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KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.3. Beden Eğitim

2.3.2. Beden Eğitiminin Önem

Mediante a visibilidade da política e reconhecimento das famílias ao direito a Educação Infantil a demanda por vagas nos equipamentos públicos aumentaram, e a Secretaria de Educação implanta em 2008 uma política de focalização denominada Comitê Intersetorial Regional (CIR). De acordo com o Regimento do comitê, a Secretaria de Educação irá distribuir as vagas na Educação Infantil, conforme Resolução divulgada pela Diretoria de Funcionamento Escolar anualmente. No mesmo período de realização do cadastro das crianças em idade para frequentar o ensino fundamental.

Nesse sentido, cada região da cidade forma o seu comitê composto por representantes das Secretarias de Saúde, Educação e Desenvolvimento Social e por um representante das instituições de Educação Infantil. Os assessores pedagógicos da Educação Infantil e do setor de Funcionamento Escolar, bem como o Dirigente Educacional de cada NRE são responsáveis pela articulação do Comitê, sendo a coordenação do mesmo exercida pelo/a assessor(a) do Funcionamento Escolar. (CONTAGEM, 2010).

Com a implantação dessa política, as famílias interessadas em vagas em qualquer instituição de Educação Infantil da rede pública devem fazer sua inscrição em período próprio, em data definida pela Resolução emitida pelo Funcionamento Escolar naquele ano. Podem se inscrever crianças de qualquer faixa etária, o que não garante a vaga, pois a partir dessas inscrições o Comitê se reúne de acordo com cronograma divulgado previamente e analisa os critérios de vulnerabilidade social determinados pela Resolução.

O primeiro critério estabelecido diz respeito ao zoneamento. De acordo com tal critério, a unidade atenderá somente as famílias que residem em raio de um quilômetro de distância do local onde pleiteiam a vaga. Essa definição evidencia a preocupação do poder público em se resguardar quanto ao transporte escolar. Com

189 o estabelecimento desse critério as crianças atendidas podem se deslocar para a unidade sem a necessidade de transporte público.

As 41 instituições públicas que atendem a Educação Infantil no município são insuficientes para toda a demanda que procura pelos serviços, haja vista a existência das listas de espera por atendimento em quase todas as unidades para diversas faixas etárias atendidas. Além deste fato, ressaltamos regiões que ainda não possuem nenhum atendimento público de crianças de zero a três anos e tal faixa etária fica a cargo exclusivo das instituições conveniadas, que solicitam das famílias contribuições limitadas pelo poder público a R$30,00 para ajuda de custa, além do recurso que a Prefeitura já repassa. Diante desse quadro e estabelecido e da política de zoneamento, inferimos que muitas famílias ficam excluídas do atendimento público esparso e ainda incipiente.

Vencida essa etapa inicial do zoneamento, as família inscritas passam pela análise do Comitê que avaliam de acordo com dados fornecidos no ato da inscrição a situação socioeconômica das famílias a partir de análise conjunta dos seguintes indicadores:

• renda per capita da família de até meio salário mínimo; • quadro de desnutrição da criança;

• moradia em situação de risco;

• número de crianças e números de adultos na família; • existência de deficiência ou doença grave na família;

• situação de trabalho dos membros da família: desemprego, subemprego;mercado informal.

• condições específicas na estrutura familiar: alcoolismo, dependência química e outras.

Após análise comparada dos dados as famílias são relacionadas em ordem crescente de prioridade de atendimento e atendidas dentro de 80% das vagas da unidade. De acordo com a Resolução nº 03/2010 de 08 de junho de 2010, a escola também deverá formar uma comissão:

Art. 9º - Será constituída uma comissão em cada IEI, para acompanhamento do processo de inscrição e sorteio, que será composta pelo Dirigente da IEI, que a presidirá, por 2 (dois) servidores da instituição, sendo compulsória a participação de um(a)

190 profissional da secretaria escolar e por 2 (dois) representantes de pais, mães ou responsáveis legais. (CONTAGEM, 2010).

