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BÖLÜM 3: VERGİ REKABETİNİN TÜRKİYE’YE YANSIMALARI

3.1. Türkiye’de Vergi Rekabeti Olarak Kabul Edilen Uygulamalar

3.1.2. Türk Vergi Sistemi Açısından

Quando falamos em participação mística identificamos um tipo de envolvimento no campo religioso sempre em busca de uma satisfação pessoal, capaz de produzir uma força que nos sustenta em face aos principais conflitos em que vivemos hoje, sobretudo os de ordem afetivo-familiar. Nesse sentido, a participação mística está associada aos sentimentos que o indivíduo experimenta na vida cotidiana por meio da mediação religiosa que possibilita a superação através do encontro com o sagrado.

O que observamos é a irrupção do sagrado como um movimento de revivescência religiosa, sem com isso, negar o impacto do secularismo como um dos fenômenos capaz de explicar o declínio do catolicismo. O que notamos, nos mais variados movimentos religiosos, é o embate à lógica secular, por meio da proliferação de crenças que, numa dimensão supranatural e supra- social, são capazes de oferecer novas direções para as vidas dos indivíduos. Direções que aqui entendemos como o que dá sentido á vida.

Neste particular, a base para a opção por este ou aquele movimento religioso é subjetiva, considerando a necessidade de identificação com algo que seja capaz de contribuir com a realização dos desejos. Desta forma, por meio da participação, será possível a constituição de um novo sujeito, tendo em vista uma nova forma de agir estimulada pelo sujeito desejante de novas práticas sociais, individuais/emocionais que, na adesão do movimento religioso, constrói sua auto-imagem, possibilitando a ação em busca da realização do desejo. Ocorre, assim, a constituição de um novo tipo de sujeito e, segundo essa perspectiva, a prática social poderá ser o resgate do outro em sua emotividade, capaz de ajudar na superação dos conflitos interiores.

A participação mística evidencia-se na esfera da realização dos desejos por meio do encontro com o sagrado como princípio capaz de gerar o encontro consigo mesmo, possibilitando o alívio das tramas do cotidiano e despertando o “encantamento” com o mundo, como princípio de realização.

Este processo de re-encantamento do mundo é explicitado no texto de Japiassú, (1996, p. 166):

Ora, se o banimento, da vida pública, dos valores supremos (os mais sublimes), constitui uma característica de nossa modernidade, a recuperação desses valores, uma valorização da crença e as novas tentativas de busca de sentido estão indicando que há um processo de reencantamento do mundo. Porque, contrariamente ao que pensava Weber, talvez não seja mais a incompatibilidade dos valores últimos da ação que determina a situação existencial do homem contemporâneo. Ademais, a concepção da vida rigorosamente intramundana não constitui mais a revelação do homem à sua verdade. Porque a concepção atual da vida inclui um ‘além’, um ‘transcendente’

Há, nesse sentido, uma busca de um tipo de participação voltada para dentro, para uma relação com o “transcendente”, com o sagrado como sentido de vida, tendo em vista que o sagrado posiciona o homem diante de sua

própria existência, constituindo-se no coração da experiência religiosa. Vale dizer que o sagrado é entendido aqui como fonte de energia, como força que impulsiona para a ação, como prática que dá sentido à vida.

Os relatos sobre a mudança de vida a partir da participação no MRCC são abundantes. Para ilustrar, fiquemos apenas com um.

“Muitas, muitas mudanças. Eu era uma pessoa muito alterada, né? agitada, como se fala? Explodia com facilidade. Hoje, não. Hoje, se acontecer isso na minha vida eu silencio meu coração, entendeu? E depois eu reflito. Se eu tiver que falar com o irmão, eu falo com o irmão, mas no amor e na caridade”. (M.L.L.S.)

Em outras palavras, podemos dizer que há um processo de materialização do sagrado nas práticas humanas, tornando-o conhecido e despertando a adesão de outros. No caso da participação mística, esta materialização é expressa numa mudança de atitude, de postura frente aos conflitos. Percebemos nitidamente, nos relatos, os testemunhos de um antes e de um depois do início da participação. A mudança de vida é a concretização desta relação com o sagrado numa nova forma de expressão que, para o membro do MRCC, gera a cura, o alívio do sofrimento, a superação do conflito, enfim, “resolve” os problemas mais ligados à vida afetivo-familiar, preenchendo o vazio e dando um sentido novo para a existência.

“Assim... trezentos e oitenta graus. Mudou minha vida assim por completo. Pra começar, meu marido foi liberto do vicio do álcool, ele deixou... Deus já começou fazendo logo no primeiro dia, Deus já me deu essa graça, da libertação dele do álcool. E eu comecei a experimentar Deus assim de uma maneira que eu nunca tinha experimentado, apesar de ter passado a vida todinha dentro da Igreja...” (E.L.G.S.)

No caso das CEBs, o sagrado se materializa por meio da participação política. Na ação transformadora das relações injustas é que Deus se manifesta. A articulação da fé e da vida é condição de aproximação ou distanciamento com a dimensão sagrada. O que dá sentido à vida do cristão é uma participação engajada, contextualizada, politizada e comprometida com a vivência das situações-limite da própria história, onde o fiel deve assumir uma certa condição “profética” de anúncio e denúncia ao que contraria a realização plena da justiça.

Por meio da concretização do elemento subjetivo nas práticas sociais encontramos amparo primeiramente em Durkheim (1996), para o qual a religião se acha erigida na natureza mesma das coisas, pois, do contrário, a realidade

faria uma oposição à qual a religião não perduraria. Nesse sentido, a religião explica mais o que há em comum no mundo que de extraordinário.

Todas as crenças religiosas conhecidas, sejam simples ou complexas, apresentam um mesmo caráter comum: supõem uma classificação das coisas, reais ou ideais, que os homens concebem, em duas classes, em dois gêneros opostos, designados geralmente por dois termos distintos que as palavras profano e sagrado traduzem bastante bem. A divisão do mundo em dois domínios que compreendem, um, tudo o que é sagrado, outro, tudo o que é profano, tal é o traço distintivo do pensamento religioso: as crenças, os mitos, os gnomos, as lendas, são representações ou sistemas de representações que exprimem a natureza das coisas sagradas, as virtudes e os poderes que lhes são atribuídos, sua história, suas relações mútuas e com as coisas profanas.(Durkheim, 1996, p. 19).

No processo de articulação entre a religião e a dinâmica do mundo concreto, Weber (2000), por meio do método de análise histórica, compreende que nas mais elementares formas de comportamento motivado pelas religiões o motivo econômico estaria na raiz da ação. Para ele, a religião implementou um caráter objetivo às práticas sociais, que, dentro desta perspectiva racionalizada, projetou a religião no mundo concreto, transformando o seu papel em padrões da prática social.

Como podemos perceber, ao utilizar o conceito de participação como forma de expressão do sentimento subjetivo e de prática concreta deste sentimento no mundo, enfatizamos como na ação participativa, política ou mística, podemos perceber dois tipos de sujeitos provisórios em processo contínuo de construção para responder às mudanças e exigências constantemente novas de seus cotidianos.

A reflexão sobre as direções sociais e subjetivas que emergem destes dois tipos de participação que identificam dois tipos de sujeitos no interior da Igreja católica é o que nos interessa neste momento.

4.3 Direções sociais e subjetivas na construção identitária da Igreja