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3.3. Veri Toplama Aracı

3.3.1. Veri Toplama Aracının Geliştirilme Süreci

PROFISSÃO

Carolina Martuscelli nasceu em São Paulo no dia 4 de janeiro de 1924. Seu pai, Aurélio, italiano, era engenheiro e chegou ao Brasil por volta de 1890. Instalando-se em São Paulo, montou uma empresa no ramo de construção e se tornou um empresário bem sucedido. Sua mãe, Maria Teresa, brasileira, trabalhava em uma loja de tecidos e fez todos os seus filhos terem formação universitária. Além de Carolina, filha mais velha do casal, Aurélio e Maria Teresa tiveram mais 5 filhos: Wanda, Francesco, Florinda, Adele e Nicola. Aurélio faleceu ainda novo e Maria Teresa contou sempre com o apoio de sua mãe, Fiorinda Filomena, nos cuidados com os filhos. No começo da década de 1950, Carolina se casou com um italiano, Giovanni Bori, de quem recebeu o sobrenome e com quem teve um filho. Divorciou-se poucos anos após o nascimento de seu filho, mas manteve o sobrenome de casada. Em outubro de 2004, Carolina Bori faleceu aos 80 anos de idade com falência múltipla dos órgãos.

Em entrevistada cedida a Maria Amélia Matos e Vera Rita da Costa, Carolina Bori contou que frequentou uma escola alemã desde os seis anos de idade. Formou-se para professora na Escola Normal Caetano de Campos6. Concluiu curso de pedagogia no ano de 1947 pela Universidade de São Paulo e, no ano seguinte, concluiu um curso de especialização na área de psicologia educacional na mesma instituição. Entre os anos de 1949 e 1951, Carolina Martuscelli estava matriculada no curso de mestrado em psicologia na Graduate Faculty of New School For Social Research, nos Estados Unidos, sob orientação de Tamara Dembo. O boletim da universidade, publicado em 5 de setembro de 1949, apresenta a New School e seus objetivos da seguinte forma:

       

6 Sobre a Escola Normal Caetano de Campos, Baptista (2004) afirma: “A Escola Normal Caetano de Campos,

segundo as evidências, foi um núcleo que funcionou fortemente como impulsionador da Psicologia em São Paulo. Em primeiro lugar, diferenciava-se por ser uma das duas escolas estaduais consideradas Escolas Normais Secundárias e, como tal, responsável pela formação do professor secundário; consequentemente, tinha um currículo mais rico, composto por Inglês e Trigonometria, além das matérias básicas. Em segundo lugar, era considerada tradicional, por ter um grande renome e ser frequentada por uma clientela selecionada. Muitos profissionais que por ali passaram foram depois completar seus estudos no exterior. Também recebeu, ao longo de sua história, vários profissionais famosos vindos do mundo todo para ministrar cursos, dar palestras e montar laboratórios” (p. 158). 

Uma cidadania informada e responsável foi acreditada pelos fundadores da New School ser possível tão rapidamente quanto necessária somente se homens e mulheres maduros pudessem se encontrar em torno de um grupo de estudiosos engajados em pesquisa social, como distinto da estritamente científica, técnica e deproblemas vocacionais, e se eles poderiam, pela educação mútua de adultos, aprender a organizar seu conhecimento social e moral em conceitos positivos. Trinta anos de experiência tem apenas fortalecido este ponto de vista. (p. 1)

A universidade foi concebida para ser a casa de intelectuais liberais e radicais. Durante a Segunda Guerra Mundial, a New School recebeu vários professores exilados e, por isso, ficou conhecida como Universidade em Exílio. Steinacher e Barmettler (2013) afirmaram:

A Universidade em Exílio contribuiu para um frutífero diálogo entre o pensamento continental e americano. Krohns litsou 184 pensadores imigrantes que estavam afiliados à New School. Entre eles estavam Hans Kelsen, Claude Levi-Strauss, Gaetano Slavemini, Hannah Arendt e Max Wertheimer” (p. 56)

No primeiro semestre de 1949, as disciplinas da psicologia e os responsáveis por ela estavam organizados da seguinte maneira:

Statistics for psychologists William H. Helme Experimental Psychology I Mary Henle Experimental Psychology II Tamara Dembo Experimental Psychology I David A. Emery Experimental Psychology II Willian H. Helme Social Psychology Solomon E. Asch

The Social Psychology of Leadership Arthur L. Swift

Seminar In Group Dynamics David A. Emery

Motivation

David A. Emery

Dynamic Theory of Personality Tamara Dembo

Psychology of Learning Mary Henle

Systems of Psychology Mary Henle

Advanced Experimental Psychology Members of the Psychology Faculty Research Seminar in Psychology

Mary Henle

Social-Emotional Relationships Tamara Dembo

A Philosophical Introduction to Psychology II Eugen Kullmann 

Neste contexto, Bori ingressou nesta universidade e, em 1951 defendeu a tese intitulada “The Recall of Interrupted Tasks: A Review of the Literature”. Em 1953, concluiu seu doutorado sob orientação de Annita Cabral, pela Universidade de São Paulo. Esta tese recebeu o título “Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de Kurt Lewin”.

