BÖLÜM 2. ĐLGĐLĐ ARAŞTIRMALAR
3.3. Veri Toplama Araçları
Neste seção, utilizamos a letra maiúscula K para denotar 2-complexos conexos e nitos. A letra maiúscula M indica superfícies fechadas.
Iniciamos apresentando dois lemas importantes cujas provas podem ser obtidas por simples adaptações daquelas construídas para os Lemas 5.1 e 5.2, respectivamente. Como naqueles lemas, consideramos a 2-esfera do domínio de f com decomposição celular S2 = e0∪ e2 e a
2-esfera do contra-domínio com decomposição celular S2 = e0 ∗∪ e2∗.
Lema 6.20. Seja f : S2 → S2 uma aplicação com grau homológico d 6= 0 e seja a ∈ S2
um ponto diferente da 0-célula. Então existe uma aplicação celular ϕ : S2 → S2 tal que
f ≃ ϕ rel {e0} e #ϕ−1(a) = 1 = #ϕ−1(−a).
Prova: A existência de uma aplicação ϕ homotópica a f satisfazendo #ϕ−1(a) = 1 é bem
conhecida (ver [27] e/ou [6]). O que nos cumpre provar é o fato de tal aplicação poder ser escolhida celular e homotópica a f relativa a {e0}e ainda vericar 1 = #ϕ−1(−a). Sem perda
de generalidade, assuma que a seja o polo norte e, portanto, −a seja o polo sul da esfera. Existe uma aplicação celular g : S2 → S2 homotópica a f e tal que #g−1(a) = 1 =
#g−1(−a). De fato, considere o esfera do domínio fragmentada em |d| faixas meridionais m1, . . . , m|d| escolhidas de tal modo que e0 pertença a m1. Seja g : S2 → S2 a aplicação
denida de modo que cada meridiano mi, para 1 ≤ i ≤ |d|, é aplicado homeomorcamente
sobre um mesmo meridiano distinguido m, da esfera do contra-domínio, contendo e0
∗, e cada
uma das |d| faixas meridionais cobre uma vez a esfera S2, sempre em uma mesma direção,
escolhida de modo a tornar g uma aplicação de grau d.
Como f e g tem o mesmo grau, elas são homotópicas. Além disso, g−1(a) = {b} and
g−1(−a) = {−b}, onde b é o polo norte da esfera do domínio de f e, assim, −b é o polo sul de tal esfera. Agora, se nenhuma homotopia entre f e g é relativa e {e0}, então, procedemos como
na prova do Lema 5.1 para providenciar uma homotopia bH : f ≃ ϕ rel {e0}iniciando em f e terminado em uma aplicação ϕ que difere de g apenas em uma pequena vizinhança aberta de e0 não contendo os pontos a e −a. Sendo assim, ca garantido que ϕ−1(a) = {b} = ϕ−1(−a).
Isto conclui a prova. ¥
Lema 6.21. Seja f : S2 → S2 uma aplicação de grau zero e seja κ0 : S2 → S2 a aplicação
constante em e0
∗. Então f ≃ κ0 rel {e0}e, se e0∗ 6= a ∈ S2, então (κ0)−1(a) = ∅ = (κ0)−1(−a).
6.4 Aplicações no plano projetivo 101
No próximo teorema, voltamos a utilizar os conceitos estudamos no Capítulo 4. Por isso, será importante não perder de vista os principais resultados daquele capítulo.
Teorema 6.22. Seja f : K → RP2 uma aplicação que se levanta a ef : K → S2 ao longo do
recobrimento duplo p2 : S2 → RP2. Se ef é do tipo ∇2 (em particular se K é uma superfície),
então 2 µ( ef ) = µ(f ) = µC(f )N (f ).
Prova: Como ef é do tipo ∇2, é também do tipo ∇3, pela Proposição 4.5. Sejam eϕ : K → S2
uma aplicação celular e seja a ∈ S2 = e0
∗∪e2∗um ponto diferente de e0∗tal que # eϕ−1(a) = µ( ef )
e eϕ−1(a) ⊂ K \ K1. Sejam e21, . . . , e2m as 2-células de K e sejam eϕ1, . . . , eϕm a fatoração celular
de eϕ(conforme denição da Seção 5.1 deste texto).
