformidade com o PGIRS, os quais farão jus, por ocasião da revalidação das Licenças de Operação, a uma redução de 50% nos custos de análise (MINAS GERAIS, 2009a).
No Capítulo IX, é estabelecido o prazo de 120 dias a partir de janeiro de 2009, para que o Poder Executivo Estadual envie à Assembléia Legislativa, projeto de lei dispondo sobre o Fundo Estadual de Resíduos Sólidos.
A Lei n. 18.031 estabelece ainda que a cota parte referente ao critério meio ambiente do ICMS “Ecológico”– subcomponente saneamento deve ser distribuída aos municípios que comprovadamente tenham implantado em seu território sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos, e que os recursos recebidos dessa fonte serão utilizados prioritariamente na contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, que assumirão esses serviços nos municípios.
Segundo Ribeiro et al. (2009), desde 1989 multiplicam-se no Brasil as experiências de gestão compartilhada de resíduos sólidos por meio de programas municipais de coleta
111 seletiva em parceria com catadores que se organizaram em associações ou cooperativas de trabalho.
O gestor dos resíduos sólidos urbanos, num primeiro momento, preocupou-se apenas com a coleta e o afastamento desses resíduos, que eram simplesmente vazados sobre o solo e ficavam expostos à ação do tempo. Posteriormente esses vazadouros a céu aberto ou lixões, como ficaram conhecidos, foram sendo substituídos pelos aterros e hoje a preocupação se volta para o reaproveitamento dos resíduos, principalmente nos grandes centros urbanos, onde a escassez de áreas disponíveis para aterramento é evidente. Esse reaproveitamento, que vem se dando através da compostagem e da reciclagem, traduz um novo conceito, o da valorização de resíduos. Valorização no sentido de agregar valor a aquilo que normalmente é descartado pela sociedade, obtendo-se ganhos sociais, ambientais e financeiros (BRANDÃO, 2006).
De acordo com o artigo 17º do Decreto 45.181/09, compete ao COPAM estabelecer prazos e condições para o cumprimento das obrigações de que trata o artigo 33 da Lei 18.031 relativamente a pneus, pilhas e baterias, lâmpadas e equipamentos elétricos eletrônicos, bem como outros resíduos especiais que o Conselho venha, a seu critério, indicar.
Numa primeira iniciativa para atender à Política Estadual de Resíduos Sólidos, a Assembléia Legislativa de Minas publicou, em janeiro de 2010, a Lei Estadual n. 18.719, que dispõe sobre a utilização no Estado, de massa asfáltica, produzida com a utilização de borracha de pneumáticos inservíveis, na construção e na recuperação de vias públicas, observados os percentuais de mistura definidos em norma técnica de engenharia. (MINAS GERAIS, 2010b).
Essa regulamentação da área de saneamento, em especial no que tange aos resíduos sólidos urbanos, sinaliza para uma melhor gestão desses resíduos e estimula a adoção de modelo socioambiental que priorize e operacionalize desde a não geração até o aproveitamento energético, e contemple a inclusão social de associações e cooperativas de catadores.
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