I. BÖLÜM
3. YÖNTEM
3.3. Veri Toplama Araçları
O óxido nítrico (NO) é um gás radical livre solúvel, altamente lábil e permeável a membranas e produzido por diferentes tipos celulares, tais como células endoteliais vasculares, neurônios, células epiteliais do trato respiratório, fibroblastos, hepatócitos e macrófagos (BECKMAN; KOPPENOL, 1996; SONG et al., 2002; PARSLOW, 2004).
A reação de síntese de óxido nítrico (FIGURA 7) é catalisada pela enzima óxido nítrico sintase (NOS) e envolve duas etapas. A primeira etapa consiste na hidroxilação de um dos nitrogênios guanidinos da L-arginina que forma NG-hidroxi-L- arginina (NHA) como um produto intermediário ligado à enzima. Na segunda, ocorre a conversão da NHA em NO e citrulina. O mesmo doador de elétrons, a forma reduzida do fosfato de nicotinamida adenina dinucleotídio (NADPH), é requerido em ambas às etapas. Os átomos de oxigênio que são incorporados ao NO e à L-citrulina derivam-se de moléculas distintas de oxigênio (MARLETTA et al., 1988; MARLETTA, 1994; FELDMAN; GRIFFITH; STUEHR, 1993).
FIGURA 7: Reação catalisada pela NO-sintase. Fonte: DUSSE; VIEIRA; CARVALHO, 2003.
A enzima NOS foi caracterizada em diferentes isoformas, as quais representam produtos de genes distintos. As isoformas da NOS são agrupadas em três categorias: a NOS constitutiva (c-NOS), dependente de íons cálcio (Ca++) e de calmodulina, que está envolvida na sinalização celular e a NOS induzível (i-NOS), produzida por macrófagos e outras células ativadas por citocinas. Dentre as cNOS podem ser citadas a NOS endotelial (eNOS) e a NOS neuronal (n-NOS). A eNOS está presente em células endoteliais vasculares e plaquetas, enquanto as nNOS está presente nos neurônios. A iNOS requer algumas horas para ser expressa, mas, uma vez sintetizada, libera quantidades maiores de NO que a c-NOS e a produção deste continua indefinidamente até que a L-arginina ou os co-fatores necessários para sua síntese sejam depletados ou ocorra morte celular (FLORA FILHO; ZILBERSTEIN, 2000, BARRACHINA; PANES; ESPLUGUES, 2001; LOSCALZO, 2001).
Nas reações inflamatórias, o NO derivado de células estimuladas pela ação de citocinas está envolvido com mudanças na permeabilidade vasculares do tecido inflamado (CHANG; CHAN; CHAN, 2003). Esse gás atravessa o espaço endotelial em direção a musculatura vascular lisa e estimula a enzima guanilato ciclase solúvel e a conseqüente formação de cGMP (monofosfato cíclico de guanosina) intracelular,
o que resulta no relaxamento das células do músculo liso vascular (FIGURA 8) (CONGER, 1994; LYONS, 1995).
FIGURA 8: Mecanismo de vasodilatação mediado pelo óxido nítrico. Fonte: CERQUEIRA; YOSHIDA, 2002.
A quantidade de NO produzida pode determinar se ele é protetório ou tóxico. Pequenas quantidades são necessárias para a homeostasia. Entretanto, o aumento dos níveis de óxido nítrico, como aqueles encontrados na ativação da iNOS são citotóxicos. No entando, a produção elevada de NO pode ser importante na defesa contra tumores (GEWALTIG; KOJDA, 2002).
O NO é amplamente usado no tratamento da hipertensão pulmonar, na doença respiratória do adulto, transplante cardíaco e pulmonar, hérnia diafragmática congênita, hipertensão pulmonar persistente do recém-nato, edema pulmonar das grandes altitudes e em doenças pulmonares crônicas (ARANDA; PEARL, 1998). Além destas, outras ações descritas para o NO incluem a proteção contra danos sistêmicos induzidos por citocinas, assim como, a inibição da adesão e migração de leucócitos através do endotélio vascular da camada celular endotelial (KUBES; KUROSE; GRANGER, 1994).
