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BÖLÜM 2: ULUSLARARASI KURUMLARIN VERGİ REKABETİNE

2.1. OECD’nin Vergi Rekabetine Bakışı

2.1.5. OECD 2006 İlerleme Raporu

Como nos indica Covre (1996, p. 97) “sem o desejo não há nenhum tipo de sujeito”. Podemos asseverar que o subjetivo se instaura dentro de uma certa irregularidade, no sentido de que se constitui na esfera do desejo e é o que nos diferencia como pessoa singular. O desejo como algo que falta, não existente na realidade. Assim somos sujeitos provisórios e nos constituímos na busca da realização dos nossos desejos. No caso especifico das CEBs há um sujeito que se constitui no desejo de mudança social, a partir da composição da auto- imagem e da identidade que impulsiona um determinado tipo de ação.

Entretanto, não queremos travar uma discussão conceitual acerca da identidade, do sujeito e da subjetividade que move o sujeito neste momento, como já salientamos, no capítulo IV nos deteremos nessa análise, após esta explicitação das falas, refletindo sobre qual o social e o subjetivo que norteiam a ação de cada um dos “sujeitos” que emergem dos grupos em análise, a saber, as CEBs e o MRCC.

No momento, vamos nos ater na explicitação dos sentimentos contidos nas falas que, despontando do envolvimento no grupo, caracterizam a formação subjetiva que orienta a ação social. Cada fragmento de discurso traz inúmeros elementos para se pensar os sentimentos, nas suas causas e conseqüências.

Iniciemos com o depoimento de E.T.O. :

“Eu sinto assim a coisa mais sagrada do mundo. Eu fico triste quando esse pessoal não entende, mas depois eu lembro do nosso professor, o padre B., que ele dizia: ‘lembre-se de uma coisa, você não vai mudar a história, mas você tem que ser o fermento, fique tranqüilo, a mudança é Deus quem faz..’. (...) o milagre é uma coisa muito, muito longe de se pensar. Pra mim o milagre, ele acontece a cada dia em coisas tão minúsculas que esses que tão fazendo essa onda aí não percebem no dia- a-dia da vida deles. Eles precisam ir lá e fazer tudo aquela loucura e não percebem o milagre maior que está acontecendo a cada minuto da vida da gente.” (E.T.O.)

A fala revela os sentimentos da pertença ao grupo, ao descobrir o valor “certo” da vida. Aponta para o desejo do engajamento de todos, explícito pela “tristeza” oriunda do não entendimento dos que manifestam posições contrárias, revela o conflito entre a concepção tradicional de pensar o “milagre” e a visão mais progressista.

Quando comparados com os carismáticos e pentecostais, os progressistas têm uma tendência a subestimar a questão mágica/milagre, bastante enfatizada pelos primeiros. Nenhum dos entrevistados se refere a milagres ou experiências sobrenaturais. (Mariz, 2001, p. 21).

Pelo discurso notamos a crítica ao MRCC evidenciando o conflito de concepção no que tange a questão do milagre. O conceito de milagre é explicitado por meio da experiência de fé que impulsiona o desejo de mudança da realidade.

Neste discurso, temos a expressão dos sentimentos que emergem do envolvimento e orientam o surgimento de desejos que possibilitam a passagem do sujeito provisório para o sujeito-em-constituição. Isto pela composição de uma nova identidade que caracteriza a mudança de vida por meio da realização dos desejos.

Procuramos captar nas falas os indicadores que expressavam o sentimento, a emoção, a fé, o amor, a esperança, a felicidade e a alegria, como tentativa de perceber qual as razões subjetivas que movem o militante, quais sentimentos norteiam a sua ação. Algumas falas nos chamaram a atenção pela emotividade com que estavam “carregadas”. Em muitos momentos nos depoimentos fica visível a necessidade de expressar o sentimento, como na fala de M.A.C.

“O momento é agora porque eu me sinto mais capacitada, mais realizada, uma pessoa mais completa espiritualmente. Vai ser muito difícil a gente ganhar o céu, eu tenho essa consciência, mas seja o que for, pra mim, eu me sinto melhor agora. Eu tô sempre me cobrando, eu acho que sempre tô fazendo pouco.”

Em outros momentos ainda os militantes expressam como a participação possibilita a superação dos próprios conflitos, como revela a fala de M.A.C.:

“Porque você tá tão bem! Você vê que aquilo não tem mais tanta importância...que nem meu marido é um homem adultero, ele não é da Igreja e aquilo não me abala mais e eu não sou uma mulher amarga, eu não sou uma mulher infeliz eu sou uma pessoa...e os outros falam: ‘não sei como você consegue ser tão feliz’ por que? Porque eu vivo o Evangelho, vivo a minha vocação, vivo a alegria de amar. Deus vai perguntar pra gente o seguinte: ‘Você amou?’. Ele não vai perguntar seu nome, seu sexo, sua Igreja, sabe? Vai perguntar se você amou.”

