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O artigo 1º da DN COPAM n. 52 convocou, em dezembro de 2001, os 47 municípios do Grupo 1, com população urbana acima de 50.000 habitantes (Censo IBGE 2000) que ainda não dispunham de sistemas tecnicamente adequados para destinação final de RSU a providenciarem a sua instalação e submetê-los ao licenciamento ambiental pelo COPAM. Este foi o cronograma determinado:

I - até abril de 2002, os Formulários de Caracterização dos Empreendimentos (FCE) deveriam ser preenchidos pelas administrações locais convocadas, e protocolados na FEAM para análise e emissão de Formulário de Orientação Básica (FOB);

O FOB, documento gerado a partir da análise dos dados fornecidos pelo empreendedor no FCE, informa a classe e o tipo de Licença em que se enquadra o empreendimento proposto e lista a documentação necessária à composição do processo de licenciamento.

II - até julho de 2003, deveriam ser protocolados na FEAM os processos de Licença Prévia (LP) dos empreendimentos que se enquadrassem nessa fase de licenciamento;

III - até 31 de março de 2006, deveriam ser protocolados os processos de Licença de Instalação (LI) dos empreendimentos propostos pelos municípios convocados;

IV - até 1º de novembro de 2006, os processos de Licença de Operação (LO) desses empreendimentos deveriam também ser protocolados na FEAM.

Os municípios desse grupo, mas que em 2001 já se encontravam em processo de licenciamento de sistemas dessa natureza na FEAM, foram convocados a observar os prazos previstos para as etapas seguintes.

A TAB. 6.6 lista os municípios convocados pela DN COPAM n. 52/2001 e informa os seus dados populacionais segundo os Censos IBGE 2000 e 2010.

141 Tabela 6.6 - Municípios do Grupo 1convocados pelo COPAM

n. Municípios com População Urbana ≥ 50.000 hab. População Censo IBGE 2000 Censo IBGE 2010 total População urbana População total População urbana 1 Alfenas 66.957 62.148 73.722 69.127 2 Araguari 101.974 92.748 109.779 102.558 3 Araxá 78.997 77.743 93.683 92.300 4 Barbacena 114.126 103.669 126.325 115.617 5 Caratinga 77.789 62.338 85.322 70.548 6 Cataguases 63.980 60.482 69.810 66.833 7 Conselheiro Lafaiete 102.836 99.515 116.527 111.286 8 Coronel Fabriciano 97.451 96.255 103.797 102.498 9 Curvelo 67.512 59.197 74.184 67.363 10 Divinópolis 183.962 177.973 213.076 207.573 11 Formiga 62.907 55.597 65.064 59.452 12 Governador Valadares 247.131 236.098 263.594 253.234 13 Ibirité 133.044 132.335 159.026 158.662 14 Itabira 98.322 89.703 109.551 102.097 15 Itajubá 84.135 76.986 90.679 82.785 16 Itaúna 76.862 71.770 85.396 80.391 17 Ituiutaba 89.091 83.853 97.159 93.122 18 Janaúba 61.651 53.891 66.803 60.570 19 João Monlevade 66.690 66.372 73.451 73.120 20 Juiz de Fora 456.796 453.002 517.872 511.993 21 Lavras 78.772 74.296 92.171 87.835 22 Manhuaçu 67.123 52.106 79.635 64.866 23 Montes Claros 306.947 289.183 361.971 344.479 24 Muriaé 92.101 83.923 100.861 93.320 25 Nova Lima 64.387 63.035 81.162 79.394 26 Ouro Preto 66.277 56.292 70.227 61.082 27 Pará de Minas 73.007 67.993 84.252 79.646 28 Passos 97.211 89.911 106.313 100.866 29 Patos de Minas 123.881 111.333 138.836 127.864 30 Patrocínio 73.130 63.000 82.541 72.822 31 Poços de Caldas 135.627 130.826 152.496 148.785 32 Pouso Alegre 106.776 97.756 130.586 119.602