Conforme explicitado no artigo 9º, essa comissão procederá a realização de sorteio de 20% das vagas restantes entre os inscritos não atendidos dentro do critério de vulnerabilidade. Sobre a existência de critérios para as matrículas, Rosalba, atual diretoria de Educação Infantil da SEDUC, faz o seguinte comentário:

A gente hoje estabelece critérios para entrar na Educação Infantil, isso é muito complicado no campo de ação do direito. Mas não é do direito num campo amplo, é do direito subjetivo, o direito da criança, é direito do sujeito, então dentro dessa perspectiva todos deviam ter vaga na Educação Infantil. Cabe ao Estado constituir políticas públicas que possibilitem esse atendimento. (LIMA, Rosalba Rita, em entrevista concedida ao autor em 01/12/2009).

A exigência de ampliação do atendimento a criança de zero a seis anos, tendo em vista sua constituição como direito da criança e, ainda, a necessidade de que esse atendimento se referencie em parâmetros de qualidade que levem em conta às necessidade de desenvolvimento integral dessa criança. Também impõe, aos poderes públicos, investimentos e modificações nas suas estruturas de funcionamento, porque as vagas existentes são insuficientes de acordo com a necessidade desse atendimento no município.

Às vezes o Conselho Tutelar tem encaminhado solicitação de vagas para a Promotoria da Infância e da Juventude, que tem expedido ordem judicial para a efetivação da matrícula, pressionando o poder público no sentido de ampliar os atendimentos, uma vez que a oferta de vagas pelo município é obrigatória para a Educação Infantil, assim como para o ensino fundamental, porém existe maior conscientização do direito à vaga nesta outra etapa da educação básica. Sendo a procura pelo atendimento opcional para as famílias e não para o poder público.

a comunidade não tem muita consciência do direito, se eles procuram a vaga e não tem eles vão embora. É igual acontece aqui na escola, tinham turmas pela manhã e tarde, porém o ensino fundamental foi ampliando e a Educação Infantil. E o direito não é claro para as famílias que as vezes pagam pelo serviço quando procuram a vaga e não encontram na rede pública.

191 Não atende porque a demanda do ensino fundamental. No Babita, por exemplo, o polo está acabando. Onde o polo funciona dentro da escola isso acontece mesmo. [...] (MATOS, Maria de Lourdes Rocha Brandão de, em entrevista ao autor em 23/11/2009).

O Conselho Tutelar também é um ator na articulação das políticas de Educação Infantil no município, atua diretamente na comunidade, encaminham crianças as instituições e na ausência de vagas são eles que comunicam a situação para a promotoria da infância e juventude. Então perguntamos existe uma relação dos Conselhos Tutelares com as políticas de atendimento a infância no município?

Existe, até porque ele mesmo sendo um órgão autônomo ele está vinculado administrativamente a nossa secretaria, que a Secretaria de Desenvolvimento Social. Então agente acompanha de perto a realidade. A gente percebe que o Conselho Tutelar precisa ser fortalecido do ponto de vista do assessoramento, encaminhamento dos casos. Por quê? Porque o Conselho Tutelar a função dele é encaminhar, quem tem que prover é a rede né? Governamental ou não governamental. Mas até para ele encaminhar ás vezes falta um pouco de capacitação para isso que é: fazer uma análise por caso, encaminhar corretamente. Por exemplo, uma criança que vai para um abrigo, ela tem que chegar nessa instituição com um relatório, pois pode ser uma criança que faz uso de medicamento, ou tem alguma história de doença na família. (COELHO, Glaúcia Lucas, em entrevista concedida ao autor em 18/12/2009).

Olha, os Conselheiros Tutelares, eles não têm estrutura para estar entrando numa vila, numa favela e estar assumindo esse trabalho, e como eu estou brigando por isso, eu fui... nós fizemos um curso... (DIAS, Maria do Carmo Lara, em entrevista concedida ao autor em 03/12/2009).

Nos depoimentos podemos perceber a fragilidade do ator e ao mesmo tempo sua importância na defesa dos direitos das crianças no município.

4.3.9 As configurações da equipe técnica específica da SEDUC e os

Benzer Belgeler