Como eϕ−1(a) ⊂ K \ K1, o conjunto eϕ−1(a) está em correspondência um a um com o conjunto ∪m
i=1ϕe−1i (a); de fato, eϕ−1(a) = ∪mi=1( eϕi◦ωi)−1(a). Agora, pela prova do Teorema 5.6,
para cada 1 ≤ i ≤ m, ou # eϕ−1i (a) = 1ou eϕé homotópica a aplicação constante em e0
∗. Então,
pelos Lemas 6.20 e 6.21, para cada 1 ≤ i ≤ m, existe uma aplicação celular eψi : Si2 → S2 tal
que eϕi ≃ eψi rel {c0i} e # eψ−1i (a) = # eϕi−1(a) = # eψ−1i (−a). Sejam Hi : eϕi ≃ eψi rel c0i tais
homotopias, 1 ≤ i ≤ m.
Para cada x ∈ K, escolha de uma vez por todas um índice i(x) ∈ {1, . . . , m} tal que x ∈ ei(x). Dena eψ : K → S2 por eψ(x) = eψ
i(x)(ωi(x)(x)). Esta aplicação está claramente bem
denida e é celular. Além disso, as homotopias Hi, 1 ≤ i ≤ m, podem ser conjuntamente
utilizadas para se denir uma homotopia H iniciando em eϕ e terminando em eψ.
Por construção, # eψ−1(a) = µ( ef ) = # eψ−1(−a). Pelo Teorema 6.12, temos µ(f) = 2µ( ef ).
Agora, é óbvio que R(f) = 2. Então, pelo Teorema 6.19, µ(f) = µC(f )N (f ). ¥
O Teorema 6.22 não é verdadeiro, em geral, quando a aplicação f não é do tipo ∇2.
Apresentamos um exemplo simples para ilustrar isso.
Exemplo 6.23. Seja K = S2
1 ∨ S22 o bouquet de duas 2-esferas com decomposição celular
minimal com uma 0-célula e0 e duas 2-células e2
1 e e22. Seja ef : K → S2 uma aplicação que
restrita a cada S2
i, i = 1, 2, é homotópica a aplicação identidade. Pelo Exemplo 4.2, temos
que µ( ef ) = 1 e que ef não é do tipo ∇2. Além disso, se ( eϕ, a) é um par realizando µ( ef ),
então necessariamente eϕ−1(a) = {e0}. Assim, para toda aplicação eϕ : K → S2 homotópica
a ef, existe no máximo um ponto em S2 cuja pré-imagem por eϕ consiste de um só ponto (e portanto é um conjunto com cardinalidade µ( ef )). Agora, seja p2 : S2 → RP2 o recobrimento
duplo canônico e dena f : K → RP2pela composição f = p
2◦ ef. Então ef é um levantamento
de f ao longo de p2 e, pelo Teorema 6.13, temos µ(f) > 2µ( ef ). Mais precisamente, µ(f) = 3.
Ademais, µC(f ) = 1, N(f) = 2 e µ(f) 6= µC(f )N (f ). ¤
No próximo teorema, A(f) denota o grau absoluto da dada aplicação f. (Veja [10] ou [13]).
Teorema 6.24. Seja f : M → RP2 uma aplicação induzindo homomorsmo trivial em grupos
Prova: Como f#π1(M ) é trivial, f tem um levantamento ef : M → S2 ao longo do recobri-
mento duplo (universal) p2 : S2 → RP2. Pelo Proposição 4.6, ef é do tipo ∇2. Logo, pelo
Teorema 6.22, temos µ(f) = 2µ( ef ). Pelo Corolário 5.12, µ( ef ) = 0 se A( ef ) = 0 e µ( ef ) = 1 se A( ef ) 6= 0. Agora, pela denição de grau absoluto (veja [13], página 371) é fácil checar que
A(f ) = 2A( ef ). Isto conclui a prova. ¥
O Teorema 6.24 não se aplica, em geral, se o homomorsmo f# : π1(M ) → π1(RP2) é
não trivial. Para ilustrar isso, seja id : RP2 → RP2 a aplicação identidade. É óbvio que esta
aplicação induz o isomorsmo identidade em grupos fundamentais e µ(id) = 1.
No próximo teorema, X é um espaço compacto, conexo, localmente conexo e semilocal- mente simplesmente conexo.
Teorema 6.25. Seja f : X → RP2 uma aplicação. Então µ(f) = µ
C(f )N (f ) se ao menos
uma das seguintes armativas estiver satisfeita:
(i) f#π1(X) 6= 0; (ii) X é um 2-complexo e f é do tipo ∇2.