33 Ribeirão das Neves 246.846 245.401 296.376 294.211

34 Sabará 115.352 112.694 126.219 123.042

35 Santa Luzia 184.903 184.208 203.184 202.620

36 São João del Rei 78.616 73.785 84.404 79.790

37 São Sebastião do Paraíso 58.335 51.962 65.034 59.994

38 Sete Lagoas 184.871 180.785 214.071 208.879 39 Teófilo Otoni 129.424 102.812 134.733 110.059 40 Timóteo 71.478 71.310 81.119 81.003 41 Três Corações 65.291 58.419 72.796 65.851 42 Ubá 85.065 76.687 101.466 97.599 43 Uberaba 252.051 244.171 296.000 289.408 44 Unaí 70.033 55.549 77.590 62.364 45 Varginha 108.998 104.165 123.120 119.099 46 Vespasiano 76.422 75.213 104.612 104.612 47 Viçosa 64.854 59.792 72.244 67.337 Total 5.409.991 5.088.282 6.128.839 5.827.558

População Urbana municípios convocados/População urbana total(%)

142 Conforme expresso na TAB. 6.6, a população urbana dos municípios convocados era, no ano 2000, de cerca de 5.100.000 habitantes, que correspondiam a 34,7% da população urbana total do estado.

Segundo censo IBGE 2010, esses mesmos municípios têm pouco mais de 5.800.000 habitantes nas áreas urbanas, algo em torno de 34,9% da população urbana total do estado, e são responsáveis por cerca de 37,6% de todo o RSU gerado no estado. Quatro municípios – Esmeraldas, Nova Serrana, Pirapora e Ponte Nova – segundo dados censitários 2010 também contabilizam população urbana superior a 50.000 habitantes e acrescentam 1,4% tanto à população urbana do grupo 1 quanto à geração de resíduos. Desses, apenas Pirapora dispõe de aterro sanitário licenciado pelo COPAM desde 2009.

Por ocasião da publicação da DN COPAM n. 52/01, um total de 30 municípios de Minas Gerais dispunham de Licenças de Operação para empreendimentos de destinação final de RSU, conforme dados obtidos no Sistema Integrado de Informações Ambientais (SIAM). Sete deles operavam aterros sanitários (AS), e 23 utilizavam usinas de triagem e compostagem licenciados pelo COPAM, conforme expresso no QUADRO 6.1.

Quadro 6.1 - Municípios com Licença de Operação (LO) do COPAM para empreendimentos de destinação final de RSU, em dezembro de 2001

n. municípios atendidos por destinação final de RSU (tipo de destinação)

População urbana (Censo IBGE 2000)

n. de habitantes (percentual)

Municípios com População Urbana ≥ 50.000 hab.

Municípios com População Urbana <

50.000 hab. 7 municípios atendidos por

aterros sanitários (AS) 3.836.907 (26,2%)

Belo Horizonte, Betim, Contagem, Ipatinga, Paracatu

e Uberlândia Extrema

23 municípios atendidos por Usinas de Triagem e

Compostagem (UTC) 152.167 (1,0%)

Alterosa, Candeias, Canápolis, Carmo do Rio

Claro, Coimbra, Coronel Xavier Chaves, Entre Rios de Minas, Florestal,

Goianá, Guarani, Guiricema, Iguatama, Ilicínea, Itaú de Minas, Jacuí, Maripá de Minas, Presidente Olegário, Rio Preto, Santo Antônio do

Retiro, São José do Goiabal, São Domingos do Prata, São Joaquim de

Bicas e Virginópolis. Total de 30 municípios

143 De acordo com o QUADRO 6.1, esses empreendimentos licenciados davam destinação final aos RSU gerados por cerca de 27,2% da população urbana mineira total, ou seja, quase 4.000.000 de habitantes (IBGE, 2000). Esses empreendimentos atendiam somente aos próprios municípios onde se localizam, não se tendo verificado, até o ano de 2000, a adoção de qualquer prática de gestão intermunicipal compartilhada. Virginópolis foi o primeiro município, de que se tem informação, que iniciara envio de RSU para destinação final na UTC de Iguatama, a partir de 2001.

Por contraditório que pareça, a população urbana atendida por empreendimentos de destinação final de RSU sofreu queda significativa, reduzindo-se dos quase 4.000.000 de habitantes atendidos até o final de 2001, para cerca de 2.800.000 de habitantes até dezembro de 2002 (censo IBGE 2000). Esse retrocesso se deveu, basicamente, à perda de quatro Licenças de Operação pelos seguintes municípios de: Ipatinga, em função da área útil do aterro licenciado ter-se exaurido; Uberlândia e Contagem, pela má operação dos empreendimentos, e Carmo do Rio Claro, que desativou a UTC.

