KAVRAMSAL ÇERÇEVE
3.3. Veri Toplama Araçları
Compreendemos que a eleição no período de uma prefeita com o perfil de Marília Campos, líder sindical, filiada ao Partido dos Trabalhadores, trouxe consigo
196 uma enorme esperança em relação ao atendimento dos anseios populares. Na área da Educação não foi diferente, pois muitos professores e militantes sindicais levaram consigo projetos para a área. Os percalços e descontinuidades na gestão da SEDUC arrefeceram de certa forma, esse entusiasmo inicial. Ainda assim, esse período constituiu um cenário interessante para as políticas públicas de Educação Infantil.
Perguntamos a alguns entrevistados sobre os marcos da Educação Infantil no município na visão da participante da Assistência Social, pela relevante e duradoura participação desse órgão na política e na de um vereador que participou da pesquisa:
O marco para mim foi 2005, por todo o movimento que eu acompanhei do ponto de vista da normatização, de regularização, do ponto de vista de profissionalizar mais as instituições, então para mim a Educação Infantil só se deu de fato no município a partir de 2005 e isso é muito claro da gente ver até por que 2004 eu era do Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente e percebíamos que muitas instituições ainda se autodenominavam de creches e não como centro de Educação Infantil. (COELHO, Glaúcia Lucas, em entrevista concedida ao autor em 18/12/2009).
Acho que agora no governo da Marília está se abrindo mais escola infantil do que antes. Hoje o poder público está abrindo CEMEI, o que está acontecendo? A comunidade faz o pedido e a prefeitura está sendo muito ágil em atender, creio que está vindo até recurso Federal também. E antes não tinha. Então ficava aquele negócio de creche, os recursos eram carimbados. Justamente na base das creches e creche não recebia recurso. Então vinha aquela demanda aqui para a Câmara. Aqui ficava cheio uai? Dolores77, José Diniz, vira e mexe, de três em três meses eles estavam aqui ué. Ou estavam aqui ou lá no Conselho, ô gente, olha aqui tem quatro meses que não recebe. Aí a gente ficava mais inteirado. A dificuldade que era maior fazia com que a comunidade se deslocasse lá do seu local para reivindicar o atendimento. (OLIVEIRA, Arnaldo, em entrevista concedida em 03/03/2010).
De acordo com o Diretor Financeiro da SEDUC, a situação das instituições era preocupante, e ele as classifica como “depósitos de crianças” pela influência política nos convênios e a falta de acompanhamento e regulamentação da SEDUC:
As entidades mantenedoras a maioria era totalmente irregular. Não tinha no seu quadro de trabalhadores profissionais qualificados, não
197 tinha registros, carteira assinada, eram verdadeiros depósitos de crianças. Precisava atender politicamente aquele vereador, por isso não tinha nenhum compromisso, vínculo com a política pública. A partir de 2005 nós tivemos que romper com essa política do clientelismo no município, foi muito difícil porque as entidades, as creches eram vinculadas a esses políticos. E aí nós cortamos isso pois a responsabilidade é do poder público, a entidade tem que atender a demanda local com qualidade no serviço prestado principalmente a criança. Aí nos começamos a fazer um trabalho de organização na maioria, quando nós assumimos eram trinta e cinco entidades, todas praticamente irregulares, das trinta e cinco praticamente umas vinte e oito eram irregulares, tinham pendência junto ao INSS, e colocamos que para que essas entidades continuassem a receber recursos eles assinaram um termo de compromisso, o TAC, Termo de Ajuste de Conduto firmado com a intermediação do Ministério Público. (BARBOSA, Adão Antônio, em entrevista concedida ao autor em 30/12/2009).
O governo idealiza o Programa “Criança na escola” com novas perspectivas para a Educação Infantil. Esse programa consiste em duas linhas de ação, sendo: a) ampliação do atendimento de zero a três anos e b) construção de CEMEI. De acordo com informação dos participantes, o programa ainda está em processo de elaboração de suas diretrizes, por isso não temos documentos oficiais. Mesmo assim, detectamos que todas as ações de atendimento a criança nesse governo estão vinculadas a esse programa de governo.
E na rede municipal nós dobramos o investimento, construindo mais CEMEI até chegar nessa meta agora que a prefeita colocou da gente construir trinta CEMEI em Contagem para que haja uma maior qualificação dessa política e batizamos esse programa de “criança na escola”. Esse programa “criança na escola” significa que até 2012 essa marca será deixada, já mudamos muito, em termos de atendimento dobramos o número de crianças na rede municipal. De 3.500 para quase 8.000 crianças atendidas na Educação Infantil. E na rede conveniada nós não dobramos o atendimento porque nós preferimos organizá-las primeiro, mas nós triplicamos o investimento e agora nós vamos dobrar o atendimento na rede conveniada sobre tudo de zero a três anos. E a Prefeitura vai se dedicar mais de quatro e cinco anos, é uma prioridade, um discurso muito forte que requer criação de espaços, formação de educador, investimentos na formação dos educadores, investimentos em logística e um reconhecimento da população de que a Educação Infantil é um direito, agora o presidente aprovou a PEC que obriga a família a matricular a criança de quatro e cinco anos na Educação Infantil. (SEGUNDO, Lindomar Diamantino, em entrevista concedida ao autor em 26/01/2010).
198 No documento lançado em 2007 pela SEDUC, destacamos a seguinte fala da prefeita na apresentação do caderno “Traçar políticas e desenvolver programas que coloquem a criança de 0 até 6 anos na ordem do dia e que possibilitem que seus direitos sejam atendidos, numa ação que deve ser intersetorial, tem sido o foco do nosso trabalho.” (CONTAGEM, 2007). Nesse sentido, percebemos nessa fala a intenção do executivo municipal em pautar políticas de Educação Infantil numa ação Intersetorial.