Prova: A menos de isomorsmo, existem somente dois recobrimentos para RP2, a saber, a
aplicação identidade p1 : RP2 → RP2 e o recobrimento duplo p2 : S2 → RP2. Suponha que
(i) esteja satisfeita. Então, f#π1(X) = π1(RP2) ≈ Z2 e p1 é o recobrimento correspondendo
ao subgrupo f#π1(X) de π1(RP2). Assim, ou N(f) = 0 ou N(f) = R(f) = 1. Agora, se
N (f ) = 0, então também µ(f) = 0 pela Proposição 6.15. Se N(f) = 1, então o resultado é óbvio. Portanto, temos µ(f) = µC(f )N (f ). Se, por outro lado, (ii) se verica mas (i) não se
verica, então utilizamos o Teorema 6.22. ¥
O Exemplo 6.23 providencia uma aplicação f : K → RP2, de um 2-complexo no plano
projetivo, a qual, além de não ser do tipo ∇2 e vericar f#π1(K) = 0, verica também
µ(f ) 6= µC(f )N (f ). Isto mostra que as hipóteses do Teorema 6.25 não são supéruas.
Para encerrar este capítulo, gostaríamos de indicar quatro referências muito importantes para o estudo da teoria de raízes para aplicações entre superfícies fechadas; são elas [4], [5], [6], [20] e [21]. Vários resultados que demonstramos neste capítulo podem ser inserido no contexto destas referências quando consideramos que o domínio X das aplicações dadas seja uma superfície fechada. Deste modo, pode-se testar compatibilidade de resultados e obter algumas conseqüências interessantes quando se considera em conjunto resultados provados neste texto e aqueles contidos nas referências citadas.
Capítulo
7
O problema de raízes para
aplicações convenientes
Neste capítulo, vamos provar condições necessárias e sucientes para que uma aplicação f : K → M, de um 2-complexo nito em uma superfície fechada, seja livre de raízes. A parte suciente destas condições serão, em geral, restritas a um tipo especial de aplicações, que chamaremos aplicações convenientes (denição a seguir). A primeira de tais condições envolve a trivialidade do homomorsmo induzido por f nos segundos grupos de homoto- pia, o qual nós denotamos f#2 : π2(K) → π2(M ), e a existência de levantamentos para
f# : π1(K) → π1(M ) através do homomorsmo l# : π1(M1) → π1(M ) induzido pela inclu-
são natural l : M1 → M do 1-esqueleto M1 de M em M. (Aqui, sempre consideramos a
superfície M com sua decomposição celular minimal). Mais adiante, deniremos o que cha- mamos uma mutação de um homomorsmo. Este conceito será utilizado para providenciar condições para a existência de levantamentos de homomorsmos ao longo de epimorsmos de grupos livres sobre grupos arbitrários. Tais condições serão mais tarde utilizadas para se determinar condições para que uma aplicação seja livre de raízes. Um conceito similar chamado mutação simbólica também será apresentado. Na verdade, uma mutação simbólica pode ser considerada com que uma generalização do conceito de mutação de homomorsmos. Usando este novo conceito, apresentamos alguns resultados que tornam mais viável a aplica- bilidade dos resultados principais apresentados no capítulo em situações práticas. A saber, nós apresentamos resultados relacionando a aniquilação das raízes de f com a existência de
soluções particulares de certos sistemas de equações em grupos livres induzidos por f. O capítulo se encerra com a apresentação de vários exemplos que ilustram bem a aplicabilidade dos resultados demonstrados.
Em todo este capítulo, usamos a letra maiúscula K para denotar um complexo CW 2- dimensional conexo e nito, e a letra maiúscula M para denotar uma superfície fechada. Esta última será sempre considerada com sua decomposição celular mininal e seu 1-esqueleto
segundo tal decomposição será denotado por M1. Denimos l : M1 → M como sendo a
inclusão natural.
7.1
Aplicações convenientes
Sejam K e L dois 2-complexos nitos e conexos e sejam Π = π1(K) e Ξ = π1(L). Seja
f : K → L uma aplicação de K em L e seja α : Π → Ξ o homomorsmo induzido por
f em grupos fundamentais. Como Ξ atua em π2(L) fazendo de π2(L) um Ξ-módulo, um
procedimento de mudança de anel dene uma ação de Π em π2(L)que torna este último um
Π-módulo. O procedimento é o seguinte: para cada π ∈ Π e cada γ ∈ π2(L), denimos a
ação de π em γ por π · γ = α(π)γ, ou seja, pela ação usual de α(π) em γ, devido a estrutura de Ξ-módulo que possui π2(L). Para evitar confusão, quando consideramos π2(L) como um
Π-módulo através deste procedimento, vamos escreverαπ2(L)ao invés de simplesmente π2(L).