Vale comentar que o artigo 1º da citada DN excluiu da convocação em 2001, mas não da obrigatoriedade de manter em operação sistemas de destinação final de RSU, os seis municípios com população igual ou superior a 50.000 habitantes urbanos que já dispunham, naquele ano, de Licenças de Operação concedidas pelo COPAM para operar aterros sanitários: Belo Horizonte, Betim, Contagem, Ipatinga, Paracatu e Uberlândia.

Segundo o censo IBGE 2010, nesses municípios residem 25,4% da população urbana do estado, responsável pela geração de cerca de 32% do total de RSU. Ao suprimir Paracatu, por ter perdido a Licença de Operação para operar aterro sanitário desde 2007 e não ter implementado solução técnica para destinação dos resíduos, esses novos percentuais se apresentavam como 24,9% de população urbana e 31,9 de estimativa de geração de resíduos.

A destinação final dos resíduos desses seis municípios não convocados pela DN COPAM n. 52/01 foi objeto de gerenciamento pelo Programa Minas sem Lixões a partir de 2003, tanto no que se refere à verificação e revalidação da regularização dos sistemas de destinação final, quanto ao monitoramento dessas unidades. Betim e Contagem, por exemplo, operam os mesmos aterros sanitários desde 2001. No entanto, Contagem somente a recuperou em 2006 sua Licença de Operação cassada em 2002.

144 Por sua vez, Belo Horizonte encerrou em 2007 as atividades do aterro sanitário municipal e contrata, desde 2008, serviços de disposição final de empresa privada que opera aterro sanitário localizado em Sabará. Ipatinga e Uberlândia, que também perderam, em 2002, as licenças para operar aterros sanitários, dispunham RSU, até dezembro de 2010, em novos empreendimentos. Ipatinga contrata, em 2003, serviços de disposição final de empresa privada que opera o aterro sanitário de Santana do Paraíso, primeiro aterro sanitário implantado e operado por empresa privada em Minas Gerais. Uberlândia opera novo aterro sanitário municipal.

Também Uberlândia recuperou, em 2004, a licença para operar a disposição final dos resíduos em parte da área do aterro sanitário utilizado anteriormente. Essa área, com capacidade muito limitada, foi licenciada até que entrasse em operação o novo aterro sanitário em 2009, construído em área contígua ao empreendimento inicial.

No mesmo ano em que vários municípios deixaram de operar soluções de destinação final de RSU (2002), outros obtiveram as licenças do COPAM para operação de empreendimentos dessa natureza. No entanto, todos os 31 municípios que encaminhavam os RSU para sistemas licenciados até o final daquele ano, atendiam a cerca de 19,3% da população urbana do estado, 2.800.000 habitantes (IBGE, 2000).

Tal retrocesso contrariou a expectativa de incremento da população urbana atendida esperada a partir da convocação dos municípios com população urbana igual ou superior a 50.000 habitantes formulada pela DN COPAM n. 52/01.

Essa redução do percentual de população urbana atendida, logo no primeiro ano de vigência da Deliberação COPAM alertou para a necessidade de adoção de procedimentos para apoio e orientação às administrações municipais, além de maior atenção aos licenciamentos considerados estratégicos. No intuito de reverter a situação observada, a FEAM inicia, em agosto de 2003, mês de vencimento do primeiro prazo do COPAM para o protocolo de processos de Licença Prévia pelos municípios maiores geradores de resíduos sólidos urbanos, o Programa Minas sem Lixões.

Como primeira ação do programa, estabeleceu-se atuação concentrada para conclusão dos processos de licenciamento cuja análise havia sido interrompida por motivos diversos, com o fim de encaminhá-los o mais rápido possível à deliberação do COPAM.

145 Adotou-se, a partir daí, nova postura de apoio técnico às administrações municipais, para que se obtivesse o máximo possível de deliberações favoráveis do COPAM à operação dos empreendimentos propostos.

