4.2. Finansal Kiralama Sözleşmelerinin Vergi Kanunları
4.2.3. Finansal Kiralama İşlemlerinin Vergi Usul Kanunu
4.2.3.1. Vergi Usul Kanunu’na Göre Finansal Kiralama
Em princípios dos anos de 1980, iniciou-se o processo de redemocratização no Brasil. Nessa época, o movimento feminista encampou uma militância dupla: de um lado, precisava deixar claro o seu apoio na luta contra a ditadura militar; de outro, procurou esclarecer que tinha como proposta requalificar o conceito de democracia, adicionando-lhe a ideia de igualdade de gêneros. Neste período, emergiram os conselhos estaduais e federais das mulheres, os quais trabalharam no desenvolvimento das primeiras políticas públicas que trouxeram mudanças importantes para as mulheres.
Na mesma entrevista56, a advogada e ativista feminista brasileira Iáris
Cortês afirma que a Constituição de 1988 trouxe progressos importantes nos capítulos relativos à família e à igualdade entre homens e mulheres. Estes seguiram evoluindo com a promulgação do Novo Código Civil de 2002. Hoje em dia, mesmo que as mulheres já tenham acesso a direitos importantes, a sociedade
55 Cf.: FANAYA e MENDONÇA. Maria Collier de Mendonça and Patrícia Fonseca Fanaya, In
conversation with Jacqueline Pitanguy and Iáris Cortês. Studies in the Maternal, Vol. 5 N. 2, 2013, p. 1-9. Londres, 2013. Disponível em: www.mamsie.bbk.ac.uk. Acesso em: 31 mar. 2014.
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brasileira permanece regida pelo patriarcado. Por esse motivo, na opinião de Cortês (Ibid.), o Brasil necessita de uma revolução doméstica que leve os homens brasileiros a participarem, de fato, nos cuidados com a casa e com os filhos. Pitanguy e Cortês (Ibid.) também citam que, atualmente, as mulheres brasileiras ainda ocupam poucos cargos de liderança e poucos cargos políticos; além disso, a desigualdade entre homens e mulheres no tocante à remuneração permanece em diversos setores. Por fim, Pitanguy (Ibid.) pontua que o Brasil necessita implementar diversas políticas públicas para melhorar as deficiências nas suas infraestruturas, uma vez que mulheres de diferentes classes sociais continuam sofrendo por conta das desigualdades e da falta de equipamentos públicos que lhes forneça o devido suporte.
Segundo Warner (2005, p. 106), nas décadas de 1960 e 1970, as mulheres norte-americanas lutaram pela emancipação feminina. Em seguida, aumentaram a sua participação no mercado de trabalho, esperançosas de que encontrariam boas soluções para cuidar das crianças. Nessa época, Thurer (1994, p. 266)57 relata que
as mulheres acreditavam que seria possível “dar conta de tudo”, ou seja, do trabalho, da casa e dos filhos. Todavia, ao tentarem fazer isso, enfrentaram imprevistos, como a falta de creches, a ausência de leis que garantissem a licença maternidade, um mercado de trabalho que discriminava as mulheres e não concedia benefícios às mães, nem às crianças. Por consequência, os anos de 1970 tanto foram uma década de progressos, quanto de enfrentamento de dificuldades no manejo das jornadas duplas.