Observe-se que se o homomorsmo α é trivial, então a ação de Π em π2(L) é também
trivial, ou seja, π · γ = γ. Isto ocorre, em particular, se K ou L é simplesmente conexo. Tornado π2(L) um Π-módulo, ca perfeitamente denido o módulo de cohomologia do
grupo Π com coecientes em απ2(L), o qual denotamos por H2(Π;απ2(L)).
Vamos denotar por [K, L]α o conjunto das classes de homotopia baseadas de aplicações
baseadas de K em L induzindo o homomorsmo α : Π → Ξ em grupos fundamentais. O seguinte resultado corresponde ao Corolário 4.13 da página 95 de [1].
Teorema 7.1. Classes de homotopia [f] ∈ [K, L]α são unicamente determinadas por seu
homomorsmo de módulos induzido f#2 : π2(K) → απ2(L) se, e somente se, o módulo de
cohomologia H2(Π;
απ2(L)) é trivial.
Segue-se deste teorema, em particular, que se π2(L) = 0, então quaisquer duas aplicações
baseadas f e g de K em L induzindo o mesmo homomorsmo em π1 são homotópicas.
O nulidade do módulo de cohomologia H2(Π;
απ2(L)) será hipótese determinante para a
veracidade de alguns resultados que enunciaremos na seqüência. Por isso, e para que não tenhamos que escrever repetidamente esta hipótese, denimos o seguinte:
Denição 7.2. Uma aplicação f : K → L induzindo α : Π → Ξ em grupos fundamentais será chamada uma aplicação conveniente se H2(Π;
7.1 Aplicações convenientes 105 Observação 7.3. Temos os seguintes resultados:
1. Se π2(L) = 0, então toda aplicação f : K → L é conveniente.
2. Se M é uma superfície fechada que não a esfera S2 nem o plano projetivo RP2, então
π2(M ) = 0 e toda aplicação f : K → M é conveniente.
3. Se π2(K) = 0, então K é asférico (veja [1]) e, assim, um complexo K(Π, 1). Logo,
H2(Π;
απ2(L)) ≈ H2(K;απ2(L))e uma aplicação f : K → L é conveniente se, e somente
se, H2(K;
απ2(L)) = 0.
4. Se Π = π1(K)é um grupo livre, digamos de posto p, então o bouquet de 1-esferas ∨pS1
é um complexo K(Π, 1) e temos H2(Π;
απ2(L)) ≈ H2(∨pS1;απ2(L)) = 0. Logo, toda
aplicação f : K → L é conveniente.
5. Se K = K1 é um 1-complexo, então Π = π
1(K) é um grupo livre e toda aplicação
f : K → L é conveniente.
6. Uma aplicação f : K → S2 é conveniente se, e somente se, H2(Π; Z) = 0.
7. Para que uma aplicação f : K → RP2 seja conveniente é suciente que H2(Π; ˜Z) = 0
para todo sistema de coecientes locais (torcidos) Π → Aut(Z) que denotamos por ˜Z. Os cinco primeiros itens da observação acima são triviais. Para justicar as duas últimas, apresentamos um argumento simples:
Sendo L a esfera ou o espaço projetivo, temos π2(L) ≈ Z. Agora, dada uma aplicação
f : K → Le considerando α = f#: Π → Ξ, temos:
• Se L = S2, então α é o homomorsmo trivial e, neste caso, a ação de Π em π
2(S2) ≈ Z
é também trivial, ou seja, para cada par π ∈ Π e γ ∈ π2(S2), tem-se π · γ = γ.
• Se L = RP2, então Ξ ≈ Z
2 = {−1, 1} e, neste caso, para cada π ∈ Π e γ ∈ π2(RP2),
temos exatamente duas possibilidades: ou π · γ = γ ou π · γ = −γ.
Isto mostra que a ação de Π em π2(L) ≈ Zinduzida por α dene um sistema de coecientes
locais ˜α : Π → Aut(Z) ≈ Aut(π2(L)) para K, bem como para qualquer complexo K(Π, 1).