1.6 FUNGOS
Os fungos, durante muito tempo, foram considerados vegetais e, somente a partir de 1969, passaram a ser classificados em um reino à parte, o Reino Fungi (WHITTAKER, 1969). Estes são organismos que possuem características comuns tanto aos animais quanto aos vegetais, apresentando, desta forma, morfologia bastante diversificada. Crescem rapidamente e forma filamentos celulares microscópicos denominados hifas, cujo conjunto constitui uma espécie de tecido próprio, o micélio, responsável por todas as funções vegetativas do organismo. Os fungos são heterótrofos, não fabricando matéria orgânica a partir de carbono inorgânico, eucariontes, maioria multicelulares e essencialmente terrestres. Todos apresentam parede celular em alguma fase do ciclo de vida, sendo esta constituída de quitina, conferindo rigidez e resistência à degradação microbiana e o glicogênio é o carboidrato de reserva (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2001). Esses organismos são divididos em quatro filos de acordo com seus mecanismos reprodutivos, por exemplo: Chytridiomycota, Zygomycota, Ascomycota e Basidiomycota (ALEXOPOULOS; MIMS; BLACKWELL, 1996).
Os fungos representantes do filo Basidiomycota, comumente conhecidos como basidiomicetos, constituem um grupo diverso, sendo os cogumelos e orelhas- de-pau, os mais conhecidos (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2001).
Os cogumelos são utilizados desde a antiguidade pelo homem como alimento de alto valor nutritivo e terapêutico. Na natureza, existem diversas espécies de diferentes cogumelos, sendo alguns venenosos, alucinógenos e outros que possuem propriedades medicinais e até afrodisíacas (ALEXOPOULOS; MIMS; BLACKWELL, 1996).
Os maiores produtores mundiais de cogumelos são os Estados Unidos, França, Alemanha, Holanda, China e Japão e como principais consumidores podem ser destacados a Alemanha, Holanda, Japão e China (MODA et al., 2005). Em contraste, o consumo de cogumelos no Brasil ainda é muito pequeno quando comparado aos povos europeu e asiático e está restrito a certos grupos étnicos ou de maior status cultural e econômico (DIAS; ABE; SCHAWN, 2004).
Estima-se que existam mais de 1,5 milhão de espécies de fungos no mundo embora apenas 5% tenham sido descritas (HAWKSWORTH, 2001). Apesar do pouco relato que se tem sobre esses organismos, reconhece-se que muitos deles já se tornaram imprescindíveis para a saúde humana (HERRERA, 2001)
Pelo menos 5.000 espécies de fungos estão envolvidas nas associações ectomicorrízicas, geralmente com alto grau de especificidade (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2001). As ectomicorrizas são, em sua maioria, formadas por basidiomicetos, incluindo muitos gêneros de cogumelos (SMITH; READ, 1997). Dentre esses basidiomicetos, podem-se destacar várias espécies do gênero Scleroderma. O Gênero Scleroderma Pers.: Fr. (Gasteromycetes, Sclerodermatales), inclui 25 espécies ectomicorrízicas normalmente conhecido como “bolas de terra”, distribuídas em todo o mundo (KIRK et al., 2001).
Apesar deste gênero incluir fungos venenosos, as espécies têm sido investigadas por suas propriedades anti-inflamatórias e hemostáticas (GUZMÁN 1970, LIU, 1984).
Algumas espécies do gênero Scleroderma já foram descritas por estarem presentes no Brasil, entretanto, Scleroderma nitidum só foi encontrada no estado do Rio Grande do Norte, até agora (GURGEL; SILVA; BASEIA, 2008). A figura 9 ilustra o basidioma desta espécie.
Scleroderma nitidum possui basidiomas marrom amarelados (KW 5D5), subglobosos, 1.5-3 cm diâm. Perídio 4-5 mm espessura quando fresco, superfície verrucosa, marrom escura (KW 6F6), uniformemente espalhada sobre a superfície que apresenta deiscência irregular; hifas hialinas, 10-18 x 6-12 µm. Gleba pulverulenta, cinza oliva (KW 3F3). Basidiosporos marrom escuros, globosos, equinulados, 11-12 µm diâm.
FIGURA 9: Figura ilustrativa do basidioma de S. nitidum. Fonte: (GURGEL; SILVA; BASEIA, 2008).