Dos anos 1960 aos anos1980, as indústrias, assim como o volume dos investimentos de marketing e publicidade destinados aos produtos focados nas mães, bebês e crianças continuaram crescendo. Da mesma forma, o mercado
57 Citação indireta, a partir de tradução nossa do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“Given permission (in theory, anyway), to ‘have it all’ – children and careers – these young American mothers attempted to become superwomen. Facing formidable problems – no federally backed maternity leave, day care, or hospitalization for childbirth [...]; a job market that discriminates against women and makes no concessions for the needs of mothers and children –
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criado pelos especialistas e seus guias práticos de maternagem ampliou as ofertas e aumentou as vendas. Nas palavras de Susan Douglas e Meredith Michaels:
A partir dos meados da década de 1970, as mães trabalhadoras se tornaram a coisa mais importante que um grupo de pessoas pode se tornar nos Estados Unidos: um segmento de mercado. E elas se tornaram um segmento quando os mercados de nicho estavam pipocando com o surgimento dos canais de TV a cabo, das revistas como Working Mother, Family Life, Child and Twins, todos esses veículos apoiados por anunciantes especificamente focados nas mães modernas. A crescente ênfase na segurança das crianças promoveu as vendas de assentos para automóveis e capacetes para bicicletas, a crescente preocupação que o Joãozinho não fosse capaz de ler [incentivou a promoção de produtos educativos], o reconhecimento de que as mães compravam carros, assistiam às notícias [...]; tudo isso contribuiu para o desenvolvimento de novos programas de TV, campanhas publicitárias e revistas voltadas para as mães, especialmente as ricas e afluentes. [...] As mães foram bombardeadas, como jamais haviam sido, por construções midíaticas que promoviam o ideal da boa mãe. E as boas mães compravam todos esses artigos para estimular, proteger, educar e mimar os seus filhos. [...] Como todos os esforços midiáticos procuraram aconselhar, elogiar, advertir, mas, sobretudo, vender produtos para as mães, eles colaboraram na construção, ampliação e reforço do new momism (DOUGLAS e MICHAELS, 2004, p. 11 – tradução nossa).58
A partir dos anos de 1980, os Estados Unidos entraram numa fase de retorno aos valores conservadores, a qual ocorreu na era Reagan. Este período teve os interesses governamentais focados nos equipamentos militares, devido à guerra fria, e na implementação da ideologia neoliberal. O governo Reagan cortou
58 Tradução nossa do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“Thus, begginning in the mid-1970s, working mothers became the most important thing you can become in the United States: a market. And they became a market just as niche marketing was exploding – the rise of cable channels, magazines like Working Mother, Family Life, Child and Twins, all supported by advertisements geared specifically to the new, modern mother. Increased emphasis on child safety, from car seats to bicycle helmets, increased concerns about Johnny not being able to read, the recognition that mothers bought cars, watched the news [...] all contributed to new shows, ad campaigns, magazines, and TV new stories geared to mothers, especially affluent, upscale ones. […] mothers were bombarded as never before by media constructions of the good mother. The good mother bought all this stuff to stimulate, protect, educate, and indulge her kids. […] As all this media fare sought to advise mothers, flatter them, warn them and, above all, sell to them, they collaborated in constructing, magnifying, and reinforcing the new momism” (DOUGLAS e MICHAELS, 2004, p. 11).
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verbas que seriam destinadas às creches, ao passo que a crescente inserção das mulheres na força de trabalho aumentou o déficit de suporte que seria provido pelo Estado ou pelos empregadores. Para Reagan, cada família deveria cuidar individualmente de seus filhos. Foi nessa época, que a lógica de mercado passou a reger o Estado. E essa lógica embasava-se no materialismo yuppie, na valorização do status e dos ganhos individuais financeiros (cf, THURER, 1994; DOUGLAS e MICHAELS, 2004; WARNER, 2005).
Durante a década de 1980 e início de 1990, o “problema sem nome” fragmentou-se em uma infinidade de problemas com muitos nomes: a “síndrome da super-mulher”, “pais ausentes”, “o mommy track59
” “barrigas de aluguel”, “mães solteiras”. Tratou-se de uma época complexa e paradoxal. [...] nós, sem dúvida, enfrentamos uma reação conservadora contra o movimento feminista, os direitos humanos e civis de todos os tipos [...]. A onda de nostalgia que levou Ronald Reagan para a Casa Branca, procurou voltar o tempo para restabelecer a família tradicional (THURER, 1994, p. 288-289 – tradução nossa).60
Nos anos de 1980 e 1990, a ideia de que o livre mercado proveria soluções para os problemas sociais, políticos e econômicos imperou nos Estados Unidos. As mães americanas tiveram de trabalhar de forma mais eficiente e competitiva. Houve uma demanda por uma crescente produtividade. Isto aumentou, consequentemente, a quantidade de trabalho destinada a cada profissional. A corrente tradicionalista focou nos benefícios que as crianças receberiam se as mães ficassem em casa assumindo o papel de cuidadoras principais, ao passo que
59 Mommy Track: caminho pelo qual as mães optavam por empregos menos demandantes ou em
tempo parcial para ganhar algum dinheiro, ficando mais próximas dos filhos.
