3. Bölüm Yöntem Yöntem
3.4. Verilerin Analizi ve İşlemler
O fato de entender que pesquisar a respeito das repercussões da interiorização da UFPA no trabalho dos docentes da Rede Estadual de Ensino, no Pará, implica, necessariamente, investigar as reformas, as políticas públicas e as legislações destinadas à ES brasileira por meio da expansão/interiorização desse nível de ensino por seus nexos sociais, políticos e econômicos. Faz-nos acreditar que isso significa assumir a responsabilidade de supor, conferir ou refutar a existência ou não de uma possível relação entre as transformações ocorridas no campo social, político e econômico e o campo educacional do país, em seus diferentes níveis na sociedade. Em tese, significa ter ciência de que em tempo de globalização da economia, as reformas estatais, as políticas públicas e a legislação decorrente, já não representam mais acontecimentos históricos situados e isolados, desprendido de sua totalidade. Um forte indicador para que se entenda como e com qual finalidade foram delineados os ciclos ou fases de crescimento, expansão e desenvolvimento social, político, cultural e educacional no país, que no Pará viabilizou a experiência expansionista da Universidade Federal do Pará.
Para entender os meandros desse processo, acreditou-se ser imperativo que a análise do fenômeno se pautasse em uma visão de totalidade, sendo consideradas as mediações possíveis para esclarecer porque as ocorrências históricas se dão de uma forma e não de outra. Considera-se como irresponsabilidade qualquer análise sobre as mudanças ocorridas na
educação brasileira, se não se partir de um ponto crucial do processo, a Reforma do Estado e a reconfiguração do Estado Brasileiro e suas interveniências na educação, sobre o trabalho e o trabalho docente. Mudanças radicais que impuseram à política educacional dos países capitalistas os encaminhamentos advindos da reestruturação da economia.
Assim, a problemática de pesquisa considerou o fato de no âmbito da educação superior brasileira, especialmente a pública, a partir dos encaminhamentos capitalistas da década de 1970, os discursos oficiais passarem a evidenciar a exigência por mais expansão, eficiência e qualidade na educação, em particular a de nível superior. Este contexto produziu um cenário onde a oferta da educação superior, em particular a pública, se tornou imperativo, principalmente, pelo apelo à qualificação de novos profissionais habilitados para atender as exigências do mercado de trabalho emergente, no país e no mundo.
No Brasil, nesta época, a questão era premente também em razão da entrada de empresas multinacionais no país e das exigências por formação de mão de obra. Para atender esta demanda, o país homologou a Lei nº 5.540/1968 – Lei da Reforma Universitária e a Lei 5.692/1971 – Lei da Reforma que regulamentou os ensinos de 1º e o 2º Graus, ensino profissionalizante. Desse modo, a educação em geral e a superior, particularmente a pública, era convocada a dar retornos satisfatórios à sociedade, na verdade, formando a mão de obra exigida pelo e para o mercado, embora o discurso oficial dissesse tratar-se da necessidade da ES dar retorno aos altos investimentos procedidos pelo Estado.
Essa questão aguçou a curiosidade e fez crescer o interesse da investigadora em querer compreendê-la melhor, explorando seus meandros e reentrâncias. Movida por essa curiosidade buscou saber como se apresentava a expansão da educação superior pública no Estado Brasileiro no tempo histórico do estudo? Quais eram seus condicionantes? Quais fatores impulsionaram a UFPA a tornar o acesso à educação superior pública uma realidade em todo o Pará? Enfim, compreender e desvelar qual a relação existente entre a expansão e a interiorização da UFPA com o trabalho dos docentes da Rede Estadual de Ensino?
Sabe-se que a UFPA interiorizou suas ações e atuação quando no Brasil emergiam de um lado as exigências para expandir a ES e cresciam aquelas por melhoria na qualidade dessa oferta, especialmente, em função das imposições originárias da economia em crise e do mercado de trabalho que exigiam novas habilitações e novas formações. Por outro lado, se tornavam frequentes em todo o país os discursos de condenação da ES pública e a defesa da privatização dessa educação, ou seja, contraditoriamente, as mesmas razões que produziam a condenação da ES pública estimulavam tanto a sua interiorização quanto a sua privatização.
Além do mais, no período, a educação superior passava a ser vista como “bem de consumo”, um negócio vantajoso orientado pela lógica neoliberal que emergia no mundo capitalista, passando a mesma a ser difundida como um dos setores mais lucrativos do momento, investimento seguro e certo, razão que explicava e justificava fortemente a sua expansão, principalmente, por via das instituições privadas. Nesse cenário, docentes de todos os níveis da educação passaram a ser cada vez mais submetidos à racionalidade presidida pelo regime da acumulação econômica e pelas imposições e interposições do mercado de trabalho sobre as instituições e seus profissionais, em todo o mundo capitalista.
No contexto paraense, ainda que em condições objetivas precárias, a UFPA já havia iniciado seu processo de interiorização, ofertando cursos de graduação em cinco (05) municípios-sede do Estado: Marabá, Castanhal, Abaetetuba, Santarém e Soure, abrangendo as catorze (14) microrregiões, passando a executar as suas atividades acadêmicas no interior do Estado, embora essa decisão só tenha sido oficializada na década de 1980, através da Resolução nº 1.355/1986, quando foi aprovado e implementado o I Projeto Norte de Interiorização (I PNI).
Nesta década, de acordo com os registros do Relatório sobre a “Evolução do Ensino Superior na Graduação: 1980-1998”, documento do MEC, a evolução da matrícula na Educação Superior Paraense, em uma década, passava dos 26.970 alunos matriculado em 1988, para 38.902 alunos matriculados em 1998. Portanto, interessa à investigação destrinchar, entender e explicar este enredo sócio político e educacional, para contribuir e ou acrescentar um dado a mais no universo acadêmico científico do Pará, da Amazônia, da UFPA e da IFES que abriga a investigadora na atualidade, a UFOPA.