Este sentimento de superação e enfrentamento dos conflitos internos pode também ser percebidos na fala de T.J.S.

“Me sinto a Terezinha (risos), eu não sou mais feia do que ninguém e nem mais bonita do que ninguém. Quando a gente vem do interior, é boba, você tinha vergonha de tudo. A CEBs me ajudou a me encarar enquanto gente. Eu converso com qualquer um de igual pra igual. Te dá força, coragem, dá resistência, te dá isso tudo. Isso é mudança na minha vida.”

É perceptível a necessidade de falar sempre da mudança associada ao comprometimento com as questões sociais, evidenciando que nas CEBs são as lutas sociais que dão o real significado para a vida de fé, como nos lembra Houtart, ao discorrer sobre a teologia da libertação.

Nesse momento, as lutas sociais se transformaram num espaço para pensar e viver a fé, já que constituíam o contexto humano fundamental das sociedades subdesenvolvidas, e a inspiração evangélica exige que se perceba estas últimas com a visão dos pobres. (2003, p. 54).

O desejo de mudança e transformação da sociedade por meio da organização das CEBs é sempre retomado como “mola propulsora” da ação. “Eu sinto assim...um mundo novo. Eu sinto e fico sonhando de um dia a gente poder ter um país onde os direitos das pessoas serem respeitados porque a CEB é mudança”. (M.A.C.).

As CEBs, neste sentido, são entendidas como meio de expressão da fé a partir do comprometimento com as questões sociais, consoante Benedetti:

“Já para as CEBs, o ponto de partida da fé é a mediação histórica, a responsabilidade

e o compromisso livremente assumido, como expressão de fé verdadeira “ . (2001, p. 65). ou ainda, conforme Petrini (1984), reside nas CEBs uma prática que transcende os interesses pessoais, caracterizando uma ética social que instaura o princípio da ação solidária e comprometida com o outro.

...a Comunidade de Base proporciona uma experiência religiosa que não se esgota no interior da pessoa, mas é internalizada como uma ética social que se forma e se explicita na rede de solidariedade que, pelo seu dinamismo organizativo e pedagógico e pela postura de luta para conquistar melhores condições de vida, contém um grande significado social e engendra um notável potencial de ação política. (Petrini, 1984, p. 83).

Há um sentimento de pertença orientado pela fé no resgate das primeiras comunidades cristãs. A identificação com os discípulos explica a necessidade de retomada de uma prática transformadora.

“Eu me sinto bem porque é como se eu fosse discípulo de Jesus, é como se eu pertencesse, de fato, aquela base, aquela raiz. Como se de fato, eu tivesse pegando de novo aquele trabalho e trazendo a tona. É esse o sentimento, sabe?” (A.M.F.P.).

Outros relatam a emoção de participar das atividades realizadas pelo grupo:

“Hoje eu estou ausente, né? eu estou voltando, mas a emoção é muito grande. Um dia

desses eu cheguei para um encontro lá, da espiritualidade. Eu fui convidada porque era um encontro de encerramento e é muito gratificante”. (T.J.S.).

“Me apaixonei por essa Igreja, por esse movimento”. (E.M.G.)

“...quando a gente termina, por exemplo, tá o grupo...tivemos qualquer atividade, no fim daquela atividade dá tudo certo. Pra mim é uma emoção muito grande. A gente sente que conseguiu fazer, não teve erro”. (S.G.V. homem, 56 anos)

A experiência de vida comunitária nas CEBs é capaz de favorecer uma nova percepção de si mesmo e do outro, como salienta Petrini:

O que se verificou, no caso da CEB aqui estudada, foi que a ideologia comunitária tornou-se experiência, isto é, um conjunto de fatos, de compromissos e de sentimentos registrados na consciência de cada pessoa como acontecimento vivido, envolvendo a esfera da inteligência, da afetividade e da vontade. De fato, a experiência pode ser definida como conteúdo de uma vivência, isto é, como uma percepção, ao nível da consciência, do objeto da ação, do sujeito dentro dela e das relações que, no seu decorrer, se estabelecem. (1984, p. 81).