Carolina Martuscelli se tornou professora assistente na cadeira de psicologia em 1948 e passou a lecionar disciplinas de Psicologia Experimental no curso de Filosofia da USP. Esta disciplina estava vinculada à cadeira regida por Annita Cabral. O catedrático tinha autoridade para convidar professores para a cadeira e dar orientação para as disciplinas das quais era responsável. Em entrevista a Matos e Costa (1998), Bori afirmou que a professora Annita havia estudado nos Estados Unidos com importantes gestaltistas, tinha uma boa formação teórica e incentivava os alunos a realizarem pesquisa. Como catedrática, era responsável em convidar assistentes para a cadeira, encaminhar sua formação, atendendo aos interesses da cadeira. Ainda segundo Bori (Matos e Costa, 1998), a catedrática achava que a Gestalt deveria ser a única orientação da cadeira. Foi assim que Bori entrou para a cadeira de psicologia e foi para a New School for Social Research, mesma instituição onde Annita Cabral havia concluído sua tese de doutorado.

Nesta mesma época, também existia a cadeira de psicologia educacional da USP que seguia uma tradição diferente da cadeira de psicologia regida pela professora Annita Cabral. Segundo Bori, enquanto a primeira estava muito ligada às questões de educação, a segunda era mais ampla, não restrita à educação e preocupada em estudar a psicologia como ciência. Esta diferença entre as cadeiras foi comentada por Bori:

Eles nos chamavam de positivistas e isso para eles era um horror! Para nós, no entanto, essa era apenas uma maneira de conceber a produção do conhecimento; uma maneira que valorizava a obtenção de dados experimentais. Éramos rigorosas ao coletar os dados e mais rigorosas ainda em analisá-los. A tendência no entanto era outra: muito mais especulativa e interpretativa. Essa é a imagem que ainda se passa da psicologia: o leigo não tem contato com o conhecimento científico que existe em psicologia, mas é bombardeado de idéias vagas, que acabam formando uma mixórdia sem sentido (Matos e Costa, 1998, p.787)

Vale lembrar que ainda não existiam cursos de graduação em psicologia no Brasil. O curso de graduação em psicologia da USP começou em 1958, mas disciplinas de psicologia oferecidas em cursos de graduação, como os de Filosofia. Em suas aulas, Carolina fazia com que seus alunos replicassem pesquisas experimentais clássicas. Acerca deste período de atuação na USP, Carolina Bori fez uma reflexão em entrevista cedida a Matos e Costa (1998). A cadeira de psicologia não tinha prestígio suficiente para contar com grande número de assistentes. Lembro que quando houve a separação das cadeiras de psicologia e filosofia, que eram oferecidas pelo mesmo professor, foi uma surpresa a psicologia ficar a cargo de uma pessoa da casa e ... mulher. Isso era uma raridade naquela época, em que os professores eram, em sua maioria, homens e estrangeiros. Era tudo muito difícil e era preciso lutar por tudo. O bom é que a professora Annita era uma pessoa extremamente combativa, o que de fato precisava ser, porque a congregação da Faculdade de Filosofia era refratária a mudanças. Eu fui a primeira e a única assistente da cadeira durante um bom tempo (p. 785)

As publicações de artigos científicos não é uma marca de Carolina Bori, contudo, na década de 1950, há algumas publicações que indicam algumas das preocupações de Bori enquanto professora. Dentre os artigos publicados por ela, entram-se discussões acerca da pesquisa experimental em psicologia (Bori, 1952/1953; 1953/1954; 1955/1956) e sobre estudo de personalidade (Bori, 1955/1956; Martuscelli, 1954/55). Alguns deles são estudos que utilizaram do Teste da Figura Humana, de Karen Machover7.

       

7

De acordo com o Boletim da New School for Social Research publicados em 4 de setembro de 1950, e 9 de abril de 1951, Karen Machover ofereceu as disciplinas intituladas Personality Projection in the Drawing of the Human Figure e Advanced Figure-drawing analysis no período em que Bori estava nesta instituição.

Com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), sob direção de Darcy Ribeiro8, nesta mesma época, Carolina Bori recebeu um convite para contribuir com o centro que tinha o objetivo de discutir questões relacionadas à educação brasileira. Entre os anos 1956 e 1962, Bori trabalhou como psicóloga social, e, a partir de outras publicações de Bori, percebe-se que ela trabalhou avaliando a personalidade de integrantes de um grupo do interior do estado de Minas Gerais (Martuscelli, 1957a), os fatores que interferem na evasão escolar (Martuscelli, 1957b) e a aceitação de grupos raciais (Martuscelli, 1950). Além de algumas pesquisas, ela também trabalhava com grandes nomes da sociologia, no Brasil, como Hutchinson9, Florestan Fernandes10, Octávio Ianni11 e Antônio Cândido12.

6.2. FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE RIO CLARO E O