Nesse contexto, foi implantada em 2009 uma Câmara Intersetorial de Políticas Sociais, organizada por meio de um Grupo de trabalho, formado por representações das diversas Secretarias e órgãos do município vinculados às Políticas Sociais. Essa Câmara foi formada com o objetivo de promover a gestão integrada das Políticas Sociais; consolidar programas intersetoriais que assegurem e ampliem direitos sociais; desenvolver mecanismos institucionais de monitoramento e avaliação das ações e por último assegurar a participação popular no controle das Políticas Sociais. Em observação realizada em um dia de formação para os membros internos da Secretaria de Educação, foi apresentada as diretrizes para as políticas públicas do município, dentre elas destacamos a ação integrada prevista para o campo educacional que consistia em:
Continuar a construção de uma rede de escolas infantis e o
cumprimento das metas de melhoria da educação medidas pelo IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica; Planejar e assegurar a transição do ensino médio para o ensino profissionalizante, e a implantação do Cefet; (CONTAGEM, 2009b). De acordo com esse mesmo documento, apresentado por Claúdia Ocelli,
coordenadora da Câmara, a meta para a Educação Infantil consiste em duplicar o
atendimento público, criando 8.500 novas vagas até 2012; para tal, a Câmara irá articular a ação dos seguintes órgãos do governo: Secretaria de Desenvolvimento
Social, Secretaria de Trabalho e Geração de Renda, Secretaria da Saúde,
Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria de Esporte e Lazer, Secretaria de Direitos de Cidadania, Secretaria de Defesa Social, Secretaria de Governo e FUNEC.
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FIGURA 12 – ORGÃOS COMPONENTES DA CÂMARA INTERSETORIAL
Fonte: CONTAGEM, 2009b
Além das políticas Intersetoriais, percebemos que o governo Marília Campos (PT) adota instrumentos característicos de um governo democrático, como o Orçamento Participativo, conferências, fóruns, dentre outras ações. Os referidos instrumentos provocaram reflexões nos técnicos da Secretaria de Educação e foram referência no apontamento de políticas públicas para o poder executivo. Nesse aspecto, a introdução do documento que orienta a construção dos PPP nas
instituições de Educação Infantil, explicita como a primeira Conferência municipal de
educação contribuiu para o processo de construção do mesmo:
Este documento, que tem como interlocutor privilegiado os profissionais das IEI, resulta de um amplo processo participativo, iniciado em 2006, quando a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Cultura (Seduc) constituiu um grupo de trabalho formado pelos profissionais da Diretoria de Educação Infantil (DEI) e pelas Gerências dos Núcleos Regionais de Educação (NRE). O grupo, partindo da análise das prioridades definidas para a Educação Infantil (EI) por essa administração e das questões apontadas pela Primeira
Conferência Municipal de Educação, realizada em 2005, traçou um
caminho e definiu uma metodologia de trabalho que pretendia não apenas produzir um documento, mas, no processo, formar os profissionais envolvidos em sua elaboração. (CONTAGEM, 2007, p. 13).
200 Em GT formativo para as pedagogas da rede municipal de Educação infantil, realizado em 2009, a Diretoria de Educação Infantil apresentou como metas para o segundo mandato do governo (2009-2012) garantir o atendimento à demanda de:
- 100% das crianças de 5 anos até 2011; - 100% das crianças de 4 anos até 2012; - 60% das crianças de 3 anos até 2012.
Verificamos que a proximidade da cidade de Belo Horizonte influenciou positivamente as ações políticas em Contagem. Isso se justifique porque quando a capital começa a organizar seu atendimento com a implantação das UMEIS constituindo, dessa forma, uma rede municipal de Educação Infantil e essa rede tem repercutido, colocado a capital em evidência em toda a região metropolitana, bem como no país.
Quando eu era da secretaria [1999 a 2004] nós estivemos aqui em Belo Horizonte em visita a Regional de Educação Infantil e ela fazia também a comparação com BH, o tanto que precisávamos avançar nesta política. A Educação Infantil é uma política muito difícil de articular. Não depende só do Secretário para ser realizada. Muitas vezes quiseram atender. (DUARTE, Diva Viana Alvarenga, em entrevista concedida ao autor em 26/03/2009).
Tem uma amiga minha que tem uma frase que “tudo que Contagem copia de Belo Horizonte, consegue estragar”. De fato, é muito difícil copiar uma coisa e dar conta de manter. [...] Porque Contagem, por exemplo, a gente vê que tem uma demanda grande, eles ainda não conseguiram absorver essa demanda. Houveram tentativas já, dessa política, que é praticamente o carro-chefe dessa [...] em que há lei, a cada ano estão ampliando mais e mais vagas, mas a responsabilidade do Estado precisa ser melhorada. Aqui em Belo Horizonte teve a [...] uma forma de acompanhamento, que a gente consegue absorver bastante a demanda, as crianças são acompanhadas por uma equipe da prefeitura, uma equipe de pessoas que hoje acompanha essas crianças. (ROSARIO, Adarlete Carla do, em entrevista concedida ao autor em 18/12/2009).
Mesmo com o investimento já realizado na Educação Infantil, o município necessita ampliar muito suas vagas para atender a demanda reprimida. Rosalba explica que as ações do poder público:
[...] não foram suficientes, hoje nós deixamos. Temos mais ou menos cinqüenta e oito mil crianças na faixa etária, vou arredondar para sessenta mil crianças na faixa etária de zero até seis anos e somando o poder público, rede municipal e rede estadual e