60Tradução nossa do trecho originalmente escrito em inglês:
“Publishing, advertising, psychology, and the childrearing establishment still conspire to convince women that their careers are at home [...] During the 1980s and the early 1990s, the ‘problem with no name’ splintered into a multitude of problems with many names: the ‘superwoman syndrome’, ‘deadbeat dads’, ‘the mommy track’, ‘surrogate motherhood’, ‘the single mother’. It was, and is, a complex and paradoxical time [...] we undoubtedly are in the midst of a conservative backlash against the women’s movement and civil and human rights of all sorts [...] A wave of cultural nostalgia swept Ronald Reagan into the White House and
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as mães trabalhadoras sentiram-se estressadas, exaustas e culpadas, além de pressionadas no mercado de trabalho (DOUGLAS e MICHAELS, 2004).
Paralelamente, as mídias passaram a promover o medo e a ansiedade, por meio da divulgação de notícias que Douglas e Michaels (2004) classificaram como ameaças de fora e ameaças de dentro. Na análise destas autoras (Ibid.), as ameaças de fora difundiam ideias de que o mundo externo era perigoso; por esse motivo, manter as crianças em casa sob os cuidados das mães seria mais seguro. Para tanto, as mídias noticiaram casos de crianças desaparecidas e abusadas sexualmente; divulgaram alimentos prejudiciais à saúde, casos de alergia e envenenamento; noticiaram escândalos em creches e casos de babás que maltratavam as crianças; assim como riscos de acidentes, de modo a reforçar as preocupações com a segurança das crianças. Já as ameaças de dentro relacionaram-se a notícias de riscos que as crianças poderiam correr dentro de suas próprias casas, ou seja, sob os cuidados de suas próprias mães. Neste caso, os alvos midiáticos passaram a ser mães consideradas inadequadas, promíscuas, mentalmente desequilibradas, delinquentes, alcoólatras, drogadas e até assassinas, segundo os julgamentos midiáticos e a opinião pública. Frente às ameaças de dentro e de fora, o que, na verdade aumentou, foi a vigilância social das mães sob si mesmas, das mães umas para com as outras e da sociedade sob as mães. Por fim, as ansiedades estenderam-se, incluindo diversos sensacionalismos midiáticos. Ainda na década de 1980, as mídias passaram a promover as celebridades maternas como um modelo influente na idealização da maternidade. Segundo Douglas e Michaels (2004), em suas entrevistas, as estrelas hollywoodianas afirmavam manter tudo sob controle, declaravam que ser mãe era divertido e gratificante. Diziam que amavam os filhos incondicionalmente e adoravam ficar em casa com eles. Apareciam nas fotos sempre belas, atraentes e glamourosas. Logo, para Douglas e Michaels (Ibid.), o modelo das celebridades combinava mulheres idealmente perfeitas, porque eram ricas, bonitas e apresentavam carreiras bem sucedidas, muito valorizadas no materialismo elitista da era Reagan. Além do mais, reiteravam o quão fantástico era ser mãe, revelando suas vidas íntimas para os leitores, como se fosse de modo espontâneo. Entretanto, tudo era
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cuidadosamente construído, de modo que se mostrassem carinhosas, confiantes, dedicadas e talentosas, características que contribuíam com seus índices de popularidade.
Nos anos de 1980 e 1990, as mães e as crianças consolidaram-se como mercados lucrativos, os quais foram segmentados em diferentes targets. Neste sentido, Douglas e Michaels (2004) e Thurer (1994) relatam a crescente sofisticação dos produtos domésticos, destinados à decoração dos lares, jardinagem, artesanato, assim como à culinária. Com ironia e bom humor, Douglas e Michaels (2004) definem esta tendência como a Martha Stewartization of America61.