Esta vivência da experiência comunitária expressa nos sentimentos dos depoentes, é capaz de despertar um sentimento de elevada auto-estima e valorização do grupo, o fragmento da fala do sr. G.S.N. caracteriza um certo “orgulho” pelo grupo:

“Olha eu sinto uma importância que todo e qualquer católico – eu não quero desfazer e eu sempre falo isso – não desfaço de pastoral nenhuma, nem de movimento nenhum, nem de ministério nenhum, mas se a gente vai dar uma olhada em tudo, as comunidades eclesiais de base tem uma linha que me chama bastante atenção por eu já tinha dito antes, ela atinge o geral”.

Este sentimento de contentamento e satisfação com a pertença ao grupo é evidenciado em outras falas, constituindo-se como indicadores do discurso. Há uma identificação com a forma de organização, o que caracteriza “esta Igreja diferente”, como alguns denominam.

“E percebendo essa Igreja diferente, gostosa de se lidar (...) a CEBs era essa proposta de ter um Jesus mais perto, um Jesus que, de fato, a gente começava a entender sua proposta, seu objetivo, sem fanatismo, mais pé no chão. Foi que o me atraiu e me fez abraçar a CEBs. As CEBs veio de encontro aos anseios da gente aqui”. (A.M.F.P.). A.M.F.P. ressalta ainda a identificação com os demais membros do grupo,

destacando a unidade que possibilita a sua resistência.

“Com o pessoal...a gente se sente como Jesus nos Evangelhos fala: ‘os gravetos você

quebra, mas um punhado não’. Então, aquela unidade é tão gostosa, é tão junto, vê que a gente não tá sozinho, então faz bem”.

Faz-se necessário evidenciar o sentimento de nostalgia em relação a um determinado período das CEBs, onde havia uma participação mais ativa. O momento de crise, de esvaziamento, como assevera Pierucci e Prandi (1996), fica notório no sentimento de angústia expresso nas falas dos depoentes. Acerca do esvaziamento, explicitam os autores:

Ao longo do desenvolvimento das CEBs deu-se, entretanto, significativo distanciamento entre o projeto da ‘Nova Igreja’ de muitos agentes de pastoral progressistas – padres, seminaristas, religiosos e leigos – e a realidade da pastoral popular. Apesar da grande quantidade de CEBs no país (estimadas em cerca de 80 mil em meados dos anos 80), elas não mobilizaram tantas pessoas como se pensava e anunciava. (...) Hoje, três fatores parecem decisivos no processo de mudança e esvaziamento por que têm passado as CEBs:

1. A política de ‘restauração conservadora’, promovida pelo alto controle institucional da Igreja, centralizado na autoridade do papa, e que consiste, basicamente, em nomeação de bispos não- progressistas, intervenção na formação de presbíteros, ‘reparoquialização’ (divisão das paróquias para efeito de maior controle) e, principalmente, desautorização da Teologia da Libertação, que é o referencial ideológico da pastoral popular....(...) 2. O refluxo dos movimentos populares, em geral, agravado com a crise da utopia política provocada esboroamento do socialismo no leste europeu, a crise teórica do pensamento de esquerda e a ausência de alternativa para a mudança social; 3. Uma certa crise do catolicismo devido à forte concorrência com outras opções religiosas, sobretudo o evangelismo pentecostal, que vem provocando grande evasão de fiéis, sobretudo nas camadas mais pobres e marginalizadas... (1996, p. 72).

Esta situação de esvaziamento pode ser percebida nas falas de alguns dos depoentes, que justificam o esvaziamento relacionando-o à morte do principal líder, o padre B. A senhora E.T.O., uma das líderes atuantes no grupo, deixa transparecer a sua percepção para a mudança, enfatizando a

pressão ideológica que as CEBs exerciam e que por essa razão houve a necessidade de “calar” a voz dos que incomodavam. A entrevistada em uma de suas falas, ao comentar sobre as CEBs se expressa assim:

“Hoje eu vejo ela muito parada porque de um certo tempo pra cá a própria diocese breco tudo, né? a gente sabe que depois do Leonardo Boff uma coisa e outra, ficou claro pra mim que eles entraram nas mãos do poder, né? porque a gente percebeu que a CEBs estava questionando muito inclusive até hoje eu não consigo engolir a morte do padre B22. como um acidente. Pra mim, eu tenho certeza que ele foi encomendado. O padre B. era uma pessoa muito conhecida e muito visada no que ele fazia. Então, hoje em dia, depois de tudo isso, o próprio padre N. deu uma parada total, mudou de nome, não é mais CEBs é grupo de rua....”.

Assumindo a mesma posição, a senhora E., também fala do enfraquecimento, indicando que as mudanças foram provocadas considerando–se a ação que era desenvolvida nas CEBs e que causavam desconforto para alguns setores da sociedade.