Ao atuar dessa forma, o programa contabilizou, já em dezembro de 2003, o primeiro aumento significativo de população urbana atendida. Houve um crescimento de 31 empreendimentos licenciados para 46, o que significou aumento de 19,3% para 21,5% de população atendida, ou seja, cerca de 3.100.000 de habitantes atendidos.

As primeiras alterações na DN COPAM n. 52/01 ocorreram em novembro de 2003 com a publicação da DN COPAM n. 67 que, dentre outras determinações, prorrogou para dezembro de 2003 o prazo para o protocolo do processo de Licença Prévia pelos municípios convocados que tivessem formalizado, na FEAM até setembro de 2003, justificativa pelo descumprimento do prazo estabelecido pela DN anterior. Essa foi a única prorrogação de prazo para pedidos de Licença Prévia desse grupo de municípios. Paralelamente, em razão do vencimento, em dezembro de 2003, do prazo para o início dos processos para obtenção de Licença Prévia pelo primeiro grupo de municípios convocados, Manhuaçu, Muriaé, Santa Luzia, São João del Rei, Teófilo Otoni e Vespasiano receberam Autos de Infração1. Mesmo considerando o adiamento de prazo concedido pela DN COPAM n. 67/03, esses municípios ainda não tinham providenciado qualquer atendimento às determinações do COPAM.

Continuando na linha de atuação parceira e de estabelecimento de prioridades, em dezembro de 2004 eram 64 os municípios que encaminhavam RSU para empreendimentos licenciados para destinação final. Esses municípios atendiam a 29% da população urbana do estado, cerca de 4.260.000 habitantes (censo IBGE 2000). Em 2004, portanto, foi recuperado e ultrapassado o índice de atendimento à população contabilizado em dezembro de 2001, ocasião de publicação da DN COPAM n. 52/01.

Juiz de Fora e Ituiutaba, municípios com população urbana superior a 50.000 habitantes, obtiveram Licença de Operação para aterro sanitário em 2004. O de Juiz de Fora, com área útil muito reduzida, operado pela mesma empresa privada que atua em Santana do Paraíso, somente recebia os RSU do próprio município. Também é dessa ocasião o

1

146 início de operação licenciada do aterro sanitário de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata e de mais 15 UTCs.

Atribuem-se os resultados obtidos pelo Programa Minas sem Lixões já nos dois primeiros anos de sua atuação principalmente à nova postura de apoio técnico às administrações municipais, prestando-lhes orientações quanto a ajustes nos projetos e nos estudos ambientais das unidades de destinação final de RSU em análise. Isso viabilizou grande número de licenciamentos deliberados positivamente pelo COPAM.

Diante da postura diferenciada do comando e controle adotados até então, e da crescente regularização de soluções técnicas para destinação dos resíduos, foi necessária a atuação do Programa Minas sem Lixões na otimização dos procedimentos de monitoramento ambiental das unidades licenciadas, a partir de 2004. Essa ação visa estimular a adoção de soluções que mantenham operação adequada e garantam a efetividade dos resultados esperados dessas unidades. O apoio às administrações municipais para orientá-las na correta operação dos sistemas de gerenciamento de RSU licenciados reduziu a ocorrência de cassações de licenças, e contribuiu para o estabelecimento de padrão de qualidade de operação dos empreendimentos em Minas Gerais. Esse tema é abordado com detalhes no item 6.1.4 desta dissertação.

Outra ação do Programa Minas sem Lixões também iniciada em outubro de 2004 foi a promoção de treinamento e de troca de experiências entre as equipes técnicas da FEAM e das SUPRAMs, o que levou a uma comunicação intensa entre as unidades do SISEMA. A análise conjunta dos processos de licenciamento ambiental, visitas técnicas e a série de reuniões semestrais realizadas até o primeiro semestre de 2008 propiciaram a disseminação de informações e o planejamento de ações.

O resultado positivo observado até então induziu à adoção de medidas para avançar e abranger maior população urbana no estado. Em outubro de 2004 foi publicado novo chamamento do COPAM – Deliberação Normativa 75, dirigida aos municípios com população urbana entre 50.000 habitantes e 30.000 habitantes urbanos. Os efeitos desse instrumento normativo são descritos a seguir.

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