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2. VERİ MADENCİLİĞİ

2.4. Veri Madenciliği Modelleri

Uma das maneiras mais intensas de o ser humano se relacionar sempre foi através do afeto, em seus diversos níveis de circulação dentro dos relacionamentos. O “amor”, antes um componente da solidificação da família, composta por um homem, uma mulher e seus filhos, se libertou. Em 1930, Freud alertava que “A civilização atual deixa claro que só permite os relacionamentos sexuais na base de um vínculo único e

indissolúvel entre um homem e uma só mulher, e que não é de seu agrado a sexualidade como fonte de prazer por si própria” (p. 63). Porém, poucas décadas depois, a família sólida tradicional se esfacela, sendo substituída pelas mais variáveis formas de estruturas familiares. Toda forma de amor, dentro dos limites legais, é permitida (ainda que muitas vezes ainda discriminada), e seus agentes estão muito mais perto de uma expressão genuína desses sentimentos. Mesmo assim, ainda há uma dose considerável de homofobia, machismo e, principalmente, insegurança. A abertura geral da sociedade tornou o amor muito mais passível de ser tocado, mas também o tocou com as consequências líquidas da sociedade contemporânea. O amor se tornou líquido.

O desejo dentro da sociedade de consumo acaba se interligando com o desejo afetivo e sexual. Para Bauman (2009), desejo e amor são irmãos, porém o desejo é a “vontade de consumir; absorver, aniquilar, devorar, ingerir”. Como essência, o desejo seria um impulso de destruição, enquanto o amor seria uma vontade de preservação. “Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua” (p. 24). Mas na sociedade líquida, as pulsões sexuais, o desejo e o amor acabam se confundindo em meio a tantas variáveis e possibilidades.

Em meio à efemeridade dos pilares sociais, estar em um relacionamento também pode ser uma maneira de tentar buscar alguma segurança, mas em termos líquidos, não há erro maior. “‘Estar num relacionamento’ significa insegurança permanente” (p. 29), sendo que o suposto alento é um dos principais causadores de insegurança nos tempos líquidos. Aspectos psicológicos estão intrinsecamente ligados a esses fatores, e a auto-projeção é um artifício muito comum na rotina dos relacionamentos e o fato de “eleger” um indivíduo para se conectar conosco é um “poder” digno de auto-deleite: “Não é verdade que uma parte de meu singular valor foi repassado para a pessoa que eu(lembrem-se: eu, a minha pessoa, exercendo minha vontade e o meu arbítrio soberanos) escolhi [...]” (p. 33), ou seja, é um componente a mais para nos fortalecermos enquanto indivíduo, ainda que absorvendo outro para construir uma persona mais forte perante a sociedade.

Há um ponto importante a ser destacado, que Freud trabalha bastante, é a questão do desejo sexual como um desejo primitivo e parte da agressividade natural do

ser humano. Ele destaca o fato de que a civilização impôs algumas condições para “amansar” o homem, em troca de outras benfeitorias. A agressividade humana deveria ser aplacada, e isso inclui certos lampejos de desejo que o homem dito “civilizado” não poderia cometer.

Na realidade, o homem primitivo se achava em situação melhor, sem conhecer restrições de instinto. Em contrapartida, suas perspectivas de desfrutar dessa felicidade, por qualquer período de tempo, eram muito tênues. O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança (FREUD, 1997, p. 73).

Não é nossa intenção entrar em pormenores dos textos psicanalíticos de Freud, mas nos cabe aqui fazer uma breve explanação sobre o seu conceito de ego e superego, que nos ajudará a entender a culpa introjetada no individuo pela sua própria escolha civilizatória. A partir das coerções sociais, a agressividade do homem é introjetada - ela é enviada de volta para seu lugar de origem - para seu próprio ego. Assumida por uma parte do ego e rejeitada pelo resto, que se como coloca como superego, que sob a forma de consciência, põe em ação contra o ego a mesma agressividade que se quis satisfazer externamente. Essa tensão entre ego e superego é o que chamamos de sentimento de culpa, e se expressa como uma necessidade de punição. “A civilização, portanto, consegue dominar o perigoso desejo de agressão do indivíduo, enfraquecendo-o, desarmando-o e estabelecendo no seu interior um agente para cuidar dele” (p. 84).