De acordo com os dois itens acima, temos:
• Se L = S2, o sistema ˜α : Π → Aut(Z) é trivial, ou seja, ˜α(π) = 1, para todo π ∈ Π. • Se L = RP2, o sistema ˜α : Π → Aut(Z) pode ou não ser sobrejetor.
Isto basta para justicar os itens 6 e 7 da Observação 7.3.
Antes de apresentarmos o teorema principal desta seção, apresentamos um importante lema que será utilizado em sua prova.
Lema 7.4. Todo homomorsmo de grupos α : Π → Ξ pode ser realizado como o homomor- smo induzido em grupos fundamentais por uma aplicação celular f : K → L.
Prova: Sejam ϕ : K → KP e ψ : LQ → L equivalências de homotopia (que existem pelo
Teorema 2.2), onde KP e LQ são os 2-complexos modelos induzidos por apresentações P =
hx1, . . . , xn| r1, . . . , rmie Q = hy1, . . . , yu| s1, . . . , svi, respectivamente. Então, os 1-esqueletos
de KP e LQ são, respectivamente, os bouquets de n pétalas e u pétalas
KP1 = ∨nS1 = eK0 ∪ e1x1∪ · · · ∪ e1xn e L1Q = ∨uS1 = e0L∪ e1y1 ∪ · · · ∪ e1yu.
Denote x = {x1, . . . , xn}e y = {y1, . . . , yu}e sejam F (x) e F (y) os grupos livres de posto
ne u gerados por x e y, respectivamente. Seja N(r) o subgrupo normal de F (x) gerado pelas palavras r1, . . . , rm e seja N(s) o subgrupo normal de F (y) gerado pelas palavras s1, . . . , sv.
Sejam ΩΠ: F (x) → Π e ΩΞ : F (y) → Ξ os homomorsmos quocientes canônicos.
Para cada 1 ≤ j ≤ n, escolha uma palavra wj ∈ F (y)tal que ΩΞ(wj) = (α ◦ ΩΠ)(xj). Seja
α1: F (x) → F (y)o único homomorsmo tal que α1(xj) = wj. É fácil ver que α◦ΩΠ= ΩΞ◦α1,
ou seja, o quadrado do seguinte diagrama é comutativo:
0 //N (r) //F (x) ΩΠ // α1 ²² //Π α ²² //0 0 //N (s) //F (y) ΩΞ //Ξ //0 Dena f1 : K1
P → L1Q como sendo aquela função que aplica cada e1xj em L
1
Q exatamente
como α1 aplica x
j em F (y) ≈ π1(L1Q), isto é, a imagem de cada e1xj por f é um laço que
percorrendo L1
Q exatamente como o homomorsmo α1 soletra α1(xj) como uma palavra em
F (y). É óbvio que existe uma identicação natural
α1 = f#1 : F (x) ≡ π1(KP1) −→ π1(L1Q) ≡ F (y).
Agora, cada relator ri na apresentação P é uma palavra no grupo livre F (x) (podendo ser
inclusive a palavra vazia ou uma palavra com uma única letra) tal que (α ◦ ΩΠ)(ri) = 0em Ξ,
pois ΩΠ(ri) = 0. Além disso, o complexo modelo KP possui m células de dimensão 2, digamos
e2
1, . . . , e2m, indexadas de tal modo que a 2-célula e2i é colada em KP1 segundo a palavra relatora
ri. Seja l : L1Q ֒→ LQ a inclusão natural. Então (l ◦ f1)#(rj) = (ΩΞ◦ α1)(rj) = 0 para cada
1 ≤ j ≤ n. Logo, a aplicação composta l ◦ f1 se estende para cada 2-célula e2i, denindo uma aplicação celular f′ : K
P → LQ vericando, para cada 1 ≤ j ≤ n, (f#′ ◦ ΩΞ)(xi) =
(l ◦ f1)#(xi) = (ΩL◦ α1)(xi) = (α ◦ ΩΠ)(xi). Isto basta para provar que f#′ = α.
Para nalizar, dena f = ψ ◦f′◦ ϕ : K → L. Como ϕ e ψ são equivalências de homotopia,
segue-se que f#= f#′ = α, como queríamos demonstrar.
7.1 Aplicações convenientes 107
Observe que para que se cumpra a demonstração anterior, não é necessário que LQ possua
2-células, podendo ser a apresentação Q simplesmente da forma Q = hy1, . . . , yu| i, ou seja,
LQpode ser um complexo 1-dimensional. E se este é o caso, então é evidente que Ξ é isomorfo
ao grupo livre F (y) e ΩΞ : F (y) → Ξé o isomorsmo identidade.
