• Sonuç bulunamadı

3.1. AraĢtırmanın Kavramsal Modeli ve Metodolojisi

3.1.2.2. Veri Toplama Aracının Hazırlanması

A Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT) contempla a variação linguística em toda sua dimensão, assume a condição de adequação dos termos, propõe dar conta dos termos como unidades singulares e, às vezes, similares a outras unidades comunicativas, admitindo a variedade conceitual e denominativa e levando em conta a dimensão textual e discursiva dos termos (CABRÉ, 1999).

Por meio de fundamentos epistemológicos distintos, a TCT articula-se na valorização dos aspectos comunicativos das linguagens especializadas em detrimento dos propósitos normalizadores, bem como na compreensão de que as Unidades Terminológicas (UT) formam parte da linguagem natural e da gramática das línguas. Assim, uma unidade lexical pode assumir o caráter de termo em função de seu uso em um contexto e situação determinados. Consequentemente, o conteúdo de um termo não é fixo, mas relativo, variando conforme o cenário comunicativo em que se inscreve. Tais proposições levam a TCT a postular que a priori não há termos, nem palavras, mas somente unidades lexicais,

33

tendo em vista que estas adquirem um estatuto terminológico no âmbito das comunicações especializadas (KRIEGER; FINATTO, 2004).

A TCT atribui uma dimensão textual e discursiva à Terminologia (CABRÉ, 1999) e não nega a importância da TGT ou Teoria Clássica e, embora não se coloque em oposição radical a ela, tende a ressaltar o papel da linguagem na caracterização das Unidades Terminológicas (CABRÉ, 1998).

Cervantes (2009) afirma que as propostas enunciadas evidenciam que os estudos terminológicos têm procurado refletir sobre as necessidades advindas das alterações no pensamento da ciência em geral, procurando verificar como enfrentar as restrições relativas aos seus fundamentos originais. No Brasil, as proposições teóricas metodológicas da TGT que forneceram as primeiras coordenadas do saber e das práticas em Terminologia, são, agora, submetidas à revisão, sugerindo-se a valorização dos aspectos linguísticos e comunicacionais dos termos técnicos científicos.

[...] O paradigma científico tradicional e o modelo de organização disciplinar do conhecimento que o representava entraram em crise em meados do século XX com o surgimento de objetos de estudo ou situações que não se podiam explicar a partir de uma visão disciplinar. Este fenômeno representou e representa uma profunda mudança de perspectiva e de pensar a realidade [...] (LÓPEZ HUERTAS, 2007).

Para Krieger e Bevilacqua (2005), a apreensão dos objetos de uma ciência que sofre grandes alterações se revela pela proliferação dos termos técnicos científicos, pela impossibilidade de supor fronteiras rígidas, no plano significante, entre léxico geral e léxico especializado e pelo consequente aumento da complexidade na tarefa de reconhecimento das unidades terminológicas especializadas. De fato, ocorre uma crise do conhecimento estruturado, uma vez que ele não mais se submete a um fechamento, mas se organiza de modo interdisciplinar e multidisciplinar, passando a exigir práticas que redirecionem as maneiras de abordagem e tratamento das terminologias em dimensões mais amplas e em consonância com a epistemologia das ciências (CERVANTES, 2009).

A TCT propõe utilizar os termos enquanto unidades linguísticas, enfatizando a função da língua como instrumento de comunicação. Essa vertente constitui-se na confluência entre as teorias do conhecimento, as teorias da comunicação e as teorias da linguagem. Ao se questionar a autonomia da Terminologia em relação às teorias da linguagem, recupera-se a noção de termo como unidade de forma e conteúdo que, em determinadas condições discursivas, adquirem valor especializado (CABRÉ, 1999).

34

A função dos termos para a TCT é dupla: representar e transferir o conhecimento especializado em graus e modos distintos, como em situações diversas, independentemente de abordar o sujeito ou o contexto no qual ele ocorre (CABRÉ, 1993).

Quanto à função de representação do termo, a terminologia agrega a três disciplinas: documentação, engenharia da linguagem e linguística computacional. Nos três casos, a TCT estabelece uma relação dupla com estes materiais: por um lado, serve como a parte operacional; por outro lado, usa-os para formar o seu próprio objeto de trabalho, para fazer suas aplicações ou para organizar o processo. Um exemplo é o caso em que elementos de documentação são os termos usados para indexar documentos a serem recuperados. Estas unidades são as peças chave para recolher o conteúdo de textos especializados.

Já quanto à função de transmissora de conhecimento especializado, a TCT apóia na mediação e no planejamento da linguagem comunicativa. Atua como eixo dos especialistas, que, sem as palavras, não poderiam se expressar ou comunicar o conhecimento. A terminologia também é utilizada para comunicação indireta. A mediação linguística mais conhecida é realizada por consultores linguísticos por meio das atividades dos redatores, intérpretes e tradutores, por um lado, e jornalistas e comunicadores da mídia, por outro.

Segundo Cabré (1999), os termos ou unidades terminológicas como objeto de estudo são ambos as unidades linguísticas cognitivas e as unidades de comunicação. Parte- se da concepção do termo como uma unidade composta de três elementos: o significado ou conceito, o significante ou nome, o objeto ou referente, conforme Figura 1 a seguir.

FIGURA 1- Unidades terminológicas

Significado ou conceito

Significativa ou designação Referente ou objeto

35

Cabe lembrar que os estudos terminológicos não se restringem ao termo, interessando-se pela problemática da fraseologia e da definição. Essas entidades são componentes integrantes das linguagens especializadas, auxiliando, também, a fixar e transmitir conceitos científicos, técnicos e tecnológicos. Por sua vez, para o tradutor, é de suma importância o tratamento das fraseologias utilizadas nas comunicações profissionais (KRIEGER; FINATTO, 2004).

Cabré (2003) de modo apropriado apresenta alguns pressupostos para a execução de projeto terminológico vinculado teoricamente à TCT: i) o objeto central da Terminologia é a unidade terminológica e não o conceito; ii) não há uma diferença a priori entre termo e palavra, o que há são signos linguísticos que podem realizar-se no discurso como termo ou palavra dependendo da situação comunicativa; iii) o nível lexical, morfológico, sintático e textual podem veicular conhecimento especializado; iv) o termo deve ser observado no seu ambiente natural de ocorrência, ou seja, nos discursos especializados; v) a variação conceitual e denominativa deve ser considerada; vi) do ponto de vista cognitivo, as unidades terminológicas: estão subordinadas a um contexto temático; ocupam um lugar preciso num mapa conceitual e o seu significado específico é determinado pelo lugar que ocupam nesse mapa.