Essa culpa também é percebida como um “medo da perda de amor”, uma ansiedade social. À medida que as pessoas não exercem certos desejos pelo temor de serem coagidos pelas autoridades e sofrerem, em outra instância, uma perda do amor conquistado até aqui pelos seus semelhantes. Resume Freud:

Em primeiro lugar, vem a renúncia ao instinto, devido ao medo de agressão por parte da autoridade externa (é a isso, naturalmente, que o medo da perda do amor equivale, pois o amor constitui proteção contra essa agressão punitiva). Depois, vem a organização de uma autoridade interna e a renúncia ao instinto devido ao medo dela, ou seja, devido ao medo da consciência. Nessa segunda situação, as más intenções são igualadas às más ações e daí surgem sentimento de culpa e necessidade de punição. A agressividade da consciência continua a agressividade da autoridade (FREUD, 1997, p. 89).

É dessa forma que Freud explica a ansiedade gerada pela jornada civilizatória. Ao mesmo tempo que os seres humanos necessitam dessa ligação em comunidade, seus impulsos são confrontados pela sua própria consciência, gerada por esse paradoxo. Assim, a civilização “só pode alcançar seu objetivo através de um crescente fortalecimento do sentimento de culpa” (p. 95).

Os impulsos, em termos sexuais, sofreram uma libertação a partir da sociedade líquida, as relações estão muito mais predispostas a serem concretizadas em um âmbito puramente sexual. A partir da década de 70, principalmente, a libertação sexual sofreu um avanço, ao mesmo tempo que também passou para a esfera de consumo. Como Bauman salienta:

A separação entre sexo e reprodução, amplamente observada, tem a anuência do poder. É o produto conjunto do líquido ambiente da vida moderna e do consumismo como estratégia escolhida, e a única disponível, de “procurar soluções biográficas para problemas socialmente produzidos” (Ulrich Beck). É a mistura de ambos os fatores que leva ao deslocamento das questões da reprodução e do parto para longe do sexo e na direção de uma esfera totalmente diferente, operada por uma lógica e um conjunto de regras inteiramente diversos dos que regem a atividade sexual (BAUMAN, 2009, p. 62).

Há uma tendência a esperar que o sexo seja autosuficiente, diante da característica do consumismo em relação aos seus bens, que não é a de acumulá-los, mas sim, de usá-los e descartá-los, abrindo espaço para novos objetos de desejo. Bauman fala em uma “ilusão de união” que envolve o momento do orgasmo, que “deixa os estranhos tão distantes um do outro como estavam antes” e que essa função de consumo do sexo, intensa e periódica, acaba por assumir um papel não muito diferente do alcoolismo ou de outros vícios. Para ele, “Não admira que também tenha crescido enormemente sua capacidade de gerar frustração e de exacerbar a própria sensação de estrangulamento que se esperava que curasse” (p. 63).

O mal-estar líquido se forma sempre a partir dessa transferência de elementos externos e internos do indivíduo, fazendo relações com a sociedade na qual vive. Nesse caso do indivíduo frente ao afeto e ao sexo, ele acaba bastante influenciado pelas esferas da libertação e da sociedade de consumo. Porém é sempre uma troca constante entre o que a sociedade forma e o indivíduo devolve, provocando as constantes modificações nesses elementos angustiantes, e que, no período

contemporâneo, correm em direção a uma contínua ansiedade por parte dos seres sociais. A sociedade líquida provoca essa resignificação dos impulsos e sentimentos em todas as esferas, cada vez mais mesclando-as e fazendo paralelos com as esferas dominantes que, em um mundo à mercê do liberalismo econômico, parece ter, senão um representante desse poder, um tipo de poder bem definido.

Benzer Belgeler