Agora, apresentamos o resultado principal desta seção. Para tanto, consideramos M uma superfície fechada com decomposição celular minimal e M1 o seu 1-esqueleto. Ainda mais,
denotamos por l : M1 → M a inclusão natural.
Teorema 7.5. Uma aplicação conveniente f : K → M é livre de raízes se, somente se, f#2 : π2(K) → π2(M )é trivial e existe um homomorsmo φ tornando comutativo o diagrama
abaixo: π1(M1) l# ²² π1(K) f # // φ tt::t t t t t t t π1(M )
Prova: A parte somente se é verdadeira mesmo se a aplicação f não é conveniente. Com efeito: Suponha que f seja livre de raízes. Então, sejam ϕ uma aplicação homotópica a f e a ∈ M um ponto tais que ϕ−1(a) = ∅. A menos da composição de ϕ com um auto-homeomorsmo de M homotópico a aplicação indetidade, podemos considerar que a ∈ M \ M1. Assim, M1
é um retrato por deformação forte de M \ {a}. Seja r : M \ {a} → M1 uma retração. Dena
¯
ϕ : K → M1 como sendo a composição ¯ϕ = r ◦ ϕ. Então, l ◦ ¯ϕ : K → M é uma aplicação
homotópica a f. Agora é suciente denir φ = ¯ϕ# para se obter f# = l#◦ φ. Além disso,
como π2(M1) = 0, é óbvio que f#2 é o homomorsmo trivial.
A m de provar a parte se, suponha que f#2 seja trivial e φ : π1(K) → π1(M1) seja
um homomorsmo vericando f# = l# ◦ φ. Pelo Lema 7.4, existe uma aplicação celular
¯
ϕ : K → M1 tal que φ = ¯ϕ
#: π1(K) → π1(M1). Seja ϕ : K → M denida pela composição
ϕ = l ◦ ¯ϕ. Então ϕ#= l#◦ φ = f# e f#2 = 0 = ϕ#2. Seja f
cel : K → M uma aproximação
celular de f e considere como ponto base em M a sua (única) 0-célula e como um ponto base em Kqualquer de suas 0-células. Como ϕ e fcelsão ambas aplicações celulares, elas são aplicações
baseadas. Além disso, ϕ#= f#cel e ϕ#2 = f
cel
#2 = 0. Agora, por hipótese, H
2(Π;
απ2(M )) = 0.
Pelo Teorema 7.1, segue-se que fcel é homotópica (baseada) a ϕ. Conseqüentemente, f é
homotópica a ϕ (através de uma homotopia não necessariamente baseada). Como ϕ é não
sobrejetora, f é livre de raízes. ¥
Quando o homomorsmo ϕ no Teorema 7.5 existe, nós o chamamos um levantamento de f# ao longo de l#. Alternativamente, diz-se que f# possui um levantamento ao longo de l#.
É óbvio que se f#é o homomorsmo trivial, então o levantamento φ existe, aliás, é suci-
ente denir φ como sendo também o homomorsmo trivial. Assim, uma aplicação conveniente induzindo o homomorsmo trivial em grupos fundamentais é livre de raízes se, e somente se, f#2 é também trivial.
A parte se do Teorema 7.5 não é verdadeira, em geral, se a aplicação f não é conveniente. Apresentamos agora um exemplo para ilustrar este fato: Seja T o toro S1× S1. Como T
é um espaço K(π1(T), 1), temos H2(π1(T);απ2(S2)) ≈ H2(T; Z) ≈ Z para toda aplicação
T→ S2 induzindo α (o homomorsmo trivial) em grupos fundamentais. Portanto, não existe
aplicação conveniente do toro T na esfera S2. No entanto, é claro que existe uma aplicação
f : T → S2 de grau 1, e tal aplicação não é livre de raízes. Agora, é óbvio que f
# e f#2 são
homomorsmos triviais. Em particular, f# possui levantamento ao longo de l#. Para obter
um outro exemplo, seja p2 : S2 → RP2 o recobrimento universal e dena ¯f : T → RP2 pela
composição ¯f = p2◦ f. Esta aplicação não é conveniente e não é livre de raízes. No entanto,
¯
f# e ¯f#2 são homomorsmos triviais.