“Hoje a gente percebe que a situação do povo não é a mesma daqueles anos, né? que começou...mas ainda tem muitas necessidades ainda, mas agora não sei. Eu não entendi muito direito porque ela tá meia...eu não sei o que tá acontecendo...agora ela tá mais fraca. A gente não tá conseguindo mais, sabe? Eu não sei porque. Porque quando tava bom, tava forte e tudo. Porque eu acho que eles perceberam, eu não sei explicar direito...se ela continuasse daquele jeito tava mexendo muito com a sociedade, entende? Então, eles tavam percebendo que as CEBs, eu não sei explicar sabe? Então por isso que deu essa esfriada e a gente sentiu que...não sei se foi os bispos que também...mandaram os padres mais devagar também, né? então, por isso que a gente sentiu, mas a gente sentiu muito essa frieza das CEBs, a gente sentiu muito”.

Nos dois fragmentos dos discursos percebemos a fala sobre os novos padres. Com a morte do líder, o referencial foi, de certa forma, perdido. Percebemos os sentimentos de preocupação com a atualidade e de saudades de um tempo anterior.

“E hoje o que eu sinto é um pouco de preocupação...nós passamos uma época, não digo que seja por diocese, mas mesmo paróquia, a gente percebe que os padres não conseguem ficar muito perto, caminhar muito junto, né? temos muito ministros, muitos segmentos porque eles precisam de ajuda e aí eu sinto que nós esquecemos de fazer hoje um pouco mais aquilo que os primeiros fizeram que era isso: buscar, pra vir, pra multiplicar. Nós nos encontrávamos pra trabalhar, pra preparar os encontros, né? as pessoas não aceitavam as CEBs como o ponto de referência dos encontros, aí tomou o nome de grupo de rua. Começou a desviar também os encontros pra rezar terço, não pra fazer encontro mesmo, pra evangelização”. (E.A.S.).

22 Como já salientado o padre B. estava desenvolvendo uma atividade com crianças das favelas que compunham a paróquia. Chegou a construir uma padaria comunitária, procurando retirar adolescentes e jovens da dependência química. Um dia quando voltava de uma das comunidades, foi assassinado dentro do carro, em frente a casa paroquial. O crime ainda não foi solucionado e continua sendo investigado.

Há um discurso sobre a mudança de postura e de direcionamento, uma nostalgia das atividades concretas relacionadas aos movimentos sociais.

“Aí, o que eu tô fazendo, é ir numa reunião, mas as coisa concreta não tá dando pra fazer. E eu tô me sentindo muito mal com isso. Vou indo na reunião da CEBs lá. Aí, eu venho aqui tentar por em prática, ainda tá difícil, a gente tá com padres novos e a gente teve muito problemas aqui com a transição de padres...ainda não tá colocando na prática e eles tao fazendo o que podem. Nós fizemos agora em novembro encontro pra falar do racismo, muito legal. Fizemos uma celebração de encher o coração de todo o mundo. Todo mundo saiu assim radiante. A gente fez uma coisa aberta a nível de São Bernardo, movimentando São Bernardo inteiro, mas eu to limitada, tô me sentindo acorrentada. Não tem como fazer coisas concretas, mas infelizmente eu tô amarrada”.

Um dado interessante, que revela a ausência de renovação dos membros das CEBs, é a faixa etária dos participantes. Em todos os grupos em que conversamos com os membros participantes, constatamos uma média de idade de 56 anos entre os que se dispuseram a conceder algum depoimento, numa região com um número grande de jovens. Notamos que os jovens não participam nas CEBs, mas que há um grande número deles envolvidos nos grupos de oração.

Entretanto, por meio da nossa observação participante, vimos uma busca constante de participação efetiva da maioria dos membros que integram as CEBs, falta-lhes, porém, os subsídios que antes eram dados pelos padres; falta-lhes apoio no tipo de atividade pastoral que sempre exerceram. No entanto, fazem questão de expressar o contentamento em pertencer às CEBs e em continuarem resistindo para que este tipo de Igreja não desapareça. Como já salientamos, precisam buscar novos enfoques, o que tem hoje mantido as CEBs vivas, tais como as discussões sobre a subjetividade, ecologia, etnia, gênero etc., Não obstante, mesmo estando a maioria ainda aprisionada a um discurso nostálgico, nos chama a atenção o desejo de continuidade de uma das depoentes, a mais jovem delas.

As CEBs é uma celulazinha da Igreja mãe. Agora por que mudou? Eu não sei. Talvez seja uma nova visão de Igreja que estava despontando aí, né? justamente pra enfraquecer essa Igreja CEBs. Eu sei dizer que a gente tá retomando essa idéia de CEBs. (E.M.G.).

2.2.4 Construção da Nova Identidade – Mudanças Provocadas – 4ª. Fase